• Sonuç bulunamadı

Na opinião da maioria dos professores inquiridos (quadros 23 e 24), os contactos individuais com os pais dos seus alunos são suficientes (61,4%) e satisfatórios (52,3%).

Quadro 23: Opinião sobre a frequência dos contactos individuais Frequência n % Raros 4 3,0 Suficientes 81 61,4 Muito frequentes 9 6,8 NR 38 28,8 Total 132 100

Quadro 24: Classificação dos contactos individuais Classificação n % Frustrantes 2 1,5 Satisfatórios 69 52,2 Gratificantes 13 9,8 Frustrantes/ Satisfatórios 1 0,8 Satisfatórios/ Gratificantes 24 18,2 NR 23 17,4 Total 132 100

Quanto às funções que os encontros individuais deveriam ter e a sua importância (quadro 25), os professores consideram mais importantes: informar os pais sobre o trabalho e o comportamento da criança (25%) e fazer com que haja um acção concertada entre pais e professores (15,9%).

O gráfico 13 mostra estas funções ordenadas pela percentagem cumulativa das respostas dadas a cada um dos itens. Torna-se claro que, qualquer que seja a ordem de importância atribuída, as funções mais relevantes são: informar os pais (62,1%), fomentar uma acção concertada entre pais e professores (59,8%) e levar os pais a modificar as suas atitudes em relação à criança (48,5%).

Quadro 25: Funções dos encontros individuais

Funções dos contactos individuais Ordem de importância Total

1 2 3 4

n % n % n % n % n % Informar sobre o trabalho e

comportamento da criança 33 25,0 22 16,7 16 12,1 11 8,3 82 62,1 Fazer com que haja acção

concertada entre pais e professores 21 15,9 23 17,4 16 12,1 19 14,4 79 59,8 Estabelecer confiança 14 10,6 5 3,8 8 6,1 8 6,1 35 26,5 Levar os pais a modificar as suas

atitudes em relação à criança 13 9,8 21 15,9 19 14,4 11 8,3 64 48,5 Avaliar e tomar consciência das

diferentes concepções pedagógicas 9 6,8 10 7,6 11 8,3 11 8,3 41 31,1 Escutar os pais 6 4,5 6 4,5 6 4,5 2 1,5 20 15,2 Conhecer os pais 6 4,5 1 0,8 1 0,8 3 2,3 11 8,3 Pedir aos pais que ajudem ao filho

no seu trabalho 4 3,0 5 3,8 16 12,1 12 9,1 37 28,0 Conhecer as atitudes educativas dos

pais 2 1,5 5 3,8 3 2,3 10 7,6 20 15,2 Informar-se sobre a situação da

família 2 1,5 5 3,8 3 2,3 8 6,1 18 13,6 Responsabilizar os pais quanto ao

comportamento do filho na escola 1 0,8 5 3,8 12 9,1 5 3,8 23 17,4 Conhecer as expectativas dos pais e

as suas aspirações 1 0,8 3 2,3 2 1,5 8 6,1 14 10,6 Outras 1 0,8 - - - 1 0,8 Tranquilizar os pais - - 1 0,8 - - - - 1 0,8 Aconselhar os pais - - - - 1 0,8 5 3,8 6 4,5

É de salientar que somente uma percentagem de professores igual ou inferior a 10% atribui alguma importância às funções mais directamente relacionadas com os pais dos alunos, como sejam: tranquilizar os pais (0,8%), aconselhar os pais (4,5%), conhecer os pais (8,3%), conhecer as expectativas dos pais e suas aspirações (10,6%).

A leitura destes dados permite levantar a existência de uma certa incongruência na atitude dos professores: como é que os encontros individuais podem exercer as funções de "fazer com que haja uma acção concertada entre pais e professores" e "levar os pais a modificar as suas atitudes em relação à criança", se, simultaneamente, as funções menos importantes para quase todos os professores são as relacionados com ouvir e conhecer os pais? Poder-se-á partir da hipótese de que essas duas importantes funções, na opinião dos inquiridos, vão no sentido da correcção das atitudes familiares tal como são perspectivadas ou fantasiadas pelos professores.

