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E. Yurtiçinde Yapılan İlgili Çalışmalar

1. Pedagojik İnanç ile İlgili Yurtiçinde Yapılan Çalışmalar

O Padre Ibiapina morreu em sua pequena casa, construída vizinho à Casa de Caridade de Santa Fé (Solânea - PB), em 19 de Fevereiro de 1883, após sete anos sofrendo de asma e outras complicações; nos seus dois últimos anos de vida o Padre Ibiapina já estava preso a uma rústica cadeira de rodas ou ao próprio leito (ARAÙJO, F. Sadoc, 1996):

Pouco a pouco, os acessos de asma e as crises de pleurisia aumentavam, deixando-o desfalecido. Febres intermitentes tornavam-se freqüentes. Sofria também surtos de congestão cerebral. Passada a fase aguda desses sintomas, voltava a trabalhar. Apesar de todos os sofrimentos, nunca se ouviu de seus lábios uma palavra de queixa, nunca perdeu a serenidade. (ARAÚJO, F. Sadoc, 1996, p.542).

Seu estado crítico de doença se agrava nos últimos dois anos de vida. Ao entrar o mês de fevereiro do ano de 1883 seu estado é de prostração geral. Nos

seus últimos momentos de vida, Ibiapina teria tido uma visão de Maria. Este evento inspira admiradores do missionário a afirmar que isto consagra sua santidade.

Finalmente, após sua última noite, que foi calma, raiou o dia de sua morte. Padre Ibiapina amanheceu transfigurado. “Às seis horas da manhã, ficou possuído de uma extrema alegria”. Abriu os olhos, apontou com o dedo indicador da mão direita para o alto e disse: “Maria!” E repetiu: “Ali está Maria!” Sorriu e perguntou à superiora, que estava ao seu lado: “Minha filha, você está vendo Maria?” Ela respondeu: “Não vejo não, meu pai.” No momento entraram algumas pessoas no quarto e ele calou-se. E logo que se retiraram, ele tornou a se encher de prazer e disse, apontando na mesma direção: “Lá está Maria! Minha filha, olhe! Lá está Maria! Lá está Maria!” Poucas horas depois, chega o padre José Eufrosino Ramalho, que lhe administra o sacramento da unção dos enfermos e fica a seu lado até o último suspiro. Momentos antes de expirar, “cantou baixinho o “O Salutaris Hostia” e, estendendo os lábio, parecia receber a partícula, dada por invisíveis mãos”. Minutos após, faleceu sorrindo. Eram três horas da tarde do dia 19 de fevereiro de 1883, uma segunda-feira da segunda semana da quaresma. Viveu 76 anos, 6 meses e 13 dias. (ARAÙJO, F. Sadoc, 1996, p.555).

Embora tenha sempre tentado combater a adoração a si, e quaisquer manifestações de fanatismo religioso, o lugar onde está seu túmulo, o Santuário de Santa Fé (Solânea-PB), é local de visitação permanente até hoje, freqüentado por uma imensa multidão de fiéis, nos dias 19 de cada mês e de modo especial, em grande número, no dia 19 de fevereiro, aniversário de sua morte.

Infelizmente constatamos através de conversas com o Padre José Floren, Reitor do Santuário, que o lugar não recebe nenhum tipo de apoio financeiro para se manter. O santuário é mantido pelos próprios religiosos, por doações, vendas de pequenos objetos nos dias das missas. Atualmente o Santuário demanda reformas, acabamento e manutenção, mas não conta com nenhum convênio ou recurso do Estado ou município.

Fotos 03, 04 - Santuário Padre Ibiapina – Santa Fé (Solânea/PB).

Fonte: Santuário de Santa Fé, Solânea (PB). Foto: Osicleide L. Bezerra, 19/11/2009.

As fotos 03 e 04, acima, ilustram o local onde são celebradas as missas ao ar livre, todos os dias 19 de cada mês. Logo abaixo, nas fotos 05 e 06 e 07, a Casa de Caridade erguida pelo missionário no século XIX: a fachada externa, na foto do meio, e o espaço interno, nas fotos da direita e esquerda. A estrutura de alvenaria é a mesma, o teto e o chão foram reformados. A parte superior abriga vários quartos onde ficavam as órfãs.

Fotos 05, 06 e 07 – Casa de Caridade de Santa Fé (Solânea/PB).

Na seqüência (fotos 08 e 09), a casa onde morou o Padre Ibiapina:

Fotos 08 e 09 – Casa do Padre Ibiapina.

Fonte: Santuário de Santa Fé, Solânea (PB). Foto: Osicleide L. Bezerra, 19/11/2009.

Abaixo (fotos 10 e 11), a Casa dos Milagres. O local abriga enorme quantidade de fotos de pagadores de promessas que levaram até o santuário o registro fotográfico de feitos milagrosos, atribuídos ao Padre Ibiapina. Observamos durante nossa visita ao local que a grande maioria dos agraciados é de crianças. Uma relação provável com o fato de o Padre Ibiapina ter sido um acolhedor de crianças órfãs.

Fotos 10 e 11 – Casa dos Milagres.

Fonte: Santuário de Santa Fé, Solânea (PB). Foto: Osicleide L. Bezerra, 19/11/2009.

Durante nossa visita ao santuário pudemos conhecer devotos relatando a cura de entes queridos através de pedidos de oração feitos ao Padre Ibiapina. É absolutamente impressionante a forma como o missionário parece esquecido pelas instâncias oficiais (públicas, institucionais), mas permanece vivo na memória das comunidades por onde passou. Além disso, a produção acadêmica recente também tem demonstrado crescente interesse pela história do missionário.

De acordo com o Padre José Floren, Reitor do Santuário, e da Irmã Maria, freira residente no local, os devotos conheceriam a história do Missionário Ibiapina provavelmente através da memória oral das populações locais. As últimas gerações dos sertões e cidades por onde andou o missionário Ibiapina ouviram as histórias dos feitos e milagres a ele atribuídos. Uma memória transmitida por aqueles que conviveram com o Padre ou que foram por ele acolhidos, atendidos, remediados, socorridos. É o caso, por exemplo, dos descendentes dos órfãos asilados nas Casas de Caridade. Muitas moças educadas nas Casas casaram, tiveram filhos, e certamente passaram adiante as experiências vividas nas instituições, preservando viva na lembrança dos seus descendentes a história do Padre Ibiapina66. Desta

66 Diana Rodrigues Lopes (2004) em seu livro Padre-Mestre Ibiapina e a Casa de Caridade de

forma, ele continua vivo na memória popular, ao ponto de reunir, pelo que me relatou o Padre José Floren e a irmã Maria, cerca de dez mil pessoas no Santuário, como ocorreu na data de 19 de fevereiro de 2009, última contagem que nos foi relatada67. Fizemos, então, nova visita ao local em 19 de fevereiro de 2010 e nos impressionamos com a quantidade de fiéis no local. Seguem no apêndice Balgumas fotos do Santuário feitas durante esta visita.