• Sonuç bulunamadı

1.3. Araştırmanın Amacı ve Sorusu

1.3.3. Roman Özetleri

1.3.3.6. Panorama

A formação profissional tem se disseminado amplamente. Segundo os pedagogos entrevistados, sua atuação profissional está voltada para esta dimensão porque os programas educativos visam melhorar a qualidade da atuação e da participação do trabalhador. Claxton (2005) diz que a vida profissional está mudando rapidamente, que a incerteza e a insegurança são realidades diárias e, por isso, é preciso aprender novas habilidades e conhecimentos – “não as novas habilidades e conhecimentos em si, mas a competências para dominar o que ainda não conseguimos vislumbrar” (p. 221). Ele ainda destaca que talvez se levem, minimamente, dez anos para ajudar a equipar os jovens com essas competências, “porque não temos ainda algumas das principais ferramentas, como a nova pedagogia que será necessária” (p. 221). Tenta-se tornar as pessoas melhores aprendizes, mas se terá de investir muito esforço para que isso aconteça de forma mais efetiva.

É inquestionável a importância da aprendizagem, da compreensão, de saber ler, escrever e calcular, de saber estabelecer relações entre os conhecimentos aprendidos. As organizações que se apropriam do trabalho de desenvolver competências e habilidades profissionais parecem estar mais capacitadas e preparadas para enfrentar as mudanças contextuais. Um dos entrevistados diz: “estamos ótimos em tecnologias, mas ainda distantes de saber trabalhar com o ser humano para que ele tenha a capacidade de aprender” (E13).

Segundo Moraes (2004), a sociedade saiu da “Era Material” e ingressou na “Era das Relações Humanas”. Tal passagem significa que a humanidade vive hoje um processo de transição e de transformação em que o poder centra-se na disponibilidade dos recursos humanos, nas interações, nas parcerias, e apóia-se em fatores econômicos, técnicos, pedagógicos e políticos. Antes se buscava eminentemente a produtividade, porém isto mudou radicalmente. Busca-se agora a valorização da vida, da natureza, das relações interpessoais, do convívio. Aprende-se que, nesta relação, a competência humana é primordial, por abrigar e organizar as demais competências que dela emanam. É a competência humana que estabelece a relação de parceria e o envolvimento no compromisso pedagógico, que qualifica o trabalho, que imprime respeito ao trabalho técnico profissional. Ela não pode ficar separada das competências técnicas e pedagógicas, pois através dela, o pedagogo estabelece o compromisso com o educativo e se afirma como sujeito (RIOS, 2006).

A partir desta reflexão, os indicadores da pesquisa foram analisados, segundo o olhar da concepção humana, da dimensão humana, em que as unidades de significado que expressam a valorização, o reconhecimento do ser humano, a criatividade, o respeito, os sentimentos foram inter-relacionados com os fazeres pedagógicos e técnicos. Percebe-se que as competências desenvolvidas pelo pedagogo dependem da especificidade de cada contexto e de cada proposta de trabalho.

Alguns dos entrevistados (E2, E4, E6, E7, E10) verbalizam a preocupação com o desenvolvimento das pessoas e destacam o resgate de valores humanos na organização. Por sua atuação eles estimulam o trabalhador a desenvolver seu potencial intelectual e cultural; implementam propostas de socialização; promovem estratégias de aprendizagem, enfatizam o aprender no coletivo, por meio de relações interpessoais que respeitem emoções, sentimentos, espiritualidade. Eles acreditam nas possibilidades de cada ser humano, não pelo cargo que detêm, mas pelos valores que traz consigo e pelo que pode compartilhar com os colegas.

