BÖLÜM 2: ATEŞKESTEN BARIŞA OSMANLI-İSPANYOL İLİŞKİLERİ …
2.2. Ateşkesten Barışa Osmanlı-İspanyol Mücadeleleri (1581-1782)
2.2.1. Akdeniz’de Osmanlı-İspanyol Mücadelesi
Ilustração 13 – (1h15min) Trecho do espetáculo onde a consciência da quarta parede é quebrada: os dançatores tentam se dirigir ao público como alvo, se colocando como indivíduos. No caso, relatam
encontros (burlescos) com o sexo oposto
Aos 80 minutos da apresentação (cena 31 do anexo I), em uma cena bastante empática com o público, as desventuras do crescimento afetivo - através das memórias - são apresentadas oralmente pelos dançatores, que oferecem ao espectador suas lembranças de situações frustrantes. Eles contam experiências pessoais em relação ao sexo oposto, incluindo tanto a emoção quanto a diversidade. O Teatro-dança-filme criado por Pina mostra um ser sensível e personalizado sobre o palco. Na cena escolhida, o contato dos dançatores com suas histórias pessoais, através da reflexão, leva a uma guinada na trama porque, até então, eles tinhamapresentado relações instáveis no palco.
Em um trecho de 14 minutos, próximo à metade do trabalho - cuja duração é de 150 minutos -, eles se colocam em linha, sentados em cadeiras no meio do palco e tentam outra solução para o conflito entre masculino e feminino. Os dançatores estavam buscando esclarecer as situações conflituosas; no meio do caos, em uma forma clara e ordenada, eles estão em linha reta, em um momento de pausa, buscando respostas nas memórias re- significadas, dando energia para que se continue a busca.
Mantendo a linha, um “apresentador” acompanha os dançatores sentados, criando uma linha paralela por trás desses. De um para o outro, ele vai passando o microfone pelos vinte e cinco dançatores (ilustração 13), entrecortando as falas até que quase todos tenham tido a oportunidade de serem ouvidos. Duas linhas horizontais paralelas no cinema permanecem paralelas, como no caso dessa cena vista nas ilustrações 13 e 15. O enquadramento frontal, em plano geral, evidencia o humano que surge e se aproxima do espectador, trazendo cada dançator para perto. Se a realidade (colocada no lugar do público) e a cultura (colocada como linha interna no fundo do palco) são paralelas e não se encontram, existe um lugar estreito que é ocupado pelo ato humano, na sua atitude ativa, nesse caso, através de sua fala, fazendo chegar até o público seus sentimentos, suas vibrações, suas dúvidas e seus questionamentos.
Eles falam o tempo todo, independente de estarem com o microfone ou não. Percebe- se que todos têm muito a contar, mas suas narrativas não são mostradas até o fim, sugerindo que esse assunto não termina nunca. Os relatos mostram frustração e ironia no confronto entre a idealização e o sonho com a realidade, com histórias ocorridas, principalmente, na adolescência, no despertar da sexualidade, apresentando as primeiras experiências de cada um. Questiona-se até que ponto pode-se “escolher” quem se quer ser e o seu destino, pois o contato com o outro nem sempre é o que se idealizou.
Esses dançatores elegem o que de si querem mostrar, a partir dos momentos-chave que escolheram, em uma auto mise-en-scène e Pina, na sua coreografia, estetizou esse conjunto. Para cada elenco, as histórias são próprias33 (informação pessoal), cada um está centrado, não apenas como corpo dançante e representante, mas como texto. O dançarino fala para si, para o “jornalista” e para o público; a individualização, através de um discurso com conteúdo emocional particularizado, cria um campo de interconexão social. Há uma quebra da “quarta parede” 34 (procedimento preconizado por Bertolt Brecht), surge o ser humano atrás do personagem, nesse caso, não há apelo à participação da plateia, mas sim uma mudança do status da personagem, que não conta mais com os outros e se endereça posturalmente ao público.
Quanto à organização, para essa cena, foram utilizados quatro tipos de planos: plano geral, mostrando o palco inteiro, com preocupação descritiva do espaço; plano geral de conjunto, mostrando um grupo de 10 pessoas; plano médio, em que aparecem seis pessoas, todas de corpo inteiro, vê-se bem o dançator, mas o plano ratifica que os outros também estão confabulando suas memórias e o primeiro plano35. Vinte e seis planos são fixos. Depois do último take de fala, em primeiro plano, há uma diminuição da intensidade luminosa e tem-se uma panorâmica para a esquerda, passando por cada um, mostrando-os silenciosos, compenetrados e tristonhos.
Tem-se, pois:
Plano Geral: quatro planos – 14%
Plano Geral de conjunto: seis planos – 22% Plano Médio: dez planos – 37%
Primeiro plano: sete planos – 26 % Total: 27 planos.
33 Informação pessoal, conforme Bénédicte Billiet, em nome da Companhia por e-mail em 10 de novembro de
2013.
34 A quarta-parede seria, segundo a visão do teatro ilusionista, quando os personagens representam sem a
consciência da plateia. A experiência da quebra da quarta parede no cinema é conseguida com o ator olhando para a câmera e conversando com o espectador. Esse recurso só vai existir nas entrevistas realizadas nos outros dois documentários que fisicamente tiraram os dançatores do palco. (PAVIS, 1999).
35 Apesar de este trabalho considerar ‘primeiro plano’ um plano onde há três pessoas, o que normalmente seria
chamado de plano médio, aqui foi assim chamado por não ter maior profundidade de campo e por mostrar claramente o performer aumentando a intensidade da percepção que o espectador tem dele.
Há maior porcentagem de planos médios, mostrando o indivíduo no meio do grupo de seis dançatores. Em uma linguagem não compartilhada pela televisão - que privilegia o primeiro plano para ressaltar o indivíduo e seus sentimentos – aqui, ele se apresenta como ser pensante, ser social e ator, com cabeça e coração.
Pode ser reconfortante olhar para o passado para saber quem se é e tentar costurar as memórias nos buracos que o presente deixa. Através da fabulação, tem-se uma cena em que a memória se reorganiza.