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4.3 Sezai Karakoç’un İdeal Gençliğinin Ana Vasıfları

4.3.5 Otokritik ve Çile

Antes de discutir inovação tecnológica, faz-se necessário um prévio entendimento sobre inovação. Afinal, o que é inovação? A etimologia da palavra remete ao conceito de “novo” ou “novidade”. Inovação seria então algo novo. Mas será que tudo que é novo é inovação? No contexto organizacional, existe uma diferença entre uma novidade e uma inovação. Freeman e Soete (2008) argumentam que uma invenção (no sentido de ser algo novo) somente se torna uma inovação quando é aceita pelo mercado, se tornando assim comercialmente viável.

De forma ampla, a inovação reflete a prospecção de novas ideias. Conforme conceito da OECD (1981, citado por NEELY; HILL, 1998, p.8), a inovação consiste em “passos científicos, técnicos, comerciais e financeiros, necessários para o sucesso do desenvolvimento e marketing de novos ou melhores produtos, uso comercial de novos ou melhores processos ou equipamentos ou uma nova abordagem para serviços [...].”.

Em se tratando de aplicações, de acordo com Schumpeter (1982), a inovação pode ocorrer em diferentes áreas: produto, processo, mercado, novas fontes de suprimento ou nova organização de uma indústria.

Tradicionalmente, de acordo com Abernathy e Clark (1985), as inovações são classificadas de acordo com a sua intensidade de mudança: incrementais ou radicais. Todavia, diferentes nuances e ênfases foram identificadas pela literatura ao longo dos anos, tornando a tipologia mais específica, conforme será verificado adiante.

A inovação incremental é representada por mudanças relativamente pequenas no produto, explorando o potencial do design já estabelecido, o que frequentemente reforça a dominância das empresas já estabelecidas no mercado. Ainda que tal inovação não requeira um nível de conhecimento científico muito alto, ela requer habilidades e, via de regra, representa expressivas consequências econômicas para a empresa (HENDERSON; CLARK, 1990).

A inovação radical se apresenta como um conjunto de princípios científicos e de engenharia que frequentemente resulta em potenciais aplicações e/ou novos mercados. Esse tipo de inovação normalmente cria grandes dificuldades para empresas já estabelecidas e pode ser a base para a entrada bem sucedida de novas empresas ou até para a redefinição de uma indústria (ibid.).

Claramente, os dois tipos de inovação acima mencionados possuem consequências competitivas diferentes e, por este motivo, também requerem diferentes competências organizacionais, difíceis de serem criadas e caras para serem ajustadas.

Cada uma das ondas de progresso técnico (mencionadas no quadro 15), foi fundamentada por

clusters de inovação, várias envolvendo inovações radicais e outras envolvendo inovações

incrementais; em outras palavras, as inovações não foram eventos isolados, elas são sistêmicas por natureza (GILLES, 1978 e HUGHES, 1982 citados por FREEMAN; SOETE, 2008). Muitas boas idéias surgiram na mente de diferentes pesquisadores em momentos diferentes e foram se acumulando para dar origem a algum tipo de produto inovador na mente de um terceiro ou quarto pesquisador.

O processo de craqueamento do petróleo, por exemplo, foi demonstrado em 1855 por um professor de Yale. Todavia, somente no século XX, tal descoberta encontrou diferentes aplicações comerciais, sucedendo novos processos revolucionários. O pano de fundo para tais processos pode ser resumido em três pilares básicos: rápido aumento da demanda de um dos produtos leves e voláteis (gasolina), drástica queda de outro produto leve (o querosene) e um relativo declínio da demanda de produtos mais pesados (óleo combustível) (FREEMAN; SOETE, 2008).

Corroborando, mais uma vez, o caráter sistêmico das inovações, as mudanças acima mencionadas estavam intimamente associadas ao crescimento da indústria automobilística e à

substituição da lâmpada de parafina (querosene) pela iluminação elétrica (Ibid.). De fato, muitas vezes o sucesso comercial das invenções, que podem assim ser consideradas inovações, depende de eventos que ocorrem em outros setores e indústrias, correlatos ou não, e um exemplo relativamente atual foi o desenvolvimento de motores flex fuel. Desde final da década de 1980 a tecnologia já havia sido desenvolvida nos EUA, contudo, mais de duas décadas depois ela veio a ser implementada no Brasil de forma viável, considerando-se o aporte tecnológico de diversos sistemistas e montadoras (YU et al, 2010).

Uma terceira categoria, além de inovações incrementais e radicais, foi sugerida por Henderson e Clark (1990) para distinguir mudanças relativamente menores, mas que implicam em consequências competitivas significativas: a inovação arquitetural, cuja aplicação é limitada a produtos e processos complexos, que admitem uma arquitetura. Este tipo de inovação significa uma mudança na forma como os componentes, peças ou partes de um determinado produto são acoplados, enquanto o conceito essencial do design permanece o mesmo, para se transformar em um novo produto. Trata-se de um desafio menor em relação às mudanças radicais, mas nem por isso mais fácil de ser enfrentado. A empresa deve reconhecer o que é útil e o que não é, bem como adquirir e aplicar um novo conhecimento, quando necessário.

Chesbrough; Teece (1996) apresentam uma tipologia diferente, categorizando a inovação como autônoma ou sistêmica, dependendo da necessidade de convergência de diferentes tipos de inovação. Neste sentido, a inovação autônoma seria algo menos complexo, semelhante às mudanças incrementais; enquanto a inovação sistêmica seria mais complexa.

Complementando os autores anteriores, Freeman e Soete (2008) propuseram uma abordagem associando o grau de incerteza para e o tipo de inovação, conforme demonstrado no quadro a seguir.

