4. ARAŞTIRMA BULGULARI
4.2 Ortanca Süzgeci Uygulaması
A extensão territorial onde hoje está localizado o Estado de Pernambuco é habitada há muito tempo. Segundo encontrado em Sampaio (2008b), há registros de presença humana de 6.000 anos, na área que compreende os municípios de Buíque, Tupanatinga, Inajá e Ibimirim.
Tais registros são vistos sob a forma de pinturas rupestres no Parque Nacional da
Serra do Catimbau a 295 km da capital do Estado.
Além do Vale do Catimbau, tanto Silva (2003) quanto Assis & Acioli (2004) mencionam outros registros de presença humana na Pré-história pernambucana em municípios contíguos ao rio São Francisco, como Petrolina e Petrolândia. Nesse último, destaca-se o abrigo do Letreiro do Sobrado e a Gruta do Padre.
Há, ainda, um cemitério indígena localizado em Brejo da Madre de Deus chamado
Furna do Estrago e o sítio Chã do Caboclo, em Bom Jardim.
Desde os tempos mais remotos até o século XVI, toda a área brasileira era habitada por grupos indígenas. Em Pernambuco, enquanto no litoral, se sobressaíam os tupi-guaranis,
42SILVA, Ibernise M. Morais. Saudades do meu Pernambuco. Núcleo Temático Educativo, 2007 (on-line)
a exemplo dos Tupinambás, Tabajaras e Caetés, no interior viviam grupos do tronco Jê como, por exemplo, os Tapuias.
A influência indígena já partiu do nome do Estado. Paraná-Puca, expressão oriunda do tupi que significa “onde o mar se arrebenta”, foi a perífrase produzida pelos índios ao que, mais tarde, se tornaria um dos menores estados brasileiros, mas isso não baliza sua importância para a História do Brasil e para a sociedade. A expressão originou o nome do Estado pelo fato de a maior parte do seu litoral ser protegida por paredões de recifes de coral.
Segundo encontrado em Andrade (2004), é comum os historiadores iniciarem os ensaios da história pernambucana a partir da chegada e da conquista portuguesa, como se o Brasil e, particularmente, Pernambuco, renegassem o passado indígena, considerando-se uma civilização europeia nos trópicos.
Tal engano foi refutado pelo fato de as marcas indígenas subsistirem e, apesar de dominadas, ainda hoje reaparecem na vida e na cultura do Estado. Assim, é, pois, conveniente expor a história de Pernambuco pela vida e a ação dos grupos indígenas que apresentam sinais importantes em determinados pontos do seu território, como os índios Fulni-ô de Águas Belas, que conservam sua lingua e seus costumes, os Pankararu de Tacaratu e os Xucuru de Cimbres (Pesqueira), além de outras comunidades indígenas menos expressivas.
Para salvaguardar suas tradições no Estado, as tribos têm se valido da Constituição de 1988 para reivindicar seus direitos, dentre os quais a demarcação das terras de suas propriedades, conquistadas pelos brancos, segundo eles, desde o século XVI, já que foi justamente nesse período que houve os primeiros contatos dos índios com europeus. Contudo, a história de Pernambuco parece ter tido início antes mesmo de o próprio Brasil ser descoberto.
Acredita-se que no período de 1491 e 1500, franceses, espanhóis e portugueses tenham singrado o oceano à procura de terras inexploráveis. Tais expedições oficiais parecem ter sido organizadas em segredo, para não expor à concorrência o que fosse encontrado.
Pereira da Costa (1985) menciona que franceses e bretões, já nesse período, negociavam com os indígenas das terras situadas nas proximidades da Foz do Rio São Francisco.
Além disso, conforme encontrado em Sette & Andrade (1959), um navegador espanhol chamado Vincente Pinzon atracou em solo pernambucano, na Enseada de Suape, antes mesmo de Cabral sair de Portugal com sua comitiva em direção às terras brasileiras em março de 1500. À época, o navegador nomeou o Cabo de Santa Maria de La Consolaciòn,
seguindo depois para o Norte, desconhecendo que a terra já pertencia a Portugal, por conta do Tratado de Tordesilhas.
