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4.1. Resumo das Análises de Variância

Os resumos das análises de variância encontram-se na Tabela 3. Observa-se que houve efeito significativo da interação substância-diluição × tempo de conservação para as variáveis: germinação dos grãos de pólen ‘in vitro’, número de frutos estabelecidos, sementes cheias por planta (g), porcentagem de sementes cheias, número de sementes cheias por planta, peso de 100 sementes cheias (g), número de sementes cheias por cruzamento, sementes cheias (gcruzamento-1).

Para o peso médio dos frutos (g) houve efeito da substância-diluição e do tempo de armazenamento das flores, mas não houve efeito da interação entre os mesmos. Já para comprimento médio dos frutos houve efeito apenas da substância-diluição na conservação das flores. Não houve efeito dos tratamentos para as variáveis relacionadas à qualidade das sementes (porcentagem de germinação no 4º e no 8º dia e IVG).

Entre as testemunhas, houve diferença estatística para as variáveis: sementes cheias (gplanta-1), número de sementes cheias por planta, número de sementes cheias por cruzamento, sementes cheias (gcruzamento-1).

Analisando-se ainda os tratamentos, observa-se que houve diferenças estatísticas entre as testemunhas e os tratamentos para as variáveis: número de frutos estabelecidos, sementes cheias (gplanta-1), número de sementes cheias por planta, número de

armazenamento (QMS), quadrado médio do tempo de armazenamento (QMT), quadrado médio da interação substância-diluição ×

tempo de armazenamento (QMS×T)¸ quadrado médio entre testemunhas (QMET), quadrado médio das testemunhas vs. fatorial (QMTF) e coeficiente de variação (CV) das variáveis analisadas no ensaio. Campo Grande, MS, 2001.

Variáveis QMR QMS QMT QMS×T QMET QMTF CV (%)

Germinação de grãos de pólen (%) 9,3449 99,2089 ** 3.136,5515** 61,2292** --- --- 13,56 Pegamento de frutos (número) 208,33 236,11 6.944,44** 902,78** 104,16 26,19** 24,01 Peso médio dos frutos (g) 36.717,33 227.612,37 ** 613.765,17** 80.837,80 5.045,42 14.628,41 13,53

Comprimento médio dos frutos (cm) 10,86 39,21 * 24,80 7,39 2,23 8,60 9,18

Sementes cheias (gplanta-1) 9,42 46,98 ** 64,51* 28,67* 70,93* 230,23** 22,63 Sementes cheias produzidas (%)*** 55,19 114,07 1.002,14** 142,71* 9,72 217,19 11,85 Número de sementes cheias/planta 746,33 7.237,52 ** 9.559,29** 5.980,90** 7.619,83** 24.663,88** 20,36

Peso de cem sementes cheias (g) 0,79 2,40 * 0,65 3,37** 0,02 0,87 8,60

Número de sementes cheias/cruzamento 325,58 853,70 * 27.150,80** 1.487,42** --- 57.265,36** 20,82 Sementes cheias (gcruzamento-1) 3,52 4,73 231,24** 12,55** --- 508,10** 21,58

Germinação no 4º Dia (%)*** 127,77 59,58 5,07 147,93 43,35 525,45* 19,36

Germinação no 8º Dia (%)*** 133,92 57,97 6,46 215,28 70,59 460,00 19,38

IVG 5,24 1,98 1,79 3,90 3,68 14,24 23,68

* = Significativo pelo teste F a 5% ** = Significativo pelo teste F a 1%

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sementes cheias por cruzamento, sementes cheias (gcruzamento-1), porcentagem de germinação no 4º dia. A seguir, serão apresentados e discutidos, separadamente, os resultados obtidos para cada uma das variáveis avaliadas.

4.2. Germinação dos Grãos de Pólen ‘in vitro’

A germinação dos grãos de pólen ‘in vitro’ sempre foi inferior aos dois dias de armazenamento comparando com um dia de armazenamento das flores (Tabela 4), evidenciando que a viabilidade dos grãos de pólen da cultivar ‘Piramoita’ é muito curta, decrescendo rapidamente, ratificando dados de Pacini et al. (1997), que trabalhou com grãos de pólen de C. pepo.

