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Mevlâna’nın Vefatından Sonra Pervâne’nin Tavrı İle İlgili Rivayetler

3. MENKIBELERE GÖRE MEVLÂNA VE PERVÂNE MU’İNÜ’D-DÎN

3.7. Mevlâna’nın Vefatından Sonra Pervâne’nin Tavrı İle İlgili Rivayetler

Em busca da compreensão sobre como se dá o processo de tomada de decisões pelos agricultores, perguntou-se a estes quais são os principais fatores que influenciam sua decisão

sobre o que deve plantar. O conhecimento próprio esteve presente em 76% das respostas (Tabela 14). Novamente, o conhecimento próprio e a experiência aparecem como orientadores de todas as ações utilizadas pelos agricultores, conforme visto no item anterior. Este fato reitera a necessidade do extensionista em saber lidar e respeitar esse saber empírico, com base na leitura de mundo e, dessa forma, contribuir para construção de um novo conhecimento.

Tabela 14 - Principais fatores que influenciam a decisão dos agricultores pesquisados sobre o

que deve plantar no Assentamento Banco da Terra, Nova Xavantina - MT.

Fatores Frequência (%)

Conhecimento próprio (empírico) 76

O que mais gosta/interessa 16

Facilidade de comercialização 8

Facilidade no manejo 8

Baixa exigência de água 4

Conhecimento técnico 4

Menor investimento 4

Fonte: Elaboração do autor.

* Dados com repetição, pois os agricultores podiam citar mais de uma dificuldade.

Ainda no que se refere à Tabela 14, nota-se que o segundo aspecto mais mencionado, que influencia a decisão do agricultores sobre que plantar, foi o fato de gostar ou ter interesse (16%). Dentre estes, têm-se aqueles agricultores que compraram o lote com o objetivo de torná-lo mais uma área de lazer do que uma unidade produtiva. Tal característica fica nítida no discurso de um dos agricultores: “[...] eu planto o que mais gosto, o que vier é lucro” (Agricultor 17). Porém, observou-se também agricultores que, embora as culturas presentes em seus lotes não dêem o retorno econômico esperado, fazem questão de mantê-las, pois estas lhes trazem satisfação. É o caso de um agricultor que não desiste da produção de olerícolas, mesmo com dificuldades como a falta de água por não ter um poço em seu lote. Uma frase deste agricultor resume bem o sentimento que o leva a gerir sua propriedade assim: “(...) eu planto o que me traz felicidade, faz bem ter uma horta em casa” (Agricultor 22).

Outros fatores observados foram a facilidade de comercialização e de manejo, ambas com 8%, além do conhecimento técnico, a baixa exigência de água e o menor investimento, cada um destes com 4% das respostas (Tabela 14).

Ao analisar o conjunto das respostas da Tabela 14, nota-se que os fatores ligados aos aspectos econômicos e técnicos apareceram com uma menor porcentagem e, consequentemente, influenciam menos no processo sobre o que os agricultores plantam, do que os aspectos mais próximos às características sociais e culturais. Dessa forma, sugere-se que os conhecimentos mais voltados aos anseios e experiências dos agricultores serão adotados mais facilmente.

Essa constatação contraria os pressupostos apregoados tanto pelo modelo clássico quanto pelo difusionista-inovador. Ambos modelos utilizam um tipo de educação classificada como bancária ou convergente, pois baseia-se na transmissão do conhecimento e da experiência do extensionista. Seu objetivo fundamental é produzir o aumento de conhecimentos técnicos do agricultor, sem preocupar-se com ele como pessoa integral e como membro de uma comunidade que carrega consigo aspirações e projetos de vida. Atribui-se uma importância muito grande ao conteúdo que está sendo repassado, entendido como "solução para todos os males" e, consequentemente, espera-se que os agricultores o absorvam sem modificações e o reproduzam fielmente no seu cotidiano (BORDENAVE e PEREIRA, 2005).

