2. İŞLETMELERDE PERSONEL SEÇİM SÜRECİ
2.4. Personel Seçimi Teknikleri
2.4.3. Değerlendirme merkezi uygulamaları
Segundo Voloshinov/Bakhtin (2004, p. 145), “a unidade real da língua que é realizada na fala não é a enunciação monológica individual e isolada, mas a interação de pelo menos duas enunciações, isto é, o diálogo”.
Entendemos que a inserção de outras vozes constitui um recurso de instauração da autoria, visto que segundo Voloshinov,
Aquele que apreende a enunciação de outrem não é um ser mudo, privado da palavra, mas ao contrário um ser cheio de palavras interiores. Toda a sua atividade mental, o que se pode chamar o “fundo perceptivo”, é mediatizado para ele pelo discurso interior e é por aí que se opera a junção com o discurso apreendido do exterior. A palavra vai à palavra. (Voloshinov, 2004, p.147).
A voz (discurso) do sujeito enunciador se constitui a partir de palavras múltiplas de outros, com as quais o enunciador incorpora, transforma, recusa, rebate, estabelece confrontos, faz modificações, assimila, enfim, reestrutura para, desse modo, estabelecer um dialogismo que contribui para efetivação de um novo dizer.
Se abarcar da voz alheia pressupõe um trabalho ativo de quem cita, pois este, ao incorporar a voz de outrem, pensa, julga, pesa e avalia o discurso do outro, o que para nós constitui uma tarefa de quem autora. Ou seja, a partir dessa atividade o sujeito que produz insere um posicionamento no seu dizer.
É, nesse caso, usar a “palavra alheia dos outros, cheia de ecos de outros enunciados” (BAKHTIN, 2003, p. 294), mas, ao mesmo tempo, usar como “minha palavra, porque, uma vez que eu opero com ela em uma situação determinada, com uma intenção discursiva determinada, ela já está penetrada da minha expressão” (BAKHTIN, 2003, p. 294).
Portanto, ao citar o discurso de outrem, o autor tenta fazer-se entender mediante uma confirmação ou refutação de algo, evidenciando, portanto, a relação dialógica entre os discursos, o que comprova que o sujeito se constitui na inter-relação com o outro, visto que, como afirma Bakhtin (2003), o outro desempenha papel fundamental na constituição do sujeito.
Entendemos que por meio de vozes alheias marcadas e/ou não demarcadas o autor se posiciona, evidencia seus pontos de vista, deixa claro o grau de distância e/ou adesão aos
discursos dos enunciadores citados, determinando, portanto, os lugares ocupados por eles (os autores).
Iniciaremos nossa análise com o texto produzido por A1 (ANEXO 1), no qual percebemos que a autora adota em seu discurso uma estratégia de incorporação da voz alheia a partir da inserção da letra de uma música. Essa incorporação não acontece de forma aleatória, mas a partir do conhecimento de que o trecho escolhido representa ou enfatiza o que quer enunciar. É como se quisesse, com a citação, tornar mais válido o seu dizer.
Ela transcreve um trecho de uma música para deixar evidente seu pensamento com relação ao gosto pela leitura que, na visão da autora, era preciso adquirir. Mas esse gosto, para a autora, só seria possível a partir do momento em que a mesma demonstrasse ter
sensibilidade.
Fragmento do texto de A1:
No começo eu não tinha muito acesso à leitura e achava que não tinha muita importância, por isso não dava muito valor. Eu não queria enxergar, mas aprendi que tinha que observar e deixar o meu olhar sentir e penetrar em mim a sensibilidade, para poder fluir o gosto pelo belo. É preciso aprender a olhar para poder vê-las assim mesmo.
Discurso citado por A1:
Depende de nós,
Quem já foi ou ainda é criança, Que acredita ou tem esperança, Que faz tudo pra o mundo melhor, Depende de nós,
Que o circo esteja armado, Que o palhaço esteja engraçado, Que o riso esteja no ar,
Sem que a gente precise sonhar. (Sérgio Mendes. Depende de nós. Festa da criança).
