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2. ĠLGĠLĠ ALAN YAZIN

2.1. Kuramsal Çerçeve

2.1.4. Foreks Piyasası Uygulamaları

2.1.4.1. Foreks Piyasasının Tanımı

Larrosa (2015), ao expor sua noção de experiência, preocupa-se em cultivar um entendimento da educação que adote, diferentemente do positivismo da ciência/técnica e do criticismo da teoria/prática, o par experiência e sentido. Ao que me parece, além da tentativa em reabilitar a categoria experiência nas práticas sociais e educacionais, investe em facetas desprestigiadas pelos pares mencionados e pela lógica de produção na/da modernidade.

Por isso, ao iniciar sua concepção de experiência, Larrosa (2015) mergulha na polissemia dessa palavra e emerge com um significado fomentador de uma direção: o singular. Desse modo, diz ele: “é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Não o que se passa, não o que acontece, ou o que toca. A cada dia se passam muitas coisas, porém, ao mesmo tempo, quase nada nos acontece. Dir-se-ia que tudo o que se passa está organizado para que nada nos aconteça” (LARROSA, 2015, p. 18).

Esse recorte realizado pelo autor traz para a noção de experiência um caráter relacional, afectivo e de um potencial reconstitutivo do sujeito. Não se confunde com o acontecimento em uma versão mecânica, mas consiste nas ressonâncias do acontecer nos sujeitos. Daí a vinculação, mas não identificação, da experiência com a ação, ao imaginarmos esta como o fluxo do que se passa no mundo sob as intenções contraditórias, paradoxais ou pretensamente coerentes dos seres humanos. Nessa concepção de Larrosa (2015), decorre uma outra definição relevante ao trabalho que aqui desenvolvo, a de sujeito da experiência.

Para chegar em tal recorte, o autor realiza o mesmo passeio em torno da polissemia da palavra experiência em diferentes línguas. Diante desses sentidos, o sujeito passa a ser compreendido como um território:

de passagem, seja como lugar de chegada ou como espaço do acontecer, o sujeito da experiência se define não por sua atividade, mas por sua passividade, por sua receptividade, por sua disponibilidade, por sua abertura. Trata-se, porém, de uma passividade anterior à oposição entre ativo e passivo, de uma passividade feita de paixão [...] O sujeito da experiência é um sujeito “ex-posto” (LARROSA, 2015, p. 26).

A ideia de sujeito em relação à experiência distingue-se da ideia de narrador e de

agente, a primeira relativa à narrativa e a segunda à ação mediada. Ela reporta-se ao sujeito tomado pela paixão, indicativa do que lhe passou e das ressonâncias dessa experiência em seu viver. Segundo Larrosa (2015), a paixão envolverá compromissos e disposições a traduzir o que lhe aconteceu em suas repercussões políticas e sociais.

Envolve uma interdependência com o outro, afinal, é com a alteridade que a

experiência se instaura e nela emergem tensões entre liberdade e escravidão, sofrimento e felicidade, reveladoras da intensidade e significação nesse processo. O sujeito da experiência, ao meu ver e, a partir dos enlaces de Caetano (2013) e Linhares (2004), é parte das condições de possibilidade da narrativa e da ação plenas de sentidos. O que se torna relevante no debate dessas categorias é que a significação a atravessá-las exige a participação e a conjunção de seus aspectos constituintes. A dimensão dos afetos atravessa, permeia a produção de significados relativos a essas categorias (narrativa, experiência e ação mediada), e constitui, não como adorno coadjuvante ou obstáculo inerente, mas componente enunciador de seu caráter relacional frente à alteridade. Os vínculos entre essas categorias são visíveis na própria exposição de Larrosa (2015) ao apontar as bases do que vem a ser o saber de experiência:

