Numunelerin Numara Hesabı
5.1. NUMARA ÖLÇÜ BİRİMLERİ
Desde a desregulamentação dos mercados financeiros nos Estados Unidos e o início dos programas de privatização no Reino Unido, nas últimas duas décadas, o mundo tem evoluído na forma de tratar as estratégias de privatização e de investir em infra-estrutura e serviços públicos à comunidade. Basicamente, dois fortes argumentos estão presentes na decisão dos governos em promover a atração do capital privado nos investimentos de infra-estrutura e prestação de serviços públicos. O primeiro deles é que a participação da iniciativa privada nos investimentos acaba viabilizando a liberação de recursos públicos para outros investimentos, assim como para o custeio de ações mais elementares de atribuição exclusiva do Estado. Além disso, a participação do capital privado em novos projetos acaba por gerar recursos adicionais ao Estado na forma de impostos, taxas e contribuições, gerando desta forma um melhor balanceamento entre receita e despesa nas contas do governo. O segundo argumento é que normalmente o monopólio do Estado é usualmente ineficiente e falho na geração de qualidade nos serviços públicos e provimento de infra-estrutura de qualidade ao longo do ciclo de vida dos empreendimentos. Desta forma, a iniciativa privada possui a habilidade de reduzir custos de implantação a melhorar a qualidade dos serviços prestados ao longo do ciclo de vida dos empreendimentos.
De uma maneira geral, as Parcerias Público-Privadas (PPPs) são arranjos nos quais os empreendimentos tradicionalmente executados pelo poder público são transferidos para um operador privado. Entretanto, alguns elementos são importantes para se definir uma PPP (Comissão Européia, 2004). São eles:
Objetivos da PPP - as PPPs servem como instrumento de atendimento às políticas públicas, tais como provimento de infra-estrutura ou serviços públicos para o mercado;
Serviços baseados em ativos - o setor privado investe em ativos de infra- estrutura ou serviços necessários ao desenvolvimento de ações e serviços de interesse público;
Compartilhamento de Riscos - os riscos em PPPs são compartilhados entre o setor público e os agentes privados. O setor privado investe, assume a gestão do negócio, minimizando desta forma os riscos de fracasso do empreendimento;
Partilha de responsabilidades - o setor privado se envolve na concepção, construção, financiamento, operação e manutenção do empreendimento, partilhando as responsabilidades sobre o negócio com o setor público. O poder público atua no planejamento estratégico do empreendimento, fornecendo apoio às aprovações, licenças e regulamentação dos serviços associados ao empreendimento;
Visão de Longo Prazo - o governo e a iniciativa privada trabalham juntos com uma visão de longo prazo onde a sustentabilidade do negócio está associada à capacidade do empreendimento em gerar os recursos necessários a sua manutenção e operação de qualidade na infra-estrutura e nos serviços associados;
Financiamento Privado - o agente privado provê recursos financeiros necessários à estruturação da operação e é titular dos ativos destinados ao empreendimento;
Sociedade de Propósito Específico (SPE) - é criado na PPP uma empresa de propósito específico ou exclusivo destinada exclusivamente a atuar no objeto da parceria.
A Comissão das Nações Unidas para a Europa (1998) menciona que as parcerias público-privadas (PPPs) têm um papel essencial em assistir os países da Europa Central e Oriental na implantação de seus projetos de infra-estrutura. De acordo com o relatório, os governos destas regiões não possuem os recursos suficientes para atender a demanda existente nestes países. Para países nesta região da Europa em especial, as PPPs oferecem no mínimo uma solução parcial para os problemas de
investimento. Desta forma, diversos empreendimentos de infra-estrutura estão se utilizando dos modelos de PPPs como uma estratégia básica para atrair investimentos privados. Na Europa, as parcerias público-privadas são consideradas como uma solução adequada para se gerar qualidade, redução de custos e balanceamento entre o valor cobrado pelos serviços e o montante necessário para viabilizar os empreendimentos (Comissão Européia, 2004).
As parcerias público-privadas são vistas como uma ferramenta necessária para se enfrentar os desafios da inovação na sociedade. Estimulando-se uma cooperação mais efetiva entre as organizações de ciência e pesquisa, as empresas, os governos e as universidades, através de parcerias é possível vislumbrar a introdução de novos produtos e novas tecnologias no mercado. Os parques científicos e tecnológicos são um tipo de parceria público-privada que estimula o fluxo de conhecimento entre os agentes que participam do empreendimento, em especial as empresas e as universidades (Conselho Nacional de Pesquisa da Academia de Ciências dos EUA, 2009).
Em geral, as fontes de financiamento para a implantação e operação dos PCTs podem variar entre os parques que são totalmente financiados e apoiados por recursos públicos, até os parques totalmente suportados pela iniciativa privada. Devido as suas características específicas, os PCTs requerem uma quantidade significativa de capital e de um longo prazo para a maturação do investimento.
2.6.1. As Parcerias Público-Privadas no Brasil
Durante muito tempo, no Brasil, o governo foi a maior fonte de recursos, às vezes a única fonte de financiamento para infra-estrutura e para outros projetos de grande importância. O governo geralmente era o encarregado das finanças, implantação e operação destes empreendimentos.