De acordo com Buainain et al. (2003), modelos extensionistas baseados na perspectiva apontada podem até conseguir alguns adotantes, porém este processo possuirá um caráter incompleto e insustentável que, posteriormente, acarretará no abandono da prática. Por isso, reitera-se a proposta do modelo libertador como o alicerce no qual a prática extensionista deve se assentar. Caporal (2003) corrobora este pensamento ao afirmar que o enfoque libertador incorpora os processos de planejamento participativo, a partir de um processo de natureza construtivista e que respeita os interesses e as necessidades dos agricultores. Assim, a importância que se dá aos sujeitos sociais conduz a um modelo de decisão e ação mais concreto e efetivo. Neste caso não se trata da adoção de um conhecimento externo pronto, mas da construção de conhecimentos em conjunto, entre agricultores e extensionistas.

No tocante aos principais fatores que influenciam na decisão sobre quais criações ter no lote, 72% dos agricultores afirmaram ser o conhecimento próprio (Tabela 15). De novo aparece o conhecimento empírico ou do senso comum como principal força motriz responsável pelo direcionamento das atividades a serem desenvolvidas na propriedade. É provável que o conceito de habitus, desenvolvido por Bourdieu (1983), possa explicar o que seria esse acúmulo histórico de experiências que irá fundamentar as formas de agir e pensar dos sujeitos.

Tabela 15 - Principais fatores que influenciam na decisão do agricultor sobre as criações que

deve ter no lote no assentamento Banco da Terra, Nova Xavantina - MT.

Fatores Frequência (%)

Conhecimento próprio (empírico) 72

Maior retorno econômico 12

O que mais gosta 8

Não soube informar 8

Tamanho do lote 4

Facilidade de manejo 4

Facilidade de comercialização 4

Fonte: Elaboração do autor.

Para Bourdieu (1983) o habitus:

(...) se refere a algo histórico, que é ligado à história individual [...] é um produto de condicionamentos que tende a reproduzir a lógica objetiva dos condicionamentos, mas introduzindo neles uma transformação; é uma espécie de máquina transformadora que faz com que nós 'reproduzamos' as condições sociais de nossa própria produção, mas de maneira relativamente imprevisível, de uma maneira tal qual não se pode passar simplesmente e mecanicamente do conhecimento das condições de produção ao conhecimento dos produtos (BOURDIEU, 1983, p. 105)

Isso leva a crer que o habitus é estruturado historicamente pela prática e é, com base nisso, que os agricultores balizam suas escolhas e definem quais serão as atividades (culturas ou criações) a serem desenvolvidas no lote.

Ainda em relação à análise da Tabela 15, nota-se que, além da experiência, o fator que mais influencia os agricultores, sobre quais criações devem ter no lote, foi o maior retorno econômico, embora citado por apenas por 12% dos pesquisados. Segundo Buainain et al. (2003), a preocupação dos agricultores aos possíveis níveis de rentabilidade da atividade desenvolvida na propriedade é um dos principais condicionantes à adoção/construção de conhecimentos, devido às consequências econômicas e sociais de suas ações. Os agricultores ao mencionarem a experiência própria, em muitos casos, também incorporam uma avaliação da viabilidade econômica da atividade.

Ainda buscando identificar quais os fatores que influenciam a forma de tomada de decisão dos agricultores, questionou-se aos mesmos se a forma de comercialização é uma de suas preocupações ao iniciar uma nova atividade ou no momento de decidir qual cultura irá plantar (Figura 8).

Figura 8. Avaliação dos agricultores se a forma de comercialização é uma de suas

preocupações ao iniciar uma nova atividade (cultura ou criação), no Assentamento Banco da Terra, Nova Xavantina – MT

Fonte: Elaboração do autor.

A maioria (80%) dos assentados mencionou que esta não é uma preocupação, seguido de 16% que responderam afirmativamente e, por fim, 4% afirmaram que já sabem como comercializar (Figura 8). Segundo Trento, Sepulcri e Morimoto (2011), o acesso ao mercado e a forma de comercialização é um dos principais gargalos da agricultura familiar. Por isso, alertam ou autores, o conhecimento prévio do mercado ao qual se destina a produção e das prováveis oportunidades de negócio são questões que devem ser planejadas antes mesmo do plantio.