aprendizagem da arte de pensar, implica também a aprendizagem da arte de inventar (Alves, 2002, p. 48).
A Constituição Portuguesa, no artigo 73º, defende o “direito ao ensino com garantia do direito à igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolar”, e refere que, na política de ensino, incumbe ao Estado “Assegurar o ensino básico universal, obrigatório e gratuito” e “Criar um sistema público e desenvolver o sistema geral de educação pré-escolar”.
A Política Educativa, no que concerne à educação de infância na Região Autónoma da Madeira, iniciou-se nos anos setenta, sob a alçada da Segurança Social e das Autarquias com estabelecimentos de Primeira e Segunda Infância (dos 3 meses aos 6 anos). Mais tarde, na década de noventa, estes estabelecimentos de educação
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(Creches, Jardins de Infância e Infantários) passaram para a Tutela da Secretaria Regional de Educação. Este acto foi sentido pelos profissionais de Educação de Infância como um reconhecimento da acção educativa defendida há muito por estes docentes.
No que respeita à Educação Pré-escolar, o Plano de Ordenamento da Rede Escolar (PORRE), que antecedeu a implementação das Escolas a Tempo Inteiro, teve como objectivo generalizar o acesso das crianças com cinco anos. Assim, desde a primeira hora, a Escola a Tempo Inteiro contemplou salas de actividades de Educação Pré-Escolar, pretendendo alargar a sua frequência a um maior número de crianças.
A Lei nº 5/97, de 10 de Fevereiro, determinou “A Lei Quadro da Educação Pré- escolar” que define como princípio geral que “A Educação Pré-escolar é a primeira etapa da educação básica no processo de educação ao longo da vida...”. Refere, ainda, que a Educação Pré-escolar se destina às crianças com idades compreendidas entre os três anos e a idade de ingresso no ensino básico, e é ministrada em estabelecimentos de Educação Pré-escolar.
A História das Escolas a Tempo Inteiro mostra que estas têm vindo progressivamente a aumentar a oferta das salas de Educação Pré-escolar, garantindo o apoio ao nível dos equipamentos, das instalações e da alimentação. Actualmente, a Educação Pré-escolar está integrada nas Escolas a Tempo Inteiro, normalmente com duas salas em escolas com quatro turmas de 1º ciclo; duas a três nas escolas de oito turmas; três a cinco nas de doze turmas e quatro a seis nas de dezasseis turmas.
Relativamente ao capital humano, a sala de actividades da Pré-escolar funciona com duas educadoras, (uma no turno da manhã e outra no turno da tarde) e uma Assistente de Acção Educativa por cada grupo de crianças, de acordo com o rácio das Escolas a Tempo Inteiro. Actualmente tem-se vindo a observar em algumas escolas alteração a este sistema, passando a Pré-escolar a funcionar com uma educadora por sala, cujo horário abrange o turno da tarde e o da manhã, e duas Assistentes de Acção Educativa.
O artigo 11º do Capítulo IV das Orientações Curriculares para a Educação Pré- escolar defende que “ Os estabelecimentos de Educação Pré-escolar devem adoptar um horário adequado para o desenvolvimento das actividades pedagógicas, no qual se prevejam períodos específicos para actividades de animação e de apoio às famílias, tendo em conta as necessidades destas”. Neste sentido, o horário de funcionamento da Educação Pré-Escolar na Escola a Tempo Inteiro é idêntico ao definido para as Turmas do 1º Ciclo do Ensino Básico, residindo a diferença nas interrupções lectivas e no início
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e no terminus do período escolar, dado que as Unidades de Educação Pré-escolar funcionam obrigatoriamente durante 11 meses.
Assim, tal como está consignado no calendário escolar de 2010/2011, as interrupções de Natal e da Páscoa devem corresponder a um período de cinco dias úteis e “as direcções das escolas e dos estabelecimentos de educação devem adoptar as medidas organizativas adequadas, em estreita articulação com as famílias, de modo a garantir o atendimento das crianças, nomeadamente com a componente de apoio à família.” O calendário escolar refere ainda, pela primeira vez, que os Educadores de Infância dispõem de um período até três dias úteis para realizarem a avaliação das aprendizagens das crianças do respectivo grupo, que é obrigatoriamente coincidente com o período de avaliação estipulado para os outros níveis de ensino, com o objectivo de permitir a articulação entre educadores de infância e professores do 1.º ciclo nesse processo avaliativo.
Este reconhecimento pelos governantes, da importância dos momentos de avaliação e da articulação com os outros docentes, permite aos profissionais de educação de infância unir sinergias com os encarregados de educação e os professores das Actividades de Enriquecimento Curricular, num objectivo comum, sendo possível uma reflexão conjunta visando o desenvolvimento de competências dos alunos.
