3. YÖNETİM SİSTEMİ
3.1. YÖNETİM VE İDARİ BİRİMLERİN YAPISI
Ainda que no item 5.2 desta dissertação tenham sido comentadas as titulações de todos os profissionais do CEI “Hora Marcada”, neste momento, o foco é apenas nas Auxiliares.
Neste processo de delineamento do perfil das Auxiliares, torna-se imprescindível conhecer a formação inicial desses sujeitos. No decorrer da História da Educação Infantil, até os dias atuais, a formação de docentes para o trabalho com crianças pequenas surge como um aspecto problemático, pois as políticas públicas ainda não conseguiram garantir que todos os profissionais que trabalham diária e diretamente com crianças pequenas estejam não só habilitados, mas, também, contratados com o status de professores, conforme sugere a lei educacional do país. Barbosa (2009, p. 36) assevera que
Há mais de dez anos atrás a LDB deixou claro que para o exercício da docência era necessária, preferencialmente, a formação em curso de Pedagogia e, se necessário, a formação em nível médio. Contudo, muitos sistemas e estabelecimentos educacionais perpetuam a situação de ter muitos profissionais sem formação ou com ensino médio e poucos com curso de Pedagogia.
São muitos os municípios que ainda apresentam configurações similares ao quadro descrito por Barbosa (2009), sendo o CEI “Hora Marcada” um exemplo desse cenário. Toda esta situação acaba gerando uma heterogeneidade no perfil dos profissionais da Educação Infantil (KRAMER, 2011a, 2011b). Cabe salientar que o estabelecimento investigado não é um caso isolado, haja vista que realidades como esta são comuns no âmbito nacional, conforme descrito no capítulo em que foi apresentado o Estado da Arte. A situação é preocupante e, na prática, ainda são muitos os avanços a serem conquistados.
Para dar prosseguimento, é fundamental consultar o Gráfico 6, pois esta imagem resume as informações relacionadas à formação inicial dos sujeitos investigados.
Gráfico 6 – Formação Inicial das Auxiliares do CEI
Fonte: elaborado pela autora.
Tomando o Gráfico 6 como foco de análise, é possível perceber que de todo o grupo de Auxiliares, 20% havia concluído o curso de Pedagogia no Nível Superior. Esta porcentagem faz referência a Maria, única pedagoga. O maior percentual de Auxiliares, portanto, concluiu o Ensino Médio na modalidade Normal, no caso, Joana, Francisca e Socorro. Outros 20%, quantitativo que corresponde a Raimunda, não possuem habilitação para o exercício do trabalho docente.
Cabe comentar que a existência de profissionais leigos na Educação Infantil, sobretudo nos dias atuais, soa como disparate, pois a LDB (BRASIL, 1996a), desde a década de 1990, coloca a formação inicial como condição prévia para o trabalho docente com crianças pequenas. Ainda que a formação inicial de docentes para Creches e Pré-Escolas no Brasil ainda tenha um longo caminho a percorrer e necessite ser tratada como prioridade pelas políticas públicas, as Auxiliares parecem reconhecer a importância desta experiência formativa para o desenvolvimento de suas atividades cotidianas. Na ocasião da entrevista, Joana esclareceu: “Eu tenho o pedagógico. Essa formação contribuiu aqui pro meu trabalho! E muito! Muito mesmo! Se eu não tivesse feito o quarto pedagógico, jamais que eu tava aqui! Pra pessoa trabalhar em Creche tem que fazer o pedagógico, né? Pelo menos o pedagógico [risos]”.
Com relação ao mesmo tema, Maria informou que: 60% 20% 20%
FORMAÇÃO INICIAL
Ens. Médio (Modalidade Normal) Ens. Superior (Pedagogia) Sem formação completaA minha formação lá da faculdade contribuiu demais. Vi muito conhecimento útil pra esse trabalho que eu faço. Não dá pra aprender tudo o que a gente precisa, mas dá pra aprender muito. Na faculdade se aprende a ter um trato mais minucioso com as crianças! A gente lê, vê palestra e tudo isso contribui com a nossa formação pra trabalhar na Educação Infantil.
Por fim, com opinião similar a das colegas, Socorro ressaltou que “a formação inicial é importante sim! Quando a gente tem acesso à teoria, junta teoria e prática e melhora o trabalho”.
Joana demonstra reconhecer que é necessário possuir um conhecimento específico para desenvolver o trabalho em Creche e que a formação inicial, portanto, é a oportunidade para que o profissional se aproprie desses saberes, daí afirmar que é preciso “ter pelo menos o pedagógico”. Maria e Socorro se referem a esta formação como um processo de refinamento profissional, sugerindo que o acesso ao conhecimento relacionado ao cuidado e educação provoca reflexos na prática docente cotidiana, ou seja, uma percepção da formação inicial sob uma perspectiva da práxis (ALARCÃO, 1996; PIMENTA; GHEDIN, 2002; WAJSKOP, 2003; CRUZ, 2010b).
Neste momento, torna-se interessante destacar que ainda que a formação inicial tenha sido pontuada como algo que “contribui”, que é “útil” e “importante”, parece relevante perceber que ela não pode ter um fim em si mesma. Falar de formação docente significa tratar de uma experiência de cunho permanente78 na vida desses profissionais (CANDAU, 1997; KISHIMOTO, 1999; CAMPOS, 2002; KRAMER, 2011b), pois como bem alertou Maria, “não dá pra aprender tudo”.
A formação inicial de quatro dentre o total de Auxiliares se deu em estabelecimentos privados, fenômeno parece bastante comum no cenário brasileiro. Uma parcela da população pobre, advinda dos estabelecimentos públicos de Educação Básica, não consegue chegar ao Ensino Superior público. Parte desses indivíduos, para adquirir um diploma em nível superior ou técnico, como o caso da maioria das Auxiliares, recorre a instituições particulares de ensino. Outros, assim como o caso de Raimunda, ficam pelo caminho, excluídos das oportunidades de estender sua formação, pois além das lacunas oriundas da Educação Básica, ainda são acometidos por dificuldades financeiras que impossibilitam o financiamento de um curso particular (CUNHA, 1975; RIBEIRO; KLEIN, 1982; AZANHA et al., 1998; ORTEGA, 2001; CHAVES, 2010; BARROS, 2015b).
Esta complexa tessitura revela que a melhoria da Educação Básica, que inclui a Educação Infantil, depende, também, do investimento na formação inicial docente. A titulação
é um elemento imprescindível, mas é preciso pensar em experiências formativas para além da aquisição do diploma. Daí a necessidade do debate sobre a docência com crianças pequenas, sem esquecer de demarcar esta atividade como uma tarefa que, por lei (BRASIL, 1996a), está incumbida aos professores e não para professores e Auxiliares.