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2. GENEL BİLGİLER 1 Dirsek Eklemi Anatomis

2.3. Lateral Epikondilit 1 Tanım

2.3.2. Patofizyolojik Bulgular

Todas as empregadas domésticas comprometem-se com práticas de leitura e/ou escrita de bilhetes e recados telefônicos. Na ausência dos membros das famílias empregadoras, são elas que atendem ao telefone e registram os recados. Quando os patrões saem de casa antes que elas

Tabela 6: Práticas de leitura e de escrita realizadas por cada empregada no ambiente de trabalho.

cheguem ao trabalho, às vezes deixam bilhetes - que dizem respeito à execução de alguma tarefa, ao cardápio do almoço ou alguma orientação para receberem mercadorias que serão entregues – que são lidos por elas. Por outro lado, quando elas saem do trabalho e não há ninguém em casa, por vezes deixam bilhetes para os patrões, como, por exemplo, lembrando-os de comprar algum item necessário à execução de suas tarefas. Na presença dos patrões, a preferência (por ambas as partes), de modo geral, é que a comunicação aconteça oralmente.

Como foram abordadas no capítulo 1 desta dissertação, as escritas desse tipo se constituem como uma das maneiras de romper com o senso prático. Nas palavras de Lahire:

Le cinquième cas de figure se rapporte à des situations d’ où le corps est absent et où l’écrit continue à marquer sa présence. C’est le cas des petits mots entre membres de la famille ou des correspondances écrites. Ici, le sens pratique immédiatement mis en oeuvre au sein d’une situation ne peut opérer puisque les corps n’est pas en situation: il est ailleurs. L’écrit permet alors de compenser l’absence corporelle effective pour continuer à exercer son action (LAHIRE,1993, p.124)156.

Além disso, a freqüência e o motivo dos recados variam de família para família. De modo geral, como a justificativa para a realização dessas práticas escritas é a ausência do corpo157, nas situações onde as pessoas estão presentes, elas tendem a não ocorrer. Com uma única exceção, as empregadas pesquisadas, assim como todos os patrões, preferem a comunicação oral dos recados. A exceção referida no parágrafo anterior trata-se do caso de Graça. Ela é a empregada pesquisada que mais aderiu a essa forma de comunicação. É a única que prefere os recados escritos aos orais. Quando pergunto se os recados são também comunicados oralmente, ela diz:

G: Não, não, não...eu escrevo tudo...e eu já falo com eles...tudo o que vocês falar...ou ter que fazer...escreve pra mim e deixa escrito...porque se não escrever...eu esqueço...eu esqueço mesmo...não adianta...é muito assim...não é tão direto eu esquecer...mas tem muitas coisas assim que ela fala e eu esqueço...aí ela...você não lembra?...eu esqueci T....tem que escrever...deixar pra mim escrito se não eu não lembro não... (Entrevista 1, 05/07/2007)

156 O quinto exemplo se relaciona às situações nas quais o corpo está ausente e onde o escrito continua a marcar a sua

presença. É o caso dos bilhetinhos entre os membros da família ou correspondências escritas. Aqui, o senso prático imediatamente executado no seio de uma situação não pode operar já que o corpo não está presente na situação: ele está em outro lugar. O escrito permite então compensar a ausência corporal efetiva para continuar a exercer a sua ação (Tradução sob minha responsabilidade).

157 Ong (1998) também observou o efeito da “separação” provocada pela introdução da escrita. Entre outros tipos de

separação sugeridos pelo autor, estão o distanciamento no tempo e no espaço da fonte de comunicação e do recipiente e a separação entre o conhecido e o conhecedor.

Assim, às vezes, embora fale com a patroa da necessidade de incluir algum item na compra do mês, ela também opta por deixar o recado escrito na porta da geladeira. É notório que a função da escrita nesses casos é de apoio à memória. No trecho abaixo, novamente Graça fala da necessidade da escrita para o não esquecimento.

G: É...oh eu tô precisando disso...você traz pra mim...aí ela vai e traz...igual agora eu tô precisando falar pra ela trazer uma vassoura pra mim (risos)... eu não posso é esquecer...porque tem vez assim que ela faz a compra...e eu não tô sabendo...entendeu...porque ela não tem o dia certo do mês pra fazer...ela tem assim...final do mês...mas às vezes ela vai um dia antes...aí ela já trouxe...como é que eu vou pedir pra ela trazer...então assim...às vezes eu até escrevo e deixo lá...tá faltando isso e isso...aí já tá na lista... (Entrevista 1, 05/07/2007)

Em relação ao atendimento dos telefonemas, Graça se ocupa deles prioritariamente na parte da tarde, quando geralmente está sozinha na casa da família ou apenas com um dos filhos dos patrões. Em muitos casos ela precisa anotar os recados. Interrompemos uma das entrevistas para que ela pudesse atender ao telefone que tocava. Era o patrão com o objetivo de comunicar que um marceneiro iria ao apartamento e de orientar Graça sobre o recebimento desse profissional. Esse evento pode ser percebido como uma evidência de que a comunicação oral também tem lugar no relacionamento à distância entre patrões e empregada.

