Fonte: SETUR – 1998 Fonte: SETUR – 2003
Segundo o PDITS,
o Pólo Ceará Costa do Sol começou a ser formado com os 6 Municípios da RT II identificada pelo Prodeturis.(mapa 4.5). Hoje, abrange a faixa litorânea entre Aquiraz, na região metropolitana de Fortaleza, e o município de Barroquinha, fronteira cearense com o Piauí, contemplando 18 municípios ricos em atrativos naturais e culturais.A definição estratégica de se aumentar a área inicial aconteceu porque a ligação da faixa, onde se encontra ocomplexo portuário do Pecém e a futura refinaria de petróleo do Estado, com o Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, potencializa os trabalhos desenvolvidos, possibilitando um maior intercâmbio com os
mercados emissores estrangeiros. Além disso, a não inclusão das regiões de Aquiraz, Camocim e Jijoca de Jericoacoara, que vem atraindo um número crescente de turistas, acarretaria em uma perda significativa para o desenvolvimento turístico regional do Estado (PDITS:2002).
Na Tabela 4.1, abaixo podemos perceber um dos critérios que fundamentaram a inclusão do município de Aquiraz, junto com Jericoacoara e Camocim: a sua colocação no ranking de fluxo turístico e do Índice de Centralidade Turística (ICT), que mede o grau de desenvolvimento da oferta de serviços turísticos de um destino. Verifica-se que Aquiraz ocupou a 4a e 3ª posições, respectivamente. Cruzando-se os rankings de fluxo turístico e de ICT verifica-se que os três municípios (em azul) encontram-se entre os 10 primeiros em melhor desempenho , justificando a sua inclusão, conforme a tabela abaixo.
Tabela 4.1 – Localização dos Principais Municípios Turísticos do Litoral Segundo o Fluxo Turístico e o Índice de Centralidade Turística
Analisando-se a Tabela 4.2, abaixo, verifica-se que houve aumento de 50% no fluxo turístico de Aquiraz entre 1998 e 1999, diminuindo 11% em 2000, mantendo uma variação positiva de crescimento de 35,6 % entre 1998 e 2000. Nota-se que essa queda influencia os principais municípios do Estado e está relacionada com o contexto econômico nacional. Por outro lado, a Taxa de Permanência de Aquiraz é abaixo da média, em razão da sua proximidade a Fortaleza, caracterizando um turismo de permanência rápida.
Outra razão que justificou a inclusão de Aquiraz foi o comportamento do setor privado, que seguiu o aumento do fluxo turístico, apresentando um aumento de 35,1% na oferta de novos leitos, a partir de 1997 (dados de 2002), conforme Tabela 4.3, abaixo.
Tabela 4.3 – UH’S e Leitos Inaugurados desde 1997
Ainda, segundo o PDITS, depois de 1997, além dos investimentos hoteleiros, foi inaugurado em Aquiraz um parque aquático (Itacaranha Park) cujo custo inicial foi de cerca de R$ 3 milhões. Além dos empreendimentos já inaugurados, outros cinco são previstos para o Município, conforme demonstrado a seguir.
Outros aspectos caracterizam a inserção do Município no planejamento turístico estadual, como os fatores locacionais de Aquiraz que fazem com que seja objeto da influência de duas regiões turística simultaneamente. Mesmo pertencendo à MRT1- Macrorregião turística 1 - Fortaleza Metropolitana (mapa 4.7), que facilitou a sua integração ao “Polo Ceará Costa do Sol”, já mencionado, a sua posição geográfica situada na intersecção das duas regiões turísticas contribuiu para que o Município também estabeleça vínculos como a MRT3 – Macro Região Turística Litoral Leste – Apodi (mapa 4.8), porque a maior parte de suas comunidades litorâneas vivem uma realidade muito mais próxima dos seus municípios vizinhos do que de Fortaleza, fazendo com que seja integrante do “Fórum de Turismo do Litoral Leste” que, como vimos no capítulo 2, é uma das regiões prioritárias para investimentos em turismo da gestão 2004-2007 da SETUR, atualmente em evidência em virtude do novo enfoque dado pelo Programa de Regionalização do Turismo que converte os fóruns regionais na primeira instância para o encaminhamento de projetos ao Ministério do Turismo, depois de aprovados pelos fóruns estaduais. Na última reunião do Conselho Estadual de Turismo, o setor hoteleiro de Aquiraz encaminhou um projeto de financiamento da infra-estrutura de telecomunicações e acessos (orçado em R$ 4.297.350,00) para o futuro complexo turístico Aquiraz Riviera, previsto para ocupar, caso seja aprovado, uma área de 280ha, com investimento previsto cerca de 167 mil euros, cerca de R$ 500 milhões e previsão de geração de cerca de 3020 empregos, cuja análise faremos em detalhes, quando abordarmos a região turística por ele atingida, no próximo capítulo.