Definir o sujeito da experiência como passional não significa pensa-lo como incapaz de conhecimento, de compromisso ou ação. A experiência funda também uma ordem epistemológica e uma ordem ética. O sujeito passional tem também sua própria força, e essa força se expressa produtivamente em forma de saber e de práxis. O que ocorre é que se trata de um saber distinto do saber científico e do saber da informação, e de uma práxis distinta daquela da técnica e do trabalho. O saber de experiência se dá na relação entre o conhecimento e a vida humana. De fato, a experiência é uma espécie de mediação entre ambos (LARROSA, 2015, p. 30). Nesses aspectos acima, o autor indica a presença de uma espécie de autoria, por parte do sujeito da experiência, de saberes e de/em uma práxis peculiar, acima de tudo, existencial. Inevitavelmente, esse processo implica em um teor ético identificável, sobretudo, na distinção do saber produzido, frente à ciência, à técnica e ao trabalho na modernidade. Não é apenas o conteúdo que denota o teor ético de um saber, mas seu modo e critérios de elaboração, suas formas expressivas e suas pretensões, elementos estes intrinsecamente políticos.

Assim, o saber de experiência configura-se de modo diverso à centralidade da razão moderna e ao tecnicismo inerente ao modo de produção capitalista. Outro destaque é a mediação da experiência na relação entre conhecimento e a vida humana. Dessa forma, como elemento mediador, ela é condição de possibilidade da relação e dos artefatos criados pelos seres humanos acerca dessa conexão. Esses saberes denotam do que se passou no sujeito, esboçam uma elaboração singular a partir da experiência, mesmo que vivida por várias pessoas ou por um grupo específico. Ao que apreendo da leitura de Larrosa (2015), ao ser partilhado, tornado público, esse saber pode catalizador de identificações e/ou estranhamentos entre os envolvidos em uma situação de intercomunicação do mesmo e de outros.

E, embora, não seja o mais abordado pelo autor, a singularidade intrínseca a esse saber pode repercutir naquilo que sujeitos ou grupos particulares sentem como parte de sua paixão,

dos afetos e das ressignificações emergentes de e em sua abertura à alteridade. Os saberes de experiência se constituem daquilo que se:

adquire no modo como alguém vai respondendo ao que vai lhe acontecendo ao longo da vida e no modo como vamos dando sentido ao acontecer do que nos acontece. No saber da experiência não se trata da verdade do que são as coisas, mas do sentido ou do sem-sentido do que nos acontece [...] trata-se de um saber finito, ligado à existência de um indivíduo ou de uma comunidade humana particular; ou, de um modo ainda mais explícito, trata-se de um saber que revela ao homem concreto e singular, entendido individual ou coletivamente, o sentido ou o sem- sentido de sua própria existência, de sua própria finitude. Por isso, o saber da experiência é um saber particular, subjetivo, relativo, contingente, pessoal (LARROSA, 2015, p. 32).

Um saber processual, por ser tecido nos enlaces entre afetos e significados, que se aglutinam de modo original na intensidade e no desenrolar do que aconteceu aos sujeitos, às suas paixões. Relacional, na medida em que surge dos e nos encontros entre sujeitos e vida, em um tecido peculiar, o acontecimento. Seja em um indivíduo, ou grupo, esses saberes dizem de sua existência e de sua finitude, qualidade reveladora das marcas da passagem que se dá no e pelo sujeito. Seu teor singular envolve uma qualidade peculiar ao seu estado de afetação diante do que se passou aos sujeitos.

E pela própria processualidade desta, não pretende totalizar a vida, mas manter a abertura a esta, cultivar sua potência. Não é um saber universal, nem perpetuo, tampouco massificado, é singularizador do (s) sujeito (s), instaurador de outra apreensão e feição da existência e deflagrado pela práxis mediadora entre conhecimento e vida humana. Em linhas gerais, Larrosa (2015) situa quatro aspectos a dificultar a experiência como acontecimento, território de passagem do e no sujeito, cujos afetos, o desloca para um estado de paixão, de sofrer, que, paradoxalmente, o insere em uma práxis, mais precisamente, existencial.

São esses aspectos explicitamente reconhecidos na discussão de Walter Benjamin sobre a modernidade e a experiência: o excesso de informação, de opinião, de trabalho e a falta de tempo. Em convergência com a crítica ao conteudismo de Dewey, mas voltado para um outro horizonte de questionamento, Larrosa (2015) aponta que, na modernidade, o sujeito da informação, padece não da paixão por um acontecimento, mas da obsessão pela informação e pelo seu saber, como posse. Nesse cenário, nem há saber, relativo a sabedoria, nem há experiência, pois tudo passa e acontece, mas nada ou quase nada lhe acontece.

