4. KOMPOZİT MALZEMELER
4.3. Polimer Esaslı Kompozit Malzemeler
Está situado ao sul da APA do Carmo, com acesso pela Rua Bandeira de Aracambi e próximo da Estrada do Rio Claro e do Km 27 da Av. Sapopemba, na Subprefeitura de São Mateus, distrito de São Rafael (Tipo 2, Tabela 5.1), com população estimada em 151.017 habitantes (SMS, 2010), em Zona Mista de Baixa Densidade (ZMb), conforme a Lei 13.885/04, com área de 220.000 m² (Figuras 5.22 e 5.23). Integra a sub-bacia do córrego Caaguaçu e caracteriza-se pela predominância dos maciços de rochas e solos de micaxistos com aluviões presentes junto ao córrego. A sua implantação deu-se em 1979, sobre um vale, encerrando-se em 1984, por pressão dos moradores do futuro conjunto da COHAB, onde foram dispostos 2,7 milhões de toneladas de resíduos. Ocorrem gramíneas, arbustos e, raramente, espécies arbóreas, com alguns eucaliptos. (SVMA, 2001; Ramires et al, 2005; Volpe-Filik et al, 2007). Está incluído na „Gleba São Francisco‟28, em projeto
de urbanização, a cargo da Secretaria Municipal da Habitação (Ramires et al, 2005) e, de acordo com informações do GTAC (SVMA/2009a), em região com intenso e recente processo de expansão, na qual encontram-se vários conjuntos habitacionais e casas construídas por mutirão (Anexo F).
Segundo ainda informações do GTAC (SVMA,2009a) a recuperação do aterro, também, está vinculada ao Termo de Compromisso Ambiental, firmado pela Prefeitura do Município de São Paulo (Secretaria Municipal de Serviços - SES) com a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SMA), no âmbito do licenciamento da Central de Tratamento de Resíduos Sólidos Leste (CTL). Essa determinação está prevista para 2012 no Plano Diretor Estratégico, conforme implantação indicada no Plano Regional Estratégico da Subprefeitura de São Mateus, Mapa da Rede Estrutural Hídrica Ambiental. No mapa, corresponde ao Parque Central 1, no qual se prevê a conexão dessa área com o Rio Aricanduva e a região de Mauá, mediante a implantação de parque linear.
28“[...] Foi declarada de utilidade pública (DUP) através do Decreto 15.879 de 14 de maio de 1979, que retificou o Decreto
15.411 de 27 de outubro de 1978, com a finalidade de viabilizar a implantação do aterro sanitário Sapopemba [...]”, possuindo um total de 1.782.014 m². O uso da gleba foi permitido, posteriormente, à Cohab/SP para habitação de interesse social. Parte da área (1.044.392 m²) foi transferida, em 1986, para a Sehab para o mesmo tipo de implantação anterior. Em 2004, foi implementado o “Plano Global de Intervenção da Gleba São Francisco” para urbanização da área, que indicou a necessidade de investigação ambiental para a implantação de melhorias nos arredores do aterro Sapopemba. (Sehab/HABI, p. 3)
Figura 5.22 – Localização do antigo aterro Sapopemba
Fonte: Googlemaps, imagem de 15/12/2008.
Figura 5.23 – Sobrevôo de helicóptero sobre o antigo aterro Sapopemba (15/junho/2010)
Em 2006, o GTAC verificou que o aterro apresentava boas condições geotécnicas e de conservação, odor proveniente de gás sulfídrico em alguns drenos de gás, indicando a presença de metano e pequeno volume d‟água nas antigas lagoas de acumulação do percolado (SVMA, 2009a).
Investigação ambiental, contratada por Limpurb/SES, constatou contaminação do solo por metais, em profundidade, especialmente, arsênio e vanádio. Medições realizadas fora da massa de resíduos detectaram concentrações de metano de 20% de LEL (Limite Inferior de Explosividade)29, prevendo-se maiores concentrações na massa de resíduos. Outros estudos realizados em área lindeira, onde foram dispostos resíduos domiciliares também constataram a geração de metano (SVMA, 2009a). A água subterrânea está contaminada pelos metais: alumínio, bário, chumbo, ferro e manganês e apresenta altos valores para os parâmetros turbidez, coliformes fecais e totais. (SVMA, 2008c).
Considerando que a contaminação do solo se dá em profundidade estabeleceu-se que essa via de transporte, conforme o modelo conceitual previsto, não se completa, descaracterizando-se esse risco para os futuros usuários. Entretanto, conforme decisão do GTAC/SVMA, por medida de precaução, sugeriu-se o recobrimento de todo o maciço de resíduos com pelo menos 0,50 m de camada de solo, exceto os drenos e chaminés para eliminação de gases existentes. Além disso, a restrição de captação e uso da água subterrânea para qualquer fim. Investigação complementar também foi sugerida para algumas porções com resíduos, para avaliação detalhada da produção de metano (SVMA, 2009a).
5.2.2.4ATERRO SÃO MATEUS
O aterro está inserido na Área de Proteção Ambiental (APA) do Carmo30 e na sub-bacia hidrográfica do Rio Aricanduva, limitando-se ao norte pelo Parque do Carmo, a sudeste pelo SESC Itaquera e a sudoeste pela Av. Aricanduva, perfazendo uma área de 85.000 m² (Figura 5.24), em Zona Mista de Proteção Ambiental (ZMp/01), apontada pela Lei 13.885/04. Integra a Subprefeitura de Itaquera e o
29 A USEPA (Municipal Solid Waste Disposal Facility Criteria) exige a redução da concentração de metano para 25% de LEL no
subsolo acima do lençol freático, no caso de construções sobre aterros (SVMA/GTAC, 2009).
