2. İŞLETMELERDE PERSONEL SEÇİM SÜRECİ
2.4. Personel Seçimi Teknikleri
2.4.4. Personel seçiminde kullanılan diğer yöntemler
Assumir um posicionamento sobre os enunciados alheios e seus próprios enunciados significa tornar-se um sujeito ativo, um sujeito repleto de palavras interiores que, um sujeito que tem voz e que a explicita.
Quando tratamos mais precisamente sobre os indícios de autoria, estamos colocando em pauta as variadas formas de estabelecer um movimento de autorar, no qual o posicionamento assume lugar de destaque.
É no movimento em direção aos discursos dos já-ditos e em sua ressignificação, através de posicionamentos, os mais diversos, com relação às vozes alheias, que o sujeito se faz autor. O fato de que o discurso constrói-se a partir do outro, ao mesmo tempo que implica na responsabilidade com o que está sendo dito, também consiste em um dos aspectos do autorar. Isso porque, na perspectiva bakhtiniana, todo texto dialoga com outros textos, em um movimento contínuo da cadeia enunciativa dos dizeres sociais e históricos.
A análise que vamos realizar nesse item diz respeito a buscar compreender, nos textos produzidos pelos alunos, pistas de indícios de autoria a partir do posicionamento assumido.
Comecemos por A1 (ANEXO 1), quando esta se posiciona sobre a falta de condições de seus pais em comprar livros Mas para mim isso não importava, a autora se utiliza logo em seguida de uma citação direta retirada da obra lida por ela, como forma de deixar evidente seu posicionamento.
Fragmento do texto de A1: “Meus pais não tinham condições de comprar livros. Mas para mim isso não importava, porque eu me conformava e gostava muito de ler os livros didáticos da escola” (grifo nosso).
Citação direta: “Tudo está certo no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.” (Cecília Meireles. Escolha o seu sonho. São Paulo: Record, 1998). A escolha desta citação demonstra que a autora tem uma postura de aceitação de sua condição, pois, pelo fato de não se importar com a situação financeira de sua família, o que impossibilita a compra de livros, a autora deixa em evidência o princípio de que as pessoas precisam se conformar com a vida que tem. Ou seja, em seu posicionamento, A1 deixa transparecer que sua ideologia está impregnada de aceitação das dificuldades, demonstrando, assim, que ainda não desenvolveu o senso crítico, que, apesar de estar estudando, ainda falta-lhe uma consciência crítica diante dos fatos da vida.
No texto de A5 (ANEXO 5), percebemos que, ao se referir sobre a importância da leitura e, ao mesmo tempo, de sua falta de compromisso com esta, A5 tenta justificar e retificar suas atitudes enquanto não leitora quando se apropria do discurso do outro para tentar se “desculpar” pela sua falta de interesse por algo que considera importante na vida do sujeito. Assume um dizer baseado em concepções que adotou a partir de leituras adquiridas ao longo de sua vida. Percebemos, por meio de seu discurso, que são as condições estabelecidas pelas relações sociais que determinam os discursos produzidos pelos sujeitos. Eis os fragmentos:. Citação direta: “O verdadeiro analfabeto é aquele que aprendeu a ler e não lê”.Fragmento do texto de A5: “Esta frase me tocou muito, porque eu já sabia ler e não lia, por isso era comparada a um analfabeto”.
Dessa forma, percebe-se que seu discurso materializa-se a partir de uma natureza ativa responsiva. “Toda compreensão da fala viva, do enunciado vivo é de natureza ativa responsiva (embora o grau desse ativismo seja bastante diverso)” (BAKHTIN, 2003, p. 271). Percebemos na passagem destacada que a autora tenta dar a sua opinião sobre o que pensa da leitura a partir da aceitação de um conceito de leitura já existente na sociedade, estabelecendo, portanto, um entrecruzamento de vozes sociais, com o qual entendemos ser um recurso dialógico que visa estabelecer um posicionamento axiológico, evidenciando a instauração de autoria.