Tabela 4. Germinação de grãos de pólen ‘in vitro’ (%) de flores de aboboreira ‘Piramoita’ em função das diferentes substâncias-diluições e tempo de armazenamento das flores masculinas, em geladeira. Campo Grande, MS, 2001.

Tempo de Armazenamento

Substância-diluição 1 Dia 2 Dias

Água 31,3675 ab ABC 9,6794 ab AB

Sulfato de Alumínio 25mgL-1 31,2362 ab ABC 11,5843 ab AB Sulfato de Alumínio 50mgL-1 42,6221 ab ABC 17,7195 ab AB

Sacarose 25gL-1 24,0419 ab ABC 12,2983 ab AB Sacarose 50gL-1 34,5320 ab ABC 10,3890 ab AB

Sacarose 75gL-1 27,4962 ab ABC 17,6154 ab AB

Médias seguidas pela mesma letra minúscula nas linhas (DMS = 5,1536), e maiúscula nas colunas (DMS = 7,7127) não diferem entre si pelo teste de Tukey (5%). CV = 13,56%.

Para as flores armazenadas por apenas um dia, a melhor substância- diluição foi sulfato de alumínio 50mgL-1 (Tabela 4), estatisticamente superior aos demais tratamentos. Ainda para um dia de armazenamento, a melhor concentração de sacarose, foi 50gL-1, estatisticamente superior a sacarose 25gL-1, embora não tenha diferido do armazenamento em água e de sacarose 75gL-1.

Entre as concentrações de sulfato de alumínio, as flores conservadas na concentração de 25mgL-1 não diferiram estatisticamente das flores conservadas em água; a

concentração de 50mgL-1 foi superior estatisticamente a ambas (água e 25mgL-1); evidenciando o efeito benéfico da presença de sulfato de alumínio na maior concentração.

Já para dois dias de armazenamento, os valores médios de germinação dos grãos de pólen, entre as substâncias-diluições, foram numericamente muito mais próximos, sendo que apenas os tratamentos sulfato de alumínio 50mgL-1 e sacarose 75gL-1 (superiores) diferiram do pior tratamento (flores mantidas em água). Nesse caso, pode-se inferir que o efeito do período de armazenamento foi mais intenso não ocorrendo um efeito superior de nenhuma substância-diluição que amenizasse ou reduzisse, mais intensamente, a velocidade de perda de viabilidade dos grãos de pólen. Entretanto, as maiores concentrações (sulfato de alumínio 50mgL-1 e sacarose 75gL-1), foram as que proporcionaram maior germinação dos grãos de pólen, evidenciando um efeito benéfico do soluto adicionado (sulfato de alumínio ou sacarose); talvez, se fossem testadas soluções mais concentradas, de ambas as substâncias, pudesse ocorrer a manutenção mais alta da viabilidade dos grãos de pólen.

A estimativa da viabilidade polínica é recomendada em programas de melhoramento que utilizam a hibridação artificial, especialmente aqueles que precisam conservar o grão de pólen para uso posterior (Dutra et al., 2000).

Ainda assim, os valores apresentados após dois de armazenamento das flores (9,7-17,7%) são diferentes daqueles encontrados por Pacini et al. (1997) para C. pepo (12-14% de grãos de pólen viáveis um dia após a antese e, nenhum grão de pólen viável 48 horas após a antese), evidenciando, apesar de pequeno, um efeito positivo dos tratamentos na conservação dos grãos de pólen.

Segundo Nepi & Pacini (1993), o rápido decréscimo na viabilidade dos grãos de pólen de C. pepo está relacionado ao fato de que as flores de ambos os sexos, dessa planta monóica, estão acessíveis aos insetos polinizadores apenas por seis horas e os grãos de pólen, nesse período, são apenas parcialmente desidratados.

Vários autores citados por Pacini et al. (1997) consideram que a resistência dos grãos de pólen a desidratação possa ser devida aos dissacarídeos e oligossacarídeos citoplasmáticos, que agem como estabilizadores das membranas. Uma das evidências da ação desses carboidratos, segundo Franchi et al. (1996) e Speranza et al. (1997)

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é que plantas como C. pepo, assim como Mercurialis annua, espécies com curtíssima viabilidade dos grãos de pólen, não têm nenhum desses carboidratos.