Um dos entrevistados relata: “lido permanentemente com as questões de aprendizagem, com a preocupação de que o trabalhador aprenda” (E4). Outro complementa: “trabalhamos voltados para o ensino dos funcionários, falamos em construir conhecimentos e

para tal organizamos estratégias, das mais variadas, para que eles possam aprender” (E2). Um terceiro refere: “este trabalho não se dá pela transmissão de saberes, pois incluímos espaço de socialização, aprendizagem e lazer” (E6). O E9 diz: “a empresa se preocupa com o desenvolvimento da pessoa, considerando-a um ser integral”.

O termo auto-regulação traz implícito self-regulation, isto é, a importância do ‘eu’ do self. A auto-regulação privilegia a capacidade de o indivíduo regular a sua ação em função de interesses, desejos, valores, afetos e ser capaz de dirigir seu comportamento para a consecução de suas metas. A auto-regulação está, no entanto, também imbricada na relação com o outro, porque ela ocorre na interconexão, na troca, na parceria. A organização das próprias estruturas é ‘regulada’, ‘estimulada’ pela relação com o outro. Nesta relação, está subjacente a competência humana, pois através dela se fortalecem as relações e se alcança o desenvolvimento em parceria, em rede. Cada sujeito, ao produzir e transformar o contexto, mantém a circularidade da rede de organização básica da vida.

De acordo com a teoria de Morin (1999, 2000), os seres vivos se autoproduzem, a partir das relações que estabelecem com o meio (se organizam, se auto-organizam). Extraem dele energia para desenvolver e constituir sua própria organização que lhes confere autonomia, interatividade e interdependência frente aos diferentes componentes do sistema e os estimulam à manutenção da vida, à renovação, à auto-regulação dos sistemas.

Os depoimentos revelam grande preocupação em estimular no trabalhador respeito, confiança, auto-estima e autonomia. Um dos entrevistados diz: “temos trabalhado a questão dos valores, o que significam, se houve interação com os colegas de outros setores, se proporcionou o desenvolvimento e a satisfação pessoal, se impulsionou o comprometimento institucional” (E2). Isso aponta para o acerto da opção por um processo de formação humana que pressupõe o desenvolvimento do indivíduo como ser social, pessoal, profissional; que inclui relações inter, intra e transpessoais; que encaminha para a compreensão da autoridade interior; que inclui a construção da autonomia, da auto-imagem positiva, da integração, da responsabilidade social e planetária, da espiritualidade; que reconhece o valor humano.

A formação humana exige permanente esforço de adaptação a novas situações sociais e profissionais. Ela precisa de continuidade, ela estende-se por toda a vida, recusando qualquer idéia de caráter definitivo. Trata-se de atribuir permanente significado à educação. Cada indivíduo deve ter o direito de participar, de efetivar uma ação formativa desde o berço até o término de sua vida (SIMÃO, SANTOS e COSTA, 2005). Neste sentido, o binômio educação-formação faz parte das estruturas organizacionais e encontra no pedagogo um aliado. O entrevistado E9 diz: “organizo projetos de monitoria, de tutoria, de forma que eu

ensino e aprendo com o outro”. Este fazer é um espaço marcado pela autoconsciência, pelo respeito ao ser humano e pela diversidade cultural.

O pedagogo estimula o desenvolvimento das competências que envolvem o saber, o saber fazer, o saber ser. Essa ação mediadora se dá quando organização e pedagogo acreditam que é preciso investir nas experiências, nas aprendizagens e refletir sobre a prática realizada. A aprendizagem e o conhecimento capacitam os trabalhadores a enfrentar as exigências advindas de mudanças e de transformações profissionais e sociais. O E7 relata: “a organização é hoje um espaço de aprendizagem, de crescimento pessoal e profissional. A formação auxilia o crescimento dos trabalhadores e deixa a empresa mais fortalecida”.

