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2. KURAMSAL AÇIKLAMALAR VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.3. ÇOCUKLUK ÇAĞI TRAVMATİK YAŞANTILAR

2.3.3. İstismar Türleri

2.3.3.1. Fiziksel İstismar Tanım ve Yaygınlık

Sen (1992, 2000) concebe a pobreza como a ausência de liberdade para manifestar-se politicamente, decidir sobre quem será o governante, candidatar-se a cargos públicos, participar de debates sobre os problemas de sua comunidade. Para Sen, essa privação política causa danos ao pleno exercício da cidadania e a construção de uma consciência crítica. Neste mesmo caminho, Abranches et al (1998) entende a pobreza como destituição, marginalidade, inoperância e desproteção; destituição dos meios de sobrevivência física; marginalização no usufruto dos benefícios do progresso e no acesso às oportunidades de emprego e consumo; desproteção por falta de amparo público adequado e inoperância dos direitos básicos de cidadania, que incluem garantias à vida e ao bem estar.

“Pobreza diz respeito à destituição de meios de subsistência satisfatória e tem como parâmetro estruturador, intrínseco a sua lógica de formação a privação absoluta. Esta define-se pela carência extremada de quaisquer meios para satisfação das necessidades primárias ligadas a sobrevivência física e a sanidade da pessoa e dos familiares a ela dependentes. Mesmo nas formulações mais

liberais, há o reconhecimento de que as necessidades ditas “básicas” não podem se resumir apenas àquelas ligadas à pura sobrevivência física. Deve incluir necessariamente, a persistência física em condições tais que as necessidades biológicas sejam satisfeitas em grau adequado à prevenção de seqüelas derivadas de má alimentação, garanta-se a salubridade do meio ambiente, abrigo adequado, ações de saúde preventiva e assistência médica”. (ABRANCHES, 1998:17-18)

O PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento desenvolveu um índice chamado IPH – Índice de Pobreza Humana. Este índice representa uma importante mudança na forma de mensurar a pobreza, influenciados pelas contribuições dos estudos de Amartya Sen.

Sen (2000) entende que a qualidade de vida não pode ser medida pela posse de um conjunto de bens nem pela sua utilidade, mas sim pela capacidade dos indivíduos em usar esses bens para alcançar satisfação ou felicidade. De acordo com Castañeda (1990) e Cepal (2003) medir a pobreza de maneira multifacetada representou, de certa forma, uma ruptura com índices que têm na sua insuficiência de renda seu único critério para estabelecer qual é e quem está abaixo da linha da pobreza. Esta análise, centrada nos níveis de renda, desconsidera as peculiaridades regionais, padronizando a pobreza, deixando de captar a essência, seus impactos e causas. Salama et al (1997) traça no seu estudo uma diferenciação entre pobreza e empobrecimento, entendendo pobreza como uma condição social de reprodução do indivíduo, enquanto empobrecimento é a condição em que vive este individuo.

A pobreza deve ser vista como privação de capacidades básicas em vez de meramente como baixo nível de renda, que é o critério tradicional de identificação da pobreza. A perspectiva da pobreza como privação de capacidades não envolve nenhuma negação da idéia sensata de que a renda pode ser uma razão primordial da privação de capacidades de uma pessoa. (SEN, 2000:109) e Ugá (2004) desenvolve um novo olhar sobre a pobreza que deve ser encarada pela idéia de privação de capacidades básicas de realizar (ou seja, de cada um alcançar os seus objetivos de vida) e não como uma carência de determinadas necessidades.

Um dos conceitos trabalhados por Salama et al (1997) para mensurar a pobreza é o NBNS – Necessidades Básicas não Satisfeitas - desenvolvido a partir das idéias de Amartya Sen. Este método identifica como pobre aquele indivíduo que não tem acesso a água, esgoto, eletricidade, o habitat, educação infantil, assistência escolar aos menores, tempo disponível, e disponibilidade de mobiliário no lar. Segundo o autor, o acesso à alimentação não foi incluído por que parte do princípio de que as variáveis acima conseguem definir quem tem ou não condições de se alimentar.