Em A5, o enunciado esta frase me tocou muito só se reveste de sentido a partir de seu enquadramento no discurso. As expressões das palavras não estão nas propriedades da própria palavra, mas na expressão de um “eco de uma expressão individual alheia, que torna a palavra uma espécie de representante de plenitude do enunciado do outro como posição valorativa determinada” (BAKHTIN, 2003, p. 295). Seria impossível compreender a expressão esta
frase, por exemplo, sem que a mesma não estivesse interligada com a citação do outro.
Ao escolher iniciar sua frase com um pronome demonstrativo na posição de elemento anafórico, a autora demonstra ter um conhecimento adequado deste recurso para retomar o discurso alheio e assegurar que este pode estar em acordo com o que a autora quer enunciar. Ou seja, adotando este recurso A5 mostra nitidamente a apropriação da voz alheia, mas, ao mesmo tempo, a assimilação desta, uma vez que assume uma posição valorativa diante do que pensa acerca da leitura, evidenciando, portanto, que seu discurso individual provém de uma consciência social, visto que a consciência constrói-se na comunicação social.
Ao escolher um discurso que podemos chamar de voz de autoridade, A5 assume um posicionamento baseado na apropriação da voz alheia a partir de uma relação determinada pela força da consciência ideológica. Ou seja, deixa evidente um indício de autoria por meio
da assimilação de um conceito já estabelecido como verdadeiro pela comunidade a qual pertence.
Em A7 (ANEXO 7), no fragmento a seguir, a autora se abarca de vozes alheias bem presentes na esfera escolar, quando trata da questão do poder da leitura. Ela evidencia um posicionamento acerca da leitura a partir de uma seleção de palavras com as quais demarca seu dizer. Nessa seleção, a autora escolhe palavras a partir do “contexto da vida onde as palavras foram embebidas e se impregnaram de julgamentos de valor” (VOLOSHINOV/BAKHTIN, 2011, p. 11). Emite um valor sobre a leitura a partir de valores construídos em suas relações dialógicos com os outros que participaram de sua formação leitora. Fragmento do texto de A7: “A leitura para mim é muito especial, pois com ela posso está onde quiser, através da leitura sei exatamente onde estou” (grifo nosso).
É o caso da expressão em negrito no trecho destacado acima. A autora se apropria de vozes sociais para evidenciar o que pensa acerca da leitura; essas vozes nos remetem a discursos escolares muito presentes em nossas vidas, discursos que apontam que a leitura nos faz viajar.
Em outra passagem do texto de A7, encontramos um indício de autoria que evidencia um posicionamento, passível de ser interpretado a partir da escolha de um adjetivo com valor semântico muito forte para caracterizar um livro que leu. Fragmento do texto de A7: “Agora o livro que tem histórias verdadeiras é a Bíblia, eu aprendi muito com a Bíblia, como por exemplo, o tamanho do amor de Deus por nós. Ele deu seu filho único para morrer por nós na cruz do calvário” (grifo nosso)
Ao usar a palavra verdadeiras A7 torna viva a palavra; expressa, por meio desta, uma entoação particular com a qual dialoga com outros, com os valores de uma determinada sociedade e expressa seu ponto de vista em relação a esses valores, mais precisamente, religiosos. E reafirma esse ponto de vista quando utiliza a expressão Ele deu seu filho único
para morrer por nós na cruz do calvário.
Ao citar uma passagem bíblica para comprovar sua afirmação de que a Bíblia é o livro que tem histórias verdadeiras, a autora se apropria de um produto semiótico para demarcar seu posicionamento diante dos fatos da vida. Fica evidente sua valoração pelas crenças religiosas.
No trecho abaixo, ainda em A7, a autora do enunciado completa seu posicionamento quando demonstra orgulho de sua ascensão escolar que, segundo ela, se deu a partir de suas leituras. Fragmento do texto de A7: “É como você viu, nós necessitamos da leitura, sem ela
não podemos ter uma vida melhor. E hoje estou no 9o ano e no próximo ano vou para o Ensino Médio e me orgulho disso”.
Nesse trecho, a expressão necessitamos da leitura demarca bem seu posicionamento, sua autoria, ela tenta persuadir o leitor, manter um diálogo com o mesmo, estabelecendo uma possível reflexão acerca da importância da leitura, e da aquisição de uma vida melhor por meio dela.
