3 PAUL KLEE’NĠN SANATI ÜZERĠNDEKĠ ETKĠN OLGULAR
3.2 Paul Klee’nin Sanatında Müzik
4.2.3 Paul Klee ve Bauhaus
Estando corretos os documentos dos candidatos selecionados, não havendo nenhuma pendência, e estando o empreendimento construído, a Caixa promove os atos para a contratação com o futuro beneficiário.
A Lei nº 11.977/2009 prevê em seu art. 35 que os contratos e registros dos imóveis serão registrados preferencialmente no nome da mulher, com exceção de homens solteiros, viúvos, ou ainda de casais homossexuais masculinos, que adquiram uma casa através do programa. Após a assinatura do contrato, o beneficiário tem o prazo de 30 dias para mudar para o imóvel, sob pena, de perdê-lo. É o que está expresso na cláusula 13ª § 1º do contrato:
O beneficiário obriga-se a ocupar o imóvel adquirido no prazo máximo de 30 dias, a contar da data de assinatura deste instrumento, sob pena, de resolução do mesmo, de pleno direito, ficando a CEF, nesses casos, autorizada a declarar o contrato rescindido e alienar o imóvel a outro pretendente. Parágrafo Segundo: A desistência do imóvel, por iniciativa do beneficiário, devidamente comunicada à CEF, cujo contrato ainda não tenha sido registrado no RI competente possibilita a rescisão contratual.
Pode-se perceber que, contratualmente, caso o morador não mude no prazo de 30 dias, a Caixa poderá rescindir o contrato, alienando-o a outro pretendente. E caso desista do programa, antes que o contrato seja registrado, poderá rescindir sem haver ônus para as partes. Caso isso ocorra, será convocado o próximo candidato da lista.
O beneficiário contrata diretamente com a Caixa81 e não com a construtora. O valor da parcela do imóvel corresponde a 10% da renda bruta deste, e caso receba até R$500,00 (quinhentos reais) o valor da parcela será de R$50,00 (cinquenta reais). Esse pagamento será realizado durante o período de dez anos, ou seja, 120 meses. Para os beneficiários que possuem Bolsa Família, o valor é descontado diretamente na conta vinculada do recebimento deste benefício. Segundo as regras do contrato, ocorrendo atraso no pagamento, haverá incidências de correção monetária pela TR e multa de 2%. Além disso, o nome do beneficiário poderá ser inscrito nos cadastros de proteção ao crédito.
O imóvel, objeto do contrato, é gravado em alienação fiduciária82, ou seja, o imóvel é a garantia da dívida, de modo que se o beneficiário não pagar os valores contratados, o imóvel poderá ser resgatado pela Caixa. O prazo para a intimação pela falta de pagamento é de 60 dias após a inadimplência, ou seja, após dois meses sem que ocorra o pagamento da parcela, já pode ser realizada a intimação.
O contrato prevê ainda que a dívida poderá ser considerada vencida em caso de descumprimento contratual, podendo ensejar a cobrança administrativa e/ou execução do
81 No MCMV2, o Banco do Brasil também financiará imóveis na modalidade 0 a 3 salários mínimos, entretanto, em Viçosa-MG, ainda não houve nenhuma contratação com o BB para essa faixa de renda.
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A garantia fiduciária abrange o imóvel e todas as acessões, benfeitorias, melhoramentos, construções e instalações que lhe forem acrescidas e vigorará pelo prazo necessário à reposição integral do valor da dívida e ou até que o beneficiário cumpra o valor integral da dívida.
contrato e de sua respectiva garantia83, em razão de quaisquer dos motivos previstos em lei e várias hipóteses listadas no contrato. Sintetizando essas hipóteses, pode-se dizer que o imóvel pode ser resgatado pela Caixa:
quando houver transferência a terceiros, a título oneroso ou gratuito;
quando o imóvel for utilizado para outros fins que não a habitação do beneficiário e sua família;
quando o imóvel não estiver em perfeito estado pela falta de manutenção com conservação, segurança e habitabilidade;
quando houver realização de obras de demolição/alteração/ acréscimo no imóvel, sem prévio e expresso consentimento da Caixa:
quando houver falta de pagamento e apresentação, quando solicitado pela Caixa, de recibos de impostos, taxas ou outros tributos, bem como os encargos previdenciários, securitários e condominiais que incidam ou venham a incidir sobre o imóvel alienado e que sejam de responsabilidade do(s) beneficiários; em caso de descumprimento de qualquer das obrigações estipuladas no
contrato e nas normas que lhes são aplicáveis.
Entendeu-se por bem descrever essas hipóteses, tendo em vista que a realidade e os problemas vividos pelas famílias nos conjuntos se esbarram nas burocracias tanto do contrato, como da execução do mesmo, contribuindo para a existência de várias casas abandonadas, desocupadas.
Embora haja estipulação contratual quanto à execução do contrato e retomada da casa pela Caixa, ainda não havia resultados práticos sobre essas ações nos conjuntos pesquisados. Esses fatores acabaram agravando situações conflituosas dentro dos conjuntos, uma vez que as casas abandonadas foram invadidas por terceiros e ou têm sido utilizadas para outros fins (tais como ponto para utilização de droga e abrigo de cachorros), e também são focos de lixo, de sujeira, dentre outros. Essa é uma situação que expõe não só a fragilidade do contrato, mas também das ações da Caixa em executá-lo.
