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3.4. Silisyum Nitrürün Yoğunlaşmasında Katkıların Rolü

3.4.3. Silisyum nitrürün ve SiAlON’un yoğunlaştırılmasında sinterlemeye yardımcı katkılarının rolü

3.4.3.4. Oksi nitrür camlar

Há um desafio contemporâneo de se pensar a(s) identidade(s), pois vivemos num contexto histórico onde as interações econômicas, sociais, políticas e culturais intensificaram- se extraordinariamente, isto foi nomeado, genericamente, de globalização22. Um processo complexo que perpassa as mais diversas áreas da vida social, como sistemas produtivos, financeiros, tecnológicos e práticas de informação e de comunicação, a redescoberta da sociedade civil e o aumento das desigualdades sociais, assim como grandes fluxos transfronteiriços de viajantes, quer emigrantes, turistas ou refugiados, levam a pensar no

22 Ver Santos (2005).

impacto que isto tudo pode causar, inclusive o surgimento de novas práticas culturais e identitárias redefinidas por esta contemporaneidade globalizante.

Dubar (2000) procura demonstrar como a questão da identidade foi modificando-se no decorrer do tempo, tanto como as pessoas viviam esses processos de identificação como também de que maneira as teorias buscam compreendê-los. Procura traçar um percurso para construir o problema da identidade não só do ponto de vista do trabalho23, como, por exemplo, quando pensamos em grupos como identidades profissionais, como é o caso da identidade dos advogados, dos médicos etc., mas também levando em consideração outros aspectos, como a vida pessoal e a religiosa. Num primeiro momento temos uma sociedade voltada para uma percepção biográfica atrelada ao coletivo. Isto se modifica através das transformações no trabalho, e aqui também podemos acrescentar nas relações profissionais, e as maneiras pelas quais essas mudanças afetam as noções identitárias dos grupos envolvidos e percebidos. O autor passa de uma definição denominada mais “realista” para uma mais “compreensiva” possibilitando uma abordagem mais interpretativa.

Segundo Dubar (2000) a teorização a respeito da identidade profissional perpassa quatro formas identitárias no campo do trabalho onde combinam maneiras diferentes de categorizar uma trajetória (passada ou futura) e formas diferenciadas de valorizar tipos de relações (comunitárias ou societárias) ajustando relações sociais e temporalidade. A primeira delas é a identificação pelo outro, que privilegia a inscrição num sistema de emprego e de qualificação reconhecida, por exemplo, o diploma universitário obtido após a conclusão de um processo de formação educacional. Ao passo que a identificação por si mesmo supõe a valorização da segurança de um estatuto, mas um projeto subjetivo incerto. A transação racional e biográfica possui como referência comum um quadro burocrático regido por regras

23 Em sua pesquisa realizada entre trabalhadores assalariados, desempregados e jovens a procura de ingresso no mercado de trabalho, baseada em entrevistas biográficas e trajetórias profissionais, o autor busca sistematizar formas identitárias desses trabalhadores.

partilhadas por todos. Essa forma de identificação baseada numa forte dependência institucional é chamada “estatutária”. A segunda maneira, ainda na identificação pelo outro, mas que valoriza o “reconhecimento de si”, o projeto biográfico não se baseia em uma instituição. Busca a multiplicidade de uma rede de contatos por afinidade. Esta identidade de rede pode ser denominada identidade de projeto. O autor chama de “narrativa” essa forma de identificação na sociedade que privilegia o “para si” sobre o “para outrem”.

Na terceira forma identitária classificada por Dubar a identificação ocorre por outrem, baseia-se na autoridade e no reconhecimento dos mais experientes e combina com a aspiração de integrar um grupo de referência. Para ser aceito no grupo terá que passar por determinadas provas e concordar com as regras previamente estipuladas e até mesmo participar de um processo de aprendizagem. Privilegia-se o racional sobre o biográfico, requer uma interiorização de valores coletivos. Essa forma de identificação presente em todos os campos do social como, por exemplo, religioso, político... é denominada de “reflexiva”. E, por fim, a última forma identitária valoriza o pertencimento a uma comunidade protetora oficialmente identificada e que possa garantir uma estabilidade no decorrer da vida do indivíduo, e isso é fundamental a uma definição de si. Pode ser chamada de “cultural”.

Dubar apresenta essas noções identitárias e revela uma concepção múltipla de identidade conforme a situação na qual o indivíduo encontra-se. Ao contrário de Elias (1999) cujo argumento subsiste em torno do “eu” inserido fortemente em um grupo a partir do qual se conformará sua posição social, ou seja, o “nós” sobrepõe-se ao “eu”, é mais impactante na composição e inter-relação das práticas sociais. A percepção do indivíduo enquanto “eu” está diretamente relacionada com a sua presença ou sentimento de pertencimento a um grupo que lhe oferece sentido do “nós” e lhe atribui um significado coletivo. Nesse caso, mais importante do que as características individuais é o grupo do qual se faz parte.

