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2. KURAMSAL AÇIKLAMALAR VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.3. ÇOCUKLUK ÇAĞI TRAVMATİK YAŞANTILAR

2.3.3. İstismar Türleri

2.3.3.2. Cinsel İstismar Tanım ve Yaygınlık

A constituição de 1988 acenava, com a promessa de colocar o enfrentamento da pobreza no centro mesmo das políticas governamentais e de retirar, portanto, os programas sociais dessa espécie de limbo em que foram, desde sempre, confinados – fora do debate político e da deliberação política, aquém da representação política e dos procedimentos legislativos já que submersos nessa obscura trama construída pelas organizações caritativas e filantrópicas (TELLES, 2001:145). Para a autora, esse é o ‘universo da pobreza’, não porque toda essa população viva sempre e necessariamente em condições de pauperização e miséria, mas porque é o avesso do ‘mundo do trabalho’, no qual vigoram as regras formais do contrato de trabalho, os direitos a ele indexados e as proteções garantidas pelo Estado contra o risco do trabalho e da vida. Neste sentido, as políticas de combate a pobreza apresentam-se de forma fragmentada e descontínua, ofertando serviços que ‘não produzem direitos e não são judicialmente reclamáveis’.

Nesta linha, Lima (2003:51) aponta que “a existência de um certo grau de deterioração social impede que os direitos políticos sejam exercidos e que as benfeitorias da democracia política sejam gozadas por todos os cidadãos”. Isso implica na atrofia da luta pela expansão dos direitos, bem como compromete o exercício da plena democracia.

O que se percebe é uma mudança das pessoas em situação de pobreza em enfrentar as dificuldades e desconstruir a imagem de ‘pobre coitado’ que necessita de esmola social. De acordo com Telles a organização social e entendimento dos seus direitos muda a postura de participação.

“Moradores pobres das periferias das cidades, mulheres, negros, crianças e adolescentes, idosos e aposentados vêm se mobilizando e se organizando, transformando-se, por isso mesmo, sujeitos políticos que se pronunciam sobre as questões que lhes dizem respeito, exigem a partilha na deliberação de políticas

que afetam suas vidas e, por isso mesmo, dissolvem a figura do pobre carente e desprotegido, como sempre foram vistos pela sociedade, para se imporem como cidadãos que exigem direitos”. (TELLES, 2001:149)

Já para SCALON (2003) o conceito de pobreza extrapola a limitação de renda e deve ser entendido de forma mais complexa e abrangente, como a privação de capacidades básicas que conduz a vulnerabilidade, exclusão, carência de poder, de participação e voz, exposição ao medo e a violência, enfim a exclusão de direitos básicos e de bem-estar.

“Esta relação entre desigualdade e pobreza no Brasil se dá, basicamente, porque a renda das pessoas resulta da capacidade de mobilização dos ativos que eles possuem. No Brasil, a propriedade dos ativos valiosos, tais como capital físico, terra, educação e ativos financeiros – é historicamente muito concentrada. Os pobres no Brasil trabalham, mas em função de sua destituição de ativos valiosos não conseguem converter seus esforços em renda suficiente para alçá-los acima da linha da pobreza, garantindo, dessa forma, condições de vida mais favoráveis”. (SCALON, 2003:7)

De acordo com Abranches (1998) a sociedade brasileira é marcada por fortes tensões não distributivas, determinadas pelo perfil de alocação de recursos de distribuição de renda. Este, se caracteriza pela ausência quase absoluta de critérios de justiça, por sua regressividade e pela interferência, em todas as esferas distributivas e redistributivas, de sólida estrutura de privilégios, política e socialmente cristalizada. Por esta razão, também não é surpresa em ver que no Brasil, de maneira crescente, descreve-se a pobreza no contexto da cidadania, que para Marshall (1967) e Tenório (2007) compreende três dimensões: civil, política e social.

“O elemento civil é composto dos direitos necessários à liberdade individual – liberdade de ir e vir, liberdade de imprensa, pensamento e fé, o direito à propriedade e de concluir contratos válidos e o direito à justiça. (...) por elemento político se deve entender o direito de participar no exercício do poder político, como um membro de um organismo investido da autoridade política ou como um eleitor dos membros de tal organismo. (...) o elemento social se refere a tudo o que vai desde o direito mínimo de bem-estar econômico e segurança ao direito de participar, por completo, na herança social e levar a vida de um ser civilizado de acordo com os padrões que prevalecem na sociedade.” (MARSHALL, 1967:63- 64)

Estas dimensões foram foco do trabalho de Friedmann (1992) que analisou as necessidades básicas das pessoas em situação de pobreza, a importância do fortalecimento das comunidades (capital social) e o papel do Estado no desenvolvimento de políticas e planos

que alterem a situação de pobreza. Como necessidades básicas Friedmann compreende em três dimensões: fisiológicas, acesso aos serviços e participação social. As necessidades fisiológicas incluem como o mínimo necessário para uma família a alimentação, a vestimenta, entre outros. Acesso aos serviços de água tratada, saneamento básico, energia elétrica, transporte público, saúde e educação. A participação social é o envolvimento nas decisões que afetam a sua comunidade, o seu lugar; é a liberdade de associação à grupos de interesse. (FIDA, 1993) E em termos do papel do Estado, ele tem o poder de garantir a igualdade dos direitos e o seu pleno exercício, tendo em vista, que é uma garantia constitucional. Deste modo, as políticas públicas têm o papel de diminuir as desigualdades, orientando a sua ação para a promoção da cidadania, seja ela em área urbana ou rural (Carvalho, 1997).

Yunus (2007) cita que quando geramos oportunidades para as pessoas elas conseguem por si só saírem da miséria. Yunus continua o seu argumento identificando quem são as pessoas que geralmente estão em situação de pobreza, “se é pobre geralmente é analfabeto”, se é analfabeto geralmente é negro. Quando se trata de gênero, é na mulher que recai os altos índices de analfabetismo e pobreza.

Schwartzman (2007) aborda que na percepção da população, os direitos sociais lhe são devidos, independentemente da existência ou não de recursos e condições adequadas para satisfazê-los. Com isso o entendimento da superação das desigualdades é visto como a expansão dos direitos ou mesmo a incorporação de lutas por novos direitos.