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Orman Alanları (Orman Alanı Miktarı(m 2 ),Ağaç Türleri ve

Bölüm III.  Projenin Ekonomik ve Sosyal Boyutları

III.4.  Projenin Fayda-Maliyet Analizi

IV.2.6. Orman Alanları (Orman Alanı Miktarı(m 2 ),Ağaç Türleri ve

Para abordar o Feminismo Dialógico precisamos contextualizar um movimento denominado “Otras Mujeres”.

Em março de 1992, Lídia Puigvert recebeu uma proposta de viajar a Bierzo (León – Espanha); naquele momento ela tinha interesse pela educação de pessoas adultas e as transformações sociais que estas pessoas proporcionavam. No entanto, ao receber um convite para participar de um encontro entre mil mulheres do âmbito rural, descobriu a força, a capacidade de luta e transformação das situações de desigualdades das mulheres sem formação acadêmica, as “Otras Mujeres”.

Segundo a autora Lídia Puigvert (2001), as “Otras Mujeres” são mulheres sem formação acadêmica, que estão em relações hierárquicas e desiguais, tanto em seu local de trabalho quanto em sua família ou em outras relações sociais. Porém, são estas mulheres que, ao se movimentarem, causam verdadeiras transformações sociais.

Lídia Puigvert, em sua obra de 2001, ao formular o Feminismo Dialógico, argumenta que as mulheres sem o título acadêmico são fundamentais para enriquecer os discursos feministas do qual vieram sendo excluídas. Elas estão reivindicando que suas vozes sejam ouvidas em todos os âmbitos da vida.

Puigvert (2001) explica que o Feminismo Dialógico é entendido como uma ação coordenada por todas as mulheres para superar as situações de desigualdades que sofremos, sem distinção de nível de escolaridade ou posição social. Ainda, a autora explica que o Feminismo Dialógico é permeado pelos princípios da Aprendizagem Dialógica, conceito

desenvolvido pelo CREA, da Universidade de Barcelona. Aplicando os princípios da aprendizagem dialógica ao feminismo, Puigvert indica: 1) diálogo igualitário: para que as relações não sejam baseadas no poder, mas sim no consenso baseado nos argumentos de validez, estabelecendo relações horizontais e igualitárias, independente de escolaridade, etnia, raça, cultura, religião, etc. 2) inteligência cultural: todas as mulheres são capazes de conduzir a própria vida sem a necessidade de uma mulher acadêmica responder por elas, ou seja, todas as mulheres a partir de suas vivências são inteligentes e tem capacidade para tomar decisões sobre diferentes situações. 3) transformação: quando as mulheres não acadêmicas participam ativamente de espaços antes não frequentados por elas transformam a realidade delas e das pessoas que estão a sua volta, como mencionado anteriormente a participação das mulheres na FACEPA. 4) dimensão instrumental: o conhecimento escolar é fundamental, como proteção social, no processo de superação de barreiras e exclusão social em que as mulheres estão submetidas. 5) criação de sentido: ao presenciar as transformações as mulheres passar a criar sentido para continuar na busca por justiça social. 6) solidariedade: é uma característica fundamental nos movimentos sociais progressistas, principalmente entre as outras mulheres, pois para a superação de dificuldades e luta por igualdade se faz necessário laços solidários. 7) igualdade das diferenças: a pluralidade das vozes das mulheres é fundamental para que todos os direitos sejam garantidos, ou seja, que a diferença entre todas seja respeitada e que juntas, na diversidade, se alcance a igualdade.

Sendo assim, baseado no conceito de aprendizagem dialógica e seus princípios, o “Feminismo Dialógico é uma proposta que pretende gerar importantes laços de solidariedade que permitam transformar nossas relações de gênero e desenvolver elementos teóricos que nos sirvam para impulsionar um feminismo que seja protagonista do século XXI.” (BECK- GERNSHEIM; BUTLER; PUIGVERT, 2001, p. 55.)

O feminismo dialógico, segundo Puigvert (2001), é caracterizado por: a) radicalização dos princípios da modernidade: ao defender uma radicalização dos processos democráticos para criar entre todas as mulheres uma teoria que permita definir a feminilidade, não como homogeneizadora, mas que faça valer a igualdade das vozes de todas as mulheres; b) a confiança na ação de todas as mulheres para mudar o curso da história: não podemos considerar o feminismo como uma coisa apenas acadêmica, é necessário abrir o diálogo e a pluralidade de vozes, para que todas a mulheres acadêmicas ou não participem ativamente na tomada de decisões.