Por fim, salienta-se que a maneira como os professores perspectivam as funções dos contactos individuais parece ser consonante com os assuntos abordados aquando desses mesmos contactos. Transparece uma coerência entre a prática efectiva desses contactos e a forma como os perspectivam: informar é a tónica dominante dos contactos individuais estabelecidos por iniciativa dos professores e é, simultaneamente, a função que eles julgam que esses contactos devem ter.

A c o m u n i c a ç ã o e n t r e a e s c o l a e a f a m í l i a n o 1 º c i c l o | 153

0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% 50% 55% 60% 65%

Informar os pais Fomentar uma acção concertada Levar os pais a modificar atitudes Avaliar as concepções pedagógicas Pedir aos pais que ajudem o filho Estabelecer confiança Responsabilizar os pais Conhecer as atitudes educativas dos pais Escutar os pais Informar-se sobre a situação da família Conhecer as expectativas dos pais Conhecer os pais Aconselhar os pais Tranquilizar os pais Outras F u n ç õ e s Professores 1 2 3 4

Gráfico 13: Funções ordenadas pela percentagem cumulativa das respostas dadas a cada um dos itens

2.2.1.4. Síntese

Quase todos os professores aproveitaram as situações informais e ocasionais para entrar em contacto com os pais dos seus alunos, como à saída da escola ou aquando de uma reunião, e fizeram-no com a maioria e/ou totalidade dos pais dos seus alunos, pelo menos uma vez.

Fora da escola e das horas de serviço, a maioria dos professores referiu ter encontrado alguns pais algumas vezes na rua e no supermercado, e mesmo assim só nalguns desses contactos, já de si esporádicos, é que falaram sobre a escola: fora da escola pouco se fala da escola.

Quando esses contactos foram intencionais e previamente planeados, destacaram-se a marcação de um encontro e o envio de mensagens através da criança, realizadas por muitos professores.

A opção por estas duas modalidades inseriu-se numa dupla lógica. Por um lado, com poucos pais, aparentemente em situações pontuais para resolver problemas e dificuldades. Por outro lado, com a maioria/totalidade dos pais, no que parece ter sido uma estratégia geral de contacto.

Ainda em relação a estas duas modalidades, as diferenças entre os professores surgiram associadas ao tempo de serviço.

Muitos professores usaram o telefone para contactar uma minoria de pais, ou seja, em situações pontuais, mas poucos professores referiram ter ido a casa dos alunos, e apenas em situações de carácter social. Raramente referiram ter enviado cartas aos pais.

Os professores que contactaram uma minoria ou uma maioria/totalidade dos pais fizeram-no independentemente da modalidade. Os professores que contactaram a totalidade dos pais tinham mais de 30 anos de serviço.

Em suma, quanto aos contactos individuais, pode-se considerar que os professores na sua maioria manifestaram um comportamento idêntico. Quando surgiram diferenças estas estavam relacionadas com o tempo de serviço, ou seja, com características dos professores, e não dos alunos e dos pais como sejam o ano leccionado e o tempo de acompanhamento do grupo.

A criança, na sua dupla posição de filho/aluno, surge como veículo preferencial de comunicação entre os professores e os pais, nomeadamente na marcação de encontros formais, para fazer chegar habitualmente mensagens aos pais e ainda quando os pais recusam contactos.

Na percepção da quase totalidade dos professores, os pais tomaram a iniciativa de contactá-los embora fossem sobretudo uma minoria.

Os professores que referiram ter sido contactados pelos pais foram-no em quase todas as modalidades.

De acordo com os sujeitos, poucos pais recusam contactos ou encontros por iniciativa dos professores dos seus filhos, i. e., quando solicitados ou convocados a maior parte dos pais responde aos contactos. Na opinião dos professores, os que faltam fazem-no por falta de interesse, razões profissionais ou falta de tempo.

Nos encontros individuais os professores falaram de diferentes assuntos, sendo a preocupação com o trabalho da criança e o seu comportamento na escola os mais abordados.

As funções que atribuem a este tipo de contactos parecem estar de acordo com os temas e assuntos abordados pelos professores nos contactos por sua iniciativa e por iniciativa dos pais.