Mapa 4.10 – Fortaleza/Metropolitana – Âncoras Turísticas
Fonte: SETUR – 1998
MAPA 4.11 – Litoral Leste/Apodi – Âncoras turísticas
Fonte: SETUR – 1998
No âmbito do planejamento municipal, Aquiraz foi incluído no conjunto dos municípios beneficiados pelo programa do PNMT, tendo sido formado um técnico local, pertencente ao quadro permanente da Prefeitura, que busca repassar replicar os conhecimentos adquiridos, com muita dificuldade, uma vez que ainda não conseguiu, segundo ele, o apoio necessário para a organização do Conselho Municipal de Turismo.
Aquiraz foi também um dos 22 municípios beneficiados pelo PAT – Plano de Ação Turística, financiado pelo convênio entre EMBRATUR, SETUR e Prefeitura Municipal, que procurou levantar o cenário de suas potencialidades turísticas, estabelecendo estratégias para o encaminhamento das demandas necessárias para organização local do setor.
Tendo sido elaborado, entretanto, no final do mandato do prefeito anterior (2000), o plano não pode ser aproveitado plenamente, em decorrência das mudanças administrativas internas, influenciadas pelo período pré-eleitoral. No mandato seguinte, apesar de ter sido incorporado ao conjunto de documentos de planejamento municipal, foi alvo, logo no início, das dificuldades para a formação de uma equipe estável que pudesse desenvolver qualquer ação objetiva. Somente em 2003, na metade do mandato da atual prefeita, recentemente reeleita, foram reunidas as condições básicas para se iniciar o planejamento com a Secretaria Municipal, pretendendo englobar as áreas de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Meio Ambiente, tendo à frente um secretário motivado a implantar o processo. Na oportunidade, fomos convidado, a integrar a equipe, uma vez que havíamos participado da elaboração do PAT de Aquiraz, em 2000.
Apesar de conseguirmos implantar algumas das ações básicas, como iniciar a formação das equipes dos agentes municipais de turismo, iniciar a implantação da Agenda 21 local; integrar-nos aos grupos de planejamento das ações do governo do Estado para geração de emprego, entre outras, eramos objeto das pressões das demandas por atendimentos emergenciais na área de problemas ambientais, atendimento básico de apoio
à atividade turística e organização de eventos que consumiram a capacidade da Secretaria de dar maior dinâmica ao planejamento, principalmente no último terço do mandato, quando problemas de ordem judicial desestabilizaram o equilíbrio financeiro da Prefeitura, culminando com a extinção da Secretaria de Turismo e a desintegração da equipe, época em que nos afastamos processo, tendo sido, a Secretaria de Turismo, absorvida em uma coordenação no âmbito da Secretaria de Planejamento.
Pelo fato de o PAT ser apenas um documento de apoio ao planejamento turístico, a sua utilização deve ser resultado de um alinhamento entre as suas diretrizes estratégicas para o turismo e o plano municipal de governo, orientado pelo PDDU – Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, que, em última análise, vai depender de entendimento e vontade política para executá-lo. A conclusão a que chegamos é que o PAT jamais poderá vir a ser útil se não for compatibilizado com os demais instrumentos de planejamento e gestão municipal, de modo integrado, uma vez que a maioria dos seus projetos mantém interface com os demais subsistemas urbanos municipais, dependendo também de recursos, principalmente na área de infra-estrutura, fundamental para o desenvolvimento do turismo.
A experiência, porém, deixou sementes, principalmente na organização e conscientização dos grupos representantes das diversas atividades turísticas – Associação das Rendeiras, dos Bugueiros; dos Barraqueiros de Praia; dos Guias de Trilhas e Roteiros Turísticos; e dos Hoteleiros e Donos de Pousada – como também em parte do corpo técnico da Prefeitura, que passou a absorver os conceitos discutidos, desenvolvidos em grupos de trabalho, principalmente nas primeiras tentativas de se organizar a Agenda 21 municipal, que é um dos instrumentos auxiliares na conscientização de novas opções para o desenvolvimento.
Com o exposto, podemos concluir que o Município de Aquiraz não só oferece condições potenciais favoráveis como também se posiciona politicamente no centro das decisões dos investimentos turísticos, sendo um município altamente impactável, do ponto de vista das possibilidades que oferece como postulante a receptor de pesados investimentos hoteleiros, já previstos e que, portanto, não pode prescindir de uma eficiente estrutura de controle ambiental e urbano, voltadas para o equilíbrio das atividades turísticas no contexto socioambiental da sua zona costeira.
Passaremos agora ao próximo capítulo, onde procederemos às análises das transformações urbanas do no litoral de Aquiraz, reunindo e sistematizando informações analíticas que deverão constituir, como já expressamos, a nossa contribuição para o aperfeiçoamento dos planos da gestão urbana, turística e ambiental, como também para os métodos de estudos preliminares de projetos urbanísticos e arquitetônicos, comprometidos com a preocupação dos impactos do turismo na zona costeira cearense.