2. KURAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ALANYAZIN
2.1. Tüketici Tutum ve DavranıĢları
2.1.3. Tüketici DavranıĢ Modelleri
2.1.3.1. Açıklayıcı (Klasik) DavranıĢ Modelleri
2.1.3.1.5. Pavlov’un Modeli
O Brasil tem uma das mais elevadas taxas de juros do mundo53. A manutenção da alta taxa de juros faz parte da política monetária do Governo Federal para conter a inflação, gerando o consequente aumento no valor das prestações nos contratos de concessão de crédito e financiamento.
Ensina Alex Segura-Ubiergo54:
O Brasil tem uma longa história de inflação alta e volátil. A inflação anual foi moderadamente alta nos anos 1970 (média de 30%); muito alta no período 1980-88, (média de mais de 200%); e se transformou em hiperinflação entre 1989 e 1994, (média de 1.400%). Entre 1980 e 1994 o Brasil foi o país com a mais longa história de inflação alta entre os países emergentes que agora usam metas de inflação. Não é de surpreender que haja uma forte correlação entre inflação alta e taxas de juros altas. A taxa de juros precisou subir para puxar a inflação para baixo, e algumas vezes precisou ir a níveis muito altos. A queda da inflação e da volatilidade de suas
taxas no Brasil permitiu que as “expectativas inflacionárias fossem domadas”.
Apesar da recente redução dos juros nominais para 7,25% ao ano, decidida em outubro de 2012 pelo Comitê de Política Monetária (COPOM), do Banco Central, a taxa de juros reais no Brasil ainda alcança o patamar de 1,7% ao ano, perdendo, dentre as 40 economias mais relevantes no mundo, apenas para a China, com 3,9%, o Chile, com 2,3% e a Austrália, com 2%55.
Os juros remuneratórios, que correspondem à taxa de remuneração do capital emprestado ou financiado por um determinado período, são classificados de acordo com o tipo de avaliação realizada como nominais ou reais.
Os juros nominais são calculados pela diferença entre o valor efetivamente pago e o valor emprestado. Assim sendo, a taxa de juros nominais corresponde ao percentual obtido da divisão do valor dos juros cobrados pelo valor emprestado. Portanto, um empréstimo de R$
53 UOL. Brasil cai para 3º com maior taxa de juros reais do mundo, atrás de Rússia e China – 30 maio 2012.
Disponível em <http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2012/05/30/brasil-cai-para-3-com-maior- taxa-de-juros-reais-do-mundo-atras-de-russia-e-china.jhtm>. Acesso em: 05 ago. 2012.
54 SEGURA-UBIERGO, Alex. O enigma das altas taxas de juros no Brasil - 06 agosto 2012. Disponível em:
<http://www.brasil-economia-governo.org.br/2012/08/06/o-enigma-das-altas-taxas-de-juros-no-brasil/>. Acesso em: 04 jan.2013.
55 UOL. Brasil fica em 4º no ranking dos maiores juros reais do mundo – 10 outubro 2012. Disponível em:
50.000,00, cujo valor pago efetivamente foi de R$ 60.000,00, teve 20% como taxa de juros nominais.
Já no cálculo dos juros reais, é excluída a taxa de inflação correspondente ao período do empréstimo. Como o efeito inflacionário não é considerado, a taxa de juros reais tende a ser menor do que a taxa nominal; no entanto, se não houver inflação no período, os juros nominais e também reais serão coincidentes.
Atualmente, a taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) divulgada pelo Banco Central56é de 8,5% ao ano. Trata-se da taxa básica de juros utilizada como referência pela política monetária do Governo Federal do Brasil e resulta das taxas de juros efetivamente observadas no mercado.
Com a estabilidade econômica, desde a implantação do Plano Real em 1994, verificou-se a ampliação do crédito para as classes mais baixas, em ascensão nos últimos anos. O empréstimo e, principalmente, o financiamento de bens de consumo, antes considerado um artigo de luxo, a ser pago em curto prazo e com parcelas altas, hoje pode ser obtido em longo prazo, com parcelas que cabem no orçamento familiar.
