4. BĠLGĠSAYAR PROGRAMI
4.2 Programların Yapısı ve ÇalıĢma Düzeni
E isso demonstra que essa escola formou e conseguiu fazer as pessoas melhoradas em suas possibilidades, suas capacidades… e essas pessoas retornaram para tentar devolver ou retribuir… fazendo com que os novos também tivessem a oportunidade de serem abertos em visão não só de viver, mas no participar da comunidade. (C)
Ao refletir sobre as contradições do convívio docente, que são, na sua maioria, oriundos de uma formação pragmática, positivista, observamos a ação das práticas mediadoras, como caminhos para a superação e meios para alcançar maiores níveis de integração, intermediadas pela prática da dialogia.
A nova visão social do papel do docente em um curso médico, parte da sua aceitação e do seu engajamento em atividades de política e de planejamento em saúde, a partir da consciência dos seus saberes, habilidades, atitudes e afetos, consolidando valores, princípios e interesses na construção do conhecimento, considerando uma demanda plural imposta pelo contexto sócio-político e econômico.
Além disso, todo esse conviver, realmente vale para a docência e para vida profissional fora da Universidade. Você revê os seus conceitos e convive mesmo com a sociedade.(D)
Os professores têm condições de apresentar à comunidade visões mais trabalhadas da estrutura social e política, constroem teorias adaptadas à realidade em que devem se inserir e assim põem a própria comunidade em evidência.
Diante desse contexto, pode se perceber que os professores buscam ampliar seu mundo de ação e de reflexão, ultrapassando os limites da sala de aula, transcendendo para um espaço de análise do sentido político, cultural e econômico, em cujo contexto se insere, e a partir dessa tomada de consciência surge a necessidade de aspiração à emancipação que se interpreta como a construção das conexões entre a realização da prática profissional e o contexto social amplo em transformação.
A rotina de alguns professores, antes das mudanças na metodologia do Curso Médico da UNIMONTES, era a rotina espelhada em sua formação flexineriana. Atualmente os docentes reescrevem suas histórias sobre didáticas e pedagogias, sobre ensinar e aprender, sobre seus saberes e a diversidade permeada pela complexidade do encontro entre os pares. A reorientação na educação médica abre horizontes, modifica e incrementa o cotidiano pedagógico de experiências curriculares e metodológicas, o que fortalece e estimula a construção do conhecimento mediada pela interdisciplinaridade.
Estudei nesta escola e hoje vejo uma postura muito diferente: nossos professores investimento em mestrado e doutorado, pesquisa em ensino, participação em congressos sobre educação, professores reunidos… discutindo educação… construção… conteúdos… Algo de bom aconteceu… são tempos realmente diferentes… (F)
A qualificação dos professores faz com que sejam participantes ativos, nos processos de mudança curricular, em que se aplicam os conteúdos na sua prática, interagindo com os colegas e com a organização curricular, ampliando os conhecimentos ao relacionar com outras pessoas e instituições. Todo este movimento vem proporcionar a participação dos professores na integração entre os conteúdos assumindo responsabilidades com graus crescentes de autonomia.
Se pensada nos moldes da educação permanente a capacitação docente poderia ser um interessante espaço de reflexão crítica sobre a prática e de construção de propostas inovadoras(117).
A interdisciplinaridade como proposta de trabalho em educação, por meio da produção do conhecimento, emerge em diferentes projetos pedagógicos e diversas intencionalidades ético-políticas que são orientadoras de propostas de formação em saúde.
Foi com esse entendimento que este estudo assumiu o objetivo de dimensionar o exercício da interdisciplinaridade na perspectiva dos professores coordenadores e professores construtores de módulos do Curso Médico da UNIMONTES.
A partir da análise empreendida, identificou-se que dos 48 professores participantes desta pesquisa, a maioria possui curso de especialização e/ou mestrado, exercem a docência universitária por mais de cinco anos e mantém vínculo efetivo com a instituição. Todos os docentes trabalham na equipe de construção de módulos a mais de 1 ano. Há professores que são de diferentes origens disciplinares: Psicologia, Farmácia/Bioquímica, Medicina Veterinária, Enfermagem, Ciências Biológicas, Arquitetura e Urbanista, Ciências Sociais e Medicina.
Em relação ás concepções dos docentes-construtores, apreendeu-se que a interdisciplinaridade se caracteriza pela intensidade das trocas entre os especialistas e pelo grau de integração real das disciplinas no interior do PPP e da prática pedagógica, no entanto, pode-se perceber que no âmbito da construção dos conteúdos há desconexões entre as disciplinas.
Para os docentes, a interdisciplinaridade no curso médico apresenta uma relação com o trabalho em equipe, e o uso de metodologias ativas amplia a compreensão das multifacetas da realidade. De acordo com estes sujeitos, o PPP busca esta interdisciplinaridade, na medida em que apontam a uma metodologia ativa e flexível que estimula a criatividade e o desenvolvimento da dimensão participativa nos processos educativos. No entanto, ressaltam as dificuldades de uma prática interdisciplinar numa perspectiva de ação colegiada, participativa e articulada, traduzidos nas relações consigo mesmo e com os outros.
A percepção dos docentes construtores desvela a visão da falta de interdisciplinaridade, apesar de o currículo ser interdisciplinar a partir da percepção de
que não há, no curso médico em que estão inseridos, a vivência ampla da interdisciplinaridade nas atividades pedagógicas.
