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3- Araştırmanın Sınırlılıkları

2.5. İLKÖĞRETİM DİN KÜLTÜRÜ VE AHLAK BİLGİSİ

a) Analisador 1 – Atendimento psicanalítico clínico e individual como “acolhimento” das situações de violência

Chegando à Unidade Básica de Saúde “Pajuçara” localizada na Zona Norte da cidade – bairro distante e portador das piores condições sociais da cidade – entrevistamos o gestor da unidade e uma psicóloga. O acesso à Unidade foi tranquilo. Já encontrar a psicóloga foi bastante complicado, uma vez que a profissional não “frequentava” a UBS todos os dias e, apesar de ser funcionária, trabalhava somente uma vez por semana em um turno. As condições estruturais da Unidade eram as piores possíveis, não havia recursos humanos, tampouco recursos materiais e somente um profissional médico e poucas enfermeiras estavam disponíveis para o atendimento à população. Estas entrevistas foram realizadas conforme a precária possibilidade de

encontrar estes profissionais presentes na Unidade. Nota-se que tive bem menos contato durante estas entrevistas em relação aos outros serviços.

Segundo o gestor as “questões” de violência de gênero contra as mulheres, ficavam à critério dos atendimentos sociais e, naquele momento, não havia assistentes sociais para relatar se recebiam casos de violência. O mesmo relatou que não havia protocolo nem procedimentos específicos para os mesmos. Há a notificação para casos de estupro, mas tal procedimento não tem sido executado pela UBS.

A psicóloga alegava não receber muitas queixas neste sentido, dizendo que os casos de violência chegam a ela pelos atendimentos infantis e familiares. A mesma revela que seu trabalho se dá de forma “solitária” e clínica.

Desde que eu entrei no serviço público que a unidade anterior não tinha uma equipe... Assim, logo que eu cheguei não tinha assistente social, faltava enfermeira, então foram ampliando a equipe, mas não havia um trabalho da rede mesmo. Alguns espontaneamente faziam. Como eu tenho uma formação mais clínica, então acabei não buscando ampliar isso, entendeu? Então meu trabalho continuou clínico aqui e individual, sem esses trabalhos que entram outros profissionais, multidisciplinares. (Profissional da UBS)

Quando perguntados sobre os casos atendidos, ambos nos trazem narrativas trágicas e sangrentas:

Ele tinha um ciúme excessivo e, um dia, ele a esfaqueou, cortando as partes vitais: na perna, nos pulsos, pescoço, cortou aqui, cortou aqui... uma coisa assim bem trágica, já faz um ano mais ou menos, foi em maio. Aí ela veio acho que em junho, julho já via outro serviço que solicitou esse acompanhamento. Ela foi largada no meio do mato no fim da tarde, adormeceu, acordou no dia seguinte e foi se arrastando até a beira da estrada e foi quando ela conseguiu pedir socorro e

ser socorrida. Mas só que logo quando ela veio pra mim ela tava na cadeira de rodas. Hoje ela já anda, mas tá com um braço imobilizado. O cara desapareceu. (Profissional da UBS)

É interessante observar que este relato, bem como os outros, que versam sobre casos atendidos com a demanda especificada pela pesquisa, podem nos proporcionar uma outra reflexão, além daquela já realizada: estas mulheres estão sendo tão negligenciadas pela rede de atenção às mulheres e pela sociedade “civil” que chegam despedaçadas nestes serviços. A violência já atingiu todas as suas formas e torna-se inominável, de difícil memória tamanha dor. Chama-nos a atenção a presença destes relatos “coincidentemente” sangrentos e trágicos.

Quando perguntado para a mesma profissional sobre a interface entre os fenômenos e as repercussões da violência para a saúde mental das mulheres, a mesma nos dá uma resposta embasada em sua filiação teórica – a psicanálise. Esta prática individualizada está em sintonia com as concepções acerca do fenômeno da violência e das demandas em saúde mental das usuárias da Unidade. Estas concepções compreendem a violência como algo privado, relativo ao relacionamento entre casais, de caráter individual e culpabilizante das mulheres que se encontram nesta condição:

A grande indagação é: o que faz alguém ficar numa relação como essa? Eu acho que cada história é individual, é única, mas tem a particularidade de cada um envolvido nessa relação. Então a pessoa não é vítima completamente quando faz uma escolha dessa, né? Mas ela dá substância a essa vitimação quando ela permanece. Então eu acredito que já existe um comprometimento aí antes de entrar na relação, durante e após todas essas agressões são mais prejudicadas. É de se questionar a escolha, não que elas tinham um comprometimento psíquico grave, mas que escolha é essa, escolher estar numa relação como essa? Usando o

discurso psicanalítico, mas assim, que gozo é esse? Que a faz se manter numa relação destrutiva? (Profissional da UBS)

No tocante à articulação com a rede de atenção psicossocial e com a rede de atenção às mulheres ambos consideram a rede desarticulada e em muito prejuízo com o que já havia sido em outros tempos: “Desarticulada. Inclusive nós estamos desarticulados. Logo que nós entramos, nós psicólogos éramos um grupo e havia esporadicamente reuniões, mas hoje isso não existe mais até porque quase não tem mais psicólogo aqui na zona norte” (Profissional da UBS).

Ambos os entrevistados não conhecem as políticas para mulheres, a profissional é guiada por uma prática excludente na compreensão do fenômeno social da violência: “Não, conhecimento das políticas públicas, não. Não. Eu sei que a minha abordagem é psicanalítica, né? Onde tá o Centro de Referência? Eu não sei.” (Profissional da UBS)

O analisador nos ajuda a refletir acerca das dificuldades encontradas pelas usuárias que procuram a atenção primária em saúde. Sabemos que as Unidades Básicas de Saúde constituem o primeiro atendimento em saúde, a primeira instância a que recorrem em busca de ajuda. Segundo o analisador, o atendimento individual isento de articulação com outras redes proporciona imensos obstáculos para um atendimento adequado em face à complexidade do fenômeno. Nota-se que a abordagem teórica psicanalítica usada pela técnica culpabiliza e responsabiliza a usuária e se sobrepõe à necessidade de conhecimento e articulação com as outras redes de outros setores.