A facilidade do acesso ao crédito e a melhoria nas condições de pagamento, entretanto, não implicaram a redução dos juros cobrados. Ao contrário, os fornecedores do varejo encontraram no financiamento de produtos e serviços um grande filão de mercado. Efetivamente, não causa estranheza o fato de que o lucro com a atividade de financiamento seja maior do que com a atividade de venda de alguns produtos, como automóveis e eletrodomésticos.
Para Andrei Simonassi57, “A população brasileira mediana é míope. Não enxerga quanto está pagando de juros ao fim do carnê[...] Quanto menor o nível de informação do
consumidor, maior a extorsão”. De fato, a maioria dos brasileiros não tem a cultura da
poupança, nem se ocupa em se informar sobre a política de juros praticados no mercado. Na prática, se o valor da parcela mensal do financiamento couber, ou pelo menos parecer caber, no orçamento, o consumidor não se importa em pagar juros elevados.
Segundo dados da consultoria Economist Intelligence Unit (EIU)58, o Brasil tinha taxa de poupança doméstica próxima a 15% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009, a
56
BRASIL. Banco Central do Brasil. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/?COPOMJUROS>. Acesso em: 26 jul. 2013.
57 BONFIM, Cristiane. Dilema do Consumidor: Pagar juros ou não. Diário do Nordeste, Fortaleza, 19set. 2010.
Negócios, p. 1.
58
FRAGA, Érica. Poupança do Brasil é a menor entre os emergentes. Folha de São Paulo, São Paulo, 07 set. 2010. Disponível em: <www.1.folha.uol.com.br/mercado/795035-poupanca-dobrasil-e-a-menor-entre-os- emergentes.shtml>. Acesso em: 12 out. 2011.
menor entre 24 mercados emergentes, juntamente com a Turquia. Referido percentual contrasta com números de 54,5% da China, 31,4% da Índia, 24% da Argentina e 21,7% do México.
Considera-se a poupança de um país os recursos economizados em vez de serem destinados ao consumo. Para cálculo do índice de poupança são contabilizadas as poupanças do governo, das empresas e das famílias.
Segundo Alex Segura-Ubiergo59, a correlação entre a poupança de um país e a taxa de juros real nele praticada merece atenção:
A relação entre poupança doméstica e a taxa de juros real parece ser forte. Entre as mais baixas taxas de juros em uma amostra de países emergentes que utilizam o regime de metas de inflação estão os países do sudeste asiático (Coréia, Indonésia e Tailândia), que têm altos níveis de poupança doméstica (em torno de 30% do PIB). No entanto, Brasil e Turquia aparecem muito longe da média. Ambos têm juros elevados porque suas poupanças domésticas são baixas em relação aos demais países.
Como já observado, a publicidade também contribui significativamente para cultura do endividamento, ao estimular o parcelamento em longo prazo pelos consumidores. Em relação a tal prática, segue um alerta aos consumidores, extraído de matéria publicada pelo Diário do Nordeste60, de Fortaleza-CE:
Enquanto as parcelas pequenas a perder de vista recebem destaque nos panfletos publicitários, o valor final do produto e a taxa de juros a ser paga aparecem muito discretamente ou não são sequer divulgadas ao consumidor. Há, por exemplo, casos de promoções em que o preço final de um produto pago em parcelas não é divulgado no folheto. O produto que à vista custa R$ 1.299,00 é anunciado em doze vezes de R$ 129,90, como se não houvesse acréscimo de 20% no preço final. Neste caso (um videogame), o valor acaba sendo de R$ 1.558,80, ou R$ 259,80 a mais.
Transpondo os pontos há pouco referidos, o consumidor ainda encontra dificuldade em calcular os juros da operação de crédito, fato que o impele para a armadilha do superendividamento.
59SEGURA-UBIERGO, Alex. O enigma das altas taxas de juros no Brasil - De 06 agosto 2012. Disponível em:
<http://www.brasil-economia-governo.org.br/2012/08/06/o-enigma-das-altas-taxas-de-juros-no-brasil/>. Acesso em 04 jan.2013.
60 BONFIM, Cristiane. Ofertas não deixam claro o preço final. Diário do Nordeste, Fortaleza, 19 set. 2010.