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Os principais instrumentos de valores indicados pela pesquisa bibliométrica foram o SVS - Schwartz Values Survey, principalmente, e o RVS - Rokeach Values Survey, abordado brevemente na seção anterior.

Na verdade, Schwartz propôs três instrumentos de mensuração de valores nos últimos 20 anos. O primeiro instrumento destinado à avaliação de valores proposto por Schwartz (1992; SCHWARTZ; BILSKY, 1987; 1990) foi o SVS, traduzido para o português como Inventário de Valores de Schwartz. O instrumento, que consiste em um modelo estruturado de medição de valores, foi desenvolvido pelo pesquisador entre 1987 e 1994 (SCHWARTZ, 2011).

Para Tamayo (2007a), o Inventário de Valores de Schwartz evidencia que o autor aborda, de forma relativamente completa, valores universais, culturais e o sistema estruturado sob os quais esses valores se inter-relacionam. O SVS gera um conjunto de dados quantificáveis sobre os valores, que traduzem o comportamento de um determinado grupo social, mostrando-se uma ferramenta elucidativa de análise preditiva das ações individuais e coletivas. Dessa forma, têm-se as premissas para a gestão estruturada de valores, pois a medição de valores (indicadores) desencadeia análises de causas (origem) e planos de ações.

O SVS começa como uma extensão do modelo proposto por Rokeach, porém enfatiza a base motivacional como explicação para a estrutura dos valores e sugere a universalidade dessa estrutura e do conteúdo dos tipos motivacionais (FONTAINE et al., 2008; BILSKI, 2009).

O instrumento apresenta 61 valores (para o caso do Brasil) avaliados por uma escala de importância que varia de -1 (valores opostos aos meus valores) a 7 (valores de suprema importância). As questões visam medir o grau de alinhamento entre os valores apresentados e os princípios orientadores do respondente. O SVS avalia os valores que são agrupados nos dez tipos motivacionais citados anteriormente (TAMAYO, 2007a).

De modo geral, as escalas para a medição de valores oscilam entre ordinais (sobretudo ROKEACH, 1973, mas também ALLPORT et al., 1960, entre outros) ou intervalares. A literatura científica acerca de valores, atualmente, contém em sua maioria trabalhos publicados que empregam escalas intervalares de avaliação, como a do instrumento de mensuração de Schwartz (2009).

O próprio Schwartz (1994; 2011) justifica a superioridade da forma de mensuração com base em avaliação intervalar de importância, pois permite ao pesquisador coletar em menos tempo listas mais longa de valores, capturar dados com notas negativas a certos valores e permite aos respondentes relacionar valores que julgue igualmente importantes (CASTRO et al., 2009). As premissas e tipos motivacionais do SVS foram submetidos à análise fatorial confirmatória (GOUVEIA et al., 2009), demonstrando a consistência do instrumento a ser empregado.

Uma comprovada desvantagem do SVS está no nível de abstração que, pressupõe-se, tenha o participante. Por isso, não se pode empregar o SVS em amostras intelectualmente muito heterogêneas. Por isso, depois do SVS, Schwartz desenvolveu um segundo instrumento de mensuração de valores. Para efetuar amostras com pessoas de áreas rurais, de países em desenvolvimento, indivíduos que não tiveram oportunidades de estudar em escolas ocidentais, além de crianças e adolescentes, o autor desenvolveu um novo instrumento denominado Perfil de Valores Pessoais - PVQ (SCHWARTZ, 2009).

O PVQ é composto por 40 descrições verbais, contra 57 valores do SVS, cada valor com uma frase explicativa (SCHWARTZ, 2009; BILSKI, 2009). O desenvolvimento do PVQ, chamado de questionário de Perfil de Valores Pessoais (QPVP) no Brasil, teve dois objetivos básicos:

(i) ser mais concreto e menos cognitivo que o SVS, dessa forma, utilizado nas populações para as quais o SVS não é aplicável e (ii) diferenciar-se substancialmente do SVS em seu formato e julgamento, para prover um teste independente da teoria de conteúdo de valor e estrutura (SCHWARTZ, 2011).

