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Pervâne’nin Hayırseverliği İle İlgili Rivayetler

3. MENKIBELERE GÖRE MEVLÂNA VE PERVÂNE MU’İNÜ’D-DÎN

3.6. Pervâne’nin Hayırseverliği İle İlgili Rivayetler

Nesse item buscou-se ter uma noção da frequência da assistência técnica no assentamento Banco da Terra e a sua influência nas atividades produtivas dos agricultores. Nesse sentido, ao serem questionados, 88% dos agricultores afirmaram nunca terem recebido

assistência técnica (Figura 6). Em trabalho realizado no mesmo Assentamento aqui estudado, Silveira et al. (2012) observaram que 90% dos agricultores não tinham acesso a nenhum tipo de assistência técnica, número muito próximo ao constatado na presente pesquisa.

Para Buainain et al. (2003), os serviços de assistência técnica contribuem para a adoção/construção de conhecimentos nos seguintes aspectos: contribui para a definição de conhecimentos mais apropriados ao contexto socioeconômico do agricultor; propõe e auxilia no desenvolvimento de atividades agrícolas; e capacita os agricultores familiares a gerirem o conhecimento da melhor forma possível.

Da mesma forma, Souza Filho et al. (2011) afirmam que a extensão rural se constitui num canal de extrema relevância na disponibilização e acesso à informação no campo, as quais são condições fundamentais para a adoção/construção.

Evidentemente, que ambos os autores supõem que o trabalho de extensão rural e assistência técnica seja de qualidade, o que envolve capacidade crítica do extensionista e diálogo com o agricultor.

Figura 6 - Agricultores que possuem acesso aos serviços de assistência técnica no

Assentamento Banco da Terra, Nova Xavantina – MT

Fonte: Elaboração do autor.

Ainda com base na Figura 6, observou-se que 8% dos agricultores afirmaram não receber assistência técnica atualmente, mas alegam já ter recebido. Em contrapartida, somente 4% dos agricultores afirmaram receber assistência regularmente. A assistência relatada pelo primeiro grupo de agricultores se refere àquela prestada logo no início da implantação do Assentamento, a qual foi contratada pela Associação de Produtores para atender toda a

comunidade. Já no segundo caso, a assistência foi contratada junto a uma empresa privada. Contudo, os dois modos de assistência apresentam algo em comum: ambas se restringem(ram) às visitas pontuais e pouco frequentes, para atender uma dificuldade específica. Segundo Diniz, Lima e Almeida (2011), a extensão rural deve ser contínua e frequente para que haja tempo hábil para o estabelecimento de relações de confiança, promovendo assim um processo educativo.

Ao serem questionados sobre quais atividades ou técnicas passaram a ser utilizadas por recomendação da assistência técnica, 92% dos agricultores afirmaram nunca ter ocorrido tal fato e que a forma como manejam suas atividades (culturas e criações) derivam de seu próprio conhecimento. Essa alta porcentagem pode ser fruto do grande número de assentados que nunca recebeu assistência técnica. Contudo, segundo Freire (1983), esse aspecto é algo comum, pois os agricultores fazem uso de seus conhecimentos e experiências historicamente construídas como base para a condução de seus processos produtivos. Nesse sentido, Caporal (2003) reforça a necessidade de uma ação extensionista voltada para o reconhecimento do saber local, o que pode se constituir em uma ferramenta voltada à promoção do desenvolvimento rural.

Somente 8% dos agricultores afirmaram já terem adotado algum conhecimento recomendado pela assistência técnica. Entre esses, destaca-se a implementação do cultivo de algumas hortaliças e o combate às pragas e às doenças. Ressalta-se ainda o discurso de um agricultor, o qual disse que, apesar de utilizar seus próprios conhecimentos, ocasionalmente, solicita algum tipo de assistência ao vendedor da casa agropecuária. Para Souza Filho (2011), devido às já conhecidas limitações da extensão rural pública, não é de se estranhar que suas ações sejam divididas com o setor privado. Assim, continua os autores, é comum que empresas provedoras de insumos e as revendas agropecuárias realizem ações de assistência técnica.

