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Göreve Yeni Başlayan Öğretmenlere Göre Bir Lider Olarak Okul Yöneticisinin

4. BULGULAR ve YORUMLAR

4.1. Göreve Yeni Başlayan Öğretmenlere Göre Bir Lider Olarak Okul Yöneticisinin

...Um homem se humilha Se castram seus sonhos Seus sonhos é sua vida

E vida é trabalho E sem o seu trabalho Um homem não tem honra E sem a sua honra Se morre, se mata Não dá para ser feliz, não dá para ser feliz... Um homem também chora (Gozaguinha-compositor brasileiro)

“Caminhar pela praia, todas as manhãs, de mãos dadas com o meu namorado”

“Dar aulas de artesanato (crochê, tricô, tear manual, pinturas, entre outros) para um grupo de pessoas (de forma voluntária ) e ler toda a obra de Machado de Assis”

“Comprar um apartamento nas Perdizes, bem perto do Parque da Água Branca onde poderei caminhar diariamente”

“Estudar música e entendê-la tecnicamente”

“Evoluir no quadro de carreira do Banco do Brasil”

“Quero ser caminhoneiro e viajar por esse Brasil, almoçar numa cidade e dormir em outra”

“Quero abrir uma Faculdade”

“Quero fazer um curso de enfermagem e trabalhar numa clínica para atender bem as pessoas, de qualquer idade”

“Meus projetos são pequenos e diários. Estou escrevendo um livro e quero terminar logo; é dedicado ao meu neto”

“Quero ter um negócio próprio, um café, um bar ou um restaurante. Preciso de capital”

“Quero concluir dois livros já começados. Gosto de carros, quero comprar uma BMW”

Quantos anos terão os autores desses sonhos?

Quantos anos o futuro lhes reserva para que eles possam planejar e concretizar esses projetos?

Quem não conhece os autores dessas frases, certamente se surpreenderá com as suas respectivas idades. Pela ordem eles têm: 66, 64, 67, 69, 68, 67 e 73 (os brasileiros); 70, 64, 81, 60, e 67 anos ( os portugueses). Será que se trata apenas de sonhos, fantasias e ilusões? Ou serão projetos de vida? Uns são aparentemente simples, descomplicados e, aos olhos do leitor, fáceis de realizar. Outros parecem exigir recursos mais sofisticados como: dinheiro, conhecimento, competência e tempo.

As teorias do envelhecimento bem sucedido vem acompanhadas da ideia de considerar o sujeito em sua totalidade, isto é nas suas dimensões físicas, emocionais, psicológicas e afetivas. Para Neri e Debert (1999) a velhice bem-sucedida implica na coexistência em seu domínio, de algumas variáveis que vão desde condições internas a externas como seguem:

- realização do potencial do indivíduo para que ele alcance o bem-estar físico, psicológico e social de acordo com as suas reais necessidades;

- disponibilidade de serviços médicos, cirúrgicos, estéticos destinados a preservar o bem-estar e a retardar os efeitos nefastos do envelhecimento;

- potencialização das competências e habilidades individuais viabilizando as condições para que o sujeito as realize em sua plenitude.

Dessa forma o envelhecimento bem sucedido é acompanhado de qualidade de vida e bem-estar e deve ser fomentado ao longo dos estados anteriores. Sousa et al (2003) complementam a discussão lembrando que:

As teorias do envelhecimento bem sucedido vêem o sujeito como proactivo, regulando a sua qualidade de vida através da definição de objectivos e lutando para os alcançar, acumulando recursos que são úteis na adaptação à mudança e activamente

envolvidos na manutenção do bem-estar. Sendo assim, um envelhecimento bem sucedido é acompanhado de qualidade de vida e bem estar e deve ser fomentado ao longo dos estados anteriores de desenvolvimento. (idem, 2003, p.365)

Fica evidente, portanto, que essas teorias não se restringem apenas às boas condições de saúde, de moradia, de higiene e alimentação, elas se ampliam para entender o sujeito como um ser proativo, que regula a sua qualidade de vida, que define os seus próprios objetivos e luta para alcançá-los, que percebe as mudanças, que reage a elas e que luta na manutenção do seu bem-estar.

Ao se ampliar a visão do que seja um envelhecimento com bem-estar e qualidade de vida além do domínio das coisas materiais e tangíveis, devem-se considerar aspectos intangíveis como satisfação pessoal, autonomia para escolher o que fazer e como fazer com o seu tempo livre, liberdade para tomar atitudes que possibilite a sua satisfação pessoal como, por exemplo, iniciar um novo trabalho.

Nessa perspectiva serão narradas e analisadas as respostas dos sujeitos alusivas às questões do roteiro (Anexo A), que deu suporte às entrevistas e que, doravante, serão agrupadas nas seguintes categorias: trabalho, saúde, atividades físicas e hobbies, relacionamentos sociais, cidadania e religião e a experiência de viver além dos 60 anos.

