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Kıbrıs Sözleşmesi’nde (1878) Ermeniler…

A fim de uma melhor compreensão do processo pelo qual o filho adulto passa até

constituir-se como tal, faz-se necessário olhar para a etapa da vida que o antecede: a

juventude. Ao olharmos para os processos biológicos pelos quais as pessoas passam, pode-

se dizer que a adolescência e a juventude sempre existiram. Porém, foi apenas em torno dos

anos 1900 que a “juventude”, então sinônimo de adolescência, começa a aparecer na

Europa como tema literário e como foco de interesse de moralistas, de políticos e de

pesquisas que se preocupavam em sondar o que pensavam esses jovens. Segundo Ariès

(1981), a juventude apareceu como depositária de valores novos e capazes de renovar a

sociedade velha em que viviam.

Nos Estados Unidos, foi na segunda metade do século XIX que ela começou a ser

discernida socialmente. Essa noção de juventude que hoje permeia a sociedade

contemporânea nasceu associada à identificação de uma “cultura adolescente”, relacionada

à princípio com os problemas sociais que dela originavam-se, como por exemplo as atitudes

delinqüentes dos jovens imigrantes. A legislação que definia a idade com que os

adolescentes poderiam trabalhar, o surgimento da família contemporânea e o

correspondente aumento da dependência dos jovens em relação às suas famílias de origem

e as casas de correção para menores, foram contribuindo para esse olhar diferenciado em

relação à juventude (PAIS, 2003).

A partir da década de 1950, tem início nos Estados Unidos um expressivo

movimento de ascensão jovem, principalmente entre as camadas médias e altas da

população. Uma identidade própria é constituída em torno dessa etapa da vida humana e

uma consciência etária é delimitada, marcando a identificação entre os grupos jovens e os

não jovens. No Brasil, a resistência ao golpe de 1964 e os movimentos da época contra a

ditadura militar, eram liderados por jovens, fossem eles estudantes, artistas ou intelectuais.

No que diz respeito aos limites etários da juventude, a Organização Mundial da

Saúde a considera compreendida entre 15 e 24 anos. A partir de então o jovem ingressaria

na vida adulta. No entanto, essa classificação homogeneiza a vivência da juventude, não

levando em consideração as variações segundo localização, cultura, classes sociais, raça,

gênero, entre outras. Foi durante as décadas de 1980 e 1990 que o olhar da diversidade

ganhou destaque e apesar dos limites etários o conceito de diferentes “juventudes” passou a

ser priorizado no lugar daquele que focava nas suas similaridades e supunha a existência de

uma “juventude” no singular.

De acordo com Camarano (2004), o limite inferior da idade da juventude está

relacionado com o desenvolvimento das funções sexuais e reprodutivas. O limite superior

que marca a transição para a vida adulta refere-se ao momento da conclusão do ciclo da

educação formal, da inserção no mercado de trabalho e da saída da casa dos pais. Segundo

Salomoni (2006), “tornar-se adulto é um processo que, seguramente, não pode ser fixado

dentro de uma faixa etária única, por ser gradual e variável” (p.37). Pais (2003) sugere que

o estatuto de adulto que os jovens vão adquirindo está relacionado a uma série de

responsabilidades: ocupacional (trabalho fixo e remunerado), familiar e habitacional.

Porém, o mesmo autor ressalta que ao considerarmos a juventude na sua diversidade, os

caminhos que a levam para a vida adulta também se mostrarão flexíveis e diversificados e

devem levar em conta inclusive os novos arranjos nas composições das famílias. “O

processo tradicional de transição – escolarizar-se, entrar no mercado de trabalho, sair da

casa dos pais, casar-se e ter filhos – não ocorre hoje, necessariamente, nessa ordem”

(CAMARANO, 2004, p.18).

Um exemplo que retrata bem essa realidade de múltiplas transições são as

“trajetórias ioiôs”, como têm sido chamadas, uma vez que assim como o movimento do ioiô

de idas e vindas, assim tem sido a trajetória de muitos jovens que alternam entre o sistema

educativo e o mercado de trabalho, entre viver em casa própria e na casa dos pais ou ainda

entre a conjugalidade e a vida de solteiro (PAIS, 2005).