No município de Viçosa acompanhou-se a assinatura do contrato dos beneficiários do conjunto CSF84. Esse evento revelou à ocasião que, embora realizar o contrato seja um ato livre, nesse dia os beneficiários não receberam qualquer esclarecimento sobre o mesmo.
83 Entenda-se por execução do contrato e sua respectiva garantia, a retomada do imóvel, que é a garantia do contrato, o que é realizado por via judicial caso não ocorra um acordo com o beneficiário.
84 Que ocorreu no dia 28 de junho de 2012, na sede do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Viçosa (SINFUP).
Embora, fosse possível ler o contrato, antes de assiná-lo, além das condições locais85 não propiciarem a leitura, havia também a dificuldade em si com o formato da letra e o espaçamento simples dos parágrafos, totalizando em média 11 páginas. Soma-se a isso, a falta de instrução e escolaridade das pessoas contratantes. A soma desses fatores evidencia que, muito provavelmente, o contrato foi assinado, mas não foi lido pelos beneficiários. Ou seja, a assinatura do contrato é um protocolo que a contratação implica, e o contratante o assina devido a necessidade que possui para ter acesso à casa, pois embora possível lê-lo, acaba assinando sem saber o real conteúdo está assinando.
Neste dia, percebeu-se que apenas duas pessoas tentaram ler o contrato antes de assiná-lo. Num primeiro momento, essa ação refletiu-se como um gesto de interesse, para tomarem conhecimento das cláusulas do contrato que estavam firmando. No entanto, com um olhar mais atento à forma como a leitura se dava, percebeu-se que tal atitude era mesmo para constar que haviam procedido à leitura, já que a “leitura” se dava a partir do passar apressado das páginas.
Todavia, nesse tipo de contrato86, lendo-o ou não, as consequências são as mesmas, uma vez que ao ler o contrato e não concordar com alguma cláusula, o contratante não possui o direito de modificá-la, tendo apenas a opção de assinar ou desistir. Assim, diante da realidade surgiu a seguinte interrogação: por mais difíceis e cheios de regras que sejam os contratos, será que alguém já desistiu do sonho da casa própria pelo fato de ter que assinar um contrato padrão? Será que alguém questionou alguma cláusula?
As situações relatadas evidenciam o pouco poder de decisão que possui o beneficiário frente à contratação. Em levantamento realizado foi possível perceber que muitas informações presentes no contrato foram repassadas para os beneficiários em reuniões anteriores pelos representantes da Caixa e do Departamento de Habitação e Urbanismo. Ocorre que poucos são aqueles que de fato participaram das reuniões e assimilaram o que foi informado.
Observou-se, também, dificuldade dos beneficiários quanto à imutabilidade do valor contratado, uma vez que alguns beneficiários alteraram o estado financeiro que possuíam no momento de comprovar a renda, o que ocorreu devido à alteração ou perca do emprego. Embora haja a previsão de amparo pelo FGHab87, a maioria dos beneficiários não sabe que ele existe e nem como utilizá-lo. Por outro lado, o FGHab cobre a parcela para aqueles que
85 No local havia várias mesas de apoio com atendentes, e várias cadeiras para a fila de espera, crianças chorando, além do calor do local.
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São os chamados contrato padrão em que não há possibilidade de alterar qualquer cláusula contratual.
87 É o Fundo Garantidor da Habitação popular – FGHab, onde foram aportados recursos para pagamento das prestações em caso de inadimplência.
possuem carteira assinada, o que não é comum entre os moradores dos conjuntos pesquisados, uma vez que os beneficiários, na maioria das vezes, trabalham na informalidade, tornando tal fundo inaplicável para os mesmos.
Em relação aos danos físicos dos imóveis, existem algumas situações em que é possível a cobertura pelo Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), prevista na cláusula 18ª do contrato. Dentre eles pode-se citar incêndio, explosão, inundação e alagamentos de rios, chuvas, desmoronamento total ou parcial, desde que causado por forças ou agentes externos, e reposição de telhados, em caso de prejuízos causados por ventos fortes ou granizos.
Entretanto, para que lancem mão desses recursos, é necessário cumprir alguns requisitos estabelecidos no parágrafo segundo desta cláusula, principalmente formalizar o comunicado88 à Caixa no prazo de um ano, sob pena, de perda da cobertura.
No caso de Viçosa, uma das maiores reclamações dos beneficiários é quanto ao destelhamento de casas decorrentes de períodos da chuva, porém nenhum dos beneficiários conseguiu ter os telhados reparados pela Caixa. Três hipóteses ocorrem: a primeira é o fato dos beneficiários não estarem instruídos para fazerem a ocorrência; a outra é o fato da Caixa não possuir soluções rápidas para agir nessas situações e a última é em relação ao valor da franquia de cobertura, em que os estragos devem ser no mínimo de R$600,00.
Portanto, o que se pode concluir é que os contratos são padronizados e são uma via de mão única, em que as cláusulas são impostas e têm que ser cumpridas pelos beneficiários, parte hipossuficiente nessa relação. Por outro lado, a Caixa cumpre seu papel de financiar o imóvel e promover o desconto mensalmente da conta dos beneficiários, efetivando assim a relação contratual.