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3- Araştırmanın Sınırlılıkları

2.4. PROGRAMIN YAPISI

a) Analisador 1 – Estadia no Hospital para observar as questões psicossociais/casos de violência

Ao prosseguirmos no caminho dos itinerários da rede hospitalar fomos levados até o pronto socorro do Hospital Dr. João Machado (HJM), o mesmo é responsável pela regulação de leitos psiquiátricos do município e estado. Nele conversamos com as responsáveis pelo atendimento no pronto-socorro, a porta de entrada do hospital. Naquela manhã, os responsáveis eram uma psicóloga e um médico psiquiatra.

Inicio a entrevista questionando sobre a ocorrência (presença) de mulheres com queixas em relação à violência no momento da chegada ao hospital. Ambos os profissionais disseram que não havia notificação formal sobre isso, e que não havia

muita ocorrência dessa demanda. Ainda sim, os profissionais entrevistados sublinharam a necessidade de notificá-los assim como se deve fazer em casos de estupro.

Em resposta a esta demanda no cotidiano do Hospital, declararam que o HJM “cuida” exclusivamente de aspectos mentais e que, primeiramente, há a necessidade de ficar até no máximo três dias em observação no hospital para esse tipo de questão possa ser esmiuçada com a assistente social e psicóloga, mas isso não se faz num acolhimento cuja finalidade é analisar as funções mentais.

Neste hospital, não existe um protocolo para abordagem do tema violência. As perguntas referentes ao universo psicossocial são feitas caso haja necessidade de internação ou estadia para observação. Segundo a equipe, esse protocolo seria importante para as estatísticas e documentação.

Em relação ao conhecimento das políticas para mulheres os profissionais alegam que o conhecimento das políticas se dá via mídia televisiva e imprensa e que se articulam mais com os serviços da rede de saúde mental. “Talvez o conhecimento vem muito do que aparece mesmo na mídia, das leis, da questão da delegacia da mulher, essa parte assim da Lei Maria da Penha” (Profissional do Hospital).

A respeito da articulação com a rede de atenção às mulheres os profissionais contam que trabalham especificamente com a rede de saúde mental e que é muito difícil abranger “outras” possibilidades de atendimento. Tal articulação é vista como problemática e pouco funcional.

Essa rede é a gente mesmo que faz no sentido dos contatos, de ligar, de encaminhar. O problema é quando ela não funciona. Posso dizer que algumas minúcias do que existe em cada setor a gente não tem muito contato porque só de saúde mental já é enorme, imagine de outras possibilidades de atendimento. Então a gente acaba tendo mais os órgãos de referência, mas acaba sendo

voltado muito mais ao que é da ordem da saúde mental enquanto transtorno mental e dependência química. (Profissional do Hospital)

Um dos profissionais do HJM possui conhecimento das políticas e serviços de atendimento às mulheres. Atende informalmente as mulheres abrigadas na Casa Abrigo Clara Camarão. Conta-nos que dá assistência na Casa Abrigo Clara Camarão e descreve-nos o funcionamento desta parceria informal:

Quando sou chamado pra atender nessa moradia chamade casa abrigo, eu encontro uma paciente já amparada por uma equipe que tem assistente social, psicóloga, advogada. Então juntamente com a equipe, a gente traça um plano do que seria a melhor assistência possível. Eu medico a paciente, quando existe uma piora, eu atendo, encaminho pro hospital Dr. João Machado, eu atendo também no hospital João Machado até normalizar o estado da paciente e também colaboro nos encaminhamentos junto com a equipe. Mas é uma adição à equipe, eu não tomo nenhuma decisão sozinho, geralmente faço com uma equipe, não tomo nenhuma decisão isolado. A gente tenta dar o melhor encaminhamento possível pra cada situação, dessa questão que tem várias situações diferentes. (Profissional do Hospital)

Desta maneira, segue na descrição de sua conduta nos casos de intervenção na Casa Abrigo:

Se eu percebo que a paciente está bastante ansiosa, não consegue dormir e apresenta crise de choro, então se uma conduta como psicoterapia não tá resolvendo, eu receito um ansiolítico pra reduzir a ansiedade como também pra melhorar a qualidade do sono. Se tá havendo sintomas psicóticos como alucinações auditivas e visuais, como delírios, que no caso é muito frequente de perseguição, então eu inicio o antipsicótico. Quando a paciente apresenta

rebaixamento do humor, então associo também um antidepressivo. Mas assim, tudo com bastante critério e acompanhando o medicamento, se eu observar uma melhora vou reduzindo a dose e assim... (Profissional do Hospital)

Quando perguntado sobre a interface entre as situações de violência e os impactos para a saúde mental das usuárias relatam que a primeira preocupação no acolhimento é o estado psíquico, o que está se passando neste aspecto. Caso haja a necessidade de “ver a questão familiar, isso vai ser lá pra dentro, então talvez você conversando com as assistentes sociais das enfermarias e é quando a coisa vai ser mais esmiuçada e ela vai falar mais de si” (Profissional do Hospital). Apontam a respeito da interface entre os fenômenos que a violência tem relação com o abuso de drogas, desestruturação da família ou a uma genética favorável ao desenvolvimento de transtornos mentais.

Agora, se essa crise foi causada por uma violência doméstica, isso vai ser resolvido ali dentro com equipe do Serviço Social, psicólogo se for uma coisa mais visível. Se não for ainda tão visível, é quando entrar na enfermaria internada, porque a pessoa pode ficar em observação um ou dois dias aqui e pode ficar internada. Aí é na internação onde se tem mais chances de aparecer, que se comece a investigar. Mas se ela for internada é por causa do quanto isso afetou a ela psiquicamente. Não quer dizer que é um transtorno mental, mas de quanto ela é afetada, entendeu? Por exemplo, essa pessoa que estava batendo a cabeça na parede, não posso dizer pra ela “vai procurar outra referência pra ajudar a resolver isso com seu marido”. (Profissional do Hospital)

A última questão referiu-se à sugestão de um modelo de articulação entre as políticas para uma possível melhora para o acolhimento desses casos. Os entrevistados sugeriram a capacitação dos profissionais envolvidos nesse tipo de situação, e a criação

de um protocolo de atendimento para resolver a parte jurídica dessas situações. “Seria interessante que todos os envolvidos fossem capacitados e que tivessem conhecimento de todo esse protocolo, todo esse encaminhamento pra essas situações” (Profissional do Hospital).

Novamente observamos, segundo o analisador eleito, que a violência de gênero contra as mulheres só pode ser visibilizada depois da estadia para observação (que não deixa de ser uma internação de três dias). Este é o modelo de “cuidado” encontrado pelas equipes quando a demanda é relativa a problemas psicossociais. Reitero as palavras que me acompanham neste e nos outros itinerários: violência de gênero contra as mulheres/aspectos psicossociais não são nossa demanda!