Os conteúdos dos recados escritos deixados pelos patrões de Graça são variados. A patroa, por exemplo, quando não está em casa na parte da manhã, escreve para ela o cardápio do dia. O patrão deixa anotadas algumas recomendações para o pagamento de algum serviço ou mercadoria ao lado de um cheque (às vezes em branco, para ser preenchido pela empregada). No dia da primeira entrevista realizada com Graça, ela disse que E. havia deixado um recibo com seu nome escrito incorretamente para ser trocado. Graça recebeu um funcionário da empresa que havia emitido o recibo para trocá-lo por outro com a grafia correta do nome do patrão. Ela teve que ler o novo recibo para atestar que a correção havia sido feita.

Nessa família, a comunicação com os patrões, embora aconteça muitas vezes por meio de bilhetes, também acontece oralmente. Dessa forma, quando está presente em casa, é comum T. dizer o que Graça deverá fazer para o almoço. Os patrões e a empregada também acordam oralmente sobre as saídas de Graça mais cedo do trabalho, quando necessita resolver problemas pessoais.

No caso de Suely, a forma principal de comunicação entre ela e sua patroa é a conversa. Se a patroa tem algo para ser dito, diz face-a-face ou liga para a residência. C. não prioriza os recados escritos na sua forma de comunicação com Suely e nem com os membros da família. Ela própria comentou em entrevista as facilidades do desenvolvimento da telefonia celular e da sua preferência de um contato mais íntimo, gosta de ouvir a voz da pessoa com quem se comunica. Suely, por sua vez, raramente deixa algum bilhete para os patrões.

Os bilhetes são mais facilmente substituídos por uma interação oral do que os recados telefônicos. O recado de alguém que telefona para a residência geralmente tem um conteúdo desconhecido pela empregada e, talvez por isso, mais difícil de ser rememorado e transmitido oralmente. Dessa forma, Suely tem o hábito de anotar os recados recebidos por telefone na casa da família empregadora.

A substituição de bilhetes pela interação oral não é um fato surpreendente, visto que a relação estabelecida entre gêneros textuais relacionados às comunicações pessoais e a oralidade já é conhecida. Marcuschi (2001) observou que as cartas pessoais, os bilhetes, os outdoors, as inscrições em paredes e os avisos são gêneros textuais que estabelecem forte relação com a oralidade. Em outras palavras, esses gêneros podem ser considerados pelo pesquisador como mistos; apesar de utilizarem o meio de produção gráfico, possuem uma concepção discursiva oral (MARCUSCHI, 2001, p. 35-43).

Justamente pelo fato de requisitar a utilização do sistema de escrita e de ser colocada ao julgamento dos outros (os patrões), a produção desse tipo de gênero pelas empregadas é vivenciada com certa sensação de apreensão. Sobre esse aspecto, presenciei uma situação interessante durante uma entrevista. O trecho abaixo foi escrito para registrar a observação feita:

Estávamos no meio da conversa (justamente após ela ter afirmado anotar recados telefônicos) e o telefone tocou. Interrompi a gravação para que ela atendesse. Enquanto conversava, pegou papel e caneta para anotar o recado. Hesitou em fazer, provavelmente receosa pela minha presença. Apenas repetiu em voz alta o recado que deveria anotar. Ela então desligou o telefone e pediu que eu anotasse. Ditou o recado e eu anotei. Ela prosseguiu dizendo que quando está incerta se escreveu corretamente o recado, pergunta aos destinatários se eles entenderam a mensagem. Exponho, então, a minha dúvida quanto à grafia da palavra “seção”. Ela lê minha anotação em voz alta... Seção pessoal da

Faculdade de Medicina...Cristina [lendo a minha anotação] e a julga adequada, já que é possível de ser entendida. Percebo, nesse momento, que o objetivo primordial de Suely é a transmissão da mensagem correta, para que os patrões não fiquem prejudicados. Percebo também a presença da tensão em relação à

escrita correta das palavras (Anotações de campo realizadas após a entrevista 2 – 05/12/2007).