4.3. Pegamento de Frutos

O pegamento de frutos (número de frutos estabelecidos em cada parcela) foi influenciado tanto pela substância-diluição utilizada para o armazenamento das flores como pelo tempo de armazenamento, sendo também significativa estatisticamente a interação entre substância-diluição e tempo de armazenamento (Tabela 3).

O maior pegamento de frutos ocorreu para a polinização com flores armazenadas por um dia em sacarose 50gL-1, tendo inclusive apresentado, média igual, numericamente, a polinização manual (Tabela 5).

Tabela 5. Pegamento de frutos (número de frutos por parcela) em aboboreira ‘Piramoita’ em função das diferentes substâncias-diluições e tempo de armazenamento das flores masculinas, em geladeira, mais as duas testemunhas. Campo Grande, MS, 2001.

Tempo de Armazenamento

Substância-diluição 1 Dia 2 Dias

Água 2,00 a AB 2,33 ab A Sulfato de Alumínio 25mgL-1 2,67 a AB 1,67 ab A Sulfato de Alumínio 50mgL-1 3,33 a AB 1,67 ab A Sacarose 25gL-1 2,00 a AB 1,67 ab A Sacarose 50gL-1 3,67 a AB 1,33 ab A Sacarose 75gL-1 3,00 a AB 1,33 ab A PM 3,67 a PN 3,33 a

Médias seguidas pela mesma letra minúscula nas linhas (DMS = 0,966), e maiúscula nas colunas (DMS = 1,44) não diferem entre si pelo teste de Tukey (5%). CV = 24,01%.

Para um dia de armazenamento de flores, os piores tratamentos foram água e sacarose 25gL-1, ou seja, sem qualquer soluto e a solução menos concentrada em sacarose. Provavelmente por terem sido os tratamentos menos eficientes, para esta característica, não se obteve diferença significativa no pegamento de frutos com flores armazenadas por um ou dois dias apenas para estes tratamentos. Para os demais tratamentos, o número de frutos foi superior para armazenamento por um dia em relação a dois dias. Não houve efeito da substância-diluição na porcentagem de pegamento de frutos quando as flores

foram armazenadas por dois dias, necessitando, talvez, para a conservação por dois dias, maiores concentrações de solutos.

Não houve diferença no número de frutos estabelecidos entre polinização manual e natural, sendo que o mesmo foi registrado por Ávila et al. (1989). O pegamento médio de frutos da polinização manual e natural foi estatisticamente superior a média das substâncias-diluições (Tabelas 3 e 5).

Essa variável avaliada (pegamento de frutos) deveria refletir de maneira direta os resultados encontrados para a germinação dos grãos de pólen ‘in vitro’, o que de fato não ocorreu, pois para flores armazenadas por um dia, a maior germinação dos grãos de pólen ocorreu na substância-diluição sulfato de alumínio 50mgL-1, que apresentou a segunda maior porcentagem de pegamento de frutos. Uma das possíveis razões para este fato é que a germinação dos grãos de pólen ‘in vitro’ ocorreu sob condições ótimas (temperatura, umidade relativa do ar, concentração de nutrientes e meio apropriado), todavia o pegamento dos frutos (em campo) ocorreu sob temperaturas mais elevadas, baixa umidade relativa, com chuvas no final do período (conforme pode ser visto nas Figuras 1 e 2), que pode inclusive lavar os grãos de pólen do estigma ou, por hidratação excessiva, rompê-los.

Outro fato a se considerar é que, para que ocorra a formação da semente e conseqüente pegamento dos frutos, é necessário que o grão de pólen germine e que o tubo polínico cresça e fecunde o óvulo. Sabe-se que muitos fatores, como a integridade e vigor do grão de pólen, e também fatores ambientais, afetam o crescimento do tubo polínico e conseqüente estabelecimento do fruto. A germinação do grão de pólen ‘in vitro’ não apresentou uma correlação direta com o pegamento de frutos nem para um dia (R2 = 0,40), nem para dois dias (R2 = 0,19) de armazenamento das flores.

