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Orhon Türkçesinde {-(I)l-} Biçimbirim

Belgede Türkçede edilgenlik (sayfa 195-200)

BULGULAR VE TARTIŞMA 5.1 Giriş

5.2.1. Eski Türkçe: Orhon Türkçesi ve Uygurca

5.2.1.1. Orhon Türkçesinde Edilgenlik

5.2.1.1.1. Orhon Türkçesinde {-(I)l-} Biçimbirim

O Acordo Mútuo “Raiz por Raiz” pela sobrevivência dos povos indígenas do Putumayo foi assinado mediante compromisso público entre representantes do governo nacional e de 12 povos indígenas do Putumayo83, representados pela “Organización Indígena Zonal del

Putumayo” (OZIP), em 26 de julho de 2001. Seus objetivos foram: estabelecer uma série de ações para a substituição dos cultivos de coca com fins ilícitos, conservando seu uso para práticas medicinais tradicionais; desenvolver programas para a recuperação e conservação das tradições culturais; identificar e financiar projetos, ações e atividades para o melhoramento do nível de vida dos povos indígenas e promover a unidade, organização e a autonomia dos povos indígenas, fazendo com que eles reconhecessem os instrumentos existentes na política estatal que lhes permitissem este fim (CECOIN, 2002, p. 4-5).

Os objetivos mostram como o Estado quer organizar, por sua conta, os movimentos indígenas, separando suas reivindicações das do movimento camponês, baseando-se na

83 Os povos indígenas do Putumayo, segundo o documento, são: Inga, Camentsa Biya, Awá, Paez (Nasa), Pastos,

Coreguaje, Quechua, Embera, Siona Kofan, Yanacona, Muruy e Muinane (CECOIN, 2002, p. 4). O povo indígena Kofán negociou seu próprio acordo, deixando o Raiz por Raiz para os doze povos restantes.

concepção de que os indígenas vivem tradicionalmente em relação harmônica com a natureza e que esta se quebraria pela irrupção da cultura ocidental e a economia de mercado, especialmente aquela que tem a ver com o cultivo e processamento químico da folha de coca. Além disso, o Estado pretende encaminhar os povos indígenas na busca de alternativas econômicas viáveis e no desenvolvimento de sua autonomia, possível de acordo com os mecanismos existentes na legislação.

Porém, existem duas contradições: na primeira, a produção viável para o Estado é aquela que é sustentável de acordo com parâmetros capitalistas, ou seja, oposta aos critérios de sobrevivência que diferenciariam a cultura indígena tradicional da cultura ocidental (no caso desta pesquisa, o Modo de Vida Tradicional), portanto, promover alternativas viáveis ao cultivo da coca equivale só a substituir esta economia de mercado ilegal, por outra legal. Na segunda contradição, a autonomia indígena está delimitada pela legislação do Estado, ou seja, que não é totalmente autônoma.

Sendo assim, os compromissos assumidos pelo Estado na negociação foram:

- Apoiar o Plano de Desenvolvimento Indígena Departamental e os Planos de Vida dos povos indígenas;

- Promover e apoiar os processos para a recuperação da memória coletiva, a tradição e a cultura dos povos indígenas;

- Capacitar e apoiar os membros das organizações indígenas na consolidação das organizações indígenas existentes para que estas dirigissem e administrassem os recursos transferidos pelo governo nacional84;

- Ajudar no desenvolvimento dos projetos produtivos a curto, médio e longo prazo, definidos pelas comunidades de acordo com os critérios de geração de renda e a manutenção das formas produtivas tradicionais indígenas85;

- Comprometer às instituições locais na priorização do financiamento dos projetos incluídos no acordo e organizar às comunidades para que determinassem a ordem de prioridade dos projetos elaborados, tomando em conta a disponibilidade orçamentária do governo e o número de beneficiários;

84 Para este fim, o governo designou uma ONG para o acompanhamento do processo de execução do acordo

mútuo (“Centro de Cooperación al Indígena”-CECOIN) e outras ONG´s a nível municipal para acompanhar o processo de execução dos diversos programas e projetos estipulados no acordo.

