• Sonuç bulunamadı

2. KURAMSAL AÇIKLAMALAR VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.1. PSİKOLOJİK SAĞLAMLIK

2.1.4. Olumlu Sonuçlar

Pobreza pode ser entendida como a ausência de recursos financeiros suficientes para adquirir o mínimo necessário para a sobrevivência, como alimentos e vestimenta. Porém, o Banco Mundial (2007) considera como pobres as pessoas que dispõem de dois dólares por dia e indigentes pessoas com menos de um dólar por dia para consumir com itens indispensáveis a sua sobrevivência. No sentido de facilitar a identificação teórica das pessoas em situação de pobreza, foi criada uma linha divisória entre pobres e indigentes que toma como base a renda. Vale lembrar que esta abordagem não inclui na análise o valor da cesta básica local e as possíveis alterações regionais entre outras variáveis.

Na última pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA (2008:4) foi demonstrado a diminuição da pobreza nas regiões metropolitanas pesquisadas1, sendo que a pesquisa entende como pessoas em situação de pobreza todos com renda per

capita igual ou inferior a meio salário mínimo (R$ 207,50)2 e indigentes são as pessoas

com renda per capita igual ou inferior a um quarto do salário mínimo (R$ 103,75). Com isso, a pesquisa conclui que “o crescimento produtivo do país veio acompanhado de uma melhora na renda das famílias em todas as faixas, implicando numa queda no número de pobres no país (...)” (IPEA, 2008:2).

No esforço de compreensão e operacionalização do conceito, Rocha (2003) entende que a pobreza pode ser definida de forma genérica como a situação nas quais as necessidades não são atendidas de forma adequada. Sendo dividida em pobreza absoluta e pobreza relativa. Conforme Rocha (2003) e Banco Mundial (1996, 2003, 2007) a pobreza absoluta está estreitamente vinculada às questões de sobrevivência física; portanto, o não atendimento das necessidades vinculadas ao mínimo vital e a pobreza relativa é ausência de condições adequadas para ter uma vida digna, ou seja, é a limitação da liberdade, que se figura pelas necessidades não atendidas.

Ainda Rocha (2003) e Salama et al (1997) o conceito de pobreza relativa define necessidades a serem satisfeitas em função do modo de vida predominante na sociedade em questão, o que significa incorporar a redução das desigualdades entre indivíduos como objetivo social. Implica, conseqüentemente, delimitar um conjunto de indivíduos “relativamente pobres” em sociedade onde o mínimo vital já é garantido a todos. Este recorte que identifica quem é pobre desconsidera a existência de desigualdades regionais, culturais e políticas, tornando-se pouco explicativo, limitando o entendimento da pobreza à ausência de renda.

A desigualdade de renda foi tema de artigos dos funcionários do Banco Mundial. Sendo que Adler (1974) escreve sobre a pobreza rural e urbana na perspectiva das desigualdades de renda, propondo algumas mudanças nas políticas públicas e criticando as políticas desenvolvimentistas que focam no crescimento do produto nacional sem pensar no bem estar dos pobres. Além disso, o autor critica a idéia que o crescimento econômico diminui a pobreza, tendo em vista que quanto mais o país se desenvolve economicamente maior é a 2 Base de cálculo salário mínimo vigente em 2008.

renda dos mais ricos, surtindo pouco impacto na renda dos mais pobres, aumentando, deste modo, as desigualdades.

“(...) 20 a 40 por cento dos mais bem aquinhoados da população são principalmente os que recebem os benefícios do desenvolvimento econômico, e 20 por cento dos mais pobres (talvez a percentagem seja ainda maior) não participam do processo de desenvolvimento econômico. Este estado de coisas choca-se, em contraste vivo, com os objetivos fundamentais do desenvolvimento econômico – a diminuição da pobreza e da miséria humana”. (ADLER, 1974:2) Ainda Adler (1974) reflete sobre as formas de diminuir as desigualdades, apontando três grandes áreas de intervenção, sendo a educação, a geração de emprego e o desenvolvimento rural. A educação é analisada do ponto de vista do investimento, sendo desigual por área urbana e rural. O autor analisa que as políticas de educação não foram priorizadas nas áreas rurais e na área urbana o foco foi à educação profissionalizante, tendo em vista a demanda industrial. Com relação ao emprego é influenciado pela baixa escolaridade, baixo crescimento industrial e pelo crescente ritmo demográfico, sendo presente nas famílias de renda menor, ou seja, nos pobres. Segundo o autor, os dados sobre distribuição de renda não conseguem captar as diferenças da pobreza rural e urbana, pois não analisam do ponto de vista do acesso aos serviços públicos. Assim, o pobre urbano é menos pobre, comparando-se ao pobre rural, pois tem acesso aos serviços públicos, tais como educação, saúde, água, energia elétrica. Adler alerta para as influências políticas nas ações de que visam diminuir as desigualdades de renda.

“Cumpre não esquecer que a estrutura de distribuição de renda está, desde logo, jungida a estrutura social, que por sua vez determina a estrutura do poder político. Qualquer tentativa de introduzir mudanças na distribuição de renda, mesmo nos países que se reconhece largamente a necessidade de realizar reformas para alcançar maior justiça social, está condenada a tropeçar nos interesses de grupos econômicos e politicamente poderosos”. (ADLER, 1974:3)

Polanyi (2000) quando aborda a origem das grandes transformações cita o surgimento da pobreza e suas causas, principalmente a partir da lei de Speenhamland. Esta lei foi criada em 1795 com o objetivo de obrigar as municipalidades a garantir a todos uma renda mínima necessária para garantir o ‘direito de viver’ independente se esta pessoa trabalhasse ou não.

“(...) sobre isso, é necessário falar das ciladas do sistema de mercado, que são três:1ª – A Speenhamland (1795-1834) antecedeu a economia de mercado. Se destinou a impedir a proletarização do homem comum, ou pelo menos diminuir seu ritmo, o que apenas aumentou a pauperização das massas. 2ª – A Poor Law

Reform (década que seguiu 1834), acabou com essa obstrução do mercado de

trabalho; foi abolido o direito de viver, que acabou sendo mais um ato impiedosa da reforma social moderna. 3ª –os efeitos deletérios de um mercado de trabalho competitivo após 1834 até o reconhecimento dos sindicatos, nos anos de 1870: este foi incomparavelmente mais profundo. Se a Speenhamland impediria a emergência de uma classe trabalhadora, agora os trabalhadores pobres estavam sendo formados nessa classe pela pressão de um mecanismo insensível. (...) um mercado competitivo só foi estabelecido na Inglaterra após 1834; assim não se pode dizer que o capitalismo industrial, como sistema social, tenha existido antes desta data.(...) O estudo de Speenhamland é o estudo do nascimento da civilização do século XIX, sabendo também que o pauperismo (extrema pobreza, pobreza em abundância), a economia política e a descoberta da sociedade estavam estreitamente interligados. (POLANYI, 2000:104-106)

De acordo com Polanyi, após avaliação dos resultados da lei foi percebido que ela surtiu pouco efeito, recebendo muitas críticas, sendo com isso abolida. Desta forma, a visão liberal predominou ditando as regras do crescimento econômico a partir da ‘desproteção’ trabalhista, acelerando o processo de pauperização das ‘massas’.