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Osmanlı Devleti’nin İttifak Girişimleri

2. BİRİNCİ DÜNYA SAVAŞI VE OSMANLI DEVLETİ

2.2. Birinci Dünya Savaşı Öncesi Osmanlı Devleti’nin İç ve Dış Siyasi Durumu

2.3.3. Osmanlı Devleti’nin İttifak Girişimleri

Além da forte relação entre literatura e tradução, os aspectos culturais também são importantes para os estudos da tradução literária, pois são esses aspectos que mantêm o elo de ligação entre povos de línguas e culturas diferentes. No que se refere à questão cultural, a tradução é uma experiência produtiva, porque é por meio dela que ultrapassamos as fronteiras de uma área delimitada, compreendida por determinada língua, para alcançarmos a diversidade de um novo mundo cultural.

O contato com diferentes culturas, o interesse pelas literaturas estrangeiras, a necessidade de leituras que trazem novas metodologias para a educação, a criação de novos meios de comunicação, como a internet, enfim a transformação do mundo em um universo global aumentaram consideravelmente o interesse pelos estudos no campo da tradução. A mudança de um universo lingüístico para outro implica também uma reelaboração, uma recriação. “Toda cultura que anseie um desenvolvimento cultural, se interessa pela atividade tradutória. É pela tradução que uma cultura pode conhecer os elementos constituintes da outra, enriquecer-se, universalizar-se nos seus conteúdos”. (PEREIRA, 1991, p. 31)

Segundo Pereira (1991, p. 32), no tocante ao aspecto político-cultural, podemos classificar a tradução em dois tipos: a que pode ajudar o povo em sua luta pela independência, trazendo para discussão, em nível nacional, textos que possam auxiliar no desenvolvimento de uma consciência crítica da realidade; o outro tipo seria a tradução que serve basicamente aos interesses de uma minoria dominante, que faz a população dominada aceitar os valores que lhe são impostos. Para a pesquisadora, a cultura encontra- se, nos dias de hoje, em poder dos diversos meios de comunicação; é, porém, um patrimônio universal. Todos os povos têm direito ao acesso a esse bem. Sendo assim, para a investigadora “a cultura, sob todos os aspectos e todas as influências recebidas, pode ser considerada como alimento vital do espírito humano, tão importante à sobrevivência e ao desenvolvimento pessoal do homem”. (PEREIRA, ibid., p. 33)

Atualmente, relacionamos o conceito de cultura com o conceito de desenvolvimento e de progresso material. No entanto, todas as nações deram e darão sua contribuição para o crescimento tecnológico, e todos interferem e mantêm alguma relação de interdependência cultural. O progresso de uma nação dá-se por meio do tempo e pela fase de desenvolvimento em que se encontra, e isso é herança tanto de outras fases como da influência de outras nações; as mais desenvolvidas praticam a tradução com grande intensidade. Nesse processo, a literatura é considerada como a melhor etnografia da cultura de um país. Grande parte das informações e conhecimento das idéias que temos dos povos escandinavos e dos russos, por exemplo, aprendemos por meio de obras traduzidas.

No Brasil, a prática da tradução literária como atividade profissional surgiu a partir dos anos 30, e passou a ser realizada com o surgimento de uma industria editorial, aliada ao considerável crescimento qualitativo e quantitativo de leitores. O período de esplendor da tradução, no Brasil, foram as décadas de 40 e 50. O grande volume de

edições dava consistência à vida literária brasileira. As editoras Civilização Brasileira, Martins, José Olímpio e Globo investiram no campo da tradução, confiando-as aos grandes escritores da época, como: Manuel Bandeira, Raquel de Queirós, Cecília Meireles, José Lins do Rego, Graciliano Ramos e outros. Foi um momento de grande importância para a cultura brasileira. Nesse período os tradutores eram os próprios escritores ou estudiosos da literatura e, em geral, podiam escolher para traduzir as obras que mais apreciavam. Os escritores traduziam aquilo que apreciavam. De um modo geral, elas refletiam o que o escritor-tradutor era, sua formação, seu modo de ser. Exemplo disso é o poeta Manuel Bandeira que, em sua obra Itinerário de Pasárgada (s.d., p. 123), relatou que: “só traduzo bem os poemas que gostaria de ter feito, isto é, os que exprimem coisas que já estavam em mim, mais informuladas. Os meus achados em traduções como em originais resultam sempre de intuições”.

A tradução é, pois, um elo entre culturas, unindo pessoas, costumes, folclores, crenças, ideologias. A tradução tem como matéria não só a língua, mas também toda a carga cultural que essa língua traz em si. Como toda manifestação de uma língua enquanto discurso, a tradução também está sujeita a incertezas de ordem individual do tradutor, ou injunções lingüístico-culturais originárias do confronto de duas línguas e culturas diversas. Aubert (1995) comenta que:

Cada língua e cada discurso, cada ato de fala, interior ou exteriorizado, literário, técnico, comercial, científico, lúdico ou meramente fútil, porta em si componentes e vínculos culturais, e é, em si, um fato culural. (AUBERT, 1995, p. 32)

Nesse sentido, podemos perceber que, juntas, literatura e tradução estão interrelacionadas com o objetivo não só de divulgar a cultura de um povo, mas também de abrir novos caminhos e pesquisas que possam contribuir em múltiplos aspectos para o desenvolvimento das nações.

Para Aubert (1996), na tradução surgem novos ritmos, novas vozes e a percepção lingüística e cultural dos leitores/ouvintes não será a mesma depois de suas leituras. O autor ainda enfatiza que para se preservar a polifonia é necessário perceber qual a comunidade alvo e as “algemas” lingüísticas e culturais que fazem parte de sua realidade, pois a tradução pode ser considerada um eficiente instrumento individual ou coletivo de liberdade.

Como podemos observar, com base nos teóricos acima, a tradução tem um importante papel na divulgação da cultura de partida e no enriquecimento da cultura de chegada, mas também corre o risco de modificar o complexo língua/cultura do TP. Ao invés de se fazer ouvida e compreendida a polifonia das línguas, das culturas, das vivências, pode vir a ser silenciada, de forma que não se perceba o texto de partida e apenas o texto de chegada. Ao tradutor, cabe mostrar a sua criatividade para harmonizar as múltiplas vozes existentes no texto a ser traduzido.