• Sonuç bulunamadı

4.1. Termal Bariyer Kaplamaların Oksidasyon Davranışı …

4.1.2.2. Parabolik ve kararlı durum oksidasyon

O objetivo do estudo foi verificar a permanência dos alunos do ensino fundamental nas escolas estaduais de Araras-SP, com a prerrogativa da garantia do direito à educação como direito público e subjetivo prescrito nas legislações educacionais brasileiras, confrontando com a realidade dos espaços escolares.

Ao longo da dissertação, pudemos observar que a questão da permanência das crianças e adolescentes do município de Araras – SP, no ensino obrigatório, perpassa questões muito além dos direitos proclamados e da garantia dos direitos. Além de outras categorias de análise que, pela escassez de tempo destinado ao mestrado poderão ser ainda, aprofundadas em outras pesquisas ou até mesmo em uma nova etapa - doutorado.

Nesse estudo, ao levantar os dados quantitativos e qualitativos percebe-se a existência de um fator oculto de não permanência dos alunos. Os dados oficiais da Secretaria de Estado da Educação obscurecem a não permanência dos alunos nas séries iniciais do ciclo I e II, do ensino fundamental, porque não existe reprovação por desempenho ou aproveitamento escolar nestas séries no Sistema de Progressão Continuada. Logo, as crianças de 1ª a 3ª e de 5ª a 7ª séries, estão sendo reprovadas por não permanecer na escola, um fator que passa despercebido aos olhos da grande maioria dos educadores, por não atentarem que a não freqüência gera uma reprovação líquida e certa e os dados oficiais não distinguem esse fator, que vale pensar se há uma intencionalidade nesse fato?

A não permanência subtrai das crianças e adolescentes brasileiras, e no caso desse estudo especialmente, das Ararenses, o direito constitucionalmente garantido e em todas as legislações vigentes, que é o de se ter educação, principalmente com qualidade. Mas se crianças e adolescentes não conseguem permanecer na escola, como é que isso vai se efetivar? Em Araras, assim como no Brasil, os direitos educacionais prescritos nas normas legais, não conseguem efetivar-se no contexto da realidade cotidiana, reafirmado por Bobbio (2004), não se trata de fundamentá-los, mas garanti-los.

O estudo demonstra que as condições sociais vividas no Brasil têm exposto crianças e adolescentes brasileiros a situações excludentes de todas as ordens, dentre as quais

a expropriação daqueles que mais precisam educar-se, pela própria condição de vulnerabilidade social a que estão sujeitos.

A vulnerabilidade social no Brasil evidencia círculos viciosos de perpetuação da pobreza e da desigualdade social, que o povo brasileiro não consegue romper. Apesar das legislações de última geração referentes aos direitos sociais, entre os quais a educação, constata-se um processo histórico de sedimentação de práticas e culturas excludentes. Nesse sentido, a realidade só não é mais cruel porque os pequenos avanços alcançados atenderam a uma demanda muito mais econômica do que direcionada em favor do indivíduo, sujeito de direito sociais e humanos. Assim, ao mesmo tempo em que se exige maior escolarização, um contingente cada vez maior é impulsionado à marginalidade e à exclusão social.

O exercício do direito só é possível numa sociedade efetivamente democrática. A nossa, de origem escravocrata e estratificada, compromete esse exercício e a escola, parte dessa totalidade, reproduz a desigualdade em seus espaços. Vivemos épocas de banalização e naturalização da desvalorização da educação. É como se os pobres não tivessem direito ao conhecimento elaborado e às condições de transformação e emancipação para a vida em sociedade, como se esse fosse um direito exclusivo das classes mais abastadas.

Observa-se certa acomodação da sociedade frente a esses desafios. Não existe militância para transformação nem diretivas gerais para solução dos problemas educacionais. A educação que acontece muito mais de forma indireta se constitui de ações locais pulverizadas para levar avante uma questão nacional. De modo geral, a escola e os professores fingem que ensinam, os alunos fingem que aprendem, os pais fingem que atendem seus filhos e a sociedade e o Estado fingem que cumprem seu papel constitucional do direito a educação e escolarização para todos. Num sistema falacioso que promove a culpabilização num círculo vicioso, sem focar a realidade do problema, talvez seja justamente nessa dinâmica que poderemos encontrar a solução.

O sistema falacioso de culpabilização, faz com que maioria dos atores envolvidos no processo educacional acabam sendo omissos, transferindo a outrem a responsabilidade desta situação. Se há reprovação e evasão, ou seja, uma conseqüente não permanência, alguém está falhando. Os órgãos governamentais atribuem à culpa a escola; a escola apesar de saber que é parte integrante deste sistema e que também deve responsabilizar-se, alega não dar conta de todas as inferências sociais, psicológicas, econômicas e políticas, dentre outras, que adentram os espaços escolares, culpabilizando os pais. Os pais não conseguindo acompanhar as transformações sociais do mundo contemporâneo globalizado, culpam os professores ou os filhos pelo insucesso educacional.

Mas, na realidade são os alunos que carregam por toda a vida o ônus de não ter tido o acesso à garantia do direito de educar-se. Assim, o sistema deserda os nossos pequenos brasileiros do capital cultural a que tinham direito para o exercício da cidadania.

O sistema leva a escola a se apropriar da legislação em benefício próprio, se constituindo em verdadeiras estratégias de sobrevivência em condições de trabalhos adversas, perdendo o significado de sua atuação. No entanto é preciso ir além, educar-se para exercer a verdadeira cidadania, conceito desgastado e esvaziado pela falácia dos discursos, pelos referenciais teóricos e legislações vigentes. Na verdade um vocábulo carregado de significação que se esvaiu. Nenhum político, jurista, legislador ou educador conseguiu incorporá-la e provocar a transmutação dessa significação, levando à corporificação de uma bandeira nacional e unificadora a favor da inteligência de todo o povo brasileiro.

As políticas públicas não orçam recursos financeiros suficientes para resolver os problemas educacionais, não consideram nem valorizam a escola como espaço de saberes, impondo-lhes políticas construídas de cima para baixo. Um exemplo disso é a implantação do Sistema de Progressão Continuada, no Estado de São Paulo, que transportou uma escola seriada, para um sistema ciclado. A cultura escolar não mudou. O que mudou foi o Sistema de Ensino por meio da legislação. Observa-se na Progressão Continuada um emaranhado de conceitos, concepções e saberes. Não houve uma apropriação desse sistema pelos atores educacionais, resultando apenas numa melhoria dos índices estatísticos educacionais oficiais e não uma efetiva melhoria da qualidade do ensino-aprendizagem. Uma realidade que fica muito mais no dito, do que efetivamente no feito, em termos educacionais e qualidade de ensino.

As políticas trazem em seu bojo o discurso da promoção da igualdade, mas se faz da desigualdade uma prática de homogeneização, tratando igualmente as demandas desiguais. No entanto, uma reforma só pode ser verdadeiramente bem sucedida se levar em conta angústias e saberes docentes, trazendo-os para possibilidade de transformação da realidade. Uma maneira talvez fosse ouvir os militantes dessa luta e assim, construir um consenso entre reformadores e docentes.

A escola é campo de expressão de conflitos da sociedade contemporânea, sobre a qual recai toda a fracassalização do sistema educacional brasileiro. Ninguém vê, entretanto, que ela está sozinha, sem o devido respaldo para resolução desse problema. A fracassalização que perpassa por todo o sistema educacional, imprime para escola a sua impotência, desencadeada pelas próprias amarras do sistema educacional vigente. Perpassa também questões não assumidas pela sociedade por conta do modelo econômico excludente e