85 Foram propostos projetos como: instalação, adequação e ampliação das lavouras tradicionais; recuperação e

fomento do artesanato tradicional; fomento à criação de pequenos animais domésticos, de espécies nativas e da piscicultura; criação de gado de forma sustentável; estabelecimento de hortas de ervas aromáticas e medicinais; desenvolvimento de projetos florestais e produção de frutas tradicionais. Estes projetos seriam de tipo coletivo e o Estado se comprometeria a financiá-los em associação com as comunidades mediante mecanismos como os Fundos Rotatórios

- Fornecer, de maneira imediata, recursos de dois milhões de pesos por família para projetos de segurança alimentar;

- Apoiar a constituição de uma entidade de propriedade dos povos indígenas encarregada da comercialização dos produtos agropecuários e industriais resultantes dos projetos86;

- Encaminhar ações para a constituição, ampliação e saneamento de resguardos indígenas mediante a transferência de verbas para o INCORA, instituição governamental encarregada deste processo;

- Reconhecer o interesse de erradicação voluntária e manual dos cultivos ilícitos por parte dos diferentes povos indígenas, assim como os seus direitos ancestrais a utilizar a coca com objetivos medicinais e de forma tradicional.

Por sua vez, a organização indígena se comprometeu a erradicar todos os cultivos de coca com fins ilícitos a partir de um ano desde a assinatura dos acordos; a gerar processos políticos, de educação, capacitação e produção para construir uma base produtiva diferente do cultivo da coca e a não estabelecer novos cultivos ilícitos. Também se comprometeu a fortalecer as formas organizativas próprias como base de desenvolvimento local para facilitar a interlocução com o Estado, a administração dos projetos e a garantir a sustentabilidade das ações empreendidas para a execução do Plano de Desenvolvimento Alternativo (CECOIN, 2002, p. 16).

Como mecanismo de controle se propôs a criação de um Comitê de Vistoria Externa, conformado por um governador de cabildo, um diretivo das associações municipais e um representante da OZIP. Também foi estabelecido que, junto com o comitê, uma ONG se encarregasse de fazer relatórios trimestrais de monitoramento e avaliação do processo (CECOIN, 2002, p. 19-20).

De acordo com o acordado, os programas prioritários propostos para a área econômica foram:

- Fortalecimento territorial: para conseguir regularizar a situação jurídica das comunidades indígenas, ou seja, torná-las proprietárias de seus territórios;

- Economia indígena e segurança alimentar: para potencializar a produção e a comercialização com base em sistemas produtivos próprios;

86 O Estado também se encarregaria de facilitar o processo de comercialização mediante suas diferentes

- Cultura Indígena ambiental: para o manejo integral dos ecossistemas de acordo com critérios de sustentabilidade próprios das comunidades indígenas;

- Desenvolvimento constitucional: para fortalecer a autonomia e a unidade indígena mediante a capacitação em legislação indígena e constitucional;

- Planos de Vida dos povos indígenas: para desenvolver as políticas próprias de desenvolvimento mediante a participação comunitária;

- Infra-estruturas tradicionais, comunitárias e moradia de interesse social: para a construção, ampliação e conserto de casas-cabildo, centros de saúde indígena e moradias;

- Medicina Indígena: para consolidar um sistema de atendimento em saúde para os povos indígenas, articulando-o dentro do sistema nacional de saúde, e criar jardins botânicos para fornecer insumos aos médicos tradicionais indígenas;

Estes programas, por sua parte, foram compilados em quatro eixos ou componentes fundamentais, a partir dos quais se estruturariam os distintos “Planos de vida” dos diferentes povos indígenas do Putumayo no futuro (em nosso caso, o “Plano Integral de Vida do Povo Awá do Putumayo”). Estes programas foram: Desenvolvimento dos projetos produtivos de curto prazo (segurança alimentar); Fortalecimento territorial, cultural e ambiental; Fortalecimento organizativo e institucional e Desenvolvimento de projetos produtivos de médio e longo prazo.