Elias (1999) desenvolve, a partir dessas noções de indivíduos em grupos sociais, uma Sociologia das configurações, que por sua vez corresponde a uma situação concreta de interdependência. Esse é um conceito chave em seu pensamento, uma variável capaz de ser aplicada para compreensão dos níveis macro e micro sociais. As configurações refletem um sistema de interdependências de indivíduos e de grupos nas quais eles não podem dispor dessas ligações, compondo assim uma determinada estrutura social. Pode ser qualificada também de espaço de pertinência cujos acontecimentos refletem em todos os indivíduos que estão envolvidos nesse espaço e que podem contribuir, através de suas ações, para modificá- lo. A noção de configuração social nos permite romper com a visão dicotômica entre sujeito e objeto como forma de interpretar a sociedade. Nesse sentido nos fornece um instrumental para pensarmos a realidade social de maneira flexível através de redes interdependentes assumindo um significado sociológico. Em graus de interdependências específicos os grupos sociais desenvolvem dinâmicas próprias de interações capazes de (re)alimentar e (re)significar sua existência. Contudo essas relações são articuladas e baseadas, antes de qualquer coisa, sob relações de poder que permeiam esses campos. As modificações nessas configurações sociais podem ocorrer inclusive com o decorrer do tempo, ou seja, a temporalidade pode ser responsável pelas transformações nas configurações sociais.

Já a construção social da identidade para Castells (1999) ocorre em contextos marcados pelas relações de poder. É um atributo interdependente da sociedade na qual a pessoa está inserida e que prevalece sobre outras fontes de significado. O autor distingue a identidade dos papéis atribuídos às pessoas:

“No que diz respeito a atores sociais, entendo por identidade o processo de construção de significado com base em um atributo cultural, ou ainda um conjunto de atributos culturais inter-relacionados, o(s) qual(ais) prevalece(m) sobre outras fontes de significado. Para um determinado indivíduo ou ainda um ator coletivo, pode haver identidade múltiplas. No entanto, essa pluralidade é fonte de tensão e contradição tanto na auto-

representação quanto na ação social. Isso porque é necessário estabelecer a distinção entre identidade e o que tradicionalmente os sociólogos têm chamado de papéis, e conjuntos de papéis. Papéis (por exemplo, ser trabalhador, mãe, vizinho, militante socialista, sindicalista, jogador de basquete, freqüentador de uma determinada igreja e fumante, ao mesmo tempo) são definidos por normas estruturadas pelas instituições e organizações da sociedade. A importância relativa desses papéis no ato de influenciar o comportamento dessas pessoas depende de negociações e acordos entre os indivíduos e essas instituições e organizações. Identidades, por sua vez, constituem fontes de significado para os próprios atores, por eles originadas, e construídas por meio de um processo de individuação”. (Castells,1999: 22)

E apresenta três formas distintas de construção de identidades:

1) identidade legitimadora: da qual se utilizam as instituições dominantes da sociedade com o objetivo de expandir e racionalizar sua dominação em relação aos atores sociais;

2) identidade de resistência: uma forma encontrada por atores sociais que estão em situação de desvantagem, ou seja, desvalorizados ou mesmo estigmatizados pela lógica da dominação. São formas de resistência e sobrevivência baseadas em princípios distintos daqueles que constituem as instituições da sociedade;

3) identidade de projeto: apresenta-se como uma forma encontrada pelos atores sociais de redefinir sua posição social buscando a transformação de toda a estrutura social. Apresenta como exemplo o feminismo que deixa de lado a resistência da identidade e dos direitos da mulher para se opor ao patriarcalismo, à família patriarcal e toda a estrutura de produção, reprodução, sexualidade e personalidade sobre a qual as sociedades historicamente se estabeleceram.

Segundo o autor, identidades que se originam como resistência podem acabar resultando em projetos, e até mesmo tornarem-se dominantes nas instituições da sociedade, daí nesse caso tornam-se identidades legitimadoras para racionalizar sua dominação. O que de

importante ele nos apresenta é a teia de possibilidades existentes na conformação das identidades. Elas não podem constituir uma essência no sentido de encerrar em si mesma um único e determinado significado. Pelo contrário, as identidades são mutáveis, e ao mesmo tempo responsáveis pela transformação social. As identidades são originárias de longos processos de construção social, em muitos casos com características próprias ou tomadas de empréstimo de outras formas identitárias. A multiplicidade e sua conformação em uma sociedade em rede permeiam todo o espaço social.

No entendimento de Bauman (2005) a realidade contemporânea, onde o global se insere mais intensamente, os valores tornam-se mais líquidos e o problema da identidade deve ser recolocado numa dimensão que exige a renovação dos parâmetros de entendimentos até então utilizados. Dessa forma, à medida que nos deparamos com as inseguranças e incertezas da “modernidade líquida”, nossas identidades sexuais, profissionais, religiosas, culturais e sociais estão propensas a sofrerem um processo contínuo de transformação.

Já Perrot (2005) analisa a questão da identidade interligada com os temas da igualdade e da diferença, aponta que o discurso médico forjou a definição masculina e feminina baseado numa biologização da diferença, onde homens e mulheres são identificados por seu sexo. E, as mulheres estão confinadas ao seu corpo. Esta definição trouxe conseqüências políticas, e neste aspecto é que foi questionada pelas pioneiras dos feminismos, que conseguiram alterar as fronteiras, empunhando a bandeira da igualdade. Contudo, indaga que se a afirmação da diferença e, portanto da própria identidade é, para os indivíduos, necessária, como instrumento de reivindicação, isto não se tornaria o próprio objetivo?

É no sentido de processo histórico e mutável que as identidades serão aqui tratadas, longe de serem categorias analíticas rígidas e fixas, passíveis, portanto, de crises (Miskolci, 2005). Mas, historicamente moldadas, passíveis, portanto, de transformações, que no contexto

atual se traduz por uma intensificação das interações econômicas, políticas e culturais impactantes nas construções das práticas identitárias contemporâneas.