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2. ĠLGĠLĠ ALAN YAZIN

2.1. Kuramsal Çerçeve

2.1.2. Finansal Piyasa Türleri

2.1.2.4. Finansal Varlığın Niteliğine Göre Piyasalar

2.1.2.4.2. Öz Sermaye Piyasası

No que se refere à temática deste estudo, o enfoque sobre a intergeracionalidade nos espaços escolares e comunitários, parte de algo já pré-sentido nos primeiros contatos com as comunidades Tremembé, e chega à complexas mediações criadas e retomadas, entre professores e lideranças/troncos velhos.

Ações essas que trazem tensões inerentes a um encontro geracional e ao seu decorrente processo de transmissão cultural. Observo que, os sujeitos desses processos vivem tais mediações, muitas vezes como experiências, enunciadas de cada lugar geracional por meio de narrativas. E nelas, deparam-se com situações diante das quais torna-se relevante esse olhar quanto à superação de um viés educacional conteudista, pautado em saberes descolados das experiências educativas cotidianas de um dado ambiente social (para utilizar os termos de Dewey). Elemento esse a desafiar as ações educacionais étnicas por depreciar a ação dos sentidos frente ao mundo, o agir dos corpos entre si e em situações, elo promotor do fluxo continuo sobre o qual se detém a reflexão em seu movimento de reconstrução da experiência, de comunicação da mesma e reorientação para outras.

Acredito que esses aspectos abordados em Dewey como impossibilitadores da experiência, tornam-se pertinentes, conforme nos sinaliza Fonseca (2000), para pensar a realidade brasileira, na medida em que são reiterados por Teixeira (1985) e, inicialmente, por Paulo Freire, que enxergam os traços do autoritarismo de nossa sociedade ainda no século XX e, principalmente, em nossas raízes históricas. Eis que, em Larrosa (2015) e em seu intercambio com Walter Benjamin (1994), encontro os elementos a enfraquecer as condições de experiência em nosso contexto moderno neoliberal. Neles, identifico não apenas uma outra

teorização sobre essa categoria, mas, em coerência com Mignolo, os aspectos históricos, epistêmicos e ontológicos de um lugar de enunciação particular, o europeu, acerca do mundo. É nesse sentido que trago aquilo tais elementos e como os considero permeados da colonialidade do projeto de modernidade, em suas expressões sociais a partir da primeira guerra mundial e mais fortemente, após a segunda guerra e a consolidação do modelo neoliberal. Em linhas gerais, Larrosa (2015) situa quatro aspectos a dificultar a experiência como acontecimento, território de passagem do e no sujeito, cujos afetos, o desloca para um estado de paixão, de sofrer, que, paradoxalmente, o insere em uma práxis, mais precisamente, existencial. São esses os seguintes elementos: o excesso de informação, de opinião, de trabalho e a falta de tempo. Em convergência com a crítica ao conteudismo de Dewey, mas voltado para um outro horizonte de questionamento, Larrosa (2015) aponta que, na modernidade, o sujeito da informação, padece não da paixão por um acontecimento, mas da obsessão pela informação e pelo seu saber, como posse. Nesse cenário, nem há saber, relativo a sabedoria, nem há experiência, pois tudo passa e acontece, mas nada ou quase nada lhe acontece. Daí resulta uma noção de aprendizagem como acumulação e processamento de informação. Nesse sentido, a cognição é reduzida a processos informáticos, e, sob o olhar de Larrosa (2015), substituem o discurso organicista da vida social (ao meu ver, atualizam-no) e trazem consigo, assim como o anterior, potenciais totalitarismos.