Ao analisarmos o fragmento da autora, percebemos que para deixar melhor enfática sua afirmação, A1 escolhe o trecho de uma música que considera ideal para ratificar seu pensamento. Ela faz uma escolha semântica para que fique evidente o que ela deveria adquirir para se tornar uma leitora, visto que tinha clareza da importância da leitura em sua vida.
Segundo a autora, o que estava faltando para que ela adquirisse o gosto pela leitura era a sensibilidade e adquirir isso só seria possível quando a mesma deixasse o olhar sentir, ou seja, para a autora, era preciso sentir a leitura para poder adquirir o gosto por ela.
Quando escolhe a letra de uma música para se fazer presente em seu discurso, A1 resgata de sua memória discursos proferidos anteriormente para fortalecer seu dizer, “Toda
palavra é sempre parte de um discurso. E todo discurso se delineia é na relação com outros dizeres presentes e dizeres que se alojam na memória” (ORLANDI, 2003b, p. 43).
Ao exprimir sua subjetividade quando afirma que tinha que observar e deixar o meu
olhar sentir e penetrar em mim a sensibilidade, A1 dá um acabamento ao seu texto a partir de
uma estratégia de gerenciamento de vozes, uma vez que ala consegue fazer com que sua voz e a voz alheia dialoguem entre si. A escolha pela letra da música permite tal afirmação, tendo em vista que a música escolhida já começa com a expressão depende de nós, que remete à compreensão de que A1 tem a convicção de que para conseguir algo, ela precisa fazer a parte dela, ou seja, ela está ciente de que só depende dela adquirir o gosto pela leitura.
Por meio da citação de um discurso já proferido, A1 instaura sua autoria, estabelecendo um sentido entre o que disse e o que se apropriou da palavra alheia como palavra sua, a partir de um movimento interdiscursivo em relação a outros enunciados já- ditos. Estabelece, portanto, uma retomada de sentido por meio da reestruturação, em que o “repetível” foi deslocado de seu contexto original e inserido num novo contexto com um novo sentido.
Outra estratégia usada por A1 para demarcar sua autoria é a utilização de uma figura de linguagem, um recurso muito usado em textos literários. Vejamos o trecho: Eu não queria
enxergar, mas aprendi que tinha que observar e deixar o meu olhar sentir. (Fragmento do
texto de A1, grifo nosso).
Ao expressar que passou a enxergar a leitura como algo importante, a autora se utiliza da expressão deixar o meu olhar sentir para evidenciar sua autoria. A escolha dessa figura de linguagem (em negrito), a personificação, demonstra um conhecimento enciclopédico e linguístico acerca do seu uso, portanto, um domínio discursivo, um indício de autoria.
A autora tem um certo controle com relação ao seu discurso, uma vez que sua escolha por essa figura de linguagem evidencia seu conhecimento acerca de estratégias discursivas, como, por exemplo, o uso da linguagem figurada. Assim, ela estiliza seu dizer para causar uma boa impressão de seu texto, uma vez que tem conhecimento que os textos literários (é o caso do texto em questão) costumam se abarcar de um estilo específico de linguagem.
Para Orlandi (1996), ter controle sobre o processo textual, bem como ter controle sobre o processo discursivo constitui um indício de autoria. Sendo assim, podemos afirmar que o texto em questão contempla marcas autorais.
Outras marcas de autoria podem ser encontradas nesse mesmo texto, quando a autora evidencia sua gratidão pela professora que a ensinou a ler. A1 utiliza-se de outro discurso
despertar pela leitura causou. Segundo ela, ao ser apresentada à leitura, fato que ocorreu de forma prazerosa e isso me fazia flutuar levemente pelas linhas do texto, sua vida tornou-se mais alegre, pois, com esse despertar, começou a enxergar melhor a vida, tendo em vista que
proferindo ou não as palavras passou a ter certo domínio sobre elas. Dito de outro modo,
segundo a autora, para ser feliz na vida e enxergá-la melhor é preciso conhecer as palavras, é preciso dominá-las.
Ela marca explicitamente seu gosto pela leitura no momento que escolhe a expressão
flutuar levemente pelas linhas dos textos para designar uma ação de prazer; não se contenta
apenas com o verbo “flutuar”, que já denota leveza, mas acrescenta a ele o advérbio levemente para exprimir, de forma mais acentuada, seu prazer pela leitura. A autora não se incomoda com a redundância flutuar levemente estabelecida em seu discurso, muito pelo contrário, a utiliza para evidenciar que a atividade de leitura é realizada de maneira prazerosa.