Semelhante a investigação realizada junto aos docentes-construtores, o resultado das entrevistas permitiu também desvelar os olhares dos docentes- coordenadores quanto à interdisciplinaridade.
Esses docentes apontam a comunicação interativa entre os campos do conhecimento como condição indispensável à concepção de ações interdisciplinares e a superação do modelo da educação tradicional, por meio da ação coletiva das pessoas e/ou do grupo, promovendo uma práxis docente ampliada, ultrapassando a divisão do pensamento fragmentado e da visão disciplinar das especialidades.
Para tanto, consideram a composição da equipe de docentes que elaboram os módulos uma estratégia poderosa para favorecer a inclusão de conhecimentos das diferentes disciplinas, desde que haja intensa reciprocidade, troca, diálogo constante, interação e comunicação entre as pessoas e as diversas áreas do conhecimento. Para eles estas atitudes refletiram na formação integral dos alunos no sentido de exercerem criticamente sua profissão, constituindo em um elo que estabeleça relações das disciplinas com a realidade.
O trabalho em equipe é permeado pela concepção da importância do outro, sem o qual não pode haver a troca mútua da evolução do pensamento e da linguagem, e nem ampliação dos horizontes dentro do processo sócio-histórico educacional – a integração dos conteúdos e a passagem de uma concepção fragmentária para uma concepção unitária do ser humano.
A adoção da ABP, na visão desses docentes, possibilitou a troca do papel entre os atores que participam do processo de produção de conhecimentos e a efetivação de práticas educacionais de forma tão fecunda quanto necessária, tendo fortes marcas da dimensão política de educação, comprometida com uma visão crítica da relação da educação com a sociedade, vinculada a formação do futuro profissional.
No âmbito institucional, este trabalho em equipe encontra entraves e enfrentamentos.
A falta de especialista para compor alguns dos módulos corrobora na dificuldade de construção de um senso comum, em função do desconhecimento das características de determinadas disciplinas. Esse entrave é também agravado pelos custos criando com a exigência maior do número de coordenadores e construtores, visto que o método é ativo, interativo, dialógico e frequentemente é revisado e atualizado em seu conteúdo.
Dentre as dificuldades para concretizar a proposta interdisciplinar, as respostas dos docentes evidenciaram: falta de interatividade entre os pilares do curso médico na escolha de alguns temas e conteúdos e das técnicas e estratégias de aprendizagem. Sobressai a dissociação entre os eixos do curso, principalmente na integração Conteúdos Temáticos x Interação, Aprendizagem, Pesquisa, Serviço e Comunidade (IAPSC) x Habilidades e Atitudes. Esses dados são contraditórios com o que é pelo Projeto Político Pedagógico, pois o módulo IAPSC é a estratégia adotada no currículo para integrar o estudante de medicina à realidade social e à prática sanitária, ainda no início do curso.
Por outro lado, no contexto do curso médico da UNIMONTES, os professores reconheceram o IAPSC como um cenário potente para a interdisciplinaridade, na medida em que articula o ensino em saúde às necessidades da comunidade e consolida as orientações advindas das Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de graduação em Medicina, ao privilegiar pontos importantes como: inserir precocemente o estudante em atividades práticas relevantes para a sua futura vida profissional, ao utilizar os diferentes cenários de ensino-aprendizagem, permitindo ao estudante conhecer e vivenciar situações variadas do cotidiano, ao promover integração e a interdisciplinaridade construindo uma rede com a organização da prática e do trabalho em equipe multiprofissional, buscando integrar as dimensões biológicas, psicológicas, sociais e ambientais.
As respostas sugerem ainda um problema: o desconhecimento do Programa Saúde da Família e sua abrangência. Esse é outro tipo de antagonismo que distancia a possibilidade de reaproximação entre teoria e prática. Outro nó crítico está nas relações de parceria e respeito mútuo, que se apresentam como um desafio constante para o trabalho em equipe interdisciplinar, e que, muitas das vezes, são agravados com a saída de um dos membros quando, esses processos já se encontravam avançados no seu movimento de construção, gerando sensação de perda, não só cognitiva, mas também de caráter afetivo.
A análise dos dados e o diálogo com a literatura permitem apresentar como sugestões: estimular a construção participativa dos conteúdos; estimular a presença dos construtores de conteúdo específico no ambiente do IAPSC; incrementar o conhecimento da proposta do Programa Saúde da Família e sua conexão com o IAPSC; desenvolver uma escuta ativa dos sujeitos partícipes (estudantes, docentes, gestores, profissionais dos serviços, usuários), melhorar a interação entre os conteúdos dos períodos; estimular a composição de equipes de formação para o trabalho e pratica interdisciplinar; estimular a produção cientifica baseada na vivencia interdisciplinar; intercambio com escolas que adotam o currículo interdisciplinar; estimular a interação e integração dos docentes.
A realização e divulgação desta pesquisa podem favorecer a ampliação da visão do contexto do processo interno da mudança curricular, ressaltando as possibilidades e limites da prática interdisciplinar na formação médica. Também pode contribuir para o registro das mudanças no cotidiano docente, no diagnóstico das percepções dos atores envolvidos no processo de construção dos módulos, proporcionando um diálogo dos docentes com a sua própria prática disciplinar.
Desvela-se o axioma de rever o velho e torná-lo novo, pois em todo novo existe algo de velho. Assim o exercício interdisciplinar sugere ao educador, atitudes políticas e pedagógicas executadas com coragem, dedicação, competência e compromisso pela educação e a cidadania.
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