Alguns pedagogos salientam que o processo de formação visa promover as múltiplas possibilidades para os trabalhadores se desenvolverem, de se apropriarem do saber como fonte de realização. Segundo Charlot (2000), a relação com o saber é a relação do indivíduo com o mundo, consigo mesmo e com os outros. Esta relação oferece instrumentos e condições que ajudam o sujeito a aprender, a pensar, a conviver, a comprometer-se com as inovações que emergem das mudanças. O desenvolvimento humano depende da capacidade de reflexão, do aprimoramento das habilidades de pensar e de se envolver. Seguindo este pensamento, um entrevistado destaca: “trabalhamos com o funcionário questões voltadas para a cultura da paz, dos direitos humanos, por uma cultura de não violência e para tal são pensadas estratégias inovadoras” (E3). Esta proposta de ação prevê o respeito pela construção da identidade pessoal, profissional, baseada em valores e na auto-reflexão. O E4 revela: “investimos no trabalho de saúde ocupacional que estuda o porquê as pessoas se afastam do trabalho” (E4).

A formação de pessoas precisa considerar questões relativas à humanização, à busca da excelência do ser humano – racionalidade e espiritualidade – em uma coerência integradora (MORAES, 1997, 2004). Estas ações aparecem no fazer do pedagogo que atua na gestão organizacional. Um dos entrevistados diz: “criamos um ciclo de confiança, responsabilidade e de satisfação em ambiente de trabalho e isso tem evidenciado a importância do relacionamento humano dentro da organização” (E7). Pensando em questões como esta, percebe-se que os pedagogos-educadores desenvolvem propostas e estratégias de ação que estimulam os trabalhadores a obterem melhor compreensão dos problemas que emergem de seu fazer profissional, das inter-relações e da implementação de técnicas e recursos necessários para a execução das atividades profissionais. Os entrevistados referem que não é responsabilidade deles ministrarem as aulas, cabe-lhes organizar a formação e contratar os assessores. O E11 corrobora: “elaboro programas de treinamento com instrutores internos, com consultores contratados, com empresas e entidades que prestam serviços,

acompanho os treinamentos com cuidado, observo se estão sendo adequados para aquele grupo ou se precisam ser ajustados e reorganizados”. O E7 diz: “percebo a mudança cultural que está tendo na organização evidenciada em termos de socialização e de relações de parceria”.

Falar de educação para o desenvolvimento técnico-profissional não é estranho ao se considerar que o desenvolvimento profissional do sujeito acarreta também o crescimento da empresa. Este movimento relaciona-se aos conhecimentos que o trabalhador agrega e articula em sua carreira por seu permanente processo de aprendizagem. Neste contexto, destaca-se a necessidade de o pedagogo realizar ações relativas ao desenvolvimento da aprendizagem, principalmente no que se refere a investimentos pessoais e profissionais conforme este depoimento: “temos que ter cuidado na capacitação para não produzirmos gestores extremamente violentos que só queiram lucro, sem considerar a pessoa, é preciso trabalhar com habilidade, competências, respeitando os pilares da educação do futuro: aprende a ser, aprender a conviver, aprender a saber para ser” (E13).

O sujeito, ao dominar uma tarefa que para si é desafiadora, aumenta sua competência, sua auto-estima e desencadeia um processo de segurança profissional, que resulta em emoções positivas, que podem ser definidas como sentimento de eficácia. Isso pode ser percebido quando, em sua atuação, o pedagogo é desafiado a construir propostas de trabalho que incrementem a competência.

As empresas já assinalam a preocupação com a necessidade de formação permanente, pois entendem que o capital humano é um dos grandes patrimônios que possuem. Em todo mundo e em todas as épocas, a profissão de educador foi/é vista como uma forma de estimular e influenciar os outros (sendo também influenciado). Os efeitos mencionados apontam para a existência de uma dimensão interna, que habilita ou predispõe as pessoas para aprenderem, de modo que o sujeito venha a auto-regular sua ação e exerça a autonomia em seu processo de aprendizagem e na sua atuação profissional.

4.3 Eixo da análise das ações dos pedagogos relacionadas ao construto da auto-regulação