De acordo com todos estes dados, para a maior parte dos professores, os contactos individuais revelaram-se suficientes e satisfatórios ou mesmo gratificantes.

Apresenta-se de seguida uma síntese mais detalhada dos principais resultados relativos aos contactos individuais.

Formas de contacto utilizadas

• Nenhum professor referiu ausência de contactos individuais por sua própria iniciativa. • Quase todas as modalidades de contacto foram utilizadas pela maioria (telefone) ou quase totalidade (saída da escola; reunião de pais; marcação de encontro; mensagem pela criança) dos professores.

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• A ida ao domicílio e o envio de carta por correio, as estratégias que implicam maior proximidade e maior distância, foram utilizadas somente por uma percentagem muito baixa de sujeitos.

• Cada professor utilizou uma grande diversidade de formas utilizadas para contactar os pais individualmente.

• As modalidades através das quais um grande número de professores contactou individualmente uma maior percentagem de pais, e o fizeram maior número de vezes com cada pai, foram os encontros informais à saída da escola ou aquando de uma reunião de pais e o contacto indirecto através do envio de mensagens pela criança.

• Os professores que contactaram uma minoria ou uma maioria/totalidade dos pais fizeram-no independentemente da modalidade e utilizam diferentes modalidades simultaneamente. Os professores que contactaram a totalidade dos pais tinham mais de 30 anos de serviço.

Encontros informais

• A grande percentagem dos professores que utilizou este tipo de modalidades (à saída da escola e aquando de uma reunião) contactou a maioria ou a totalidade dos pais dos seus alunos, e também deste modo contactou a maioria ou a totalidade dos pais duas ou mais vezes ao longo do ano lectivo.

• A maioria dos professores contactou a totalidade dos pais à saída da escola.

• As reuniões de pais ofereceram uma dupla oportunidade: um contacto colectivo mais organizado e uma das situações em que um grande número de professores aproveitou para abordar individualmente e informalmente a maioria ou a totalidade dos pais.

• A percentagem de pais contactados à saída da escola e aquando de uma reunião colectiva de pais não parece ter dependido nem do ano leccionado, nem do tempo de serviço dos professores. Estas modalidades parecem ter sido ocasiões generalizadas e sistemáticas de contacto individual.

Marcação de encontro

• A maior parte dos professores marcou um encontro com os pais dos alunos.

• A marcação de encontros inseriu-se em duas atitudes diferenciadas: uns marcaram um encontro apenas com uma minoria de pais e outros marcaram com a maioria/totalidade dos pais, sendo estes fundamentalmente professores com 30 ou mais anos de carreira.

• Marcar encontros com muitos ou poucos pais não dependeu nem do ano leccionado nem do tempo com o grupo. Esteve provavelmente relacionado com as estratégias de acção próprias de cada professor: uns falam com todos ou quase todos os pais e outros só devem fazê-lo perante determinadas situações especificas e/ou problemáticas, por conseguinte, somente com alguns pais.

• A marcação de encontro foi feita fundamentalmente ao longo do ano ou no inicio/longo/fim, não valorizando particularmente, e em separado, o início e o fim do ano, logo os objectivos não parecem ter sido a preparação/prevenção ou a avaliação/conclusão do ano lectivo.

• A criança apareceu como o veículo privilegiado de comunicação para a marcação dos encontros, quer quando foi utilizada uma só forma de marcação quer quando foram utilizadas duas.

Deslocação a casa dos alunos

• A ida a casa dos pais foi uma prática muito pouco utilizada: muito poucos professores o fizeram e mesmo assim em relação a poucos pais.

• Fizeram-no basicamente por dois grandes tipos de motivos: em primeiro lugar, visitas sociais por ocasião de festas ou de doença, e em segundo lugar por questões relativas à escola. Por conseguinte, não surgiu como uma forma de contacto generalizada para contactar os pais, e ainda menos por questões escolares.

Modalidades de contacto indirecto

• Os professores muito raramente enviam cartas por correio para os pais.

