Contrariamente ao currículo na EPE, subsiste um currículo formal no 1.º CEB, que pretende a construção de competências (Ibidem). Neste âmbito, Roldão (2003b) define como competência o saber que se traduz na utilização de capacidades intelectuais, práticas e verbais, ou seja, é a capacidade de adequar os conhecimentos prévios, de os selecionar e de os integrar mediante uma determinada situação. Marchão (2012) complementa esta afirmação e indica que a definição de competência é vasta e caracteriza-se, portanto, pelas habilidades, pelos conhecimentos e pelas atitudes adquiridas através da prática. Logo, a competência "é uma capacidade de produzir hipóteses, até mesmo saberes locais que, se já não estão "constituídos", são "constituíveis" a partir dos recursos do sujeito" (Perrenoud, 2000, p. 69).
Analisando o currículo do 1.º CEB, refere-se que passou por diversas modificações através da promulgação do Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho, alterado pelo Decreto-Lei n.º 91/2013, de 10 de julho, tendo em vista o aperfeiçoamento e a qualidade do processo de ensino-aprendizagem.
As principais transformações curriculares passaram, principalmente, pela maior autonomia das escolas no que diz respeito à gestão do currículo, pelo aumento do direito de propostas normativas, pela modificação da sua estrutura, que permite, deste modo, um acompanhamento eficiente dos alunos, e pelo aperfeiçoamento da avaliação que possibilita detetar atempadamente dificuldades (Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho).
No que diz respeito aos programas curriculares do 1.º CEB, salienta-se que os programas de Português e de Matemática admitiram, também, modificações, em 2009 e em 2013, respetivamente, contudo o programa de Estudo do Meio não foi alterado, estando contemplado no documento Organização Curricular e Programas do Ensino Básico- 1.º Ciclo, de 2004. É devido à existência de diversas disciplinas com objetivos diferentes que cabe ao docente adotar a interdisciplinaridade e, assim, “abordar os conteúdos curriculares a partir da integração ou da visão global das diferentes disciplinas” (Pacheco, 1996, p. 84).
1.4.2.1. Programa curricular de Estudo do Meio
O documento Organização Curricular e Programas do Ensino Básico- 1.º Ciclo emanado do ME (2004) afirma que a disciplina de Estudo do Meio é um meio favorável para ampliar os conhecimentos prévios das crianças e possibilitar a concretização de aprendizagens. Além disso, permite a ligação de várias disciplinas “como a História, a Geografia, as Ciências da Natureza, a Etnografia, entre outras, procurando-se, assim, contribuir para a compreensão progressiva das inter-relações entre a Natureza e a Sociedade” (Ibidem, p. 101).
O programa curricular de Estudo do Meio encontra-se estruturado em seis blocos de conteúdos, que seguem uma lógica, mas, simultaneamente, permitem uma utilização flexível: Bloco 1- À descoberta de si mesmo; Bloco 2- À descoberta dos outros e das instituições; Bloco 3- À descoberta do ambiente natural; Bloco 4- À descoberta das inter- relações entre espaços; Bloco 5- À descoberta dos materiais e objectos; Bloco 6- À descoberta das inter-relações entre a natureza e a sociedade (Ibidem).
Desta forma, é da responsabilidade dos docentes proporcionar atividades diversificadas, experiências e investigações, para que, assim, as crianças aprendam progressivamente os conceitos e tenham contacto real com o meio circundante (Ibidem).
1.4.2.2. Programa curricular de Português
Segundo o Programa de Português do Ensino Básico (ME, 2009), o 1.º CEB constitui-se como a etapa decisiva do trajeto escolar dos alunos. No referido documento é enaltecida também a importância do Português pelo seu “saber fundador, que valida as
aprendizagens em todas as áreas curriculares e contribui de um modo decisivo para o sucesso escolar dos alunos” (p. 21).
Em termos práticos, a aprendizagem do Português no 1.º CEB constituiu um ciclo, formado por dois momentos. O primeiro momento é realizado nos dois anos iniciais e permite que os alunos desenvolvam comportamentos verbais e não verbais, dando ênfase à aprendizagem da leitura e da escrita. Num segundo momento ocorrem aprendizagens a nível da estrutura do texto escrito, do uso correto da pontuação, do aumento do campo lexical e do domínio de uma sintaxe mais elaborada (Ibidem).
É evidente que o professor, na sua prática, deve considerar as propostas do programa, como, também, adequá-las ao contexto educativo da sua escola e da sua turma (Ibidem).
1.4.2.3. Programa curricular de Matemática
De acordo com o Programa de Matemática para o Ensino Básico (ME, 2013), o ensino da Matemática estrutura-se em três finalidades, sendo estas “a estruturação do pensamento, a análise do mundo natural e a interpretação da sociedade” (p. 2).
De modo a serem alcançadas as finalidades previamente enunciadas, torna-se necessário uma construção coerente e consistente do conhecimento. Desta forma, elencaram-se objetivos que representam os desempenhos principais que os alunos deverão demonstrar. Subjacente a esta conceção, no 1.º CEB, os quatros desempenhos principais são:
(1) Identificar/designar: O aluno deve utilizar corretamente a designação referida, não se exigindo que enuncie formalmente as definições indicadas (salvo nas situações mais simples), mas antes que reconheça os diferentes objetos e conceitos em exemplos concretos, desenhos, etc.
(2) Estender: O aluno deve utilizar corretamente a designação referida, reconhecendo que se trata de uma generalização.
(3) Reconhecer: O aluno deve reconhecer intuitivamente a veracidade do enunciado em causa em exemplos concretos. Em casos muito simples, poderá apresentar argumentos que envolvam outros resultados já estudados e que expliquem a validade do enunciado.
Do mesmo modo, afirma-se que os desempenhos referidos auxiliam na “aquisição de conhecimentos de factos e de procedimentos”, na “construção e o desenvolvimento do raciocínio matemático”, na “comunicação (oral e escrita) adequada à Matemática”, na “resolução de problemas em diversos contextos” e na estruturação de uma “visão da Matemática como um todo articulado e coerente” (Ibidem, p. 4).
Note-se, ainda, que os domínios de conteúdos a trabalhar nesta fase são os Números e Operações (NO), a Geometria e Medida (GM) e a Organização e Tratamento de Dados (OTD), partindo sempre do concreto para a conceção mais abstrata (Ibidem).