6.4 Trabalho

Aquele que é mestre na arte de viver faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu tempo livre, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e a sua religião. Distingue uma coisa da outra com dificuldade. Almeja, simplesmente, a excelência em qualquer coisa que faça, deixando aos demais a tarefa de decidir se está trabalhando ou se divertindo. Ele acredita que está sempre fazendo as duas coisas ao mesmo tempo.

Pensamento Zen

Quando se fala em trabalho corre-se o risco de cair na concepção já enraizada no meio social: aquela do trabalho que consome as forças do trabalhador, que tira a sua liberdade, que o priva do convívio familiar. A dinâmica social dos indivíduos e das

empresas comprova que há outro lado pelo qual é possível obter prazer, alegria e satisfação no trabalho em qualquer fase da vida, até mesmo após ser aposentado.

A polarização entre trabalho e lazer não só esconde a dimensão humana de todas as práticas de trabalho e de emprego, mas principalmente desconsidera a possibilidade de uma articulação entre ludicidade e trabalho para quem produz concertos musicais, espetáculos de dança, desfiles de carnaval, campeonatos esportivos, filmes, conferências, exposições de artes plásticas, aulas etc. Blass (in Blass 2006, p.21)

No set de filmagem de Chega de Saudade, que trata de um filme sobre os tradicionais ‘Baile da Terceira Idade’ dirigido por Laís Bodanzky, os figurantes, olhados pelo crivo dos referenciais estéticos do presente, seriam descritos como um aglomerado de velhinhos caquéticos - mulheres gordinhas, homens de barrigas protuberantes e, certamente, bem distantes dos padrões de beleza da juventude. Mas, ao contrário, dançando eles se transformam. Aquela mulher de pele enrugada, cabelos tingidos de loiro, de largos óculos de lentes grossas, parece uma pluma acompanhando os rodopios do seu parceiro no salão de dança. Aos olhos do espectador ela parece bela, sem idade, merece aplausos. Segundo Bodanzky, os figurantes, em torno de 90 pessoas vivenciavam uma rotina de trabalho de 8 horas diárias e, pela dedicação e empenho, não eram meros figurantes e sim atores coadjuvantes. Aos olhos do expectador, aquelas pessoas, jovens e velhas, circulando entusiasmadas pelo salão de baile entre os dançarinos, aparentam estarem se divertindo a despeito de conduzir um pesado equipamento de filmagem, ou de iluminação, ou uma bandeja com copos. São os técnicos de som, de filmagem, diretores, garçons e dançarinos formando uma grande equipe. Sobre as fronteiras entre as atividades vale recorrer à Blass...

Dessa perspectiva, considera Renato Theobaldo, carnavalesco da escola de samba

Vai Vai, entre 1991 e 1993, que saberes e fazeres interferem na produção artística dos

desfiles carnavalescos. Para ele, desde tapeceiros, soldadores, carpinteiros, eletricistas, até compositores, percussionistas, cantores, escultores, estilistas, costureiras, desenhistas, aderecistas etc., acrescentariam algo ao enredo proposto por um carnavalesco, seja dando sugestões, seja introduzindo alterações na proposta inicial da narrativa de um enredo. Por esse motivo, fica difícil delimitar o aspecto autoral de um produto que é sempre coletivo. (Blass, 2008.p.14)

Nessas circunstâncias em que se combinam os processos de criação, execução e produção de uma atividade qualquer, fica evidente que a eficácia dos resultados pertence ao grupo de trabalho que a produziu e não apenas a genialidade de um só autor ou criador. Nas atividades ligadas ao lazer e ao entretenimento é mais provável a possibilidade de ampliar a combinar trabalho com outros aspectos inerentes à vida humana como: família, vida pessoal, social e afetiva conforme a visão de De Masi (2000) tem-se:

Quanto mais a natureza de um trabalho se limita à mera execução e implica puro esforço, mas ele se priva da dimensão cognoscitiva (área 2) e da dimensão lúdica (área 3). Essa é a situação infeliz que na figura corresponde à (área 1). Existem, porém, trabalhos que desembocam no jogo, como, por exemplo, o de uma equipe cinematográfica que se diverte na filmagem de um filme cômico (área 4); existem trabalhos que se misturam com o estudo, como o de uma equipe de cientistas realizando um experimento (área 5). Contudo, a plenitude da atividade humana é alcançada somente quando nela coincidem se acumulam, se exaltam e se mesclam o trabalho, o estudo e o jogo (área 7); isto é, quando nós trabalhamos, aprendemos e nos divertimos, tudo ao mesmo tempo. (De Masi, 2000, p. 147-8)

As dimensões do trabalho e as suas respectivas áreas estão ilustradas na Figura 6.1. A área 7 em que se combinam trabalho, estudo e jogo remete a uma situação ideal, desejada e uma busca constante para os que buscam no trabalho motivos para o seu bem-estar como, por exemplo, as pessoas entrevistadas para esta pesquisa.

Adaptado a partir de De Masi, 2000. p.147

Essa afirmação aguça alguns questionamentos acerca das múltiplas realidades do