Bölüm II. Proje İçin Seçilen Yerin Konumu
II.1. Hat Güzergahı ve Trafo Merkezinin Arazi Kullanım Haritası Üzerinde
Nesta subseção abordaremos o modelo dialógico de prevenção de conflitos, que pode ser um caminho a ser trilhado não só por escolas da educação básica, mas também por instituições de ensino superior.
Existem várias formas de atuar diante de conflitos na área da educação e podemos defini-los em três modelos segundo Flecha (2012) e Botton, Puigdellívol e De Vicente (2012): modelo disciplinar, modelo mediador e o modelo dialógico. O modelo disciplinar é aquele baseado em ações autoritárias advindas de hierarquias, com ordens de cima para baixo, sem a participação de estudantes e outros profissionais da escola. Para que as normas fossem cumpridas se utilizava de métodos punitivos e desqualificadores, reforçava estereótipos e aumentava a diferença rítmica de aprendizagem dos estudantes. Este modelo funcionou por um bom tempo dentro da sociedade industrial, na qual as hierarquias e autoridades eram inquestionáveis, diferentemente da sociedade em que estamos vivendo agora, ou seja, a sociedade da informação.
O modelo mediador tem um avanço significativo em relação ao disciplinar. Neste modelo há um especialista em mediar os conflitos existentes, mas também não age de forma
efetiva pois consegue dar respostas apenas ao conflito existente e não trabalha a prevenção para que não ocorra novamente. Este modelo também tem normas definidas pelas autoridades, não sendo uma construção coletiva e horizontal.
O modelo dialógico supera as posições de poder e propõe um caminho mais dialógico e relações mais igualitárias. Neste modelo toda comunidade em torno e dentro da escola procura descobrir as causas dos conflitos e em conjunto buscam meios de resolver e preveni- los para que não ocorram novamente. Não há um especialista para mediar os conflitos; estudantes, profissionais da escola e a comunidade buscam uma solução pelo consenso para a prevenção e superação de conflitos.
A criação de normas e sua aplicação é permeada pelos princípios da aprendizagem dialógica. Autores e autoras como Flecha (2012), Botton, Puigdellívol e De Vicente (2012), Padrós (2014), Puigvert (2014), indicam os passos de organização desta atividade: 1) que possa ser claramente combinada por todas as pessoas, de todas as mentalidades e idades; 2) que tenha relação direta com um tema chave para as vidas das crianças; 3) que haja apoio “verbal” claro do conjunto da sociedade; 4) que (até agora), frequentemente, não seja cumprida; 5) que seja possível eliminá-lo (o conflito); 6) que com sua superação, a comunidade dê um exemplo à sociedade, familiares, professorado e crianças.
Neste processo é fundamental a participação de todas as pessoas da comunidade escolar para contribuir nas ações de resolução e prevenção dos conflitos por meio do diálogo igualitário.
Ao falar sobre o modelo dialógico de prevenção e resolução de conflitos precisamos explicar o que são as atuações educativas de êxito, pois é essa denominação dada a esta atividade. De acordo com Aubert, Biskarra e Calvo (2014) são práticas pedagógicas que orientam a transformação social e contribuem para a superação do fracasso escolar.
As atividades educativas de êxito são identificadas e analisadas pelo INCLUD-ED (2012), considerada uma das melhores investigações científicas em Ciências Sociais pela Comissão Europeia. O INCLUD-ED visa
[...] analisar estratégias educacionais que contribuem para a coesão social e estratégias educacionais que levam à exclusão social, no contexto da sociedade europeia baseada em conhecimento, proporcionando elementos chave e linhas de ação para melhorar as políticas educacionais e sociais. Para alcançar esse objetivo, Atuações Educativas foram estudadas nas áreas de – Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio, Formação Profissional e Programas de educação especial em escolas regulares –, bem como suas conexões com outras áreas da
sociedade – emprego, habitação, saúde, participação social e política. (INCLUD-ED, 2012, p. 5)
Essas atuações educativas de êxito são as ações educativas efetivas que superam as principais desigualdades sociais em diferentes áreas como trabalho, saúde, política etc. Assim sendo, precisamos diferenciar o que são boas práticas e o que são atividades educativas de êxito.
Normalmente as atividades educativas de êxito são realizadas em escolas que são Comunidades de Aprendizagem2, que é um projeto com um conjunto de práticas educativas
voltadas à transformação social e educativa. Porém, nada impede que estas atividades sejam realizadas em escolas que ainda não se transformaram em Comunidades de Aprendizagem. As atividades educativas de êxito próprias de Comunidades de Aprendizagem são: tertúlia dialógica, biblioteca tutorada, grupos interativos, participação educativa da comunidade, formação de familiares, e a atividade que abordamos neste trabalho: o modelo dialógico de prevenção e resolução de conflitos.
De acordo com Ríos (2013), as boas práticas consistem em ações que propõem uma inovação inserindo elementos novos e diferentes nas escolas, nos centros comunitários ou nos bairros, e parte da ideia de que são necessários recursos humanos e econômicos para que haja a mudança nestes locais e na situação de vida de seus moradores. Estas ações não são baseadas em evidências científicas e não conseguem transformar outros lugares com contextos similares.
Todavia, segundo Ríos (2013), as atividades educativas de êxito são acompanhadas de avanços na melhora das escolas, dos centros comunitários e dos bairros ajudando a superar barreiras que dificultam a inclusão social dos moradores; diminuem a evasão escolar, aumentam o número de matrículas na escola, além de promover a melhora dos resultados na prova objetiva de competências e habilidades da educação básica.
Por fim, podemos entender que o modelo dialógico de prevenção de conflitos é apresentado como uma prática efetiva para a prevenção da violência de gênero em ambientes educativos, sendo composto pelo feminismo dialógico e as novas masculinidades alternativas.
Flecha (2012) argumenta que a violência de gênero se relaciona com determinados processos de socialização, o modelo tradicional das relações, atração pela violência, amizade e paixão separadas, modelo de masculinidade hegemônica, isto só reproduz as desigualdades
2 Comunidades de Aprendizagem é uma proposta elaborada pelo CREA, da Universidade de Barcelona, na
Espanha. No Brasil, vem sendo realizada pelo Núcleo de Investigação e Ação Social e Educativa (NIASE), da Universidade Federal de São Carlos - SP.
e fomenta a violência. Entretanto, ao fazer a socialização pelos modelos alternativos, paixão e ternura juntas, modelos igualitários mais atraentes, potencializa a superação da violência de gênero.
Portanto, “precisamos socializar nossos gostos e desejos para que nos capacitem a escolher pessoas com valores igualitários com quem manteremos relações afetivas e sexuais satisfatórias, uma mudança que é possível por meio do diálogo e da comunicação entre as pessoas. ” (FLECHA, p. 207, 2012)
Ainda sob a perspectiva teórica da aprendizagem dialógica, há contribuições bastante específicas para a prevenção e a superação da violência em universidades, com foco principal na violência contra mulheres. Porém, por se tratar de conhecimento central na presente pesquisa, elaboramos uma seção própria para ele.