1.3. ÖRGÜT KÜLTÜRÜ MODEL VE YAKLAŞIMLARI
1.3.3. Ouchi Modeli
Os tópicos conclusivos desta síntese final incluem os principais resultados já sintetizados ao longo do capítulo, mas agora agrupados em função das temáticas que mais se salientaram numa análise transversal dos dados, e que constituíram o objectivo da realização dos focus groups, onde foram abordadas, discutidas e interpretadas.
Contactos individuais e sua preferência
A quase totalidade dos professores inquiridos privilegia os encontros individuais informais, à saída da escola e por ocasião de uma reunião de pais, e o contacto indirecto por envio de mensagem através da criança.
Estes são não só os contactos utilizados por mais professores, mas também através dos quais contactam maior número de pais, utilizando diferentes modalidades simultaneamente.
Muito raramente enviam cartas por correio e vão a casa dos pais, as formas de contacto que implicam respectivamente maior distância e maior proximidade.
Nestes contactos, também utilizados por iniciativa de uma minoria dos pais, são sobretudo focados os assuntos e os temas relativos à criança, seu trabalho e comportamento.
Muito embora os professores refiram ter realizado outros tipos de contacto, alguns deles com sistematicidade e frequência como as reuniões de pais e as festas, os contactos individuais são expressamente apontados como os mais satisfatórios, ideia que fica também implícita na percentagem de professores que os utilizam, e de pais contactados.
Em função destes dados põe-se a questão de saber a que se pode dever essa preferência quase unânime.
Torna-se importante saber se por detrás desta preferência está a opção por uma estratégia que só privilegia a dimensão individual das relações entre a escola e a família, como se os alunos e os seus pais fossem vistos enquanto soma ou conjunto de elementos e não um sistema, em relação com outros sistemas.
Também se pode questionar se esta é uma forma de contornar eventuais dificuldades relacionadas com outras modalidades, com a própria escola ou com os próprios pais.
Criança como mensageira
Alguns dos resultados mais conclusivos do questionário apontam para a utilização da criança como mensageira, através de quem os professores na sua quase totalidade contactam com os pais.
Pode surgir quer como uma estratégia sistemática de contacto individual, quer como uma estratégia mais pontual e circunstancial, inclusive utilizada para a marcação de um encontro individual, ou em casos de não comparência ou recusa dos pais aos encontros, situações que podem ou não implicar alguma conflitualidade.
A criança surge claramente e explicitamente no seu papel de go-between, espartilhada entre pais e professores, numa dupla pertença que tem que gerir, o que nem sempre consegue fazer de uma forma funcional e satisfatória.
A criança, mensageira e mensagem, pode ser muitas vezes o único elo de comunicação visível entre pais e professores, em relações que se julgam inexistentes ou distantes.
Importa tentar compreender como é que os professores vêem as crianças no contexto desta triangulação relacional.
Também se torna relevante compreender em que ocasiões específicas e porque motivos concretos os professores utilizam as crianças como mensageiras.
Influência do tempo de serviço
O tempo de serviço surge como o grande factor de influência no tipo de contactos individuais e na percentagem de pais contactados, em função do qual se podem diferenciar os professores.
Assim, constatou-se que os professores que contactam a totalidade de pais fazem-no sistematicamente, qualquer que seja a modalidade, e que se diferenciam dos outros professores por terem um tempo de serviço superior a 30 anos.
Não se conseguiu estabelecer ligação igualmente significativa com outros factores, à priori considerados importantes, como o ano leccionado, o tempo de acompanhamento dos alunos ou o número de alunos por turma.
Neste contexto, revela-se pertinente a explicação dessa influência do tempo de serviço, a partir do ponto de vista dos agentes no terreno.
Pode-se tentar compreender se e de que maneira os agentes envolvidos no processo educativo estabelecem a relação entre os factores associados à experiência de vida e à experiência profissional com as práticas e atitudes.
Neste sentido, importa explorar se a relação família-escola se vai aprendendo ao longo da carreira, e neste caso, de que forma. Ou mesmo, se estes dados se encontram associados a uma insuficiente preparação, formação e sensibilização nesta área, quer numa vertente teórica quer numa vertente mais pragmática.
A c o m u n i c a ç ã o e n t r e a e s c o l a e a f a m í l i a n o 1 º c i c l o | 189
Reuniões de pais
Quase todos os professores inquiridos organizam diversas reuniões por ano, recorrendo à colaboração de colegas para a sua organização.
Por outro lado, as reuniões de pais constituem não só a ocasião de um contacto colectivo organizado, mas a oportunidade para abordar individualmente e informalmente a maioria ou a totalidade dos pais.
Também de acordo com os professores, os pais comparecem na sua maioria às reuniões marcadas sobretudo no início do ano e ao longo do ano.
Contudo, esta forma de contacto embora considerada útil não parece registar o agrado dos professores, que preferem os contactos individuais. Apenas metade dos sujeitos as consideram bem sucedidas e ainda menos as consideram gratificantes.
Neste seguimento, impõe-se a necessidade de esclarecer esta aparente ambivalência. Em primeiro lugar importa confirmar se as reuniões de pais são ou não gratificantes e clarificar porquê.
Também se afigura relevante questionar quais os motivos que conduzem à organização de um elevado número de reuniões. Se entre estes se configura algum tipo de imposição institucional e/ou da prática profissional, quer de forma implícita quer explícita.
Responsabilidades na relação e nas suas mudanças
Ao longo do questionário ficou a ideia de que poucos pais faltavam ou recusavam os contactos por iniciativa dos professores e que, pelo menos uma minoria de pais, os procurava por sua própria iniciativa.
As dificuldades ou obstáculos na relação não foram experienciadas por muitos professores, mas quando existiram foram atribuídas a razões extrínsecas aos professores e relacionadas com os pais ou com a escola.
Poucos professores referem a existência de mudanças nas relações ao longo de um ano, mas estas quando existem são positivas e sobretudo reportadas aos pais, como se na análise do seu papel e das suas atitudes na relação, reservassem para si um papel de neutralidade e de imparcialidade.
Por tudo isto, ficou implícita uma ideia negativa dos pais e das formas como colaboram ou participam.
Contudo, se por um lado poucos apresentam dificuldades da sua própria parte, por outro lado, em maior número, reconhecem que a formação e a prática na área das relações escola- família seriam recursos que contribuiriam para uma melhoria das relações.
Informar os pais salienta-se quer nas funções dos contactos individuais quer nos objectivos das reuniões de pais. Do mesmo modo, as responsabilidades para com os pais são predominantemente informar os pais, e só depois colaborar, deixando a hipótese de que os
professores percepcionam uma separação de contextos e funções e nesse sentido informar sobrepõe-se a colaborar.
Pretende-se averiguar e clarificar a quem é atribuída a responsabilidade pelas relações e pelas mudanças dessas relações. No fundo, qual a implicação de uns e outros na gestão do binómio pais-professores.