30 Instituída pela Lei Estadual 6.409/1989 e com zoneamento ambiental definido pelo Decreto 37.679/1993, que criou cinco
zonas de uso, estando o aterro São Mateus inserido na zona C. Essa zona se caracteriza por intensa alteração do ecossistema original, mas possuindo algunsremanescentes em áreas restritas. O decreto vedou a reativação do aterro e exigiu a sua recuperação (SVMA, 2001).
distrito do Parque do Carmo (Tipo 1, Tabela 5.1), com o total de habitantes estimado em 69.630 (SMS, 2010). Caracteriza-se pela presença de micaxistos e, localmente, por aluviões quaternários do córrego Fazenda Velha. Foi implantado em fevereiro de 1984, sobre antiga cava de pedreira com 18 m de profundidade e sobre talvegue a sua montante, configurando-se em dois platôs contíguos, superior e inferior; como alternativa ao fechamento do aterro Sapopemba e iminente esgotamento do aterro Santo Amaro, encerrando suas atividades, por pressão da população31, em dezembro de 1985, com o total de um milhão de toneladas de resíduos depositados (SVMA, 2001; Ramires et al, 2005; SVMA, 2005, USP/ESALQ, 2006, SES/2009). A hidrogeologia local está representada pelo aqüífero livre com o nível da água subterrânea variando entre 1 e 19 metros e direção predominante de nordeste para sudoeste (SES/2009).
Figura 5.24 - Localização do aterro São Mateus
Fonte: Googlempas, imagem de 15/12/08, acesso em 15/11/10.
A cobertura vegetal está representada por gramíneas, arbustos e espécies arbóreas de pequeno porte, localizadas. Há presença de eucaliptos em faixa que se estende até o Parque do Carmo. (SVMA, 2001; Ramires et al, 2005; SVMA, 2005, USP/ESALQ, 2006). Segundo levantamento da USP/ESALQ (2006), contratado pela Ecourbis Ambiental, a vegetação original da APA do Carmo e dos fragmentos de
vegetação nativa secundária do entorno do aterro pertencem ao tipo Floresta Ombrófila Densa (árvores de grande porte, epífitas, lianas) com elementos de Floresta Estacional Semidecídua, que está inserida no bioma Mata Atlântica, considerado um dos “hotspots” (áreas prioritárias para conservação da biodiversidade) mundiais (Myers et al. 2000)32.
A sua recuperação, em conjunto com os aterros Santo Amaro e Sapopemba, foi condicionada, também, ao Termo de Compromisso Ambiental, firmado pela Prefeitura do Município de São Paulo (Secretaria Municipal de Serviços - SES) com a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SMA) no âmbito do licenciamento da Central de Tratamento de Resíduos Sólidos Leste (CTL). Está prevista para 2012 no Plano Diretor Estratégico, não sendo indicada, entretanto, sua conversão para parque no Plano Regional da Subprefeitura de Itaquera.
Em 1996, no âmbito dessa recuperação, foi elaborado, pela mesma USP/ESALQ (2006), um projeto de restauração ecológica do aterro, o qual compreendeu o levantamento das diversas tipologias de vegetação, da avifauna e de alguns mamíferos (mastofauna), que será apresentado no Capítulo 7.
Investigação ambiental, contratada por Limpurb/SES, posteriormente, identificou áreas de revegetação e a presença de drenos de gás (Figura 5.25), além deverificar que em quase a totalidade dos limites do aterro foram dispostos resíduos (Figura 5.26). Nessa etapa o modelo conceitual revisado constatou que os resíduos (fonte primária) contaminam diretamente o solo e as águas subterrâneas, detectando-se a contaminação de vapores em solo, com risco de explosividade para metano, de solo por arsênio e ferro e das águas subterrâneas por metais, 2,3,4,5- tetraclorofenol (composto semi-volátil) e coliformes fecais e totais. A fim de verificar a evolução das concentrações de vapores de gás foi recomendado o monitoramento desses poços para avaliar a necessidade de implantação de sistema de extração. A contaminação do solo está associada ao solo exposto, indicando-se a sua impermeabilização para impedir o contato ou a ingestão pelos possíveis receptores. No caso das águas subterrâneas foi sugerido o monitoramento trimestral dos metais e do composto semi-volátil por dois ciclos hidrogeológicos para avaliar a possível realização de avaliação de risco (SES, 2009).
32 MYERS, N.; MITTERMEIER, R.A.; MITTERMEIER, C.G. FONSECA, G.A.B.; KENT, J. Biodiversity hotspots for conservation
A análise da investigação ambiental, realizada pelo GTAC/SVMA, corroborou com a sugestão de monitoramento da concentração dos vapores, para ambiente aberto, sem ocupação residencial. Recomendou o recobrimento da área de exposição dos resíduos com solo limpo e restrição à captação e consumo da água subterrânea em toda a região do aterro, concordando com a previsão anterior para o seu monitoramento. Além disso, notificou o Departamento de Águas e energia Elétrica (DAEE) e a Coordenação de Vigilância Sanitária (COVISA) sobre as inconformidades dos padrões de potabilidade encontrados nos poços de abastecimento do SESC. Adicionalmente, indicou a não utilização das águas do córrego e a instalação de drenagem do líquido percolado. No caso de reuso como parque, apontou a necessidade de realizar investigação detalhada com avaliação de risco à saúde humana e/ou adoção de medidas de controle institucional e de engenharia (SVMA, 2010b).
Figura 5.25 –Revegetação e drenos de gases existentes no aterro São Mateus e nos seus arredores.
Fonte: SES (2009, p. 11-12).
Figura 5. 26 - Localização do maciço de resíduos no aterro São Mateus Fonte: Google Earth 2009 apud SES (2009, p. 49).