4.1 Caracterização da Pesquisa
Buscando uma melhor compreensão do fenômeno a ser estudado e tendo em vista os
objetivos norteadores desta investigação, optamos pela utilização da abordagem qualitativa
de pesquisa.
Entendemos que o processo de escolha da metodologia na qual uma pesquisa
basear-se-á, significa escolher o caminho a ser traçado para a investigação do fenômeno em
estudo. No campo da ciência da Psicologia, onde o estudo da subjetividade está presente,
torna-se necessária a utilização de métodos capazes de atingir o mundo dos participantes da
pesquisa, sem desconsiderar o mundo do pesquisador.
A pesquisa qualitativa preenche esses requisitos e segundo Cezar-Ferreira (2004),
ela é requerida quando o problema de pesquisa demanda uma visão inter-relacional dos
dados coletados para sua análise, tornando possível a inclusão do pesquisador a fim de co-
construir os significados com o entrevistado. Dessa forma, proporciona uma melhor
compreensão do fenômeno a ser estudado à medida que o entende como uma realidade a
ser construída na interação do entrevistado e do entrevistador e não como uma realidade
pré-determinada.
De acordo com Turato (2003), a metodologia qualitativa preocupa-se com os
significados que um indivíduo ou um grupo atribuem aos fenômenos que lhes dizem
respeito. É uma abordagem naturalística no sentido da relação que se faz entre os
significados apreendidos com o contexto na qual os entrevistados se inserem.
Tendo em vista os objetivos desta pesquisa, a classificamos como uma pesquisa
descritiva, uma vez que procuramos compreender e descrever como os pais vivenciam o
processo do prolongamento do período de permanência em casa do filho adulto solteiro.
Sendo assim, visando um aprofundamento na análise das informações a respeito do
fenômeno que investigamos, delineamos a pesquisa como um Estudo de Caso Coletivo
(STAKE, 1995). De acordo com esse delineamento, procuramos analisar conjuntamente os
casos a fim de investigar o fenômeno do “ninho cheio”, destacando tanto o que é comum
quanto o que é particular em cada caso.
Entendemos que a abordagem qualitativa permeia toda a metodologia aqui proposta
e permite um estudo mais aprofundado e contextualizado do fenômeno. Sendo assim, sua
escolha justifica-se nesta pesquisa quando visa estudar os significados do fenômeno do
“ninho cheio” para os pais que convivem em suas casas com seus filhos adultos solteiros.
4. 2 Participantes
Participaram desta pesquisa 06 (seis) casais de pais que se encontravam na fase
madura do ciclo vital possuindo um ou mais filhos adultos solteiros residindo com eles. O
número de casais de pais recrutados obedeceu ao critério de saturação (TURATO, 2003),
no qual a quantidade de participantes é saturada quando ocorre a repetição sistemática das
informações colhidas.
Tendo em vista o objetivo da pesquisa de compreender a vivência dos pais em
relação ao fenômeno e visando delimitar os participantes de acordo com as possibilidades
que foram aparecendo, optamos por realizar entrevistas com o pai e a mãe conjuntamente.
Para tanto, selecionamos os casais de pais que fossem casados desde a primeira união e que
ambos estivessem dispostos a participar juntos da entrevista.
As famílias foram selecionadas por indicação através do método denominado “bola
de neve”. Esse método, de acordo com Turato (2003), localiza as pessoas pela indicação de
conhecidos que, por sua vez, indicam outros possíveis participantes que estejam de acordo
com os critérios da pesquisa. Em relação ao perfil do filho, os critérios considerados para a
escolha dos pais participantes foram: filhos solteiros já inseridos no mercado de trabalho,
com idade igual ou superior a 27 anos e inferior a 36 anos, residindo na mesma casa dos
pais e que fossem provenientes de camadas médias populacionais urbanas.
O referencial adotado para a classificação dos participantes em camadas médias foi
o Índice Paulista de Vulnerabilidade Social (IPVS) demonstrado pelo SEADE
1. O índice
classifica com vulnerabilidade baixa os grupos de pessoas que estão nos níveis altos ou
médios da dimensão sócio-econômica, referindo-se à vulnerabilidade como a maior ou
menor capacidade do indivíduo de controlar as forças que afetam o seu bem-estar. O índice
leva em conta, além da renda familiar, a capacidade do grupo familiar em gerá-la, o local
de moradia, a composição familiar, as condições de saúde e o acesso a serviços médicos, o
acesso e a qualidade do sistema educacional, a possibilidade de obter trabalho com
qualidade e remuneração adequadas, a existência de garantias legais e políticas, entre
outros.
Perfil dos Pais e Mães Participantes e do filho adulto respectivo:
4.3 Instrumento
O instrumento escolhido para a compreensão da vivência dos pais sobre o
prolongamento do tempo de permanência do filho adulto solteiro em casa foi a entrevista
semi-estruturada.
A entrevista se valeu de um roteiro norteador composto por temas relacionados aos
objetivos da pesquisa que pudessem servir como um guia, auxiliando na apreensão dos
conteúdos narrados pelos participantes.
Assim sendo, o roteiro, conforme demonstrado a seguir, não foi utilizado de forma
rígida e a partir dele e da forma como a entrevista desenvolveu-se, novas perguntas
espontâneas puderam imergir.
Casal de pais pai e mãe 1 pai e mãe 2 pai e mãe 3 pai e mãe 4 pai e mãe 5 pai e mãe 6 Idade dos pais 54 e 55 55 e 49 Em torno dos
60
71 e 67 Em torno dos 55
55 e 51
Profissão dos
pais Economista e dona de casa Diretor de empresa e dona de casa Gerente adm (aposentado) e dona de casa Comerciante (aposentado) e dona de casa Empresário e gerente administrativo Comerciante e dona de casa Nome do filho adulto co- residindo Grace, Dirce e Cris
Rodolfo Vinícius Soraia Ralf Carla
Idade do filho
adulto 30, 29 e 27 31 28 33 27 27
Profissão do filho
adulto fisioterapeuta Engenheira, advogada
Engenheiro mecânico
Designer Administradora Engenheiro de produção
Publicitária
Escolarização do
filho adulto graduação Pós-
Pós- graduação
Pós-graduação Pós-graduação Pós-graduação Iniciou e parou a Pós Irmãos Beto (29) e Paulo (24) Rogério (26) e Dulce (30) Márcio, Renato, Alexandre (mais velhos) Cristina (23) e Samuel (22) Guto (23)