Essa passagem evidencia um aspecto interessante desse tipo de escrita doméstica. Ao mesmo tempo em que ocorre dentro de lar (é doméstica por isso), ocorre em uma situação de trabalho. Assim, deve ser considerada também como uma escrita profissional. Conforme já foi abordado no capítulo 1 desta dissertação, a escrita doméstica foi descrita por Lahire (1997) como mais espontânea por ser privada e, logo, por não ter uma avaliação exterior. O mesmo não acontece com as escritas das empregadas domésticas no ambiente de trabalho, já que o quê elas escrevem é avaliado pelos patrões (sujeitos mais escolarizados e de outro meio social). Por isso, as escritas domésticas que usualmente são espontâneas quando realizadas pelos membros da família, no caso das empregadas domésticas investigadas, são acompanhadas de tensão. A preocupação com a ortografia, com a coerência e até mesmo com a caligrafia faz-se presente.

A avaliação que os patrões fazem da escrita das empregadas pode gerar fortes tensões na relação entre eles e as empregadas. W., patrão de Nazira, fala com franqueza da dificuldade que teve em conviver com a pouca habilidade de leitura e de escrita da empregada. A difícil compreensão da escrita que Nazira fazia dos recados recebidos por telefone gerava constantes conflitos entre eles, já que, em grande parte das vezes, as mensagens tratavam de compromissos profissionais. Sua esposa também expôs essa situação e comentou que a empregada quase chegou a ser demitida. Frente a essa situação, W. diz ter optado por relevar e explicita que o desenvolvimento da tecnologia (Internet e telefonia celular) contribuiu para isso. Nesse caso, é interessante notar que a habilidade para ler e escrever não foi verificada no momento do contrato.

W: Toda vez que ela tem que escrever recado...é um desastre...porque ela escreve mal...o fato de escrever mal...eu acho que tem algum recalque aí que ela não lembra...então fica pior ainda...isso foi muito difícil ter que aceitar isso...não é pela exigência de ter que escrever bem...mas às vezes era de não dar o recado certo...e eram às vezes recados de compromissos...tanto meu...profissional e até alguma coisa mais familiar...isso foi e é...algo penoso...difícil...e a saída foi relevar isso...não tem jeito...esse é o limite dela...então não tenho que ficar cobrando isso...então/ e tem outras saídas né...digo assim...fazer com que essas pessoas que procuram a gente profissionalmente...eu acho que até com o surgimento dos e-mails...isso desapareceu...quase que eu não vejo mais atrito entre nós... pela telefonia celular...e-mails...secretária eletrônica... entendeu... porque o resto que exige competência...eu acho que ela tá mais sozinha...e lida com mais segurança...que é ler uma receita...e faz...e faz com muito zelo...com muita competência...

P: Nessa época que não existia o celular...a secretária...como que isso era contornado?

W: Conversava né...mas sempre momentos de muita tensão...porque evidentemente expunha que ela é incompetente...e ela ficava chateada com isso...nós também...porque os recados às vezes eram relevantes...importantes...era sempre motivo de tensão...

P: Na época do contrato vocês não chegaram a conversar sobre isso?

W: Não...não colocamos isso como pré condição...pra ela trabalhar...ela ter que saber ler e escrever e bem...isso apareceu circunstancialmente...no decorrer do próprio trabalho é que ela foi mostrando essa dificuldade que até hoje tem... (Entrevista 1 – 23/01/2008).

Atualmente, Nazira atende aos raros telefonemas que tocam na parte da tarde e, quando necessário, continua a anotar os recados (logo, continua a conviver com a tensão gerada por esses momentos). Pela manhã, quem os recebe é a secretária de M. que a auxilia no trabalho que desenvolve em parceria com o marido.

As habilidades de Nazira para a leitura são maiores do que para a escrita. Ela lê sem maiores dificuldades os recados escritos exclusivamente pela patroa. Esses recados são deixados por M. quando não se encontra em casa e não pode comunicá-los oralmente. Exemplos dessas situações relatadas por Nazira são os pedidos escritos para a troca da roupa de cama ou o registro escrito sobre o local onde a patroa se encontra, caso, por exemplo, alguém venha a telefonar.

Finalmente, no caso de Cleonice, os motivos para a escrita de recados também são os mesmos. Assim como os outros casos pesquisados, ela recorre ao registro escrito de algum recado quando os patrões não estão presentes e ela não estará presente no retorno deles. De maneira geral, a preferência é por comunicar os recados oralmente, com o auxílio exclusivo da memória.

P: Você deixa algum recado pra eles ou você prefere falar o recado?

C: Anoto...mas eu falo também...só se...por exemplo...o telefone tocou...eu atendi...não tem ninguém em casa...e eu tô indo pra escola...aí eu não vou ver eles...aí eu deixo...alguém ligou tal hora...eu anoto assim...por exemplo...é...Marcos...Marcos da Karina...Marcos ligou hora tal tal tal e com quem queria falar...isso eu anoto... (Entrevista 1 – 16/06/2007)

Benzer Belgeler