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YENİDEN YARATMA
A comunicação é um campo polissêmico e permeado de detalhes a serem explorados. Quando se deixa claro o interesse de enveredar por uma de suas áreas de estudo, acorda-se sobre o que se fala e, por conseguinte, o que interessa estudar. É nessa perspectiva que o presente tópico pretende inscrever sua análise, pautado nos estudos dos mecanismos de construção ideológica utilizados pelos media no quadro das interações sociais, cujo turismo se insere.
Procura-se entender a comunicação como uma relação de partilhar idéias entre as pessoas, uma comum + ação. Também Martino (2003) defende que “ação” realizada não é sobre a matéria, mas sobre outrem, justamente aquela cuja intenção é realizar o ato de duas (ou mais) consciências com objetos comuns. Portanto, a comunicação recai em partilhar o mesmo objeto de consciência, ou seja, exprime uma relação de consciência, de persuasão.
O interesse aqui proposto é o aprofundamento da análise de como os meios de comunicação trabalham os temas relacionados com o turismo, haja vista que as pautas que abordam o tema na atualidade são angulados, com raras exceções, numa disposição de colocação da atividade puramente relacionada com o lazer, ou em outra direção, causadora de degradação sócio-ambiental. O que deixa claro o pouco aprofundamento da abordagem de matérias que relacionam o turismo com outros campos científicos como a geografia, comunicação, ciências ambientais, economia, entre outros.
A análise do ato de comunicar, partilhar idéias é de extrema importância no campo das relações sociais, onde possuir o espaço midiático significa também obter meios de modelagem do imaginário coletivo. Há uma concorrência constante de interesses por esse espaço: são vertentes e campos múltiplos que “brigam” na mesma arena, por visibilidade. A mídia representa, nos tempos atuais de territorialização das ideologias dominantes, na ponte para se transmitir ideologia e idéias e, um meio onde se vende uma mercadoria valiosa, apesar de imaterial: a informação.
Já não se aceita a retórica clássica de que a imprensa possa trazer todos os acontecimentos da esfera pública para a casa das pessoas. Comunicação midiática é, e não se pode negar, seleção, elenco de importância ou negação de acontecimentos. Jornalismo é, portanto, um jogo político-ideológico. Da mesma forma pensa Lage (2001), ao defender que nas notícias existem dois gêneros de verdade consideráveis: Uma verdade está no acordo íntimo entre o que está sendo narrado e o que de fato ocorreu. Outra, disposta no paradigma da escolha de palavras, da ordem e seleção dos acontecimentos.
Define-se poder genericamente como a capacidade de levar o outro a realizar o que se deseja pela utilização de variados recursos – a informação vinculada à mídia, por exemplo.
Os grandes jornais monopolistas de público decidem nossos temas, nossas conversas, nossos interesses. (...) Da diversidade de milhares de fatos que acontecem no cotidiano e que chegam às redações de jornais, vindos do município, do país, do planeta todo, até do universo sideral, os pauteiros das redações selecionam, segundo critérios nem sempre conhecidos, dez, vinte, talvez cinqüenta fatos, conforme a variedade de editorias. (Ciro Marcondes, 1993, p.133).
Uma das teorias desenvolvidas a esse respeito é a agenda setting ou teoria do agendamento, que trabalha em relação à pauta de discussão. A análise trabalha a asserção de que a compreensão das pessoas em relação a grande parte da realidade social é modificada pelos meios de comunicação de massa, a partir do fluxo de notícias. A referida teoria foca os meios não como formadores de opinião, causadores de efeitos diretos, mas como alteradores da estrutura cognitiva das pessoas.
(...) Haverá igualmente uma imposição no nível de hierarquia efetuada pelos mass media, quer dizer, os temas em relevo na agenda mediática estarão também em relevo na agenda pública, e os temas sem grande relevância nos mass media terão a mesma correspondência junto ao público. (Ferreira, 2003, p.112).
Os indivíduos adquirem sua visão de mundo a partir da agenda (pauta) fornecida pelos meios de comunicação. A informação que chega à população acaba por ser redundante, já que os veículos costumam-se pautar uns pelos outros. O que se viu no impresso matutino, certamente, será o assunto explorado pelos telejornais durante o dia. Ferreira (2003) enfatiza que o efeito da teoria do agendamento é ressaltado pelo seu aspecto cumulativo.
Nos critérios de “noticiabilidade” adotados pelas redações, as notícias acabam por se enquadrar num sistema vicioso de recorrência de informações, provenientes de especulações e interesses que em nada agregam ao jornalismo. Wolf (2003) denomina de frame esse esquema, que acaba por dar ênfase constante a certos temas, aspectos e problemas, formando uma moldura interpretativa dos fatos. O panorama que se vivencia cotidianamente na mídia acaba por trazer uma espécie de inconsciência interpretativa à população, quando apenas poucos conseguem vislumbrar outras linhas interpretativas que não seja àquela fornecida por quem geriu a notícia.