Então, a escolha por esse verbo não foi somente aleatória, mas acima de tudo, a expressão de um dizer. Como bem afirma Orlandi (1996), para o enunciador se constituir autor é preciso que aquele tenha um controle e conheça os mecanismos para concretizar-se como autor, quais sejam: domínio do processo discursivo e domínio dos processos textuais.
Ainda entendendo autoria como um posicionar-se frente aos eventos da vida, mas um posicionamento em que o autor tece as palavras a partir dos já-ditos e com estes faz um trabalho de reorganização, reestruturação desses já ditos de maneira que fique evidente sua subjetividade, encontramos em A8 enunciados que partem de posicionamentos de outros interlocutores.
O fragmento abaixo aponta, como afirmam Voloshinov (2004, p. 147), que “toda a essência da apreensão ativa da enunciação de outrem, tudo o que pode ser ideologicamente significativo tem sua expressão no discurso interior”. A8 incorpora em seu discurso, discursos já então existentes no mundo da vida e os assume como seus, nos fornecendo como pistas o enfoque que já colocamos anteriormente de que para ser autor é preciso apreender, de forma apreciativa, a enunciação do outro. Fragmento do texto de A8: “Tem tantas pessoas no mundo virando mendigo porque não sabe ler, e tantos jovens que têm oportunidade de estudar, mas não dá valor. Eu quero estudar pra no futuro eu ter emprego bom, e ser alguém na vida”.
Assumir um posicionamento se apropriando do posicionamento do outro é se tornar um sujeito ativo, um sujeito repleto de palavras interiores na medida em que os dizeres alheios vão sendo ressignificados e reposicionados.
A8 assume um dizer do outro evidenciando o que para ela também é pertinente. Quando exprime o que considera fundamental para ser alguém na vida eu quero estudar pra
no futuro eu ter emprego bom, ela demarca o que certamente sempre ouviu de seus familiares,
amigos e, com certeza, de seus professores, ou seja, de outras vozes sociais. Por outro lado, esse posicionamento talvez traga implicações para a própria situação de sala de aula, na medida em que sua produção textual será submetida ao olhar alheio, provavelmente de um professor e, portanto, ao assumir esse posicionamento talvez abra espaço para garantir, dessa forma, uma avaliação mais condizente com o que ele aluno/autor espera.
Podemos ilustrar com Voloshinov/Bakhtin o que achamos muito pertinente acerca dessa estratégia de demarcação da autoria por meio dos discursos exteriores. Para ele,
[...] nas formas pelas quais a língua registra as impressões do discurso de outrem e da personalidade do locutor, os tipos de comunicação sócio-ideológica em transformação no curso da história manifestam-se com um relevo especial. (VOLOSHINOV/BAKHTIN, 2004, p. 154).
Para reforçar o discurso que assumiu com relação ao que ela considera fundamental para o ser humano, A8 deixa precisamente enfático o discurso que todos já estão acostumados a escutar e que já virou jargão nos meios educacional, familiar e entre amigos. Fragmento do texto de A8: “A leitura é algo fundamental na vida do ser humano, pois hoje em dia, sem leitura ninguém tem um emprego de futuro”.
Ou seja, para se constituir autor de seu texto, A8 se utiliza de discursos das vozes sociais, do imaginário da sociedade, para deixar bem argumentado o seu ponto de vista acerca da leitura. Em outro trecho ela afirma,
Quando eu fui fazer a primeira série eu não tinha feito nem o pré, nem a alfabetização, então ficaria mais complicado para eu aprender a ler, mas graças a Deus que eu sempre tive facilidade de aprender as coisas mais rápido e sempre fui interessada nos meus estudos e nunca fui reprovada (Fragmento do texto de A8).
A8 deixou bem demarcada sua autoria em seu discurso quando enfatizou que nem sempre é preciso seguir uma regra determinada por uma instituição para atingir seus objetivos e que cada sujeito é um ser particular e, portanto, tem características próprias que o diferenciam dos demais.
