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5. TARTIŞMA, SONUÇ ve ÖNERİLER

5.3. Öneriler

5.3.2. Yapılacak Araştırmalara Yönelik Öneriler

No atual cenário em que se assiste a uma profunda mudança de comportamento dos idosos no que se refere à disposição para novos empreendimentos seja desenvolvendo uma segunda carreira ou criando a sua empresa, deve-se considerar o questionamento do Prof. Hespanha: - haverá empreendedorismo sênior? - haverá empreendedorismo grisalho? Para Portela (2008) a opção individual de empreender em um negócio, construir uma empresa tem motivações de caráter econômico, seja para complemento de renda ou para sobrevivência. Nesse contexto e considerando a tendência dos idosos em encarar novos desafios seja por razões econômicas, seja para ocupar o tempo, a combinação das suas experiências e características empreendedoras é considerada como possibilidade concreta de realizar empreendimentos que venham atender às demandas da sociedade em geral, do público idoso e, consequentemente a autorealização desses profissionais que agora se descobrem empreendedores.

Se o crescimento da população idosa gera grandes preocupações para a sociedade e governos face às demandas sociais que advirão em assistências, esse crescimento suscita grandes expectativas no mercado de consumo com empresas se especializando em atender às necessidades desse público sênior em áreas como saúde, alimentação, entretenimento, educação, cosmética entre outros. A tendência é que, a demanda dessa faixa etária, por serviços e produtos customizados, seja crescente e volumosa. Por conseguinte, avalia-se que o empreendedor com 60 anos e mais, pelo seu empirismo, reúna as melhores condições para perceber essas necessidades e oferecer as soluções mais adequadas. Daí a importância da sua participação ativa nos empreendimentos, pois mesmo que ele não seja possuidor dos principais predicados que caracterizam o empreendedor, ele, certamente, é possuidor de uma rica experiência e bagagem adquiridas ao longo de sua trajetória profissional. A mudança de hábitos e

estilos de vida das pessoas idosas leva a uma grande quebra de paradigma não apenas em seus comportamentos, mas, sobretudo, naquelas pessoas que ainda insistem em vê- los como indivíduos passivos e alheios aos acontecimentos. É fato que nesse segmento há aqueles cuja disposição está direcionada para o lazer, prática de diferentes hobbies como viagens, atividades físicas, artes marciais, jogo de xadrez com os amigos, porém há outros que, a despeito de investirem no lazer e cuidarem do próprio bem estar, se dispõem a continuar com uma vida ativa no trabalho, seja exercendo as mesmas funções de antes, seja desenvolvendo novas habilidades. Dado que as vagas no mercado se encontram escassas até para os profissionais em início de carreira, os idosos estão se lançando a novos empreendimentos, abrindo o seu próprio negócio.

As organizações investem em programas de trainees, universidades corporativas e treinamento para desenvolvimento de pessoas e em geral essas práticas não incluem os profissionais com idades mais avançadas, sobretudo porque na tradição do mercado de trabalho, ainda é muito acanhada a consciência de uma política de retenção de talentos. A lógica de cortar custos incentivando as aposentadorias desses profissionais prevalece, desconsiderando o vasto conhecimento e competências deles construídos em décadas de experiências vividas nessas organizações. Um modo interessante de otimizar os recursos humanos e econômicos seria o de que as organizações (empresas, institutos e universidades) formatassem o ambiente de trabalho de modo a proporcionar as oportunidades de aperfeiçoamento contínuo e trocas de experiências entre os funcionários novos e velhos o que, certamente, traria ganhos significativos para todos os envolvidos.

Em algumas ilhas organizacionais daquelas empresas eleitas anualmente como as melhores para se trabalhar já existem ações para um contínuo aperfeiçoamento e crescimento das pessoas e o ambiente do trabalho passa a representar em suas experiências de vida um local de convívio saudável, de aprendizagem de desenvolvimento e acima de tudo de amizade, companheirismo e solidariedade. Nessa realidade, o trabalho deixa de ser um local de estresse, tensão e sobrevivência para se transformar em fonte de contentamento e autorealização.

No Brasil os trabalhadores aposentam-se relativamente cedo haja vista o fato de que, via de regra, as pessoas começam a trabalhar na adolescência. Outro fator que contribui para essa tendência é a lei da aposentadoria por tempo de serviço que vigorou

até recentemente, permitindo que os trabalhadores se aposentassem com menos de 50 anos de idade e muitos deles estão em plena forma profissional e com disposição para continuar trabalhando após aposentados como assinala Silva (2007) em estudo realizado no setor automobilístico numa montadora da grande São Paulo em Julho de 2007, em que se verifica que das contratações efetivadas naquele período mais de 50% dos indivíduos eram aposentados que antes de se desligarem dos seus empregos, haviam atuado nesse setor, sendo que a preferência dada a esses profissionais fora em função do conhecimento, competências e habilidades que eles tinham. Como vantagem sobre os demais candidatos, esses aposentados tinham também uma larga experiência que fora adquirida no decorrer da trajetória profissional na empresa em questão ou em similares o que representava ganho de horas em treinamentos.

Um levantamento efetuado pelo Ministério do Trabalho, mencionado por Otta (2007), na Relação Anual de Informações Socais (RAIS)8 com base em 2006, demonstra que a maior taxa de crescimento de emprego naquele ano, 9,77%, foi na faixa etária entre 50 e 64 anos. Um dado bastante significativo se comparados a 4,99% , que representa o crescimento da faixa etária entre 30 e 39 anos – considerada a faixa de idade que mais encontrou emprego. A prática de trabalhadores mais maduros no mercado de trabalho também aparece em estudo do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicada (IPEA) relatado por Marin (2006) revelando que, a médio prazo, aumentará a contratação de pessoas mais velhas e diminuirá a de jovens. A causa para essas alterações no mercado de trabalho, estimadas para as próximas décadas, provém da queda na taxa de natalidade no Brasil e a melhoria da expectativa de vida.

As expectativas para 2030 são de que quase metade da População em Idade Ativa (PIA) seja composta por pessoas com mais de 45 anos de idade o que implicará em alterações e adaptações na legislação trabalhista, na gestão das empresas em especial na gestão dos seus recursos humanos. Nesse universo de longevos, admite-se a existência de muitos empreendedores que por diferentes motivos guardaram seus projetos para um amanhã, que agora se impõe. Ainda que fraquezas e limitações existam nessa fase da vida, as experiências pessoais e profissionais vividas por decênios servirão de suporte para suplantar os percalços que poderão advir.

8 O estudo leva em conta os trabalhadores com carteira assinada, inclusive os temporários e os funcionários do setor público. Não considera trabalhadores domésticos, nem sem carteira assinada.