Se apropriando do discurso alheio, retirado de uma obra lida de Clarice Lispector, O
primeiro beijo, A1 deixou evidente que só passou a viver a partir do aprendizado da leitura,
pois a mesma a transformou, visto que agora a leitura lhe proporciona um estado permanente de leveza. Vejamos o seguinte fragmento: “[...] Ela fez com que despertasse em mim essa ânsia de ler, e isso me fazia flutuar levemente pelas linhas dos textos, proferindo ou não as palavras, mas conhecendo-as” (grifo nosso).
Discurso citado por A1: “Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.” (Clarice Lispector. O primeiro beijo e outros contos. São Paulo: Ática, 1995).
Ainda tratando da questão da apropriação da voz alheia, passamos agora para o texto de A3 (ANEXO 3), no qual podemos encontrar pistas de autoria nesse mesmo formato, quando a mesma inicia seu texto tomando posse de um dizer alheio para ratificar o que pensa a respeito da leitura.
Observemos o seguinte fragmento: “Se você é um bom leitor, ler representa um sistema de apoio à vida sem o qual não pode passar, e nem deve. Leia diariamente”. (Fragmento do texto de A3, grifo nosso).
Discurso citado por A3: “A leitura é boa para o coração, a alma, a saúde e o corpo”. A3 incorpora a voz da autora de uma obra que leu por meio de uma citação aspeada em que fica claro que o conceito de leitura adotado pela autora da obra lida tem uma relação condizente com o que a A3 pensa acerca da leitura na vida do ser humano.
A3 cita integralmente a voz alheia, mas a reestrutura para marcar sua autoria ler
reestruturação acontece quando a autora copia o que já foi dito, mas o recria na tentativa de moldar seu discurso aos/as seus/suas interlocutores/as e ao contexto em que está interagindo. "Essas 'palavras alheias' são reelaboradas dialogicamente em 'minhas alheias palavras' com o auxílio de outras 'palavras alheias' [...] e em seguida [nas] minhas palavras [...], já de índole criadora" (BAKHTIN, 2003, p. 402).
Para instaurar sua autoria, A3 apropria-se do discurso da escritora Danielle Steel, uma escritora renomada; em seguida, estabelece um rearranjo dos significados (reestrutura), determinando um lugar para sua subjetividade, para sua singularidade, em meio à pluralidade de vozes interiorizadas, e revela seu posicionamento acerca do que pensa sobre leitura.
Com esse recurso, coloca no mesmo plano seu discurso e o discurso de uma autoridade, estabelecendo, portanto, que seu posicionamento é tão válido quanto o discurso alheio citado, tendo em vista que, ao colocá-los em pé de igualdade, mas reestruturando o discurso alheio, a autora estabelece um indício de autoria a partir de uma apreensão desse discurso alheio estabelecendo uma tomada de posição.
Ao referir-se ao fato de que a leitura representa um sistema de apoio à vida (reestruturação do discurso alheio) a autora deixa claro que assim como o indivíduo precisa do coração, da alma, da mente, da saúde e do corpo para viver, o sujeito precisa da leitura para manter-se presente no mundo, por isso ela (a leitura) representa um sistema de apoio. A palavra sistema fica entendida aqui como um conjunto de elementos interconectados, de modo a formar um todo organizado. Vimos, portanto, o emprego do “caráter criativamente produtivo do autor” (BAKHTIN, 2003, p. 6), que se abarca de um termo que contempla um significado coerente com o trecho escolhido para iniciar seu discurso, tendo em vista que o
coração, por exemplo, pertence a um dos sistemas importantes para o ser humano, que tem a alma, a saúde e o corpo.
Assim, a autora deixa pistas de autoria a partir do que Bakhtin (2002) afirma quando trata da apreensão do discurso de outrem, ela faz uso ideológico da palavra, ou seja, assimila o discurso alheio definindo sua atitude ideológica em relação ao mundo.
