O Seridó situa-se em pleno semi-árido do estado do Rio Grande do Norte, no interior do Nordeste brasileiro. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, esta região é dividida em duas microrregiões, Seridó Ocidental e Seridó Oriental, englobando ao todo 23 municípios2, com uma população estimada em 300 mil pessoas.
Este espaço regional é marcado pela presença do bioma caatinga, com vegetação formada principalmente por bromélias, cactáceas, espécies lenhosas e herbáceas de pequeno porte. De forma geral, pode-se dizer que o Seridó enfrenta várias fragilidades, sejam elas de ordem socioeconômicas, haja vista as crises cíclicas das principais bases econômicas regionais (agropecuária e serviços) ou pela vulnerabilidade ambiental que envolve a região.
Conforme constata Azevedo (2005, p.14), o nome Seridó geralmente
2 A região do Seridó Potiguar engloba os seguintes municípios: Acari, Caicó, Carnaúba dos Dantas, Cerro Corá,
Cruzeta, Currais Novos, Equador, Florânia, Ipueira, Jardim de Piranhas, Jardim do Seridó, Jucurutu, Lagoa Nova, Ouro Branco, Parelhas, Santana do Seridó, São Fernando, São João do Sabugi, São José do Seridó, São Vicente, Serra Negra do Norte, Tenente Laurentino Cruz e Timbaúba dos Batistas.
Refletia e reflete no imaginário das pessoas, o sertão, a criação de gado, o clima quente e seco, o calor forte, a paisagem geográfica na qual vislumbra-se as serras azuis (características implícitas nos hinos religiosos de padroeiros (as) dos seus municípios), inselbergs e serrote, a mata seca, as festas populares, sociais e religiosas, intrinsecamente relacionadas à atividade criatória, como é o caso das vaquejadas e também festas dos padroeiros.
Nas paisagens da caatinga seridoense, encontram-se importantes sítios arqueológicos, com sinais de uma cultura ancestral. A topografia da região possui relevos movimentados com importantes serras, inselbergs, vales, açudes e lagoas. Dentre as belezas naturais são encontrados rios, grutas, cavernas e sítios arqueológicos que estão sendo aproveitadas para a prática de turismo de aventura e diversos esportes.
Morais (2005, p.335) mostra que no Seridó “a (re)encenação da resistência se traduziu na espacialização de uma sociedade com forte teor identitário, na constância de uma base territorial impregnada de conteúdo e sentido, na permanência de uma cartografia regional historicamente delineada”. Ainda de acordo com a autora citada (2005, p.67), o Seridó, “em termos de limites, constitui-se emblemático da premissa de que a cartografia dos lugares circunscreve prerrogativas humanas, portanto, corresponde a um traçado de linhas carregadas de conteúdo histórico, político, econômico e/ou cultural”.
Os elementos da gastronomia, da hospitalidade, do artesanato, das festas populares, ou seja, as expressões culturais dos municípios que compõem a região estão sendo valorizados e resgatados pelo programa de regionalização do turismo, que trabalha essas características como uma ferramenta propícia para fomentar a atividade turística e como uma forma de consolidação do destino Seridó.
Conforme Oliveira (2002, p.75), a gastronomia pode ser vista como “um importante produto turístico, pois a diversidade de ofertas de restaurantes com comidas e bebidas típicas, bem apresentadas e em ambientes acolhedores, é uma forte atração. O turista está sempre em busca de novidades e conhecer a culinária local pode ser uma delas”. A riqueza de produtos que norteia a culinária sertaneja é um diferencial e um caminho para explorar um nicho de mercado que busca conhecer e se familiarizar com os aspectos gastronômicos de outras culturas.
A gastronomia seridoense é reconhecida como uma característica marcante do povo sertanejo. As especialidades da cozinha do Seridó são difundidas por vários lugares do país. A tradicional carne-de-sol é a base alimentar do sertão, sendo utilizada em inúmeras receitas. Os queijos de manteiga e coalho, produzidos artesanalmente, também fazem parte da culinária típica
da região. Outros componentes que constituem a base alimentar são: jerimum, macaxeira, feijão verde, farofa d‟agua, paçoca, batata doce e arroz de leite. O Seridó ainda é reconhecido pela fabricação artesanal de bolos e licores com frutas típicas do lugar. A produção de biscoitos também possui tradição na região seridoense, com destaque para os: tarequinhos, sequilhos de goma de mandioca e raivinhas3.