• A maioria dos professores utilizou o telefone para contactar uma minoria de pais. • A maioria dos professores enviou mensagens aos pais através das crianças: um grupo fê-lo em relação a uma minoria de pais, ou seja em casos pontuais, e outro grupo fê-lo em relação à maioria/totalidade dos pais, como estratégia generalizada de contacto.

• O envio de mensagem pelas crianças surgiu associado ao tempo de serviço dos professores: os professores com 30 ou mais anos de serviço utilizaram sistematicamente o envio de mensagem para contactar a maioria/totalidade dos pais.

Recusa dos pais

• Menos de metade dos professores assinalaram casos de pais que recusaram contactos ou encontros.

• Esses casos foram sempre relativos a uma pequena percentagem de pais por cada professor.

• Os professores atribuíram a recusa a dois tipos de razões: internas, fundamentalmente falta de interesse, que são pouco abonatórias e culpabilizantes; externas, como questões profissionais e falta de tempo.

• Perante estas recusas os professores enviaram essencialmente mensagens aos pais pelas crianças ou, conjugadamente com esta, telefonaram aos pais ou ainda recorreram ao director da escola.

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Assuntos

• Os professores quando tomam a iniciativa de conversar com os pais falaram, na maior parte das vezes, sobre o trabalho da criança e, em seguida, do seu comportamento na classe ou dos trabalhos de casa.

• Independentemente da finalidade que levou os professores a procurar conversar individualmente com os pais, o principal assunto dessas conversas foi a criança, nomeadamente o seu desempenho escolar e o seu comportamento.

Contactos por iniciativa dos pais

• A quase totalidade dos professores refere ter sido contactada pelos pais, que utilizaram uma grande diversidade de formas de contacto, à semelhança dos contactos por iniciativa dos professores, sendo a mais frequente a ida espontânea à escola, e a menos utilizada uma carta escrita.

• Os professores que foram contactados pelos pais foram-no através de carta, mensagem pela criança e encontro.

• Na percepção dos professores só uma minoria de pais se dirigiu aos professores por sua própria iniciativa, e muito poucos o fizeram 2 ou mais vezes.

• Parece ter havido concordância na percepção dos professores em relação ao seu próprio movimento e ao dos pais: as estratégias mais e menos utilizadas num caso foram-no simultaneamente no outro. Mais uma vez, o recreio/saída da escola surgiu como o espaço de eleição dos encontros.

• Os pais parecem ter utilizado menos a criança como intermediário da comunicação do que os professores.

• De acordo com a maioria dos professores foram vários os motivos que levaram alguns pais a tomar a iniciativa de contactá-los, com destaque para os problemas de saúde, os trabalhos de casa, as mensagens escritas no caderno diário e os problemas de comportamento.

• Parece haver consonância entre os temas que levaram os pais a abordar os professores e os assuntos que os professores falaram com os pais: centrados na criança, no seu comportamento e no estudo.

Encontros ocasionais fora da escola

• Fora da escola e das horas de serviço, muitos professores referiram ter encontrado alguns pais algumas vezes na rua e no supermercado, e mesmo assim só nalguns desses contactos, já de si esporádicos, é que falaram sobre a escola.

• Estes podem ter contribuído para diminuir a distância, mas parece ter havido respeito pelos espaços e contextos: fora da escola pouco se fala da escola.

Opinião sobre os contactos individuais

• Para a maior parte dos professores, os contactos individuais revelaram-se suficientes e satisfatórios ou mesmo gratificantes.

• O que vai ao encontro a outros dados recolhidos: a frequência dos contactos, a diversidade de formas, o número de pais abrangidos e a baixa percentagem de casos em que houve ausência ou recusa dos pais.

Funções dos contactos individuais

• As funções mais importantes, qualquer que fosse o grau de importância atribuída, foram : informar, fomentar uma acção concertada entre pais e professores, levar os pais a modificar atitudes.

• As menos importantes foram: ouvir os pais, tranquilizá-los e conhecê-los e até mesmo estabelecer a confiança.

• As funções parecem ter estado de acordo com os temas e assuntos abordados pelos professores nos contactos de sua iniciativa, e por iniciativa dos pais.