SOY KG 2.6. Ormanlarda hava kirliliği ve iklim değişikliği etkilerinin izlenmesi
2.6. Ormanlarda hava kirliliği ve
Na literatura da sociologia do trabalho há um forte debate em torno dos processos de reestruturação produtiva que afetaram as economias capitalistas na Europa e nos EUA a partir dos anos 1970, e que teriam transitado de um modelo de acumulação fordista para um modelo de acumulação flexível (HARVEY, 1992).
Os impactos desse processo no Brasil intensificaram-se nos anos 1990 e revelaram o hibridismo e a coexistência de modelos produtivos variados. A desconcentração das plantas produtivas, os processos de terceirização e informatização impactaram setores importantes da economia ligados historicamente à constituição do movimento sindical, como a indústria automobilística. O avanço tecnológico e as inovações organizacionais, base essencial para as transformações, possibilitaram o aumento da produtividade com a redução do número de trabalhadores, diminuíram os custos de produção e estimularam o consumo. Em contrapartida, geraram um efeito social devastador: a extinção de postos de trabalho, o crescimento de formas de trabalho desregulamentadas, instáveis e precárias e, sobretudo, um forte desemprego.
Tabela 1- Taxas de desemprego, médias anuais, Brasil, 1989-1999
1989 1994 1998 1999* Variação em % 1998-1989 Total (PED)** 8,7 14,2 18,3 19,5 110,3 Sexo Mulheres 10,8 16,4 21,1 21,9 95,2 Homens 7,5 12,8 15,9 17,6 111,6
*Média de janeiro a junho
**Pesquisa de Emprego e Desemprego, SEADE/DIEESE. Retirado de Mattoso (1999)
A tabela acima evidencia as cifras alarmantes do desemprego nos anos 1990 e seu alcance para homens e mulheres, sendo que, para estas últimas, os índices sempre são mais altos.
Segundo Pochmann, a década de 1990 trouxe um processo de “desestruturação do trabalho” caracterizado pelo aumento do desemprego, desassalariamento, geração de postos de trabalho precários e mudança no padrão de inserção ocupacional (POCHMANN, 2001).
A participação do trabalho assalariado na renda nacional havia sido ampliada ao longo do processo de industrialização brasileira, mas esse ciclo foi interrompido nos anos 1990, com
a eliminação de 3,3 milhões de empregos assalariados formais no decênio. O setor mais atingido foi a indústria de transformação e, dentro dela, as áreas têxtil, metalúrgica, mecânica e química. A construção civil também teve redução e apenas o setor de serviços apresentou aumento na disponibilidade de empregos (MATTOSO, 1999).
O trabalho informal, sem carteira assinada e sem direitos trabalhistas assegurados (Fundo de Garantia, férias, seguro desemprego e previdência social), aumentou significativamente, de forma que em 1999, de cada cinco trabalhadores brasileiros, três estavam na informalidade.
Na década de 1990, estabeleceu-se no Brasil um novo padrão de trabalho composto por um menor ritmo de geração de postos de trabalho e um perfil de remuneração distinto. Isso porque foram abertos somente 11 milhões de novos postos de trabalho, dos quais 53,6% não previam remuneração. Na faixa de renda de até 1,5 salário mínimo, houve a redução líquida de quase 300 mil postos de trabalho, e esse segundo padrão de emprego diferenciou- se significativamente daquele verificado entre os anos 1970 e 1980 (POCHMANN, 2012, p. 27).
Os jovens das classes populares sofreram a desestruturação do mercado de trabalho de forma aguda e viram-se obrigados a apresentar um diploma do ensino médio na candidatura a postos de trabalho que, na geração de seus pais, não exigiam sequer o ensino fundamental.
O nível de emprego assalariado dos jovens teve uma redução de 23,8% entre 1986 e 1996. Dados apresentados por Pochmann mostram que, em 1980, a cada 10 jovens ocupados (entre 10 e 24 anos), três eram autônomos e sete assalariados, sendo três deles sem registro em carteira. A proporção em 1997, para cada 10 jovens ocupados, era de quatro autônomos e seis assalariados, dos quais quatro não tinham carteira assinada. Entre 1980 e 1997, o desemprego juvenil saltou de 4,5% para 13,9% (POCHMANN, 2001).
No período recente, entretanto, o padrão de inserção ocupacional do jovem apresenta sinais inquestionáveis de alteração. Inicialmente, destaca-se uma crescente instabilidade do padrão ocupacional do jovem diante da baixa capacidade da economia brasileira gerar postos de trabalho mais qualificados e em grande quantidade. Os empregos que são criados, além de insuficientes são, em geral, precários, principalmente nos setores de serviços básicos (limpeza, segurança, garçons etc.). Ademais de serem vagas instáveis e de baixa qualificação, a sua ocupação termina ocorrendo, na maioria das vezes, por trabalhadores adultos com escolaridade mais elevada e alguma qualificação profissional. Isto faz com que, de um lado, as antigas portas de ingresso dos jovens no primeiro emprego terminem sendo fechadas (construção civil, bancos, serviços na grande empresa e administração pública) e, de outro lado, as vagas existentes sejam ocupadas preferencialmente pelos adultos com maior escolaridade e qualificação (id., p. 33).
Diante desse quadro, os governantes, formadores de opinião e economistas argumentavam que a falta de qualificação dos brasileiros era um componente importante na explicação do desemprego e que seu enfrentamento passaria, necessariamente, pelo aumento da escolaridade média da população e pela qualificação profissional.
De fato, nos anos 1990, os gastos sociais ligados ao trabalho e, sobretudo, às consequências do desemprego aumentaram. Os investimentos em qualificação profissional cresceram 60% (DRAIBE, 1999). Houve ampliação dos critérios de elegibilidade para o seguro-desemprego e extensão do período máximo de recebimento, além da criação do Bolsa- Qualificação, ações que, somadas, abarcavam 53% das pessoas demitidas.
O Plano Nacional de Formação Profissional - Planfor, criado em 1995 e mantido com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador - FAT, qualificou 12 milhões de trabalhadores até o ano de 2002.
[...] tal investimento institucional, por maior que fosse sua envergadura, não logrou avançar de forma significativa na articulação do seguro-desemprego com os serviços de intermediação de mão de obra e de qualificação profissional, exatamente a direção apontada na Estratégia de 1996, qual seja, consolidar no Brasil um eficiente Sistema Público de Emprego (DRAIBE, 2003, p. 86).
No entanto, os dados indicaram que o desemprego aumentava, sobretudo entre as pessoas mais escolarizadas (MATTOSO, 1999), e que os ganhos em anos de escolaridade conquistados pelos jovens não se convertiam em melhoria em seus níveis de renda; pelo contrário, os jovens com ensino médio completo tiveram uma degradação crescente em seus níveis de renda ao longo da década de 1990 (BOMBACH, 2006). Em 1989, 15,1% dos trabalhadores que recebiam salário mínimo tinham mais de nove anos de escolaridade, número que cresceu para 23,2% em 1999 e para 43% em 2009 (POCHMANN, 2012).
Na primeira década do século XXI, a direção da política econômica brasileira não se alterou profundamente, mas a retomada do crescimento econômico possibilitou a recuperação do trabalho assalariado, sobretudo nos segmentos com rendimento de até 1,5 salário mínimo. Um contingente de pessoas que estavam imersas na pobreza absoluta, passou a integrar a força de trabalho assalariada, obtendo renda do trabalho, ainda que na pior faixa de remuneração (ibid.).