5. PERGAMON GYMNASİUMU
5.4. Üst Teras
5.4.2. Palaestra
O desempenho brasileiro na trajetória de utilização do IDH entre 2002 e 2003 teve pontuação média de 0,747 no escalonamento de 0 a 1, no ranking dos 162 países igualmente aferidos. Em 2002 obteve a 73ª posição, em 2003 a 65ª e a 64ª em 2006 com a 46ª para o Brasil branco e a 107ª para o IDH negro. A melhoria em 2002 foi devida a troca de dados educacionais de matríula em níveis absolutos de escolaridade realizada pelo ministério da Educação e Cultura (MEC). A troca se deu na base de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, segundo o autor da desagregação dos dados no Instituto de Planejamento Econômico (IPEA), Paixão (2006). O índice isolado de analfabetismo brasileiro em relação aos maiores de 15 anos é forte descritor do atraso social: 22% em 1996; 13,5% em 2003 e 10% em 2006, também com a marca do racismo.
Apesar desse declínio do analfabetismo no Brasil, em termos comparativos, a Argentina alcançou os 13% nessa taxa na década de quarenta do século passado para os atuais 3.5% e detem a 35ª posição no IDH com pontuação 0,837 considerada elevada. As condições de moradia dos domicílios permanentes com cobertura de saneamento básico tém um déficit de 7,5 milhões de banheiros, dos quais 3,7 sem qualquer tipo de instalação sanitária para 45 milhões. O esgotamento sanitário cobre 80% dos domicílios do Sudeste, 41% no Centro - Oeste e 30% no Nordeste. Nos últimos cinco anos houve melhora nos níveis dos indicadores sociais com manutenção da má-distribição na renda: 25% dos mais ricos detém 65% da renda. Censo e Estudos. (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2001).
Os limites na utilização do IDH que foram mencionados na introdução denotam que mesmo com a agregação de dados que matizam a efetividade / transversalidade das políticas públicas, não se descarta que este índice é um razoável descritor internacional de desenvolvimento humano e de avaliação da efetividade dessas políticas. Sua utilidade é de bom alcance no mapeamento mundial das desigualdades e na possibilidade de orientar o planejamento de ações das políticas de desenvolvimento entre países, estados, municípios ou mesmo entre bairros. Pochmann (2005, p.6) assim sintetiza as críticas a este índice:
A evolução desse índice é insuficiente para medir a complexidade do desenvolvimento humano. Por exemplo, em vez de repetir o resultado de 2002, o índice de 2003 deveria ser pior do que o apontado na pesquisa anterior. A piora no desemprego, a maior queda na renda e, taxas de juros maiores que 25% deveriam rebaixar o índice do Brasil em 2003. Esse ambiente desfavorável indicaria piora no IDH, mas ele não sofreu alteração. Os indicadores analisados por esse índice melhoram por inércia, desta forma, o IDH será sempre um indicador pró-governo, seja lá qual for.
O índice de exclusão social - IES de autoria de Lemos (2005) é regionalmente escalonado. As desigualdades sociais estão estadiadas pela correlação dos indicadores de moradia/saneamento básico, educação e renda. No rankiamento deste autor, a pontuação nacional é de 25,34; a do Nordeste 40,95; do Norte 38,16; Sul 19,76 e a menor é do Sudeste com 14,57.
Pochmann (2005) também é coautor de índice de exclusão social de elaboração institucional UNICAMP , cuja proposição está imbuída de que:
Um índice mais adequado deveria levar em consideração a capacidade de o país implementar reformas básicas como a agrária, tributária amplas e universalizar o acesso à educação e à saúde. O índice deveria levar em conta outras variáveis como desemprego, violência, desigualdade de renda, que na verdade o que há é uma estabilidade na sua má - distribuição.
Com essas observações se coloca que a evolução na marcação do IDH no período 2002-2006 revela que o Brasil oscilou entre a septuagésima e a sexagésima nona posição no ranking dos 163 a 192 países avaliados, com desenvolvimento médio de 0, 747. A série dos RDH evidencia que : o país cresceu de 0, 788 para 0, 792 ; caiu uma posição nesse ranking de 2003 para 2004; piorou na distribuição da renda e se manteve entre as 83 nações de médio desenvolvimento, com 0, 500 e 0, 799 desse índice. Das 63 nações de alto desempenho as cinco melhores foram: a Noruega com 0, 965, a Islândia em 2º, a Austrália em 3º, a Irlanda em 4º e Suécia em 5º lugar.
Abaixo da posição obtida pelo Brasil esteve a Colômbia com a pontuação de número setenta seguida de Santa Lúcia, Venezuela, Albânia e Tailândia. Treze países da América Latina e do Caribe obtiveram desempenho superior: México, 53º com 0, 821, Cuba 50º com 0, 826, Uruguai 43º com 0, 851, Chile 38º com 0, 859 e a Argentina 36º com 0, 863. Outros 17 países desta Região, a Venezuela na posição 72º com 0, 784, Peru 82º com 0, 767, Paraguai 91º com 0, 757, Jamaica 104º com 0, 724 e Haiti 154º com de 0, 482. A Nigéria na África foi o país que esteve no menor índice desta pontuação com a 177º com IDH 0, 311.
Os resultados relativos ao IDH 2004 demonstram que a posição do Brasil nesse ranking reflete as estatísticas anteriormente descritas: das taxas de esperança de vida ao nascer, alfabetização, escolarização e do PIB per capita. Em reforço ao descrito, o país avançou na distribuição de renda em termos absolutos e em comparação com outros países revelou uma das faces de sua dualidade: a décima maior concentração de renda e o déficit no saneamento básico por classe e região, a pior entre os diferenciais desta sociedade.
Estes relatórios de desenvolvimento se referem sempre ao IDH de dois anos anteriores. Entre o de 2005 e de 2006 houve mudança no cálculo do índice após a referida desagregação dos dados de educação. Nas edições anteriores dos RDH de 32 países dentre os quais o Brasil, Argentina, Reino Unido e Suécia haviam sido incluídos os números dos programas de educação para adultos. Posteriormente, estes dados foram excluídos para correlacionar a equivalencia com os demais países, nos quais a taxa de analfabetos para essa faixa da população é nula.