Uma outra estratégia utilizada por A3 para continuar mantendo sua autoria, baseada na apropriação do discurso alheio, está no trecho destacado, a seguir, no qual fica registrado a incorporação de uma voz alheia a partir do estilo pictórico5 empregado pela autora.
Diz meu pai que a importância do livro além de ser uma fonte de conhecimento é uma fonte de lazer. Ele diz também que o bom leitor, além de absorver o conteúdo do livro ele tem que se tornar um personagem da leitura analisando o seu ponto de vista, compreendendo o que está sendo lido para tomar como lição de vida, pois o
livro pode ser o melhor companheiro nas suas horas de solidão. (Fragmento do
texto de A3, grifo nosso).
Ao se abarcar das palavras de seu pai acerca da leitura e da importância do livro na vida das pessoas, a autora optou por se apropriar dessa voz alheia, nos moldes do estilo pictórico. Nesse caso, A3 individualiza seu dizer, evidencia sua subjetividade, assim como seu posicionamento acerca da importância do livro.
Ao escolher registrar o discurso de outra voz por meio desse estilo, a autora faz uso da estratégia apontada por Volochinov/Bakhtin (2004, p. 151),
[...] a dominante do discurso é deslocada para o discurso citado; esse torna-se, por isso, mais forte e mais ativo que o contexto narrativo que o enquadra. Dessa maneira, o discurso citado é que começa a dissolver, por assim dizer, o contexto narrativo. Esse último perde a grande objetividade que lhe é normalmente inerente em relação ao discurso citado; nessas condições, o contexto narrativo começa a ser percebido – e mesmo a reconhecer-se – como subjetivo, como fala de “outra pessoa”.
Ao utilizar o estilo pictórico para evidenciar seu discurso, A3 deixa transparecer seu ponto de vista ideológico sobre a importância do livro na vida de uma pessoa, nos permitindo afirmar que, quando emitimos um discurso alheio de forma interiorizada, a palavra implícita passa a ser metade nossa e metade de outrem, deixando claro que nossos dizeres nascem das relações sociais, dos diferentes pontos de vista verbais e ideológicos.
É o que acontece também no discurso de A2 (ANEXO 2). Vejamos então o trecho: “Ainda tenho muito a aprender sobre os livros e o poder que a leitura exerce sobre nós, espero ter a oportunidade de desfrutar ainda mais dessa arte tão fascinante que é ler” (Fragmento do texto de A2, grifo nosso).
Percebemos que ao se posicionar afirmando que Ainda tenho muito a aprender sobre
os livros e o poder que a leitura exerce sobre nós A2 incorpora outros dizeres, vozes sociais,
para externalizar seu valor pela leitura. Ela evidencia, portanto, que a leitura ensina muito e, por isso, exerce poder sobre as pessoas. Fica claro nesse posicionamento de A2 que a mesma escolhe a palavra poder para marcar sua autoria, refrata esteticamente uma voz social, ou seja, assume uma posição socioaxiológica que poderíamos caracterizar como a de um sujeito leitor que vê na leitura a possibilidade de desfrutar da arte tão fascinante que é ler.
O uso do verbo desfrutar, também um indício de autoria, nos evidencia que para A2 ler é como uma atividade que se faz com carinho, é aproveitar algo com prazer.
Retomando o texto de A3, percebemos que, ainda na tentativa de mostrar sua autoria, ao concluir seu texto, produz um enunciado que nos remete à lembrança do enunciado alheio (de seu pai), ou seja, ela mais uma vez se apropria de um discurso alheio, porém faz uma nova reestruturação a partir de um acréscimo de um elemento novo na tentativa de modificar o texto original, pois um livro pode ser um dos maiores companheiros de que alguém poderá
ter. Assim, podemos concluir que a adição de um elemento novo de que alguém poderá ter
foi uma tentativa de deixar registrado um indício de autoria, tendo em vista que há uma vontade de criar um novo modo de dizer a mesma coisa, porém, de maneira diferente.
