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2. POPÜLİZME İLİŞKİN TEMEL TARTIŞMALAR

2.2. Olumsuz Bir Siyasi Yönelim Olarak Popülizm

Com uma área de aproximadamente 387 Km², o distrito de Feiticeiro conta com uma população de 5.004 habitantes (CENSO, 2010), o que denota uma densidade demográfica da ordem de 12,92 hab/km². A sub-bacia hidrográfica do Feiticeiro está inserida no distrito municipal de mesmo nome, conta com aproximadamente 1.423 famílias e possui 34 sítios (JAGUARIBE, 2015). Para a presente pesquisa, foram considerados 28 sítios, o que equivale a 1.223 famílias, ou seja, 3.576 habitantes (Tabela 6).

Tabela 6 - População da sub-bacia hidrográfica do Riacho Feiticeiro considerada para a pesquisa

Sítios Nº de famílias Nº de habitantes

Faz. Logradouro 8 32

Sítio Pedra Fina 1 3

Faz. Cajueiros 2 9

Faz. Mutambeira 4 11

Sítio Bela Quina 1 8

Sítio Cobra 3 9

Faz. Gurgéia 3 8

Sítio Poço Verde 2 7

Sítio Regalo 1 6

Sítio Ponto Central 23 75

Distrito Feiticeiro 354 945

Sítio Barbalho 12 22

Sítio Cunha 8 31

Sítio Córrego do Saco 33 82

Sítio Taboca 17 44

Sítio dos Vieiras, Fechado 213 745

Bode, Jureminha, Pedra Branca 96 345

Santa Fé 34 82

Córrego das Pedras 63 190

Ipueiras 177 437

Curral Novo 70 208

Croatá 13 43

Sítio Severo 43 117

Sítio Massapê 11 29

Sítio Canto do Juazeiro 31 88

TOTAL 1223 3576

Dos 34 sítios, 4 estão desabitados e de 2 não foram obtidas as informações devido à impossibilidade do informante (Secretaria de Saúde), por isso, foram considerados apenas os 28 sítios.

De acordo com a Tabela 6 acima, a área mais povoada é a do distrito de Feiticeiro, com 354 famílias, seguida dos sítios Vieiras e Fechado, que somam 213 famílias, e pelo Sítio Ipueiras, com 177 famílias. A maioria dos sítios (14) possui menos de 50 habitantes, sendo que apenas 4 sítios possuem entre 70 e 100 habitantes e, por fim, 6 sítios possuem acima de 100 habitantes. Esses dados comprovam a baixa densidade demográfica da área. Isso não significa necessariamente que as pressões sobre os recursos naturais da área sejam menores, pois as atividades agrárias e/ou rurais também pressionam os parcos recursos naturais disponíveis.

Quanto à escolaridade, verifica-se que a população do riacho Feiticeiro possui baixa escolaridade (Gráfico 1).

Gráfico 1 – Escolaridade da população da sub-bacia do Riacho Feiticeiro

Fonte: Jaguaribe (2015).

De acordo com o Gráfico 1, a maioria da população, ou seja, 33% possui Ensino Fundamental incompleto. Esse número é alto, pois considera, além dos jovens que estão cursando o ensino fundamental, aqueles indivíduos que

Crianças sem idade escolar 6% Analfabeto 14% Alfabetizado 12% Ensino fundamental completo 17% Ensino fundamental incompleto 33% Ensino médio completo 13% Ensino médio incompleto 4% Ensino superior completo 1% Ensino superior incompleto 0%

ESCOLARIDADE DA POPULAÇÃO DA SUB-BACIA DO RIACHO

FEITICEIRO

abandonaram os estudos e os adultos que estão inseridos nos programas de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Apenas 17% possuem Ensino Fundamental completo e 13% Ensino Médio completo. A taxa de analfabetismo é alta, atingindo 14% da população. No Ensino Superior a situação é ainda mais precária, com apenas 1% da população possuindo nível superior.

Os níveis de escolaridade da sub-bacia influenciam diretamente nas condições da renda familiar da população. Nessa perspectiva, pode-se verificar, de acordo com o Gráfico 2, que 25% dos chefes de famílias da sub-bacia trabalham de forma autônoma. Considera-se aqui autônomo aqueles trabalhadores que desenvolvem atividades como diaristas e que, portanto, não tem renda fixa. Normalmente são agricultores, domésticas, artesãos, pequenos comerciantes, etc.