Parton et al. (2002) afirmam que ao lado da qualidade dos grãos de pólen, a viabilidade destes influencia os resultados da polinização. Acredita-se que um grão de pólen, mesmo com baixo vigor e poucas reservas, desde que viável, poderá germinar ‘in vitro’ ou sobre o estigma. Entretanto, neste último caso, antes que o tubo polínico atinja o ovário, ambos (grão de pólen e respectivo tubo polínico) tornam-se inviáveis (morrem), não fecundando os óvulos durante o período em que estavam viáveis (férteis). Nesse caso, poderia-

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-se então, chamá-los de “falso-positivo” pois, na avaliação ‘in vitro’ apresentaram-se como germinados, mas efetivamente não produziriam sementes.

4.4. Peso e Comprimento dos Frutos

Houve efeito da substância-diluição e do tempo de armazenamento das flores, não ocorrendo interação estatística significativa entre esses fatores para peso dos frutos (Tabela 3).

Entre as substâncias-diluições, aquela que proporcionou a formação de frutos mais pesados foi sacarose-25gL-1, superior a todos os outros tratamentos, exceto às flores mantidas em água. Os frutos mais pesados, produzidos com grãos de pólen de flores mantidas na substância-diluição sacarose 25gL-1, foram também os mais compridos (Tabela 6), e os que produziram mais sementes (Tabela 7).

Tabela 6. Peso médio e comprimento de frutos obtidos em aboboreira ‘Piramoita’ em função das diferentes substâncias-diluições e tempo de armazenamento das flores masculinas, em geladeira, mais as duas testemunhas. Campo Grande, MS, 2001.

Variável

Substância-diluição dos Frutos (g) Peso médio Comprimento médio dos Frutos (cm)

Água 1.594 ABC 36,79 AB

Sulfato de Alumínio 25mgL-1 1.306 ABC 36,33 AB

Sulfato de Alumínio 50mgL-1 1.357 ABC 33,44 AB

Sacarose 25gL-1 1.704 ABC 39,77 AB Sacarose 50gL-1 1.211 ABC 32,88 AB Sacarose 75gL-1 1.282 ABC 37,22 AB Tempo de armazenamento DMS = 338 DMS = 5,81 1 dia 1.539 AB 36,91 A 2 dias 1.278 AB 35,25 A Testemunhas DMS = 131 DMS = 2,25 Polinização manual 1.491 A 34,17 A Polinização natural 1.433 A 35,39 A DMS = 321 DMS = 5,51 Coeficiente de Variação (%) 13,53 9,18

Médias seguidas pela mesma letra maiúscula nas colunas não diferem entre si pelo teste de Tukey (5%).

Quando compara-se as médias dos frutos obtidos por flores armazenadas por um ou dois dias observa-se que os frutos mais pesados, estatisticamente

superiores, foram obtidos a partir da polinização com flores armazenadas por apenas um dia. Entretanto, apesar de haver diferenças estatísticas em peso dos frutos para flores armazenadas por um ou dois dias, não houve diferença no comprimento (Tabela 6).

Em Vaccinium corymbosoum a fonte de grãos de pólen é uma importante variável a ser considerada no aumento de massa dos frutos e no tempo de maturação, similarmente, a suficiente deposição de grãos de pólen no estigma é considerada importante para maximizar a produção de outros frutos (Dogterom et al., 2000).

Assim como não houve diferenças estatísticas para o pegamento de frutos entre polinização manual e natural (Tabela 5), também não houve diferenças estatísticas para peso ou comprimento dos frutos (Tabela 6).

O comprimento dos frutos não apresentou diferenças estatísticas entre as testemunhas e entre o tempo de armazenamento das flores (um ou dois dias). Houve efeito, para comprimento dos frutos, apenas da substância-diluição de armazenamento, que assim como para o peso, a substância-diluição sacarose 25gL-1 foi a melhor, com superioridade estatística apenas para sulfato de alumínio 50mgL-1 e sacarose 50gL-1.