Passando para o texto de A4 (ANEXO 4), podemos encontrar passagens com indícios de autoria em suas escolhas lexicais. No quarto parágrafo do texto, a autora relata que quando passou de ano escolar, saindo da primeira para a segunda série, ela decolou na leitura, ou seja, ao usar o verbo decolar ela denota um avanço significativo no desenvolvimento de suas habilidades na leitura e ratifica essa passagem quando escolhe um discurso alheio em que há a presença de uma expressão que condiz com o significado de seu avanço na leitura. Eis o discurso alheio escolhido para enfatizar seu sentimento de prazer pela leitura, após ter adquirido uma desenvoltura: “Fazer poesia era uma brincadeira gostosa e o prazer de acertar um verso bonito trazia uma sensação ou alegria de voar em direção de uma bola e defender um pênalti.”
Ou seja, escolhendo uma passagem em que aparece o verbo voar, a autora faz um enquadramento de enunciados com sentidos equivalentes semanticamente, porém denotando avanço semântico, se referindo às mesmas situações: voar, que requer, antes, a ação de
decolar, que significa, nesta situação, subir, progredir numa ação, neste caso a ação de ler,
que aos poucos foi sendo possível a partir de um constante exercício com a leitura.
No discurso alheio analisado, podemos inferir que o autor da obra lida por A4, quando trata do fazer poesia, afirma que este fazer lhe proporcionava uma sensação agradável de
voar, uma sensação tão maravilhosa quanto a que sente um goleiro quando consegue fazer
uma boa defesa, então, podemos perceber a analogia entre voar em direção de uma bola e defender um pênalti e decolar na leitura, ou seja, decolar para agarrar as letras de maneira que seja possível percebê-las significativamente, decolar que pode ser entendido aqui como a aquisição fluente na leitura.
leitura, tendo em vista que numa série mais avançada poderia ampliar seu repertório de leituras.
Ainda tratando do prazer que a autora sente no seu progresso com a leitura, podemos identificar isso numa outra passagem em que a autora se apropria de um discurso alheio, reestrutura-o. Ao expressar e sim um prazer que devemos curtir a todo instante, como se fosse a última coisa da nossa vida, a autora se utiliza de uma voz alheia (discurso popular) para deixar mais nítida ainda sua força de vontade em aprender a ler e o prazer que a leitura lhe proporciona.
Faz isso para marcar sua autoria por meio de uma incorporação de vozes alheias, assumindo-as como suas, mas reestruturando-as, uma vez que apropria-se dessa voz alheia, mas de forma reelaborada, evidenciando o que Bakhtin (2003) chama de consciência monologizada, em que a palavra do outro é absorvida, é infiltrada pela assimilação desta palavra alheia. Segundo Bakhtin (2003, p. 403), “ao monologizar-se, a consciência criadora é completada com palavras anônimas”. Esse processo de monologização da consciência é, para Bakhtin, muito importante, pois, essa consciência monologizada passa a assumir “um todo único e singular em um novo diálogo” (BAKHTIN, 2003, p. 403).
Assim, esse novo formato de dizer o já dito constitui-se um indício de autoria, tendo em vista que assume um caráter particular de dizer algo já dito de maneira nova. É, portanto, estabelecer um diálogo, mas assumir-se como autor,
Trata-se de fazer o meio material, que atua mecanicamente sobre o indivíduo, começar a falar, isto é, descobrir nesse meio a palavra em potencial e o tom, de transformá-lo no contexto semântico do indivíduo pensante, falante e atuante (e também criador) (BAKHTIN, 2003, p. 404).
Eis o trecho: “Hoje posso dizer que ler não é uma coisa qualquer, e sim um prazer que devemos curtir a todo instante, como se fosse a última coisa da nossa vida” (Fragmento do texto de A4, grifo nosso).
Outro indício de autoria é evidenciado na seguinte passagem do discurso citado: “Hoje, com muita simplicidade eu aprendi a dizer: Quem diria! Então no final das contas, o menino Queiroz era mesmo poeta!”. Para finalizar seu texto, a autora escolhe essa passagem em função do que esta representa para ela. A4 entende que esta passagem representa o que ela sente por si: orgulho. Afinal, ser poeta requer um trabalho tão árduo quanto aprender a escrever. Assim, ela demonstra que assim como o autor da obra percebeu que era poeta, ela percebeu que é uma leitora eficiente.
Então, concluímos que ambos os discurso dialogam efetivamente, o que nos permite