Isso pode ser comprovado a partir do que os Reis da Espanha preconizaram em Granada no dia 5 de setembro de 1501, sobre a rota de Pinzon, há pouco mais de um ano.
O relato, disposto , confirma a passagem do espanhol pelo Cabo. Depois disso, seguiu para Rosto Hermoso (atual Ceará) e, por fim, para o Mar-Dulce:
Nós temos que enquanto for nosso favor e vontade … O dito Vicente Yañez… seja nosso capitão e Governador das terras nomeadas desde a dita Ponta de Santa Maria da Consolação, segundo a Costa até Rosto Bonito, e de lá toda a costa que corre ao Noroeste até o dito rio que puseste o nome de Santa Maria do Doce Mar (tradução nossa). (CAVALCANTI, 2009) 43
A estada de Pinzon no Cabo de Santo Agostinho, porém, é contestada por alguns historiadores, que afirmam ser a costa de Mucuripe o local onde o espanhol atracou em janeiro de 1500.
Nas linhas de Cavalcanti (op cit), Pinzon foi companheiro de Colombo na viagem de 1492 à América. Em nova expedição realizada em 1499 com uma frota de quatro embarcações, o navegador se dirigiu inicialmente ao arquipélago de Cabo Verde e de lá seguiu para a América, em 13 de janeiro de 1500. Assim, por volta do mês de fevereiro, Pinzon ancorou seus navios na Enseada de Suape, depois de fazer um levantamento do ponto mais favorável.
Já em 1501, a comitiva exploradora portuguesa, passando pelo litoral pernambucano, batizou o acidente geográfico de Cabo de Santo Agostinho, alterando a alcunha determinada por Pinzon.
Nos primeiros anos do século XVI, o litoral pernambucano passou a ser cobiçado pelos europeus, principalmente os portugueses e franceses, por causa da madeira de boa qualidade que encontraram.
Com os lucros adquiridos pela extração do pau-brasil, outros países europeus passaram a cobiçar as terras e acabaram invadindo-as para retirar a madeira. Por isso, para defender a terra de estrangeiros, Portugal resolveu colonizar as terras brasileiras. O governo, então,
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Tenemos que em quanto nuestra merced e voluntad fuere...vos El dicho Vicente Yañez…seads nuestro Capitan e Gobernador de las dichas tierras de suso nombradas desde La dicha punta de Santa Maria de la Consolacion seguinde la costa hasta Rosto Hermoso, e de allí toda la costa que se corre al Norueste hasta el dicho Rio que vos posites nome Santa Maria de Mar-dulce.
dividiu-as em 15 lotes, nomeando-os de Capitanias Hereditárias, sendo que as dificuldades de proteção eram enormes, sem falar nos ataques dos índios, o que fez com que apenas duas capitanias obtivessem êxito: a de Pernambuco e a de São Vicente. A figura seguinte ilustra o mapa das capitanias.
Figura 24: Mapa das Capitanias Hereditárias. Fonte: Carvalho (1999)
Sobre a doação da Capitania de Pernambuco, Carvalho (op cit, p. 10) expõe que:
[...] a Capitania de Pernambuco foi doada por Duarte Coelho, um homem rico e experiente que já havia andado por terras portuguesas na África e na Índia. Chegou ao Brasil em 1535, estabelecendo-se, inicialmente, na região de Igarassu, onde fundou uma vila com esse nome.
Duarte Coelho, então, sentiu a necessidade de conhecer o espaço que deveria territorializar em sua exploração. Por isso, fundou um povoado sob a invocação dos Santos Cosme e Damião, mas a preocupação com os índios, a quem atacou depois, o fez descer o rio Igarassu até escolher o lugar mais apropriado para a construção da Vila Capital de Olinda em 1537.
Por não possuir porto, as embarcações só atracavam a certa distância e só se chegava a vila em pequenas embarcações. Nessa vila onde havia o porto, havia um povoado de trabalhadores portuários e taberneiros, que deram início à cidade do Recife.
A despeito da resistência dos índios em entregarem suas terras aos portugueses e a tentativa de os escravizarem não ter dado certo, a solução parece ter vindo da África, já que a mão-de-obra em Portugal ficava a cargo dos escravos negros e, com isso, veio uma grande quantidade deles. Porém, os escravos também ofereciam resistência, principalmente pelos maus tratos a que eram submetidos e só havia uma única solução: a fuga.
