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Stephen Covey é um estadunidense, doutor em Administração pela Brigham Young University e atua como consultor, professor e escritor. É respeitado internacionalmente como autoridade em liderança e eficácia pessoal (AUGUSTIN, 2008).

Os seus livros possuem foco em liderança, gestão, produtividade no trabalho, valores da família e vida familiar feliz. O seu livro Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes vendeu mais de 15 milhões de exemplares e permaneceu muitos anos como o mais vendido em muitas partes do mundo. Ainda hoje é uma referência para treinamentos de executivos no mundo inteiro (LEITE; MELO, 2008).

Para Covey, não existem soluções rápidas para o desenvolvimento pessoal (MENDES, 2011). Em seu modelo o autor sugere uma visão de como as pessoas podem ser felizes e realizadas nos âmbitos pessoal e profissional se tiverem em mente (e pôr em prática) sete hábitos que o autor julga serem fundamentais para que tal sucesso ocorra (OLIVEIRA, 2009; COVEY, 2005).

Os sete hábitos propostos por Covey (2005) são: (i) ser proativo, (ii) começar com o objetivo na mente, (iii) primeiro o mais importante, (iv) Pense em ganha/ganha, (v) procurar primeiro compreender, depois ser compreendido, (vi) criar sinergia e (vii) afinar o instrumento. Esses hábitos são descritos no quadro a seguir.

O autor acredita que ao conhecer o próprio interior, o indivíduo poderá encontrar equilíbrio em sua vida e conquistar a confiança das pessoas em nível externo. Ele utiliza uma abordagem que vem ―de dentro para fora‖, buscando a eficácia profissional e a satisfação pessoal (COVEY, 2005; BONFANTE; LOZANO, 2011).

Para Covey, os sete hábitos isolados não permitem nenhum resultado duradouro e eficaz, tornando-se necessário que haja uma sinergia entre eles. Em harmonia com as leis naturais do crescimento, eles abordam de modo progressivo, sequencial e altamente integrado o desenvolvimento da eficácia pessoal e interpessoal (COVEY, 2005).

Quadro 11: Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

Hábito Definição

1. Ser proativo

Representa princípios de visão pessoal. É mais do que tomar iniciativa, implica como os indivíduos são responsáveis pelas próprias vidas. A maneira como as pessoas agem para tomar alguma decisão é que ditam o comportamento, e não as condições do meio externo. Segundo o autor, ser pró-ativo é o principal hábito de uma pessoa eficaz.

2. Começar com o objetivo na mente

Representa princípios de liderança pessoal. Significa iniciar já tendo em mente o quadro do final de onde se quer chegar, saber onde a pessoa está e quais os passos para seguir na direção correta. Cria-se, planeja-se, explora-se a criatividade na cabeça, depois as ideias devem ser passadas para o papel para se solidificarem.

3. Primeiro o mais importante

Representa princípios de gerenciamento pessoal. É a realização do pensamento em realidade. Os dois primeiros são pré-requisitos para o hábito 3, que pratica a administração pessoal e eficaz. Nesse hábito lida-se com questões ligadas a administração da vida e do tempo.

4. Pense em ganha/ganha

Representa princípios de liderança interpessoal. Para se ter liderança interpessoal eficaz faz-se necessário ter visão, proatividade, segurança, orientação, sabedoria e poder, que vêm de uma prática voltada para os princípios.

5. Primeiro

compreender, depois ser compreendido

Representa princípios de comunicação empática. A comunicação é fundamental, porém a tendêcia é que primeiro o indivíduo queira ser compreendido, para depois pense em compreender o próximo. Fazer o contrário implica uma mudança no paradigma. Na comunicação empática ambas as partes devem sair satisfeitas.

6. Criar sinergia

Representa princípios de cooperação criativa. A sinergia trata da interação do trabalho em grupo, da inovação conjunta, da cooperação entre outros seres humanos. A sinergia valoriza as diferenças entre as pessoas, as respeita e investe nos pontos fortes para otimizá-los e também compensa a fraqueza.

7. Afinar o instrumento

Representa princípios de auto-renovação equilibrada. Renova as quatro dimensões de sua natureza: física, espiritual, mental e social. A dimensão física, cuida do corpo. A dimensão espiritual é o interior da pessoa, seus valores, estudo e meditação. A dimensão mental reflete à educação de modo geral, com leitura, planejamento e escrita. A dimensão social reflete a maneira como as pessoas se relacionam com os demais. FONTE: Elaborado a partir de Covey, 2005.