Ao escolher usar a forma verbal ficaria que está presumindo noções de hipótese, incerteza e irrealidade, A8 deixa bem marcado que aprender a ler e a escrever não deve ser visto como uma competência adquirida somente na condição de seguir categoricamente uma sistematização de seriado escolar, mas, para ela, tal competência está associada ao sujeito com uma postura de estudante que se esforça para aprender o que quer, independente de cursar linearmente ou não o que rege o sistema brasileiro de educação.
Opinião também compartilhada por A9 (ANEXO 9), quando afirma que aprendeu a ler com sua mãe. A escola, para ele, não foi a principal participante nesse processo de alfabetização, mas a mãe, que sempre estava presente e incentivando-o a superar as dificuldades. Eis os trechos em que ficam evidentes as informações:
A professora logo no primeiro dia começou a juntar sílaba, ai eu voltei a me
interessar pelo assunto (Fragmento do texto de A9, grifo nosso);
Mas a pessoa que me ensinou a ler foi a minha mãe, ela foi essencial no meu
processo de aquisição da leitura, ela me incentivava a ler mais e mais, ela dizia: “– Vamos não para, é só juntar essa letra com outra letra que você consegue formar palavras”. (Fragmento do texto de A9, grifo nosso).
A escolha por começar essa afirmativa com a conjunção adversativa mas demarca uma escolha para se contrapor ao que era esperado por todos, que ele tivesse sido alfabetizado pela escola, tendo em vista que isso é regra geral e que no parágrafo anterior A9 parece atentar para esse discurso. Essa conjunção demonstra, portanto, que para A9 aprender a ler requer um esforço pessoal e ajuda de pessoas que nem sempre são os professores da escola, ou seja, a instituição, de forma geral.
Quando usa o adjetivo essencial para caracterizar o papel da mãe nesse processo de alfabetização, A9 faz escolha por uma palavra que representa quem realmente contribuiu nessa sua trajetória de aquisição da leitura e reforça isso se utilizando da fala que a mãe sempre dizia quando estava ajudando ele a aprender a ler. A9 faz questão de colocar explicitamente a fala da mãe, pois tem interesse em mostrar que foi justamente o incentivo da mãe que ajudou A9 a conseguir ler.
Ao escolher se utilizar do estilo linear para relatar como agia a mãe quando o ensinava a ler, A9 se utiliza de uma estratégia de autoria, o discurso citado, que segundo Volochinov/Bakhtin “[...] destaca-se sobre um fundo perceptivo que pertence metade ao autor e metade ao herói” (VOLOCHINOV/BAKHTIN, 2004, p. 166). Vejamos o trecho (citação direta): “- Vamos filho, não para, é só juntar essa letra com outra letra que você consegue formar palavras.”
Assim, ele marca explicitamente a participação da mãe em sua alfabetização. Demonstra que quando tem alguém para ajudar a alcançar os objetivos desejados, que nesse caso é aprender a ler, a escola é apenas mais uma nesse processo de aquisição da leitura.
Um outro modo de evidenciar autoria podemos encontrar nas memórias de A10 (ANEXO 10). Este escolhe uma maneira diferente, comparada às outras memórias, de relatar sua trajetória de leituras. Ao produzir seu texto, A10 evidencia uma preocupação constante em deixar registrado que realmente gosta de ler. Quando faz a opção de escolher o adjetivo
fascinado para caracterizar seu gosto pela leitura, o autor do texto opta por fazer toda uma
Eis o trecho: “Para começar minhas memórias de leitura, quero dizer que eu sempre fui fascinado pela leitura, ou seja, tenho o hábito de ler. Quando eu tenho um tempinho vago eu pego um livro e começo a ler” (Fragmento do texto de A10, grifo nosso).
Percebemos que nas memórias de A10 há pouca narrativa de sua história de como aprendeu a ler e a escrever, porém, constata-se que há muitas narrativas em que o autor resume a história das obras lidas. É como se quisesse comprovar o tempo todo que leu muito durante sua vida.
Para justificar esse fascínio pela leitura, o autor faz questão de citar algumas obras que leu, os autores destas obras, o gênero a que elas pertencem e conclui produzindo a sinopse de cada obra.
