1. GİRİŞ
1.3. Vizyon
1.3.4. Okul Vizyonun Geliştirilmesi
1.3.4.1. Okulun Vizyon ve Misyonunun Yönetimi
O século XXI com as suas modernas tecnologias oferece a uma camada da população a possibilidade de uma vida de mais conforto e comodidade mais saudável e prazerosa. Os avanços nas ciências e a convergência entre a informática e as telecomunicações presenteiam a humanidade com maior longevidade e com a possibilidade de um convívio global. Viver bem além dos 60 anos já é um fato. No Brasil, a vida média do ser humano foi prolongada por mais de três décadas no último século, as aposentadorias são concedidas em média aos 50 anos e o indivíduo não foi devidamente preparado para viver mais 30, 40 ou até 50 anos de seu tempo livre. No tempo de trabalho ele internalizou a idéia de que era insubstituível e indispensável, ao se aposentar perde o lugar no sistema de produção. O papel profissional pode representar para o indivíduo uma das fontes, se não a mais importante, de satisfação de reconhecimento, de prestigio e de poder dado que, o trabalho representa para ele não apenas um meio de sobrevivência, mas a sua inserção no sistema de relações econômicas e sociais. O trabalho e a profissão funcionam como o cartão de visitas, conferindo ao sujeito uma identidade social. O sujeito é aquilo que faz e a sua marca se confunde com a marca da empresa a que está vinculado profissionalmente. O indivíduo pode encontrar no seu papel profissional uma defesa contra as frustrações de outros domínios pessoais, uma fonte de ação e produção que lhe dá um sentimento de ser útil, de servir a algo, de ser reconhecido. Ao se admitir a importância que tem o trabalho na sociedade e na vida, é possível compreender o que pode representar a perda deste papel
no momento em que o indivíduo se afasta do trabalho, mesmo que na condição de aposentado. A aposentadoria significa sempre uma situação de mudança implicando uma perda, que segundo Santos (1990) pode ser:
• a perda das estratégias de comportamentos eficazes, vividos ao longo da vida profissional;
• a perda do poder que lhe foi conferido pelo sistema organizacional durante os anos de trabalho e como tal serviria de fonte de reconhecimento e aceitação;
• a perda da identidade sócio-profissional, acarretando assim uma reorganização da identidade pessoal.
Para melhor compreender essas identidades, a autora afirma que ter uma identidade é perceber-se enquanto pessoa, com um conjunto de características relativamente integradas, estáveis e constantes no tempo. Porém, é preciso por também em evidência as noções de semelhança e diferença porque:
O sentimento de identidade é o sentimento de ser enquanto pessoa diferente dos outros e enquanto ator social, com o conjunto de papeis e de funções que o tornam semelhante aos outros. Ter uma identidade, é, então estar só, no sentido de unicidade, e estar com o outro, na medida em que se compartilham os valores e as representações do grupo social e da cultura a que ser pertence. (SANTOS 1990, p.16).
Por conseguinte, emerge uma importante questão: como o sujeito que viveu uma grande parte de sua vida desempenhando certo papel profissional, ao ser desligado dele, pode reorganizar o papel social e em conseqüência sua identidade pessoal? Se o sujeito organiza a sua vida em função do trabalho, quais são os mecanismos adaptativos por ele utilizados no momento de mudança desta situação? A aposentadoria representa uma ruptura com o mundo do trabalho, rompendo hábitos e vínculos, acarretando uma modificação no sistema de relações sociais e no sistema de papéis e status. Ao se aposentar o sujeito ganha em média 50 horas semanais de tempo livre que não sabe o que fazer com elas porque não se preparou para desfrutá-las e nesse contexto o trabalhador, sobretudo o do sexo masculino, depara-se com um grande dilema: como planejar uma semana inteira de tempo livre, como recuperar o relacionamento com mulher e filhos, como participar da vida civil se durante toda uma vida profissional ele
foi habituado a viver e usufruir de um tempo planejado e ditado pela empresa e pelos deveres profissionais? É preciso educar o homem para uma vida mais autônoma, mais independente, mais cheia de significados com mais criatividade, menos passividade e menos consumo. No seu livro - Ócio Criativo, De Masi (2000) defende que as pessoas devem ser educadas para o ócio, o que significa ensiná-las: como estar bem sozinho, consigo mesmo, como desfrutar a alegria de viver os próprios ritmos e valores, como habituar-se a atividades simples da vida doméstica e finalmente educá-las para uma vida ativa e atuante em sociedade o que implica em redescobrir a importância de conviver com a família, com os parentes, redescobrir o bairro, a cidade, a escola, os agentes de socialização como os clubes, os partidos políticos, lugares de culto, entre outros. Num ambiente onde a escala de valores obedece a leis ditadas por outros parâmetros diferentes daqueles que emanam do trabalho, esses locais podem servir de pontos de relacionamentos eficazes, tanto quanto a empresa. Foi a indústria que separou o lar do trabalho, a vida das mulheres da vida dos homens, o cansaço da diversão. Foi com o advento da industria que o trabalho assumiu uma importância desproporcional e se tornou uma categoria dominante da vida humana levando a uma condição menor as demais instâncias: família, estudo e tempo livre. Educar para o ócio é desenvolver a criatividade e inserí-la no dia a dia, na criação de novas perspectivas, na busca de novas possibilidades. Para falar de novas possibilidades, como por exemplo, a escolha de um lugar para passear, o autor se lança numa viagem com a imaginação pelos continentes, chega ao Brasil e descreve como seria o seu desembarque:
No Brasil, em Salvador, nas ruas calçadas do Pelourinho, avermelhadas pelo sangue antigo dos escravos. No Rio, na floresta encantada da Tijuca. Em Ouro Preto, nas frescuras das ruas. Em São Paulo, no desespero de suas favelas. Nas praias de Angra e nas pousadas de Paraty. No plano-piloto de Brasília, entre os honestos edifícios projetados por Niemayer e os exóticos jardins esculpidos por Burle Marx. Jorge Amado seria nosso guia: ‘Escutas? É a chamada insistente dos atabaques na noite misteriosa. Se vieres, soarão ainda mais forte, na batida potente da chamada do santo, e os deuses negros chegarão vindos das florestas da África para dançar em tua honra. Com os seus vestidos mais bonitos, dançarão as suas danças inesquecíveis... Os ventos de Iemanjá serão só uma doce brisa na noite estrelada. Com ela não verás somente a casca amarela e luminosa da laranja. Verás também os gomos apodrecidos que dão nojo na boca. Porque assim é a Bahia, mistura de beleza e sofrimento, de abundância e fome, de riso alegre e lágrimas ardentes’. Em nenhum outro país do mundo a sensualidade, a oralidade, a alegria e a inclusividade conseguem conviver numa síntese tão
incandescente. Um povo mestiço, cordial, civilizado, pobre e sensível habita esta paisagem de sonho. (DE MASI, 2000, p. 335)
Quanta satisfação o homem pode obter de coisas que compõem o seu dia a dia que independem de maiores recursos como dinheiro, status e prestígio profissional? Entretanto, como se apresentar aos seus pares sem as referências que perdeu com o trabalho? Como abdicar de comportamentos que o acompanharam por quatro décadas ou mais? Essas questões assumem uma dimensão mais complexa quando o indivíduo em questão trata-se de um idoso. Destituído de sua carreira e identidade construídas durante anos e décadas num determinado espaço e tempo ele perde duplamente no que diz respeito a sua identidade: a social e a profissional.