Gráfico 2 – Principais fontes de renda dos chefes de família da sub-bacia hidrográfica do Feiticeiro

Fonte: Jaguaribe (2015).

O Gráfico 2 mostra que a principal fonte de renda é a aposentadoria dos idosos (39%), seguida do trabalho autônomo (25%) e dos programas de transferências de renda do Governo Federal, o Bolsa Família, atendendo 23% dos chefes de família. Esse número equivale a aproximadamente 444 famílias que recebem o auxílio, portanto, de baixa renda, que estão em condições de pobreza ou de extrema pobreza, ou seja, que recebem entre R$ 77,01 e R$ 150,00 por pessoa ou até R$ 77,00 por pessoa, respectivamente.

Aposentados 39% Pensionistas 5% Bolsa Família 23% Empregados 8% Autonômo 25%

FONTE DE RENDA DA POPULAÇÃO DA SUB-BACIA

HIDROGRÁFICA DO FEITICEIRO

O número de empregos na sub-bacia é extremamente baixo. Considerando a população de 3.576 habitantes, somente 150 são empregados, ou seja, têm uma renda fixa a cada mês. Isso não significa que seja uma renda de um salário mínimo, podendo ser acima, como no caso dos professores, ou abaixo, como aqueles que trabalham prestando serviço nas fazendas, trabalho muito comum no Feiticeiro. São trabalhos fixos, desenvolvidos diariamente, porém, sem carteira de trabalho assinada.

A renda familiar do Feiticeiro está fortemente vinculada às principais atividades econômicas desenvolvidas: agricultura, pecuária, extrativismo vegetal, e artesanato (Gráfico 3).

Gráfico 3 - Principais atividades econômicas da sub-bacia hidrográfica do Feiticeiro

Fonte: (JAGUARIBE, 2015).

A agricultura de sequeiro é desenvolvida por mais de 800 famílias, principalmente da zona rural. Com exceção daquelas que os chefes estão em idade muito avançada, ou aqueles que são assalariados. Algumas famílias desenvolvem também a agricultura de vazante nas proximidades das barragens/açudes ou agricultura irrigada nas planícies fluviais, através da captação da água por perfuração de poços.

Diante das dificuldades de desenvolvimento da agricultura de sequeiro, é a pecuária uma das atividades mais importantes. De acordo com o Gráfico 4, são 348 famílias que desenvolvem a pecuária bovina e 477 famílias que criam aves.

0 200 400 600 800 1000 1200

Pecuária Agricultura Extrativismo Vegetal

Artesanato

PRINCIPAIS ATIVIDADES ECONÔMICAS DA SUB-BACIA

DO RIACHO FEITICEIRO

Nº d e famí lia s

Gráfico 4 – Pecuária desenvolvida na sub-bacia hidrográfica do Riacho Feiticeiro

Fonte: (JAGUARIBE, 2015).

Outra atividade importante desenvolvida no Feiticeiro é o extrativismo vegetal. Esse é realizado sem o manejo adequado, e tem como principal finalidade a obtenção de lenha para cozinhar. São aproximadamente 509 famílias que utilizam fogão de lenha. Além dessa finalidade, há ainda o consumo de madeira para a construção e o reparo de cercas das propriedades rurais. Entretanto, devido ao alto desmatamento e extrativismo descontrolado na área, os proprietários estão comprando a madeira para as cercas, pois há dificuldade de encontrar em suas propriedades.

O Gráfico 5 apresenta dados referentes à matriz energética da sub-bacia.

Gráfico 5 – Matriz energética da sub-bacia do Feiticeiro

Fonte: Jaguaribe (2015). Bovinos 30% Caprinos 7% Ovinos 10% Suínos 10% Aves 42% Outros 1%

PECUÁRIA NA SUB-BACIA HIDROGRÁFICA

DO FEITICEIRO

Gás 56% Consórcio lenha e gás 42% Somente lenha 2%

Matriz energética da sub-bacia do

Feiticeiro

De acordo com os dados da Prefeitura Municipal de Jaguaribe, 692 famílias utilizam o gás butano para cozinhar e 509 famílias fazem o consórcio gás e lenha. Além daquelas famílias que utilizam somente a lenha.

