2. ĠLGĠLĠ ALAN YAZIN
2.1. Kuramsal Çerçeve
2.1.3. Finansal Kurumlar
2.1.3.2. Türkiye’de Finansal Kurumlar
2.1.3.2.2. Para Yaratmayan Finans Kurumları
Diante dessas menções acerca da experiência, do sujeito e do saber de experiência, em Larrosa (2015), retomo a tessitura de Caetano e Souza (2015), que em intercambio com esse autor, aludem à essa potência transformadora dos saberes e dos indivíduos ou grupos. Um processo de produção de sentido, mais do que “da” verdade ou “da” realidade. E com
Caetano e Souza (2015), compreendo esse processo de significação a atravessar os sujeitos e os saberes que adquirem outro teor e feição, contingentes, autorais e subjetivantes. Quanto a esses aspectos, os autores apontam que:
a experiência cumpre um papel fundamental no processo de aprendizagem, considerando que o encontro entre o sujeito e o acontecimento gera o impacto, a surpresa, o sentimento, a paixão e o pensar sobre o mundo. Sobretudo, por essas disposições, o ser humano sente e interpreta a realidade, o fenômeno, de forma que, entre todos os animais, o homem é o único que não vive simplesmente à mercê dos acontecimentos [...] Ao experimentar o mundo, o ser humano constrói noções sobre o cotidiano, a cultura, a filosofia e a vida (CAETANO, SOUZA, 2015, p. 12). A partir desses elementos expostos, entendo que os autores indicam um componente inerente à constituição do sujeito e do saber da experiência, a aprendizagem humana perante e com o mundo. E como processo desencandeado de interpretações de si, do outro e da vida, aprendizagem e significação conjugam-se entre sujeito e acontecimento. A hermenêutica desse processo é eminentemente delineadora de uma semântica e do conhecimento sobre o humano e o mundo. Nesse sentido, Caetano e Souza (2015) compreendem que a experiência contribui no processo de produção de conhecimento e de “refazimento da subjetividade”, em uma relação permanente com a cultura. Chama-se a atenção o fato de que os autores, ao elencarem aspectos delineadores das condições ontológicas do sujeito e do conhecimento, sinalizam um processo de práxis incitado também pela experiência. É o que ilustro no quadro: Figura 21: Experiência e Movimento praxiológico
Fonte: Elaboração do autor.
As condições ontológicas do sujeito e do conhecimento indicadas por Caetano e Souza (2015) envolvem o estar no mundo, o confronto com a realidade, a interpretação do mundo e da vida e a experiência. Esta última se situa mais como o processo instaurado entre sujeito e acontecimento em um mundo concreto. Seguem, portanto, a percepção de Larrosa (2015) e de Dewey acerca desse papel mediador da experiência. Por isso a sua presença ser condição de
Movimento praxiológico Mundo Vida Processo Educativo Fluxo da Experiência Produção de saber Confronto com a realidade interpretação
possibilidade da assunção de sujeitos e de saberes. Dessa maneira, uma práxis se instaura mas não circunscrita à técnica e ao “trabalho”, como Larrosa adverte, mas, nos dizeres de Freire, com quem os autores aproximam-se nessa discussão, uma práxis como via histórica e ontológica da humanização. Paulo Freire aparece nessa reflexão que visa tecer nexos entre educação, experiência, mundo e cultura, como um autor que anuncia imbricações possíveis dessas categorias. Ao meu ver, e em consonância com Silva, Freire antecipa o exercício de uma episteme pós-colonial, que, assim, problematiza as categorias canônicas na e da modernidade em função da dramaticidade histórica e ética da condição humana.
Desse modo, o autor resignifica tais categorias a partir do lócus e do tempo da relação opressor-oprimido presente na matriz colonial dos povos africanos, latinoamericanos e tantos outros. Pela inventividade conceitual cultivada em seu percurso de práxis educacional, Freire parece-me oferecer a Caetano (2013) o nexo possível da experiência com a práxis, sinalizada por Larrosa (2015), e modelada por Freire (1987) sob o horizonte da viabilidade histórica e ontológica do humano tendo em vista o drama de suas relações de opressão e as implicações destas na constituição do mundo. Assim, trago os aportes de Santos (2014) quanto à interação entre essas categorias na obra de Freire:
A relação do homem com a realidade e o mundo implica transformação deste mundo. O produto desta “interação transformadora” condiciona as ações e reflexões seguintes. Nesse sentido, é natural que a experiência resulta em práxis, e deste modo, essa práxis é desenvolvida na experiência. Portanto, entendemos que, nesta linha de raciocício a experiência é o ponto de partida para uma reflexão existencial (SANTOS, 2014, p. 77).
A práxis entre sujeitos e vida, mediada pela e na experiência tem como meio e fim, saberes, atividades, significações, afetos e, portanto, é uma práxis da existência e dos existente. Por si mesma, deflagradora de questionamentos éticos e políticos, pois encarna o deparar-se com a alteridade de si, do outro, do mundo, em um movimento interpretativo que, no olhar de Freire (1983), quando e pelo diálogo, envolve a leitura, denúncia e anúncio, do mundo e da palavra. Caetano e Souza (2015), portanto, tecem esse arranjo multirreferencial da categoria experiência sob o horizonte, debulhado por Freire (1983), de entendimento das condições históricas e ontológicas do humano, viabilizadoras ou não de sua humanização. Identifico nesse exercício dos autores, o que Boaventura (2010) descreve como hermenêutica diatópica, pois partem e investem na interculturalidade dos lugares de produção dessa categoria, tão filosóficos quanto geográficos, em Dewey, em Larrosa e em Freire.
E, na ecologia de saberes, desses distintos espaços e tempos, Caetano e Souza (2015) constroem nexos entre práxis e experiência no plano das condições ontológicas e históricas do
sujeito e do conhecimento sobre a existência. Daí que, a experiência educativa, terminologia costurada pelos autores, não se refere a um tipo de experiência, mas à dimensão enunciativa e reconstitutiva desta. Em minha leitura de Caetano e Souza, com os aportes de Santos (2014) e de Figueiredo (2009), a experiência educativa se dá com a plena realização de suas condições de possibilidade: a dialogicidade, a intersubjetividade e o afeto.
Perante a tais princípios fundantes, é que a experiência proporciona a reconstrução e a reorientação da ação humana, consequentemente, de e para outras experiências. As características fundamentais da experiência educativa, apontadas pelos autores, são sua ação desestabilizadora do sujeito e do mundo, da qual decorre, sua feição contingente e aberta, a continuidade e integração do seu fluxo constituinte, cuja fragmentação, em reflexão posterior, fragiliza ou impossibilita a sua reconstrução significativa. Por fim, destaco a presença dessas condições e princípios da experiência educativa nos processos evocados com a metáfora dos
Saberes sementes do Maracá da Espiritualidade, entendidos como, recursivamente, produtores e produzidos nas mediações intergeracionais e interculturais dos Tremembé.
Figura 22: Mosaico conceptual geral da pesquisa
Fonte: Elaboração própria.
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