Basicamente, havia no país três grandes razões para o governo ser o principal agente para financiar as operações de infra-estrutura. A primeira delas era o fato de que uma quantidade maior de poupança no país estava concentrada principalmente
nas mãos do governo central. A segunda grande razão foi a capacidade desenvolvida pelo governo federal em contrair empréstimos internacionais envolvendo uma grande quantidade de capital internacional, onde participavam também organizações multilaterais28, tais como o Banco Mundial e Banco
Interamericano de Desenvolvimento. A terceira razão foi o fato de o governo ser capaz de utilizar o mecanismo de criação de sociedades constituídas e controladas pelo próprio estado, organizações estas destinadas a implantar e operar as necessárias infra-estruturas de projetos estratégicos através de financiamentos fornecidos pelas alternativas anteriores.
Outra razão que complementa as anteriores era a inexistência de capital privado em escala adequada, disposto a assumir os riscos associados aos investimentos, cujas características eram representadas pelo baixo retorno na remuneração do capital empregado e os longos prazos de maturação que acabavam por inviabilizar a participação da iniciativa privada nos grandes projetos29.
Depois de várias crises econômicas, em especial a crise da década de 1980, a necessidade de um maior número de investimentos em novos projetos, o governo brasileiro, perdeu a capacidade de fornecer os recursos financeiros necessários a todos os projetos de infra-estrutura necessários para o país. O modelo usual parece estar exausto naquele momento. A mudança começou em 1980, continuou na década de 1990, e ainda está em curso. O uso de estratégias de privatização começa no Brasil e transforma-se em uma estratégia muito forte para o país. O governo agora desenvolve parcerias com outras fontes de financiamento com o intuito de viabilizar os novos investimentos. O governo assume então a responsabilidade de ser não mais a principal fonte de financiamento, mas ser o principal agente responsável por concessões e regulamentação de setores estratégicos no país. O governo federal brasileiro começou a redesenhar o seu papel e a sua responsabilidade no processo, assumindo então a responsabilidade
28 As agências multilaterais ou bilaterais podem ser agências de crédito à exportação, agências de seguro e garantia e agências de desenvolvimento nacionais ou internacionais.
29 Os investimentos em infra-estrutura no Brasil ocorreram em maior intensidade após a Segunda Guerra Mundial, a partir da era Vargas e com o Plano de Metas do governo de JK. Fato importante foi a criação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 1952. O BNDES é uma empresa pública federal, considerado hoje como o principal instrumento de financiamento de longo prazo para a realização de investimentos em todos os segmentos da economia brasileira, em uma política que inclui as dimensões social, regional e ambiental.
estratégica no campo da regulamentação e das concessões importantes ao invés de ser a principal fonte de financiamento.
As novas formas de atuação do setor público contemplam o reforço das suas funções regulatórias e de fiscalização, bem como a atração da iniciativa privada no campo da infra-estrutura, com uma revisão ampla da legislação pertinente e da criação das agências regulatórias.
Em 2004, o governo brasileiro promulga a lei das Parcerias Público-Privadas. A Lei no. 11.079 define as regras para as PPPs em todos os níveis (federal, estadual e municipal), e também define os requisitos para os contratos e garantias que devem ser utilizados nestes arranjos.
Simultaneamente, são introduzidos no mercado, inovações no setor financeiro. Surgem novas modalidades nas fontes de financiamento, tais como securitização, recibos de depósitos lastreados em empreendimentos, títulos financeiros, project
finance, opções, etc.. Estas novas modalidades de financiamento acabam por
promover a implementação de novos empreendimentos e, ao mesmo tempo reduzir o tamanho dos riscos associados a eles.
A participação mais ativa do setor privado nos mecanismos de financiamento e construção de infra-estrutura e projetos estratégicos acaba por resultar em uma alternativa mais vigorosa para adquirir as quantidades necessárias de recursos para formar uma massa de capital capaz de suportar o fluxo financeiro necessário para estes projetos. Ao mesmo tempo, os riscos e as incertezas se atenuam em função desta diversidade de agentes e capitais alocados nestes empreendimentos.
Quando a lei que instituiu as parcerias público-privadas no Brasil foi promulgada, ao final de 2004, alardeou-se a nova modalidade como uma panacéia para o déficit crônico das contas públicas dos governos em investir em infra-estrutura. Passados quase seis anos, o modelo já começa a apontar para uma espécie de segunda geração de contratos que diferem das grandes obras de infra-estrutura da primeira geração: a de parcerias para os setores de serviços. São empreendimentos que vão desde centro de dados até utilidades a princípio impensáveis para a iniciativa privada, como presídios e hospitais, e outras, por outro lado, conceitualmente
incompatíveis com a participação pública, como hotéis. Trata-se de viabilizar projetos que exigem investimentos pesados e não conseguem ser arcados pelo estado sozinho (Elias, 2010).
As PPPs devem reconhecer os papéis importantes e complementares dos setores públicos e privados, buscando combinar o que há de melhor em cada um deles. Os diferentes modelos de PPPs, ajustados as diversas situações, apresentam um potencial para transformar-se em iniciativas importantes para os parques tecnológicos, visando o aumento da quantidade e da qualidade dos investimentos nestes empreendimentos.