Quadro 17 - Graus de incerteza associados a vários tipos de inovação

Tipo de Incerteza Tipo de Inovação

Incerteza Absoluta Pesquisa fundamental;

Inventos fundamentais

Níveis muito altos de

incerteza Invenções radicais de produtos; Inovações radicais de processos realizadas fora das premissas firma.

Inovações radicais de processo obtidas dentro das premissas da firma.

Incertezas moderadas Novas “gerações” de produtos já existentes.

Pouca incerteza Inovações licenciadas;

Imitação de inovações de produtos; Modificação de produtos e processos:

Adoção antecipada de processos já existentes.

Muito pouca incerteza Novos “modelos”;

Diferenciação de produtos já existentes;

Adoção tardia de inovações de processos já existentes e de operações franqueadas no próprio estabelecimento; Melhorias técnicas menores.

Fonte: Adaptado de FREEMAN, SOETE (2008)

Independente do tipo de inovação e do alcance da mesma, o fato é que as organizações tendem a melhorar o desempenho por meio da inovação. Neely e Hill (1998) apresentaram um esquema simplificado visando refletir a ligação entre inovação e desempenho organizacional, conforme indicado na ilustração 16.

Ilustração 16 – Relação entre inovação e desempenho Fonte: NEELY; HILL, 1998

Dessa forma, evidencia-se que a capacidade de inovação depende da cultura e dos ambientes interno e externo. Quando se menciona “inovação”, entre outros, pode se tratar de produto, processo ou organização e o desempenho, da inovação consiste nos objetivos finais, o que pode ser dimensionado tendo por base custo, qualidade, rapidez, entre outros critérios. Considerando-se que o conceito de inovação foi apresentado de forma adequada, indaga-se: o que seria inovação tecnológica?

Abernathy e Clark (1985) definem inovação tecnológica como uma alavanca para o desenvolvimento da indústria, crescimento da produtividade e, de fato, para melhorar o padrão de vida das pessoas ao longo da história.

Capacidade de Inovação •Cultura; •Ambiente interno; •Ambiente externo. Inovação •Produto; •Processo; •Organização. Desempenho •Custo; •Qualidade; •Rapidez; •Etc.

Di Serio e Vasconcellos (2009, p.88) apresentam um enfoque mais contemporâneo a respeito do tema, classificando a inovação tecnológica como uma “atitude” relacionada ao aperfeiçoamento de um produto, “mediante a adaptação dos processos existentes e da organização dos novos desenvolvimentos tecnológicos que lhes sejam de aplicação”. Os mesmos autores acrescentam uma qualificação para a melhoria proveniente de tal aplicação, classificando-a como “direta (por acrescentar novas qualidades aos produtos) ou indireta (por meio da redução de custos, proveniente de melhorias nos processos)”.

A inovação tecnológica também pode ser categorizada de acordo com o nível de amadurecimento, considerando-se o tal nível a partir das dimensões tempo e rendimento (ganhos econômicos), conforme gráfico seguinte.

Gráfico 1 - Etapas do amadurecimento de tecnologia Fonte: Di SERIO; VASCONCELLOS, 2009, p. 87

Na fase de emergência, ocorre o desenvolvimento inicial da nova tecnologia. Na fase seguinte, a nova tecnologia se materializa e ganhos crescentes são auferidos. Na fase da maturação, a tecnologia se estabiliza no auge da sua potencialidade, com rendimentos estáveis. Na última fase, saturação, a tecnologia chega aos seus limites, começando a ter sua produtividade reduzida, com consequente aumento de custos e redução de lucros.

Desde meados do século XX, especialmente no período pós-guerra, as empresas têm dedicado mais atenção e recursos à inovação tecnológica, conforme destacado por Rothwell (1994), mas utilizando diferentes formas, conforme tipologia proposta no quadro 18.

Emergência Crescimento Maturação Saturação Tempo Rendimento

Quadro 18 – Gerações de inovações tecnológicas

Geração Características do desenvolvimento tecnológico 1ª geração: tecnologia-

empurrada

De 1950 até metade dos anos 1960: modelo dominante assumia uma progressão de etapas lineares e sucessivas, partindo-se do P&D das empresas para o mercado, cujo papel era, basicamente, um repositório de inovações não solicitadas das empresas.

2ª geração: mercado-puxada

O modelo linear permanece, mas conforme a competição entre empresas se intensifica, maior peso é dado ao mercado, que sai do papel de um mero repositório para o papel de um incitador e articulador de ideias. 3ª geração: modelo

encaixe O modelo linear se transforma em um modelo mais complexo, próximo da realidade, onde encaixes entre ciência, tecnologia e mercado podem ocorrer de forma sequencial ou em ciclos.

4ª geração: modelo

integrado O modelo integrado apresenta as principais funções relacionadas com a inovação atuando de forma integrada e simultânea. Além dessa característica, destaca-se um alto nível de integração funcional.

5ª geração: redes e

integração de sistemas Neste modelo há uma maior integração, maior simultaneidade entre as diferentes atividades e partes envolvidas, provendo maior rapidez e redução de custos no processo de inovação (caso do desenvolvimento de produtos nas empresas japonesas).

Fonte: Elaborado a partir de ROTHWELL, 1994

O mesmo autor afirma que a 5ª geração tem reforçado, cada vez mais, o processo de inovação por meio de uma rede de negócios. Ao longo da década de 1980, a quantidade de alianças estratégicas horizontais e consórcios de P&D aumentou de forma expressiva e, para embasar tal afirmação, citou diversos autores como Contractor; Lorange (1988), Hagedoorn (1990), Dodgson (1993), entre outros. Em se tratando de PME (Pequenas e Médias Empresas) inovadoras, o mesmo autor afirma que elas estão formando uma ampla variedade de relacionamentos, incluindo tanto as grandes; quanto as pequenas empresas.