Daí resulta uma noção de aprendizagem como acumulação e processamento de informação. Nesse sentido, a cognição é reduzida a processos informáticos, e, sob o olhar de Larrosa (2015), substituem o discurso organicista da vida social (ao meu ver, atualizam-no) e trazem consigo, assim como o anterior, potenciais totalitarismos.

Neste caso, fundados na lógica de mercado neoliberal, na qual, uma sociedade da informação detém a dinâmica ideal para a mercantilização da vida e do permanente e flexível modo de consumo, inclusive, das próprias informações. Tal ponto, o excesso de informação, é esboçado já por Benjamin (1994), quando discorre sobre a pobreza dos acontecimentos da primeira guerra, tornados impossíveis ou desprovidos de relevância enquanto experiência a ser lembrada, narrada e transmitida. E é para ele que Larrosa (2015) recorrerá para indicar o segundo aspecto a dificultar o acontecimento da experiência, o excesso de opinião ou o

periodismo. Este termo, Larrosa o utiliza emprestado de Benjamin, e descreve como:

a fabricação da informação e a fabricação da opinião. E quando a informação e a opinião se sacralizam, quando ocupam todo o espaço do acontecer, então o sujeito individual não é outra coisa que o suporte informado da opinião individual, e o sujeito coletivo, esse que teria de fazer a história segundo os velhos marxistas, não é outra coisa que o suporte informado da opinião pública. Quer dizer, um sujeito fabricado e manipulado pelos aparatos da informação e da opinião, um sujeito incapaz de experiência (LARROSA, 2015, p. 20- 21).

Esse é o dispositivo percebido por Benjamin (1994) a atuar no empobrecimento da experiência e da ação do narrador, agente esse que, em uma sociedade da informação e sob a lógica do periodismo, tem seu ato de narrar sufocado, seja pela impossibilidade de experiência, seja de audiência, já que todos estão pré-ocupados com a fabricação de informações e julgamentos quanto ao que acontece. Aqui o processo educacional se confunde com a compulsão por adquirir/armazenar informações e, concomitantemente, em ratificar ou retificar o que acontece. Se trouxermos Bruner (1997) para essa reflexão, vejo que o periodismo é um dos fatores que tornaram a Revolução Cognitiva, no entendimento desse autor, um retrocesso a um objetivismo reducionista do psiquismo ao se emparelhar com os preceitos da Revolução da Informática. Ou seja, um processo que simplifica o modo de pensar paradigmático e que inviabiliza o narrativo, sobretudo este, cujo lógica e parâmetros de validação inerentes estão em função do acontecimento, da experiência. E, em um paralelo com Dewey (1959), o periodismo fragiliza o princípio da continuidade pelo qual se reconstrói a experiência e se acende sua significação vital.

Daí que, diante de todos os autores citados, a experiência se torna rara e com contornos de insurgência em um modo de produção da existência que a desqualifica e destrói. E junto com ela, a narrativa, seja como modo de pensamento conforme Bruner (1997), de ordenamento do tempo e da ação, segundo Riccoeur, de relembrar e contar a experiência e a sabedoria a lhe acompanhar, de acordo com Benjamin, seja como reconstrução e comunicação da experiência para Dewey (1959), também se torna rara e insurgente. O cerne para este estudo é que o periodismo sob um processo social e histórico fundado na colonialidade retira

dos próprios sujeitos da experiência sua legitimidade de fala, desqualifica seu lugar e sua enunciação, em função de um mecanismo produtor de estereótipos e discriminação. Entretanto, as tensões desse mesmo processo também não acentuam o movimento de adscrição étnica e o surgimento de gerações?

Assim, é com essas questões que chego ao terceiro aspecto citado por Larrosa (2015) correlacionado aos demais já mencionados: o excesso de trabalho. A ideia de um saber que se adquire do fazer ou da prática, em detrimento de um outro que provem das leituras ditas teóricas. Eis uma das feições desse elemento abordado pelo autor e que, segundo ele, possibilita, assim como nas avaliações acerca do fazer, mensurar a experiência, quando esta, em sua perspectiva, ao contrário, é única, singular e incomparável nesses termos.