O mais interessante é que ao produzir as sinopses, o autor estiliza esse gênero atribuindo a ele uma característica que costuma aparecer em outro gênero textual: a fábula. Sabemos que são as fábulas que costumam terminar com uma moral, porém, podemos comprovar que A10 incorpora uma característica própria da fábula – a moral da história – e a incorpora em seu texto, logo após suas sinopses.
Se utilizando desse formato diferente de produzir suas memórias, A10 nos remete ao que Bakhtin em O problema do texto na Linguística, na Filologia e em outras ciências
humanas (2003) nos informa acerca dos possíveis tipos, modalidades e formas de autoria.
Ao tratar da autoria, Bakhtin afirma que “todo texto tem um sujeito, um autor” (p. 308), e realça ainda:
Aqui, manifestam-se em toda parte tipos especiais de autores, inventores de exemplos, experimentadores com sua peculiar responsabilidade autoral (aqui existe também um segundo sujeito: quem poderia dizer desta maneira) (BAKHTIN, 2003, p. 308).
É com essa peculiaridade autoral que A10 evidencia sua autoria. Ele se utiliza de uma característica própria do gênero fábula – a moral da história – para marcar seu posicionamento, uma vez que é justamente nesse momento que deixa nítido o que pensa da temática da obra lida. Ou seja, nos parágrafos em que intitula “A moral da história”, A10 comprova seu posicionamento por meio de verbos imperativos (em negrito), se utilizando de sequências injuntivas para evidenciar que tem opiniões acerca do que leu, de que sua leitura não foi uma leitura apenas para saborear o texto, mas uma leitura profunda acerca da temática tratada, na qual precisa ter um posicionamento acerca dos eventos da vida.
A moral da história: não devemos julgar as pessoas sem conhecê-las (Fragmento de A10, grifo nosso).
A moral da história é: Temos que pensar duas vezes antes de fazer qualquer coisa (Fragmento de A10, grifo nosso).
A moral da história: algumas novas experiências podem ser ruins, mas algumas podem ser boas, temos que nos acostumar com elas (Fragmento de A10, grifo nosso).
De maneira geral, percebemos que os alunos, por meio de seus textos, se constituem autores a partir da relação que estabelecem entre seu discurso e o discurso do outro, ou seja, ao introduzir sua fala o aluno sente a emergência de configurá-la sob o aspecto da comprovação, se utilizando da fala do outro e também se posicionando frente aos acontecimentos da vida
Assim, podemos inferir que propor a produção escrita em sala de aula, a partir de uma proposta de produção que leve em consideração o que o aluno tem a dizer e como este aluno diz permite que haja um trabalho significativo com a escrita, garantindo o aperfeiçoamento desta, visto que os alunos, a cada nova situação de atividade com a linguagem, começam a criar coragem de ousar nas palavras, passam a assumir uma postura mais autoral de escrita, se preocupando detalhadamente com as artimanhas que a escrita pode proporcionar.
Observamos, portanto, que os alunos deixam bem evidente a necessidade de se constituírem sujeitos autônomos, que poderão refletir sobre a sua escrita e a escrita dos outros, elementos importantes na constituição da autoria. Na verdade, eles já fazem esse processo de reflexão desde a hora em que começam a pensar seu estilo de escrita, suas colocações frasais, quando escolhem a estrutura composicional do seu texto, mesmo sabendo as características de cada gênero discursivo, pois são os alunos que decidem de que maneira vão dispor seus posicionamentos, se direta ou indiretamente, se com vozes alheias com estilo pictórico ou linear.
Ao fazer essas escolhas, no produzir o texto, os alunos parecem evidenciar o quanto são autônimos diante de situações de escrita. Os mesmos elaboram enunciados que se concretizam por meio de posicionamentos, de reestruturação de outros dizeres, da reorganização de vozes que permeiam a interlocução existente na esfera em que esses interlocutores ativos estão inseridos, comprovando que para ser autor também se faz necessário inter-relacionar o seu dizer com o dizer do outro.
Não se pode negar que os alunos são autênticos quando se trata de colocar em evidência as vozes de outros na elaboração de suas vozes, pois ao fazer isso eles revelam um