Com relação à estrutura fundiária no Feiticeiro, a maioria dos chefes de família, ou seja, 624 não são proprietários de terras. Suas atividades são desenvolvidas em terras alheias, no sistema de arrendamento. Das 1.223 famílias pesquisadas, somente 599 possuem propriedades, cuja maioria é minifúndio, como mostra a Tabela 7.

Tabela 7 – Concentração fundiária na sub-bacia do Feiticeiro

Tamanho da propriedade em hectares Nº de Propriedades Acima de 50 ha 8 21 a 50 6 11 a 20 71 1 a 10 514 TOTAL 596 Fonte: Jaguaribe (2015).

De acordo com Tabela 7, verifica-se que a maioria (514) das propriedades são pequenas, variando entre 1 e 10 hectares, e uma minoria (8) propriedades acima de 50 ha. A concentração fundiária pode ocasionar sérios problemas tanto ambientais quanto sociais. Enquanto esses refletem o aumento da desigualdade social e agravamento das condições de pobreza, aqueles podem contribuir com a degradação ambiental através das práticas inadequadas de uso da terra e pela falta de pousio da mesma, fortalecendo, assim, a relação entre pobreza e degradação ambiental discutida por Araújo, Almeida e Guerra (2010).

As condições de saneamento básico na sub-bacia de modo geral são precárias. Para analisar este aspecto, pode-se mencionar algumas variáveis, como a fonte de abastecimento e tratamento de água, sistema de esgotos e disposição dos resíduos sólidos.

Com relação ao abastecimento de água, verifica-se que aproximadamente 985 domicílios recebem água canalizada através das barragens, açudes ou poços, 184 domicílios são abastecidos por carros-pipas e 100 obtém água através de poços (Gráfico 6). Vale ressaltar que a maioria dos reservatórios que abastece de forma canalizada esses domicílios seca no período de estiagem, por serem pequenos e devido também às prolongadas secas, que contribuem

significativamente para diminuição do volume dos reservatórios. Sendo assim, essas populações passam a ser abastecidas também por carros-pipas no segundo semestre do ano, ou passam a depender da reserva hídrica que as comunidades possuírem.

Gráfico 6 – Fonte de abastecimento de água na sub-bacia hidrográfica do riacho Feiticeiro

Fonte: Elaboração da autora.

O sistema de tratamento da água no distrito de Feiticeiro bem como na sub-bacia é bastante precário. Alguns sítios como o Barbalho, Vieiras e Fechado, além da sede do distrito de Feiticeiro recebem água através do Sistema de Abastecimento de Água e Esgoto (SAAE) do município. A água fornecida pelos carros-pipas recebe tratamento através de cloro, sendo esse tratamento administrado pelas famílias. O material é repassado pela Secretaria de Saúde do município, sendo que os chefes de família são orientados a filtrarem a água para o consumo humano.

Quanto ao sistema de esgoto, apenas a sede do distrito do Feiticeiro é contemplada. Nos sítios, o esgoto é lançado a céu aberto. A maioria das residências possuem banheiros, sendo que 25 residências são desprovidas de fossas, segundo informações da Secretaria de Saúde do Município de Jaguaribe.

No que se refere aos resíduos sólidos dos 28 sítios em análise, 16 queimam o lixo, 12 depositam a céu aberto. Não há serviço de coleta de lixo com exceção da sede do distrito. O destino inadequado dos resíduos sólidos entre outros problemas podem causar poluição dos solos e dos recursos hídricos, bem como

0 200 400 600 800 1000 Canalizada de açudes ou barragens Carros-pipas Canalizada de poços 985 184 100

ABASTECIMENTO HUMANO NA SUB-BACIA

DO RIACHO FEITICEIRO

N º D E FA M ÍLIA S

causar prejuízos aos pecuaristas, quando seus rebanhos ingerem sacos plásticos, por exemplo, vindo a causar a morte dos animais.

Em síntese, pode-se concluir este capítulo compreendendo que o mesmo deu conta da caracterização geoambiental do Riacho Feiticeiro, destacando seus aspectos do potencial ecológico, da exploração biológica e da ação humana naquela sub-bacia. Além disso, apresentou dados socioeconômicos importantes para compreender as condições de vida das suas populações.

O capítulo a seguir apresenta a mesma discussão, mas tendo como foco a microbacia da Ribeira Grande de Santiago.

3 CARACTERIZAÇÃO GEOAMBIENTAL DA MICROBACIA HIDROGRÁFICA