Muitos foram recapturados pelos chamados capitães-do-mato. Outros tantos, porém, se refugiavam em locais de difícil acesso, chamados de “quilombo44”. Justamente o mais
famosos deles, o Quilombo dos Palmares, era localizado na Serra da Barriga, entre Alagoas e Pernambuco, abrigando, no final do século XVI, mais de 20.000 escravos fugidos e seus descendentes, até o líder Zumbi ser preso numa expedição e morto em 1694.
Nesse meio tempo, Portugal e suas colônias estavam sob o domínio espanhol, o que despertou a preocupação dos holandeses, à época aliados aos lusos. Assim, o conflito espano - holandês ficou mais acentuado e levou os ricos comerciantes da Holanda a organizarem invasões às terras brasileiras, já colonizadas por Portugal. A primeira invasão à Bahia se deu em 1624 e durou apenas um ano.
Em 1630, foi a vez de Pernambuco ser invadido, por conta da grande produção açucareira e, dessa vez, os holandeses tiveram maior sucesso. Começaram tomando Olinda e Recife e depois seguiram para o interior, até a chegada de Maurício de Nassau, para governar o Brasil.
A figura seguinte mostra como o Estado era cartografado, incluindo a Ilha de Itamaracá, onde os holandeses construíram o Forte Orange, nomeando-o dessa maneira por alusão ao príncipe Frederico Henrique de Orange, tio de Nassau.
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Figura 25: Mapa de Pernambuco, incluindo a Ilha de Itamaracá. Fonte:. Acervo do Instituto Ricardo Brennand,
Recife, Brasil.
Sobre a influência holandesa, Freire (1975, p. 12) reforça:
Dada a prosperidade alcançada por Pernambuco com a produção de açúcar, era natural que essa parte do Brasil atraísse como atraiu, no século XVII, a cobiça de uma Holanda então rival de Portugal e da Espanha. Por trinta anos, Pernambuco esteve sob o domínio holandês e durante oito, governou-o o Conde, que fez dessa parte do Brasil uma das terras americanas mais beneficiadas.
Percebe-se, então, que as muitas importações de artigos norte-europeus e a expansão internacional à produção do açúcar ofereceram condições de status ao Brasil, mesmo já politicamente independente de Portugal.
Em 1645, porém, os brasileiros voltaram-se para os holandeses e esses foram expulsos de forma definitiva, voltando, então, o Brasil a pertencer a Portugal, despertando, com isso, a ira de muitos dos já nativos. Houve, então, grandes revoltas, entre elas a Revolução Pernambucana em 1817.
Em 1789, o Nordeste só possuía três províncias, Maranhão, Pernambuco e a Bahia, conforme ilustrado na figura 26.
Figura 26: Mapa das divisões das províncias do Nordeste no fim do século XVIII
A figura 26 apresenta os Estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Alagoas figurando na província pernambucana, como também ocorria com a parte do oeste da Província da Bahia, conforme o mapa na figura 27 pode ilustrar.
Figura 27: Mapa das Comarcas pertencentes à Província de Pernambuco (LIMA SOBRINHO, 1951)
Sete anos antes da Revolução de 1817, D. João VI, já em terras brasileiras com sua Família Real, dividiu a Província de Pernambuco pela Comarca do Sertão de Pernambuco, passando a se chamar a posteriori de Comarca do São Francisco e pela Comarca de Alagoas.
Também já haviam sido desmembradas as comarcas da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, ficando ainda Alagoas pertencente a Pernambuco,
Por represália à revolução de 1817, a Comarca de Alagoas foi elevada ao status de província em 1824, segundo consta em Cavalcanti (2009). Além disso, durante a Confederação do Equador, sob a liderança de Frei Caneca, o Imperador D. Pedro I anexou a Comarca do São Francisco à província de Minas Gerais e depois à Bahia, permanecendo assim até a República e se mantendo até os dias atuais. As alterações cartográficas dispostas na figura 28 elucidam o que ocorreu com a Região Nordeste:
Figura 28: Alterações cartográficas do Nordeste a partir de 1817 (SILVA, 2001)