Na perspectiva da agenta setting, pode-se observar uma sociologia cognitiva, onde os indivíduos adquirem sua visão de mundo proveniente da agenda estipulada ao longo do tempo pelos mass media. Kunczik (2002) concorda com Ferreira (2003): “o efeito do agendamento é ressaltado pelo seu aspecto cumulativo”.
A importância de análise dessa teoria recai sobre seus efeitos a médio e longo prazos. O que a população irá falar e pensar será uma construção cognitiva. A agenda social dos indivíduos passa a ser um reflexo da agenda midiática. À mesma idéia filia-se Hohlfeldt: “(...) Dependendo dos assuntos que venham ser abordados – agendados – pela mídia, o público termina, a médio e longo prazos, por incluí-los igualmente em suas preocupações” (HOHLFELDT, 2003, p.191).
O entendimento que se busca com o estudo da agenda setting no nosso estudo não é perceber os mass media como fomentadores de conceitos, mas como meio de incluir em nossas preocupações determinados temas. A mídia amplia o nosso conhecimento por meio da notícia, assim como, com o fluxo de notícias, fornece temas para nossa agenda cotidiana. Da mesma forma, quando determinados temas não entram na pauta das discussões, não são lembrados.
Outro enquadramento para o estudo da teoria do agendamento é a seleção dos objetos que despertam a atenção nas matérias, como também a seleção de enquadramento para pensar esses objetos, que são, invariavelmente, poderosas ferramentas de agendamento. A ressonância que um assunto pode ter passa, necessariamente, com a atenção que foi dada para sua formatação, que vai desde a pauta até sua veiculação e matérias de desdobramentos.
Em conseqüência da ação dos jornais, da televisão e dos outros meios de informação, o público é ciente ou ignora, dá atenção ou descuida, enfatiza
ou negligencia elementos específicos dos cenários públicos. As pessoas tendem a incluir ou excluir dos próprios conhecimentos o que a mídia inclui ou exclui do próprio conteúdo. Além disso, o público tende a conferir ao que ele inclui uma importância que reflete de perto a ênfase atribuída pelos meios de comunicação de massa aos acontecimentos, aos problemas, às pessoas. (Wolf apud Shaw, 1979, p.96).
Lippmann (1922) explica que nossa relação com a realidade não se dá de maneira direta. Explicando: a percepção que temos das coisas não nos atinge de forma direta, mas sim por imagens que formamos em nossa mente. Percebe-se a realidade não enquanto tal, mas sim, enquanto se imagina. O imaginário é formado pelas informações às quais se tem acesso.
Assim, analisa-se os media como ferramenta facilitadora de construção do pensar ideológico nas sociedades modernas. O que nos interessa, na abordagem do presente tópico, é demonstrar as ferramentas utilizadas pelos campos administrativos como estratégia de disseminação das idéias político-ideológico através da notícia. Esse tema torna-se ainda relevante, à medida que, numa análise mais apurada, percebemos a recorrência de temas e “falas” 32 associadas à divulgação de equipamentos turísticos no litoral do Ceará nos meios e comunicação de massa.
No que concerne ao fluxo de notícias relativos ao turismo e empreendimentos turístico-imobiliários na mídia local, a lógica é a mesma: a partir do jogo de informação e visibilidade, os temas (pautas) vão sendo inseridas e fomentadas no inconsciente dos leitores. Numa proposta de análise moderna para teoria do agendamento, Hohlfeldt (2000, p.200) relativiza os pressupostos da teoria ao verificar outras variantes de influência do meio social, ou ainda, aprofundar-se sobre a que tipo de mídia o cidadão é exposto. “A influência do agendamento por parte da mídia depende, efetivamente, do grau de exposição a que o receptor esteja exposto, mas, mais que isso, do tipo de mídia, do grau de relevância e interesse que este receptor venha a emprestar ao tema”.
A seguir se apresentará o panorama físico, social e político que propiciou a intensificação do turismo na zona costeira do município de Beberibe/CE, bem como a importância da mídia no processo de transformação do município, ao longo
32 Consideramos falas as expressões e idéias das pessoas convidadas pelos meios de comunicação
como fontes de informação. Existe, nesse aspecto, uma forte tendência dos mediadores a chamarem sempre as mesmas pessoas para determinados temas, não diversificando as fontes. Vale ressaltar que muitos dos especialistas chamados também são empresários ou administradores das áreas que comentam.
dos anos, de comunidade agrária e pesqueira em um dos pólos turísticos mais visitados no litoral leste e com ampla perspectiva de construção à beira-mar.
2 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO: GESTÃO E ANÁLISE DOS EQUIPAMENTOS TURÍSTICOS