Em termos gerais, o Acordo Mútuo representou a tentativa de consolidação do Modo de Produção Estatista nos territórios indígenas do Putumayo. Analisando seus diversos programas e projetos, é possível ver como o Estado, por meio de suas diversas leis e instituições, impõe-se como mediação imprescindível para a regulação social, o fortalecimento territorial e, ainda, para a manutenção e recuperação das tradições. Da mesma forma, o Estado se compromete a criar e ampliar as mediações e instituições necessárias que ainda não existam e acaba por cooptar dentro de seu domínio as manifestações políticas, culturais e econômicas dos indígenas.

Assim, como no componente de segurança alimentar, tenta-se basicamente expandir a pecuária de grande porte e a criação de pequenos animais (isto último, caso não seja possível o desenvolvimento da atividade pecuária por limitações de solos ou de quantidade de terreno) como atividade econômica, já que estas permitem certa estabilidade econômica necessária para outros empreendimentos e, ainda, incrementam o consumo de determinados produtos necessários para seu desenvolvimento, já que os indígenas não desenvolvem estas atividades (particularmente a pecuária de grande porte), como parte de sua tradição.

Os projetos produtivos, a médio e curto prazo, embora estejam baseados em características específicas dos indígenas como a produção comunitária de pequena escala de plantas, de animais nativos e de artesanato; buscam inserir os indígenas dentro de um esquema legal de produção para o capital ao incentivar só o desenvolvimento daqueles projetos que garantam a produção de excedentes suficientes para a sua manutenção autônoma, ou seja, sem o apóio financeiro do Estado. Busca-se um produto específico que possa consolidar seu próprio mercado e gerar a partir dele cadeias produtivas estruturadas com os centros de mercado em nível nacional e internacional, utilizando as características culturais indígenas como fatores que consolidem uma renda de monopólio.

É assim que o Estado se compromete também a criar mecanismos que facilitem a comercialização dos produtos que se produzem nesses projetos produtivos e, ainda, facilidades financeiras como fundos rotatórios de caráter associativo, para garantir a independência econômica das comunidades face ao Estado.

O Estado também busca a regularização fundiária por meio do incentivo à consolidação de resguardos como uma forma de demarcar especificamente aquela parte de seu território que não poderá entrar no mercado de terras e conhecer exatamente o número de indígenas existentes para determinar a forma de repartição dos recursos econômicos que deve fornecer constitucionalmente a estas comunidades.

Em termos gerais, o Modo de Produção Estatista, entendido como universalização das equivalências, é expresso no fato do governo ter negociado com a organização indígena em geral, sem identificar as diferenças existentes entre os diversos povos indígenas e utilizando à OZIP como agente de mediação entre estes e o governo. A OZIP é legitimada como a instituição que representa o interesse de todos os membros das comunidades indígenas, num claro exemplo do favorecimento à democracia representativa, historicamente entendida como sistema hegemônico de governo na Colômbia. Porém, a OZIP é uma entidade que não goza da simpatia de muitas das comunidades, porque se manifesta mais favorável às demandas das comunidades autóctones que às dos indígenas re-territorializados e re-etnizados, como os Awá.

A prevalência do Estado também se manifesta na necessidade de achar uma representação jurídica específica para os povos indígenas, unificando as diferentes formas de organização política indígena na figura do cabildo e seus membros; unificando-se, também, as políticas socioeconômicas na figura dos “planos de vida” e as diversas configurações territoriais na forma dos resguardos.

Embora a negociação com os indígenas fosse mais bem sucedida que com os camponeses, especialmente no que tem a ver com a consolidação territorial, educativa e de saúde, as estratégias de desenvolvimento propostas não têm dado certo (pelo menos, até agora) em conseguir substituir o esquema de desenvolvimento baseado na produção de coca. As razões para isto serão explicitadas na continuação.

4. Fracasso dos planos de substituição do cultivo da coca pelo desconhecimento da

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