O problema da ação assistência técnica prestada por essas empresas é que, geralmente, as recomendações técnicas vem embutida à utilização de algum produto, causando maior dependência dos agricultores aos recursos externos. Ademais, esse tipo de assistência reproduz o modelo clássico de adoção de conhecimentos, principalmente a Teoria dos Insumos Modernos, proposta por Schultz (1964), o qual não se adéqua ao contexto da agricultura familiar. Com efeito, Caporal (2003) salienta que essa forma de assistência vai contra os pressupostos defendidos pela PNATER, a qual procura desvencilhar o agricultor da

dependência de insumos externos e promover a sua autonomia, a partir de uma extensão entendida como um processo educativo.

A adoção de alguma recomendação técnica que tenha sido prejudicial a alguma atividade também foi uma das questões abordadas. A quase totalidade (96%) dos agricultores afirmou nunca ter ocorrido tal situação. A única exceção observada foi o caso de um agricultor que, para aproveitar uma parte de brejo existente em seu lote, adotou uma recomendação técnica de abrir um tanque na área em questão e dar início a criação de peixe. Porém, com o decorrer do tempo, os peixes começaram a morrer um por um, ao ponto do agricultor desistir da atividade pouco tempo depois. Segundo o assentado, a causa da morte foi a baixa oxigenação do tanque.

O problema apresentado é fruto de uma assistência técnica restrita e específica, a qual atende demandas pontuais, mas que peca no atendimento das dificuldades a longo prazo que certamente ocorrerão. Isso não que dizer que essa assistência não tenha nenhum valor, pois pode resolver demandas imediatas, porém esse tipo de ação torna o serviço de ATER cada vez mais desacreditado pelos agricultores familiares. Por isso, como presente na própria PNATER (BRASIL, 2010a), externa-se a necessidade de uma ATER pautada em processos educativos permanentes e continuados, a partir de um enfoque construtivista.

Por fim, os agricultores foram indagados a classificar como seria, atualmente, contar com profissionais de ATER. Grande parte dos agricultores opinou como “indispensável” (56%) e “importante” (36%) a presença de uma ATER atuante. Já as respostas “pouco importante” e “irrelevante” representaram, cada uma, 4% das opiniões dos questionados (Figura 7).

A opinião de 92% dos agricultores em classificar como indispensável e/ou importante a presença de profissionais de ATER (Figura 7), contrasta com a quantidade de famílias (88%) que nunca receberam nenhum tipo de assistência técnica (Figura 6). Se inserirmos mais um dado a essa trama, como o fato de 92% dos agricultores utilizarem apenas seu próprio conhecimento na condução de suas atividades, será possível vislumbrarmos um aspecto relevante.

Em outras palavras, ao mesmo tempo em que a grande maioria dos agricultores não tem acesso à nenhum tipo de assistência técnica, os mesmos almejam contar com um serviço de ATER atuante. A priori, não há nenhum problema no fato dos agricultores almejarem um serviço de ATER. Porém, a presença desse serviço, especialmente se os técnicos adotam a perspectiva difusionista-inovadora, provavelmente, afetará de alguma forma as técnicas e o

manejo empregado pelos agricultores, o que pode gerar alguns atritos, pois haverá recomendações que irão se opor aos conhecimentos já utilizados pelos agricultores na condução de seus respectivos sistemas de produção. Nesse cenário, é bem provável que o processo de adoção de conhecimentos seja muito seletivo. Diante disso, a percepção de leitura de mundo, defendida por Freire (2002), demonstra sua relevância como pedagogia norteadora da ação extensionista.

Figura 7. Opinião dos agricultores sobre a necessidade de contar com profissionais de

assistência técnica e extensão rural, no Assentamento Banco da Terra, Nova Xavantina – MT

Fonte: Elaboração do autor.

A leitura de mundo relaciona-se, necessariamente, ao saber local e aos conhecimentos e componentes ideológicos historicamente constituídos, os quais, por sua vez, constituem a cultura hegemônica do agricultor. O extensionista não deve, de maneira nenhuma, durante sua relação pedagógica com os grupos rurais, desconsiderar os conhecimentos locais. Ao contrário, o mesmo deve partir da leitura de mundo dos agricultores, das explicações do mundo do que este faz parte e da compreensão de sua própria presença no mundo. A partir disso, é possível organizar uma metodologia libertadora e ambientalmente propícia a construção de conhecimentos (FREIRE, 2002; BRASIL, 2010b).