Por esta razão, é importante enfatizar as variáveis que influenciam no acesso das pessoas em situação de pobreza aos serviços básicos e as que limitam a sua capacidade.

“Desvantagens como a idade, incapacidade ou doença reduzem o potencial do indivíduo para auferir renda. Mas, também tornam mais difícil converter renda em capacidade, já que uma pessoa mais velha, mais incapacitada ou mais gravemente enferma pode necessitar de mais renda (para assistência, prótese, tratamento) para obter os mesmos funcionamentos (mesmo quando essa realização é de algum modo possível). (...) essa pode ser uma preocupação crucial na avaliação da ação pública de assistência aos idosos e outros grupos com dificuldade de conversão adicionais à baixa renda”. (SEN, 2000:111)

Para o Padre Ávila (1981) a pobreza é um estado habitual de privação de bens supérfluos, carência de bens necessários à condição e desempenho social e estrita suficiência dos bens necessários à subsistência. A indigência é um estado habitual de privação de bens supérfluos e dos bens necessários à condição social e de insuficiência dos bens necessários à vida. Deste modo, dada a estrutura social brasileira o pobre é pobre porque nasce pobre. Calsing (1983) analisa a pobreza nas décadas de 70 e 80 no Brasil e trança um perfil da pessoas em situação de pobreza, afirmando que a pobreza se concentra nas áreas rurais, onde as famílias são maiores comparando com as famílias urbanas. Sendo que as crianças estão mais expostas a riscos de saúde, portanto aumentando a chances de não sobreviver nos primeiros anos de vida. A ausência de saneamento básico, dificuldade das famílias em acessar postos de saúde são as principais causas da baixa expectativa de vida. O autor ainda trata das condições habitacionais adequadas, como a existência de abastecimento d’água, rede sanitária, densidade residencial, tipos de construção da residência e eletricidade são entendidos como adequadas a uma vida digna. Porém, estas condições não são acessíveis

na sua completude nas áreas rurais. Possivelmente a dificuldade das famílias não seja o acesso, mas a oferta pelo Estado destes serviços garantidos na Constituição de 1988. Com isso, a pobreza é entendida, na pesquisa realizada pelo autor, como uma repressão do acesso às vantagens sociais, isto é, aos bens e serviços produzidos; um insatisfatório atendimento das necessidades básicas, impedindo as pessoas de integrarem-se plenamente ao processo de desenvolvimento de acordo com a sua condição humana, de crescente necessidade de consumo e de necessidade de mobilidade social.

Conforme Ahluwalia (1975) os fatores que perpetuam as desigualdades estão todos relacionados com a disponibilidade de capital físico nos grupos de pobreza. Igualmente importante do ponto de vista da distribuição é a limitada disponibilidade de capital humano. As muitas desvantagens econômicas do pobre se refletem também na ausência de escolaridade.

Para Salles e Tuirán (2003) a pobreza se refere à insuficiência de renda (dinheiro ou bens) e de riqueza em geral. Esta situação pode ser visualizada como um forte determinante dos outros conjuntos mas, ao mesmo tempo, como sua conseqüência.

Os autores continuam: “considera-se que uma pessoa é pobre se suas circunstâncias materiais e os contextos políticos em que vive a impedem de desenvolver certas capacidades essenciais que lhe permitam ser membro de uma comunidade social, econômica e política. Ser pobre, portanto, significa não somente carecer das condições mínimas de vida, mas sobretudo, carecer de recursos indispensáveis para exercer os direitos elementares e constitutivos da cidadania social”.

Para Mendonça (2003) a metodologia de montagem da linha de pobreza leva em consideração a normatização de uma cesta de alimentos considerada adequada ao atendimento dos requerimentos nutricionais mínimos à sobrevivência, com gastos não- alimentares sendo a partir daí estimados. Com relação aos serviços básicos, entendidos como coletivos, a metodologia segue com a seleção de variáveis com componentes fixados com padrões mínimos, que fica a critério de quem as constrói. Desta forma, são

considerados satisfatórios à medida que os patamares mínimos são arbitrados como suficientes á sobrevivência fossem atendidos.