No modelo de planejamento estratégico pessoal de Covey, as pessoas aprendem sobre a sua verdadeira natureza e seus dons. Eles são usados para desenvolver a visão das grandes coisas do que "quero fazer". Ao atender às necessidades que correspondem as suas competências pessoais, as pessoas conseguem canalizar as suas motivações mais elevadas e isso lhes permitem fazer mudanças de rumo na vida. É o que Covey chama de o indivíduo encontrar a sua própria voz interior (BONFANTE; LOZANO, 2011).

Segundo Covey, quando um indivíduo tem uma visão da natureza humana incompleta ou falha, essa comprometerá o sentimento de valor das pessoas. Para se conseguir uma vitória pública, as pessoas devem primeiro buscar uma vitória particular, para serem completas (BONFANTE; LOZANO, 2011).

A ilustração a seguir apresenta o modelo gráfico proposto por Covey.

Ilustração 4: O Paradigma do Sete Hábitos

FONTE: Covey, 2005.

O indivíduo deverá amadurecer passando da dependência (seja ela emocial, física ou intelectual) para a interdependência. O indivíduo independente tem mais maturidade em vários aspectos da sua vida pessoal e profissional do que aquele que ainda é dependente (COVEY, 2005).

A interdependência é a tarefa realizada em conjunto para alcançar um objetivo melhor do que se esse fosse realizado por uma só pessoa. A interdependência é uma atitude que somente tem as pessoas com nível de maturidade para reconhecer que o paradigma ―nós‖ é mais proveitoso do que o paradigma ―eu‖, deixando de lado o orgulho e compartilhando ideias. Para Covey, a interdependência não pode ser alcançada pelos dependentes, já que é um conceito muito maduro e avançado (COVEY, 2005).

O modelo de Covey tem como objetivo mostrar que para alcançarmos o tão sonhado sucesso profissional, pessoal, emocional temos que olharmos ―de dentro para fora‖. Primeiramente nos conhecermos, ver nossos pontos fracos, reconhecê-los e mudá-los, para posteriormente

encararmos o meio externo. Os sete hábitos refletem uma visão de benevolência para alcançar a felicidade, como ser proativo e empático. Mostra também que a ideia de singularidade dos paradigma do ―tu‖ e do ―eu‖ deve ser substituída pela interdependência, no qual os indivíduos e o meio tornam-se muito mais eficazes (COVEY, 2005).

Após o lançamento de seu modelo do Paradigma dos Sete Hábitos, em 1989, Covey no ano de 2004 revelou um hábito complementar em seu modelo, o oitavo hábito. O autor nomeou esse último hábito de Encontre a sua Voz e Inspire Outros a Encontrar as Deles, o que permitirá ao indivíduo complementar as atitudes de sucesso nos campos pessoal e profissional (COVEY, 2009).

Para Covey, conjunto de valores objetiva assegurar a idoneidade pessoal e organizacional e para isso os valores pessoais e organizacionais devem estar alinhados (CUNHA; SILVA, 2010), o que começa pela possibilidade de expressão do empregado dentro da empresa. Segundo o autor, de modo geral, os gerentes querem um trabalho operacional dos empregados, sem dar-lhes a oportunidade de colaborar de maneira eficaz com suas experiências já vividas naquele ambiente, não muito diferente dos padrões da Era Industrial, de cerca de 200 anos atrás (COVEY, 2009).

Covey (2009) acredita que o motivo do descontentamento dos funcionários com as empresas em que trabalham é o fato dessas não darem autonomia necessária aos seus colaboradores. De acordo com Covey, o respeito pelos princípios éticos e valores como critérios para pensar e tomar decisões está incluído na capacidade potencial e no desejo da dimensão humana e, logo, a ênfase na importância de inspirar outros e ser inspirado também por outros (BONFANTE; LOZANO, 2011).

Segundo Covey (2009), para alcançar o equilíbrio nas relações é preciso que haja uma mudança na mentalidade do indivíduo e a adoção de uma nova postura, pois as pessoas vivenciam um novo mundo, muito mais complexo, e precisam adotar um novo hábito. Para começar, o autor sugere que seja encontrada a voz interior de cada pessoa. O principal passo para isso será um maior autoconhecimento de cada um (KINDER; GALVAN, 2005). O ser humano é repleto de dons, com seus respectivos princípios e valores que devem ser estimulados a todo o momento para alcançar o equilíbrio de uma vida saudável (COVEY, 2009).

Benzer Belgeler