Com o fim de validar a mesma estrutura de valores já explicada, Schwartz preocupou-se por ocasião da elaboração do PVQ em desenvolver um instrumento capaz de oferecer ao interlocutor uma análise mais prática do que abstrata, facilitando a identificação dos valores por meio de exemplos situacionais e não de conceitos simplesmente (RANGEL et al., 2007).

No PVQ cada perfil descreve objetivos, aspirações e desejos que implicitamente apontam para a importância de um tipo motivacional. A pesquisa é realizada por meio de perguntas de

similaridade a um perfil, em que o pesquisado se compara com ele (TINOCO et al., 2010). Para

validação desse novo instrumento por Schwartz, foram utilizadas 14 amostras com adultos, estudantes e adolescentes de sete países, dentre eles Chile, Alemanha, Indonésia, Itália, Peru, Polônia e Ucrânia, em um número total de 7.480 participantes. Tanto o SVS quanto o PVQ são instrumentos igualmente válidos e confiáveis, dando aos pesquisadores a disponibilidade de escolha para medir valores pessoais (RANGEL et al., 2007; ROCCAS et al., 2010).

Ambas as escalas de estudo de valores pessoais, além de validadas em muitas partes do mundo, tanto a SVS (TAMAYO; SCHWARTZ, 1993), quanto a PQV (TAMAYO; PORTO, 2009), também foram testadas em diversas amostras brasileiras, confirmando-se a sua adequação para o país (ALMEIDA; SOBRAL, 2009).

Além de a versão regular do PVQ (PVQ-40), abrangendo 40 itens, outra versão, chamada versão breve, com 21 itens (PVQ-21) foi adaptada e inaugurada em 2003, em uma pesquisa bienal européia, o European Social Survey (ESS), configurando-se o terceiro instrumento de mensuração de valores de Schwartz. Mais recentemente, tem-se também aplicado esse instrumento em um grande número de estudos internacionais (BILSKI, 2009; BILSK et al., 2011).

O PVQ-21, pouco divulgado ainda no Brasil, é um instrumento de medição de valores desenvolvido por Schwartz e colaboradores (DAVIDOV et al, 2008) que conta com 21 itens instrumentais retirados e adaptados do questionário de 40 itens do PVQ para medir a

importância dos 10 tipos motivacionais de sua teoria (BILSKI et al., 2011; ROCCAS et al.,2010).

O objetivo do PVQ-21, também conhecido como ESS Human Values Scale, é estudar as relações entre os valores, atitudes, comportamentos e características sócio-demográficas entre os países. As limitações de espaço (multidimensional) na ESS Human Values Scale obrigaram reduzir o número de itens, dos 40 iniciais. Alguns itens foram abandonados e outros foram revistos para abranger novas ideias e preservar a segurança do conteúdo dos 10 tipos motivacionais distintos (RANGEL et al., 2007; ROCCAS et al.,2010).

Já houve esforços de tentativa de validação do instrumento no Brasil (LOMBARDI et al., 2010), aplicando-se um tipo diferenciado de técnica estatística, do escalonamento multidimensional exploratório para o confirmatório, em uma amostra de estudantes universitários do curso de administração de empresas, na cidade de São Paulo.

A comparação entre as escalas PVQ-21 e PVQ-40 geraram a supressão de alguns tipos motivacionais originais da teoria de Schwartz, tendo a PVQ-40 alocado os valores de Estimulação e Autodeterminação numa única região, diferentemente da escala PVQ-21 que agrupou na mesma região os valores Poder e Realização (LOMBARDI et al., 2010; ROCCAS et al.,2010).

2.2.2 Instrumentos de Mensuração de Valores identificados em Pesquisas

Benzer Belgeler