Em conseqüência dessas diversidades, o período de transição para a vida adulta tem

aumentado em grande parte do mundo. Camarano (2003), conclui em sua pesquisa que, nos

20 anos em que a analisou (de 1981 a 2001), a transição para a vida adulta ficou mais

difícil. O tempo da saída do filho da casa dos pais, um dos aspectos que marca esse período

de transição, tem sido adiado, contribuindo para difundir a idéia do “prolongamento da

juventude” (PAIS, 2005; JABLONSKI; FÉRES-CARNEIRO; HENRIQUES, 2004;

CÂMARA, 1999). De acordo com Pais (2005):

Na verdade, como os jovens tendem a prolongar a estadia na casa dos pais, adiam a assunção plena do estatuto de adulto (estatuto, não identidade), quando ancorados a passagens estatutárias tradicionais (casamento e parentalidade, por exemplo) ou na adoção de comportamentos ‘adultos’ socialmente prescritos (p.112).

Um outro fenômeno ligado ao período do prolongamento da juventude tem sido

conhecido como “adultescência” (JABLONSKI, 2005; OUTEIRAL, 1994). Esse termo faz

a união das palavras adulto e adolescência e caracteriza aquela pessoa adulta, geralmente

com idade superior aos 35 anos, que continua imbuído nos padrões de uma cultura jovem.

O psicanalista Contardo Calligaris em artigo publicado sobre o tema em 20 de setembro de

1998 no caderno Mais! da Folha de São Paulo, afirma que em nossa sociedade moderna a

adolescência tornou-se um ideal da vida adulta.

Maria Rita Kehl, na mesma reportagem, discorre sobre a “teenagização” da cultura

ocidental. De acordo com a escritora e psicanalista:

O adulto que se espelha em ideais “teen” se sente desconfortável ante a responsabilidade de tirar suas conclusões sobre a vida e passá-las a seus descendentes. Isso significa que a vaga de “adulto” , na nossa cultura, está desocupada. Ninguém quer estar “do lado de lá”, o lado careta, do conflito de gerações, de modo que o tal conflito, bem ou mal, se dissipou. Mães e pais dançam rock, funk e reggae como seus filhos, fazem comentários cúmplices sobre sexo e drogas, freqüentemente posicionam-se do lado da transgressão nos conflitos com a escola e com as instituições (p.7).

São as condições sociais, pessoais, emocionais e familiares nas quais o filho adulto

solteiro está envolvido e a forma como lida com elas que influenciará na manutenção da

sua condição juvenil independente da idade que atinja.

As questões de gênero também suscitam formas diferentes de entrada na vida

adulta. Geralmente, as mulheres possuem menor aceitação familiar de sua autonomia e

diferenciação (CARTER; MCGOLDRICK, 2001). As questões próprias desse momento da

vida, como intimidade, identidade, espaços ocupados na família, na sociedade e das

escolhas sobre casamento e trabalho, são lidadas de maneira diferente entre homens e

mulheres (SALOMONI, 2006).

Tendo em vista esse contexto de mudanças sociais e o prolongamento das

características da juventude em adultos, alguns pesquisadores (PAIS, 2005; SILVEIRA,

2004; GROPPO, 2000) fizeram uso de uma nova categoria intermediária entre a juventude

e a vida adulta, denominada “jovem adulto” (ou adulto jovem). Essa categoria abarcaria o

filho solteiro com idade superior a 25 anos ainda residente com os pais e dessa forma

vinculado a algum tipo de dependência dos mesmos.

Na presente pesquisa, escolhemos adotar o termo “filho adulto solteiro” uma vez

que, apesar de ainda residirem com os pais, já trabalham e portanto não dependem

financeiramente dos pais, possuem idade superior aos 27 anos e inferior aos 36 anos, um

nível de independência maior do que aquele que a categoria “jovem” supõe e portanto são

reconhecidos e assumem o “status” de adulto. De acordo com Camarano (2004), “levanta-

se a hipótese de que a transição para a vida adulta pode estar ocorrendo mesmo na casa dos

pais” (p.19).

Benzer Belgeler