Neste caso, fundados na lógica de mercado neoliberal, na qual, uma sociedade da informação detém a dinâmica ideal para a mercantilização da vida e do permanente e flexível modo de consumo, inclusive, das próprias informações. Tal elemento, o excesso de informação, é também esboçado por Benjamin (1994), quando discorre sobre a pobreza dos acontecimentos da primeira guerra, tornados impossíveis ou desprovidos de relevância enquanto experiência a ser lembrada, narrada e transmitida. E é, para esse autor, que Larrosa (2015) recorrerá para indicar o segundo aspecto a dificultar o acontecimento da experiência, o

excesso de opinião ou, mais precisamente, o periodismo. Este termo, Larrosa o utiliza emprestado de Benjamin, e descreve como:

a fabricação da informação e a fabricação da opinião. E quando a informação e a opinião se sacralizam, quando ocupam todo o espaço do acontecer, então o sujeito individual não é outra coisa que o suporte informado da opinião individual, e o sujeito coletivo, esse que teria de fazer a história segundo os velhos marxistas, não é outra coisa que o suporte informado da opinião pública. Quer dizer, um sujeito fabricado e manipulado pelos aparatos da informação e da opinião, um sujeito incapaz de experiência (LARROSA, 2015, p. 20- 21).

Esse é o dispositivo percebido por Benjamin (1994) a atuar no empobrecimento da experiência e da ação do narrador, agente esse que, em uma sociedade da informação e sob a

lógica do periodismo, tem seu ato de narrar sufocado, seja pela impossibilidade de experiência, seja de audiência, já que todos estão pré-ocupados com a fabricação de informações e julgamentos quanto ao que acontece. Aqui o processo educacional se confunde com a compulsão por adquirir/armazenar informações e, concomitantemente, em ratificar ou retificar o que acontece. Se trouxermos Bruner (1997) para essa reflexão, vejo que o periodismo é um dos fatores que tornaram a Revolução Cognitiva, no entendimento desse autor, um retrocesso a um objetivismo reducionista do psiquismo ao se emparelhar com os preceitos da Revolução da Informática.

Ou seja, um processo que simplifica o modo de pensar paradigmático e que inviabiliza o narrativo, sobretudo este, cujo lógica e parâmetros de validação inerentes estão em função do acontecimento, da experiência. E, em outro ponto, mas com consequências próximas, em um paralelo com Dewey (1959), o periodismo fragiliza o princípio da continuidade pelo qual se reconstrói a experiência e se acende sua significação vital. Daí que, diante de todos os autores citados, a experiência se torna rara e com contornos de insurgência em um modo de produção da existência que a desqualifica e destrói. E junto com ela, a narrativa, seja como modo de pensamento conforme Bruner (1997), de ordenamento do tempo e da ação, segundo Riccoeur, de relembrar e contar a experiência e a sabedoria a lhe acompanhar, de acordo com Benjamin, seja como reconstrução e comunicação da experiência para Dewey (1959), também se torna rara e insurgente. Assim é que chego ao terceiro aspecto citado por Larrosa (2015) correlacionado aos demais já mencionados: o excesso de trabalho. A ideia de um saber que se adquire do fazer ou da prática, em detrimento de um outro que provem das leituras ditas teóricas. Esse é uma das feições desse elemento abordado pelo autor e que, segundo ele, possibilita, assim como nas avaliações acerca do fazer, mensurar a experiência, quando esta, em sua perspectiva, é única, singular e incomparável nesses termos.

A outra feição para esse elemento enfraquecedor da experiência, é a lógica produção, compulsiva, que o trabalho possui na modernidade. O estado permanente de mobilização em nome da produção, que no olhar de Larrosa (2015), engloba a vontade obsessiva de regular e de mudar algo, que para isso se torna seu objeto, bem como um fazer ininterrupto de uma vontade perante um mundo colocado a serviço da pretensão humana. Assim, entendo que esse elemento reporta ao produtivismo no qual estamos inseridos, inclusive, para a fabricação de informações e de opiniões, pois estas estão alçadas a objetos de consumo tanto quanto as mercadorias a que também se referem. Há uma familiaridade na lógica compulsiva e

imbricação desses dispositivos, as condições de reiteração da colonialidade e do que Lander (2005) afirma como neutralização das insurgências frente à matriz moderna neoliberal.