É relevante ilustrar o pensamento de Gastal e Moesch no que diz respeito ao papel da atual demanda turística que se manifesta de forma mais complexa, sendo “exigente e bem informada, ou seja, está consciente da relação preço/qualidade, na qual o turista assume um papel de protagonista nos destinos visitados, interessado em um turismo vivencial, de relações interpessoais e, nesses termos, respeitosas com as culturas e tradições locais” (2007, p.15).
Outro aspecto tradicional que pode favorecer o turismo na região é a hospitalidade. De acordo com Boeger (2005, p.54) a “hospitalidade é o ato ou efeito de hospedar, é a qualidade do hospedeiro, ou ainda, bom acolhimento, liberalidade, amabilidade e afabilidade no modo de receber os outros”. Grinover (2006, p.31) coloca que hospitalidade é uma “relação especializada entre dois atores: aquele que recebe e aquele que é recebido; ela se refere à relação entre um ou mais hóspedes e uma instituição, uma organização social, isto é, uma organização integrada em um sistema que pode ser institucional, público ou privado, ou familiar”.
Conforme posicionamento de Gastal e Moesch, tanto turistas quanto anfitriões têm suas obrigações relacionadas ao ato de viajar
É fundamental que aqueles que viajam saibam viajar, afetando ao mínimo os espaços percorridos. Também é fundamental que os que recebem visitantes saibam receber; não com subserviência, advinda da força econômica que a atividade turística pode ter e exercer, mas com orgulho de quem sabe quem é e conhece os papéis a desempenhar numa comunidade hospitaleira. Hospitalidade que não deve ser exercida apenas em relação a quem vem de fora, mas também para com os próprios moradores do local, aqueles que são vizinhos de ruas ou de outros bairros (2007, p.10).
A hospitalidade do povo seridoense é bastante peculiar, podendo ser trabalhada como um diferencial na prestação dos serviços turísticos, já que é uma característica tão aguçada.
Em virtude da ampliação das atividades relacionadas ao turismo na região, e do potencial existente, foi criado o Conselho do Pólo Turístico do Seridó. A formalização dessa instância deliberativa é um importante passo para o setor turístico no Seridó, pois o conselho tem
a responsabilidade de atuar no sentido de captar ações que proporcionem melhores subsídios para a atividade turística acontecer. Foi instituído em função das exigências requeridas no PRODETUR II e é formado por representantes dos setores envolvidos com a atividade turística nos municípios seridoenses, abrangendo o poder público federal, estadual e municipal, o setor privado, instituições de ensino superior e a sociedade civil.
Esse conselho de turismo tem o objetivo de fortalecer o Pólo Seridó4 como destino turístico no estado do Rio Grande do Norte. O conselho é uma organização representativa dos municípios que procura atuar conjuntamente com todos os envolvidos no processo turístico para atingir o desenvolvimento da atividade. Por intermédio do conselho de turismo do Seridó foi formulado recentemente na região o Plano de Desenvolvimento Integrado do Turismo Sustentável.
No planejamento do turismo é imprescindível a implementação de ações de conscientização da população em relação à importância da atividade, além do engajamento de empresários ligados à área (PETROCCHI, 1998).
Ações conjuntas dos governos federal, estaduais e municipais, devidamente centrados em um mesmo propósito, devem existir visando promover o turismo e, assim, estimular e direcionar essa atividade às cidades do interior do estado, utilizando-se de instrumentos apropriados para auxiliar nesse desenvolvimento. Tais ações devem, sobretudo, proporcionar facilidades e melhorias nos acessos, segurança, limpeza pública, transportes, sinalização adequada e infraestrutura, itens essenciais no processo de consolidação do turismo. Além disso, necessitam contar também com a adesão e o apoio do empresariado local, no que se refere aos meios de hospedagem, serviços, atrativos de lazer e entretenimento.