A outra feição para esse elemento enfraquecedor da experiência, é a lógica de produção, compulsiva, que o trabalho possui na modernidade. O estado permanente de mobilização em nome da produção, que no olhar de Larrosa (2015), engloba a vontade obsessiva de regular e de mudar algo, que para isso se torna seu objeto, bem como um fazer ininterrupto de uma vontade perante um mundo colocado a serviço da pretensão humana. Assim, entendo que esse elemento reporta ao produtivismo no qual estamos inseridos, inclusive, para a fabricação de informações e de opiniões, pois estas estão alçadas a objetos de consumo tanto quanto as mercadorias a que também se referem.

Há uma familiaridade na lógica compulsiva e obsessiva do periodismo e do trabalho na modernidade. Por isso, chego a visualizar, na imbricação desses dispositivos, as condições de reiteração da colonialidade e do que Lander (2005) afirma como neutralização das insurgências frente à matriz moderna neoliberal. Ou ao que nos dizeres de Boaventura de Souza Santos (2010), implica na invisibilização da pluralidade de experiências no e do mundo. Acredito que das quatro facetas da colonialidade, a que mais se fortalece com essa parceria entre periodismo e produtivismo é a da Mãe Natureza ou do Viver, pois o humano elege-se o centro de uma cosmovisão que se pretende universal e objetiva.

Assim, além de apartado da natureza, ou ligado por uma visão organicista, de seu antropocentrismo emerge a pretensão de sua ação regulatória e mecânica sobre o corpo, a vida e a existência. Nesse cenário, o tema da espiritualidade é convocado a seguir nas fileiras da “superstição”, ou dentro dos limites confessionais das instituições religiosas, de forma que pode se tornar facilmente vítima ou cumplice do periodismo e do produtivismo. Aproveito para também destacar que a noção de trabalho aqui mencionada pelo autor, difere da utilizada por Freire (1987), mais ligada à ideia de ação humana frente ao mundo, e esta, de práxis, que

também possui suas condições de possibilidade (dentre elas destaco o diálogo, a amorosidade, a admiração e a inconclusão) e de impossibilidade (o fazer mecânico do ativismo, a falsa palavra ou palavra morta, do verbalismo, e a ação anti-dialógica da educação bancária).

Assim, a ideia de trabalho em Freire, ao meu ver, precisa ser considerada por sua noção de práxis, em suas configurações expressivas diversas, desde as mais biófilas até as mais coisificantes do humano, do mundo e da existência. Daí que, ao tratar do saber de experiência feita e ao reportar às suas próprias experiências educativas, Freire (1987) identifica que a práxis é constituinte da existência, de sujeitos e do mundo, e condição histórica e ontológica de seu inacabamento. Daí que a ação na e pela práxis em Freire, quando atravessada pelas condições anteriormente citadas, não são contrárias à experiência, no sentido daquilo que nos passa e nos acontece. Ao meu ver e em consonância com Santos (2014), a práxis em Paulo Freire, não é do e no trabalho, mas no e do diálogo com e no mundo, é, portanto, existencial, e tem a experiência como uma de suas condições de possibilidade, não implica em um periodismo e produtivismo.

Diante desses destaques acima, adentro no quarto elemento elencado por Larrosa (2015) que contribui para nossa quase incapacidade de experiências na modernidade: a falta de tempo. Esse aspecto, diz respeito à temporalidade do sujeito moderno, algo que o autor também encontra em Benjamin ao falar do narrador, pois a aceleração do tempo e disposição permanente dos indivíduos ao novo, ao que virá, tornam desinteressante, a esses sujeitos, a experiência da narração, a experiência na narrativa e os saberes que brotam desses dois processos interligados. Esse ponto é crucial para a temática aqui estudada pois enxergo que a transmissão da experiência discutida em Dewey, via comunicação de sua reconstrução, tem no narrar a sua forma de elaboração e de expressão.