1.7.1. O Enriquecimento da Actividade Curricular na Educação
Pré-escolar
As Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC), que integram a Educação Pré-escolar, podem ser facultadas por educadores de infância ou professores de 1º ciclo. Estas actividades que complementam as diferentes áreas de conteúdo (Área de Formação Pessoal e Social, Área de Expressão e Comunicação e Área do Conhecimento do Mundo) são frequentemente o Inglês, a Educação Física, a Educação Musical e a Informática, apesar de menos generalizada. São leccionadas na actividade curricular pelos docentes designados para o efeito e sempre acompanhados pelo educador de infância.
Com a introdução destas actividades na Educação Pré-escolar pretende-se desenvolver competências que têm como filosofia subjacente proporcionar aos alunos uma formação holística capaz de responder ao presente mas também ao futuro.
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Na Educação Musical, o documento orientador do Gabinete Coordenador de Educação Artística (GCEA) refere, no ponto 2.6 alínea a), que “o apoio à Educação Pré- Escolar consistirá na intervenção de um ou dois tempos lectivos semanais, com a duração de 60 minutos para a primeira opção ou de 30 minutos para a segunda.” Sugere ainda que o trabalho a desenvolver seja organizado em complementaridade com o plano de actividades do educador responsável pelos alunos.
A iniciação da Língua Inglesa na Educação Pré-escolar tem como objectivo sensibilizar as crianças para uma língua estrangeira. Esta actividade é leccionada em parceria com os educadores de infância e de acordo com os conteúdos abordados.
No portal das Tecnologias Educativas pode ler-se “Na Educação Pré-escolar as Tecnologias de Informação e Comunicação podem ser introduzidas em contexto escolar, como meio auxiliar do processo ensino-aprendizagem.” E ainda “Com o objectivo de apoiar e orientar a comunidade educativa neste processo foi criada uma secção específica...” onde os docentes “poderão encontrar os conteúdos programáticos a leccionar, juntamente com outras informações relacionadas com a prática pedagógica”.
Na defesa dos direitos à cultura física e ao desporto, os estabelecimentos de Educação e de Ensino da RAM promovem a prática desportiva desde tenra idade. Nas Escolas a Tempo Inteiro esta actividade é orientada pelo Gabinete Coordenador do Desporto Escolar, que defende a promoção de estilos de vida saudável contribuindo para uma formação equilibrada dos alunos.
1.7.2. Articulação das Actividades
Na RAM, antes da década de noventa do séc. XX, eram muitas as situações em que os docentes do 1º ciclo e os educadores de infância viviam em completo isolamento, não podendo partilhar as suas práticas nem aprender com as práticas dos seus colegas. Actualmente, a Escola a Tempo Inteiro assume-se como uma realidade educativa diferente da anterior, onde é possível aos docentes de vários níveis de educação e ensino partilhar espaços, reuniões e projectos. No entender de Serra (2004), a partilha dos mesmos espaços por docentes e alunos de diferentes níveis pode ser facilitador de projectos educativos comuns. Para a autora, as conversas informais resultantes da partilha dos mesmos espaços podem também facultar “autoformação entre os docentes: através da troca de informações que se estabelece entre professores e educadores, é possível conhecer as práticas educativas dos outros e perceber como funciona o nível educativo antecedente e consequente” (p. 97). Sendo estes momentos
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relevantes na vida da escola, é também fundamental que os docentes promovam encontros para reflectirem em conjunto acerca das melhores práticas para os seus alunos.
Nesse sentido, o educador de infância titular do grupo e o professor que lecciona estas actividades devem trabalhar em parceria, permitindo uma articulação das aprendizagens. O ofício circular nº5.0.0-548/07, datado de 08/11/07, da Direcção Regional de Educação, vem reforçar esse dever profissional, salientando que “o educador e o professor do 1º ciclo do Ensino Básico da mesma instituição devem articular estratégias no sentido de promover a integração da criança e o acompanhamento do seu percurso escolar”.
O desenvolvimento de uma educação de qualidade leva à preocupação dos educadores de infância proporcionarem condições que facilitem com sucesso a integração de cada criança da escolaridade obrigatória. Neste contexto, as Orientações Curriculares alertam para a importância da articulação entre a Educação Pré-escolar e o 1º Ciclo do Ensino Básico de forma a promover a continuidade educativa. Mas, mais do que desenvolver competências para a escolaridade, importa proporcionar aos alunos uma Escola de qualidade. Nesse sentido estamos convictos que a ideia de Vicente deverá servir de referência na acção educativa das Escolas a Tempo Inteiro.
Para o autor,
Uma escola de qualidade é aquela que tem a capacidade de satisfazer, antecipar e exceder as necessidades explícitas ou implícitas bem como as expectativas dos alunos, pais, professores, funcionários e administração, tendo sempre presente a sua missão. Formar cidadãos activos, esclarecidos, autónomos e socialmente intervenientes, com capacidade de aprendizagem permanente de aprender a ser, de aprender a aprender, de
aprender a estar com os outros (2004, p.142).