2. EĞİTİM ve ÖĞRETİM
2.1. PROGRAMLARIN TASARIMI VE ONAYI
Ainda perseguindo o objetivo de entender o perfil das Auxiliares, perguntou-se sobre a classe social a que pertencem essas profissionais, a fim de conhecer um pouco mais sobre as condições de vida desses sujeitos. O Gráfico 4, posicionado logo a seguir, contém as respostas com relação a esta temática:
Gráfico 4 – Classe Social das Auxiliares do CEI
Fonte: elaborado pela autora.
Com pode ser visualizado, com apoio da ilustração, duas opções contemplaram as respostas das Auxiliares: 40% dos sujeitos acreditam compor a classe social média,
60% 40%
CLASSE SOCIAL
Baixa Média
porcentagem referente a Joana e Francisca, enquanto os outros 60%, que correspondem a Maria, Raimunda e Socorro, identificaram-se como pertencente à classe social baixa.
Joana informou que reside em casa própria, localizada na Secretaria Executiva Regional (SER) V. Não possui carro particular e, por isso, confirmou fazer uso do transporte público coletivo para se deslocar até o local de trabalho. De modo geral, considera possuir uma situação financeira “estável”. Inclusive, explicou que
Se fosse pelo meu marido, eu não trabalhava. Por ele, eu ficava em casa. Ele já disse foi muito que o dinheiro dele dá pra nós dois e que não falta serviço dentro de casa. Mas eu gosto é de trabalhar aqui [no CEI]. Deus me livre ficar só em casa. Tô nem doente. A gente tem que ser útil nessa vida! (DIÁRIO DE CAMPO, 22 nov. 2016).
O fragmento do diário de campo demonstra o quão evidente é a presença, em nossa sociedade, da crença acerca da “incompatibilidade do casamento e da maternidade com a vida profissional feminina” (LOURO, 2006, p. 454). Além disso, sugere que o salário de Joana não é essencial para garantir o sustento da família, informação confirmada por essa Auxiliar no questionário. O trecho anteriormente apresentado também revela um entendimento acerca do trabalho da mulher como algo que deve, necessariamente, ser feito no cenário doméstico, local onde não falta trabalho. Inclusive, o “serviço de casa”, ainda é, para muitas mulheres, a terceira jornada de atividade para aquelas que trabalham o dia todo fora de casa.
Francisca, que também afirmou pertencer à classe social média, reside em casa própria, na SER IV do município de Fortaleza. Para deslocar-se para o trabalho, utiliza transporte coletivo, mas, algumas vezes, vai caminhando, pois explicou que sua residência fica bem próxima à instituição em que trabalha. Refere-se ao trabalho como uma atividade fundamental na sua rotina, porém reconhece que seu salário não é a principal fonte de renda da sua família. Assim como Joana, Francisca também pode contar com o apoio financeiro do esposo, pois explicou que o salário que ganha não cobre todas as despesas mensais da família.
Diferente das colegas já citadas, Maria, Raimunda e Socorro acreditam estar inseridas na classe social baixa. Contudo a resposta emitida por essas Auxiliares parece ter desconsiderado a renda de outros familiares77.
Maria possui casa própria, residindo no município de Caucaia, a aproximadamente quinze quilômetros de Fortaleza. A família possui um carro particular, no entanto, como seu esposo é motorista, faz uso do automóvel para trabalhar. Deste modo, Maria afirmou utilizar o transporte público coletivo para se deslocar até o CEI “Hora Marcada”.
Esta Auxiliar assegurou que o salário que recebe não é a principal fonte de renda da sua família. Esta situação revela os resquícios históricos de trabalho docente, sobretudo quando envolve a mulher, como atribuição marcada pela vocação, portanto ocupando o lugar de atividade complementar à maternidade ou ao casamento, de maneira que a gratificação adquirida através do trabalho torna-se um aspecto secundário (LOURO, 1989).
Socorro mora em Caucaia, na casa que pertence aos pais. Afirmou que, por não possuir veículo particular, faz uso de transporte público coletivo para se deslocar até o CEI “Hora Marcada”. Assim como as outras Auxiliares, informou que seu salário não é a principal fonte de renda de sua família.
Raimunda reside na SER IV, em uma casa emprestada por sua mãe, onde não paga aluguel. Faz um trajeto diário mais simples, mas precisa utilizar o ônibus para chegar até o local de trabalho. Na opinião desta profissional, a renda que recebe como Auxiliar não é a principal fonte de sustento para ela e seus familiares, pois afirmou poder contar com ajuda do companheiro com quem vive, quadro que se repete entre essas Auxiliares.
Todas as profissionais afirmaram que não exercem nenhuma outra atividade remunerada além do cargo de Auxiliar da Educação Infantil. Entretanto, durante o período de realização da pesquisa de campo, em situações pontuais, Raimunda foi vista vendendo docinhos, mas parece não ter considerado este trabalho como outra fonte de renda, talvez
77 De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) (INSTITUTO BRASILEIRO DE
GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2016), a população brasileira pode ser classificada em cinco classes sociais: A, B, C, D e E. As diferenças entre uma classe e outra variam conforme o valor total da renda familiar. Sendo assim, a classe A é aquela que possui renda igual ou superior a R$ 14.695,00 (quatorze mil seiscentos e noventa e cinco reais), a classe B tem rendimentos de R$ 4.720,00 (quatro mil setecentos e vinte reais) a R$ 14.695, 00 (quatorze mil seiscentos e noventa e cinco reais), a classe C de R$ 1.957,00 (mil novecentos e cinquenta e sete reais) a R$ 4.720,00 (quatro mil setecentos e vinte reais) e, por fim, as classes D e E com renda de até R$ 1.957,00 (mil novecentos e cinquenta e sete reais). Com base nessas informações, para esta dissertação, foi considerada classe social alta, classe social média alta, classe social média, classe social baixa e outra, respectivamente, A, B, C, D e E. Durante a pesquisa de campo, as Auxiliares, terceirizadas e efetivas informaram que seus salários variavam de oitocentos a pouco mais de mil e quatrocentos reais. Considerando os dados do Pnad, as profissionais investigadas, somente com os seus salários, estariam, portanto, nas classes D e E, que seria a classe social baixa e a opção “outra”.
motivada por sentimento de vergonha ou por não conseguir obter um valor significativo na realização desta atividade.
A condição dessas Auxiliares, de acordo com suas perspectivas, parece diferir dos resultados apresentados por alguns estudos (GATTI; BARRETTO, 2009; PINTO, 2009; SARAIVA; FERENC, 2010; ALVES; PINTO, 2011; BARBOSA, 2011; LOURENCETTI, 2014), em que os docentes ocupam lugar de principais provedores financeiros, sendo necessário estender a carga horária de trabalho ou realizar outra atividade “como forma de compensação dos baixos salários” (BARBOSA, 2011, p. 163).
Apesar desses dados, não parece conveniente afirmar que as Auxiliares do CEI não têm vidas marcadas por dificuldades econômicas. Se assim fosse, possivelmente não estariam trabalhando, algumas buscando estabilidade financeira e outras visando adquirir “um dinheirinho a mais” como, por vezes, afirmaram Joana e Raimunda. Esses aspectos serão melhor destacados nas seções 5.3.11 e 5.3.16 deste capítulo.