Puigvert e Muñoz (2012), referindo-se a mulheres que estão participando de associações na Espanha, argumentam que estas mulheres, ao participarem dos espaços

públicos, estão se empoderando nas discussões e decisões por melhorias em seus bairros. Esta necessidade de melhorias nos espaços que frequentam reflete de forma positiva em todos os serviços oferecidos à comunidade. Elas estão reivindicando espaços com mais diálogos favorecendo a diversidade das diferentes realidades que vivem permitindo o avanço de conquistas e melhorias para todas as mulheres.

As autoras afirmam que o movimento das mulheres populares tem sido agente chave na transformação de muitos bairros, porém não estão isentas de sofrerem dificuldades e exclusão por serem mulheres e sem formação acadêmica em outros espaços. As mulheres entenderam a necessidade de sair deste processo de exclusão, portanto, se organizaram entre elas para responder aos seus interesses e reivindicações. Um dos principais objetivos era a criação de escolas que priorizassem classes de alfabetização para as mulheres que não tiveram a oportunidade de ler e escrever (PUIGVERT, L.; MUNÕZ, B. 2012).

As “otras mujeres” lutaram para serem reconhecidas em fóruns feministas e redes internacionais de mulheres, e isto influenciou de forma radical o feminismo, ao contribuir na mudança e transformação da realidade de muitas mulheres através de uma rede de solidariedade. Esta movimentação proporcionou a participação das “otras mujeres” em um debate internacional, no qual dialogaram com feministas reconhecidas internacionalmente, por exemplo, Judith Butler. A partir deste momento a participação destas mulheres na rede internacional de solidariedade feminina foi aumentando, consequentemente, houve a inclusão de uma pluralidade de vozes dialogando para a superação das desigualdades sociais (PUIGVERT, L.; MUNÕZ, B. 2012).

Puigvert e Muñoz (2012) apontam a movimentação das mulheres da Heura, que desde a década de 80 trabalham para quebrar barreiras para que haja a participação delas em espaços públicos, acadêmicos e políticos. A Heura foi um dos movimentos propulsores da FACEPA3

(Federação de Associações Culturais e Educativas de Pessoas Adultas), na Espanha. Neste espaço, as “otras mujeres” são fundamentais para o diálogo com as mulheres profissionais com perfis acadêmicos demonstrando, de forma voluntária, compartilhando seus conhecimentos, quais são as melhores ações a serem realizadas. As mulheres populares estão cada vez mais interessadas em participar de decisões importantes nos diferentes âmbitos que

3 FACEPA se marcó como objetivo, desde el momento de su constitución, trabajar desde asociaciones locales por La democratización de los barrios y para la creación de espacios de decisión pública inclusivos de las voces de los colectivos excluidos, dando prioridad a las mujeres sin formación por su situación de doble discriminación (por ser mujer y por no tener titulación académica). FACEPA es un exponente clave en la constitución y desarrollo delmovimiento de la EDA, al que hacíamos referencia al inicio de esta sección (PUIGVERT, L.; MUNÕZ, B. 2012).

estão frequentando, com o intuito de melhorar as instituições e serviços que são prestados a comunidade como um todo.

Segundo Puigvert e Muñoz (2012):

As atuações das outras mulheres são um exemplo de como se aprofundar na democracia e nos processos participativos para a transformação do nosso entorno, sem excluir aqueles coletivos que tem enfrentado mais dificuldades para participar em igualdade na tomada de decisões que tem efeitos relevantes para suas vidas.

(PUIGVERT, L.; MUNÕZ, B., 2012, p. 25)

Portanto, as “otras mujeres” são fundamentais para a superação das desigualdades sociais, demonstrando sua capacidade de superar relações desiguais pelo diálogo igualitário, empoderamento, autoconfiança e solidariedade gerada pelo movimento.

Para concluir, o discurso feminista por muito tempo passou a ser algo exclusivo de mulheres acadêmicas, que se utilizam do conhecimento instrumental para tomar decisões sobre a vida de outras mulheres sem ao menos consulta-las. O feminismo dialógico propõe a inclusão das vozes de todas as mulheres, acadêmicas e não acadêmicas, para que todas tenham voz na luta por um mundo mais justo e igualitário para todas as pessoas.