Ou ao que nos dizeres de Boaventura (2010), implica na invisibilização da pluralidade de experiências no e do mundo. Acredito que das quatro facetas da colonialidade, a que mais se fortalece com essa parceria entre periodismo e produtivismo é a da Mãe Natureza ou do Viver, pois o humano elege-se o centro de uma cosmovisão que se pretende universal e objetiva. Assim, além de apartado da natureza, ou ligado por uma visão organicista, de seu antropocentrismo emerge a pretensão de sua ação regulatória e mecânica sobre o corpo, a vida e a existência. Nesse cenário, o tema da espiritualidade é convocado a seguir nas fileiras da “superstição”, ou dentro dos limites confessionais das instituições religiosas, de forma que pode se tornar facilmente vítima ou cumplice do periodismo e do produtivismo. Aproveito para também destacar que a noção de trabalho aqui mencionada pelo autor, difere da utilizada por Freire (1987), mais ligada à ideia de ação humana frente ao mundo, e esta, de práxis, que também possui suas condições de possibilidade (dentre elas destaco o diálogo, a amorosidade, a admiração e a inconclusão) e de impossibilidade (o fazer mecânico do ativismo, a falsa palavra ou palavra morta, do verbalismo, e a ação anti-dialógica da educação bancária).

Assim, a ideia de trabalho em Freire, ao meu ver, precisa ser considerada por sua noção de práxis, em suas configurações expressivas diversas, desde as mais biófilas até as mais coisificantes do humano, do mundo e da existência. Daí que, ao tratar do saber de experiência feita e ao reportar às suas próprias experiências educativas, Freire (1987) identifica que a práxis é constituinte da existência, de sujeitos e do mundo, e condição histórica e ontológica de seu inacabamento. Daí que a ação na e pela práxis em Freire, quando atravessada pelas condições anteriormente citadas, não são contrárias à experiência, no sentido daquilo que nos passa e nos acontece. Ao meu ver e em consonância com Santos (2014), a práxis em Paulo Freire, não é do e no trabalho, mas no e do diálogo com e no mundo, é, portanto, existencial, e tem a experiência como uma de suas condições de possibilidade, não implica em um periodismo e produtivismo.

Diante desses destaques acima, adentro no quarto elemento elencado por Larrosa (2015) que contribui para nossa quase incapacidade de experiências na modernidade: a falta de tempo. Esse aspecto, diz respeito à temporalidade do sujeito moderno, algo que o autor também encontra em Benjamin ao falar do narrador, pois a aceleração do tempo e disposição permanente dos indivíduos ao novo, ao que virá, tornam desinteressante, a esses sujeitos, a experiência da narração, a experiência na narrativa e os saberes que brotam desses dois

processos interligados. Esse ponto é crucial para a temática aqui estudada pois enxergo que a transmissão da experiência discutida em Dewey, via comunicação de sua reconstrução, tem no narrar a sua forma de elaboração e de expressão.

Dessa maneira, a transmissão cultural, como característica de toda dinâmica geracional, envolve, conforme Tomizaki (2010b), socializações, que podem consistir em atos de narrar experiências entre sujeitos, em e de diferentes ações, de modo a se partilhar significados, valores e disposições frente ao mundo e à vida.

A falta de tempo pode decorrentemente refletir na escassez ou desprestígio de experiências a se narrar e no enfraquecimento da experiência de ações intergeracionais cujo foco são as narrativas sobre a espiritualidade. Essa temporalidade moderna, acelerada e provedora do efêmero, está correlacionada aos demais aspectos e possui um efeito bastante efetivo na naturalização da matriz colonial e moderna ao neutralizar a visibilidade de outras cosmovisões, saberes e modos de existir. O agir em torno do fortalecimento dessas condições de possibilidade da experiência, aqui refiro-me a Dewey e Larrosa, corresponde à práxis existencial de que nos fala Freire. É portanto, um exercício de transformação decolonial.

Ainda especificamente quanto ao tema desta pesquisa, cabe ressaltar que, ao me referir à inscrição da espiritualidade na intergeracionalidade de professores e lideranças/troncos velhos Tremembé, remeto-me a um processo que se situa nas mediações escolares e comunitárias produzidas entre e por cada um desses grupos geracionais, das quais decorrem as experiências educativas nas e pelas quais os saberes acerca da espiritualidade são partilhados e produzidos. Dessa forma, volto-me para a práxis existencial, entre sujeitos e vida, mediada pelas experiências do acontecer dos enlaces das ações e relações geracionais citadas. Compreendo, portanto, que tanto a experiência como práxis, por serem condicionadas pelo projeto de modernidade e colonialidade, podem ser empobrecidas ou impedidas pelos elementos abordados pelos autores.