Pessoa (1998) afirma que frutos com maior número de sementes são mais pesados e maiores, assim como Schlichting et al. (1987), que relacionaram uma elevada quantidade de grãos de pólen aplicada em C. pepo a frutos maiores (com 376 sementes) àqueles produzidos com uma baixa quantidade de grãos de pólen (menores, com 40 sementes). Neste trabalho, buscou-se verificar se o mesmo ocorria quando a polinização era realizada com flores armazenadas, o que de fato foi verificado.

Uma possível explicação para a relação entre o número de sementes e peso de frutos foi dada por Ho (1992), o qual afirma que a produção de substâncias de crescimento na presença de sementes estimula o crescimento dos frutos, o que pode confirmar a idéia de quanto mais sementes em um fruto, maior esse fruto.

4.5. Produção de Sementes Cheias por Planta

As plantas polinizadas com flores armazenadas por um dia, produziram, em média, metade da quantidade de sementes cheias do que produziram as plantas que receberam grãos de pólen de flores recém-abertas (polinização manual), exceto as

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flores que foram mantidas em sacarose 25gL-1, que foram superiores a todas as outras substâncias-diluições (Tabela 7).

As flores com polinização natural, também produziram menos sementes do que aquelas com polinização manual, o que está em desacordo com Ávila et al. (1989). Considerando-se as condições climáticas (Figuras 1 e 2) durante o período de polinização, explica-se esse fato, pois em função de nebulosidade intensa e chuvas de baixa intensidade (5mm) durante os dias de polinização houve baixa atividade de insetos polinizadores, conforme descreve Camargo (1992).

Tabela 7. Produção de sementes cheias (gplanta-1) em aboboreira ‘Piramoita’ em função das diferentes substâncias-diluições, tempo de armazenamento das flores masculinas, em geladeira, mais as duas testemunhas. Campo Grande, MS, 2001.

Tempo de Armazenamento

Substância-diluição 1 Dia 2 Dias

Água 12,30 a AB 10,29 ab A Sulfato de Alumínio 25mgL-1 12,50 a AB 8,69 ab A Sulfato de Alumínio 50mgL-1 13,29 a AB 9,75 ab A Sacarose 25gL-1 22,58 a AB 13,69 ab A Sacarose 50gL-1 10,44 a AB 15,14 ab A Sacarose 75gL-1 12,59 a AB 10,08 ab A PM 22,74 a PN 15,86 b Médias seguidas pela mesma letra minúscula nas linhas (DMS = 5,13) e maiúscula nas colunas (DMS = 7,65) não diferem entre si pelo teste de Tukey (5%). CV = 22,63%.

As flores armazenadas em sacarose 25gL-1 por um dia, que entre os tratamentos apresentaram a maior produção de sementes, apresentaram também os frutos mais pesados e maiores (Tabela 6), conforme descrito anteriormente.

Para flores armazenadas por dois dias não houve efeito, significativo estatisticamente, das substâncias-diluições de conservação na produção de sementes. Entretanto, observa-se uma tendência de superioridade (Tabela 7) dos dois melhores tratamentos (sacarose 50 e 25gL-1), que em média produziram 14,4g de sementes por planta e foram 48,6% superiores à média dos demais tratamentos (9,7gplanta-1). Considerando-se uma população de 3.333 plantas por hectare, a conservação de flores masculinas de aboboreira por dois dias em uma dessas duas substâncias-diluições (sacarose 25 ou 50gL-1) elevaria, em

média, a produção de sementes de 32,3kgha-1 para 48kgha-1, o que deve ser considerado importante no caso da produção comercial.

Com exceção da sacarose 25gL-1, nas demais soluções-diluições não houve diferença estatística, na produção de sementes produzidas por flores armazenadas por um ou dois dias. Portanto, somente sacarose 25gL-1 foi eficiente em manter alta (comparável, numericamente, a polinização manual) a produção de sementes por flores armazenadas durante um dia. Por outro lado, as flores conservadas na substância-diluição sacarose 50gL-1 por dois dias apresentaram, numericamente, uma produção de sementes muito próxima daquela obtida pela polinização natural.

Sabe-se que os polinizadores sempre depositam mais grãos de pólen do que é requerido para fecundar todos os óvulos e produzir um ótimo pegamento de frutos e produção (Spira et al., 1992), mas em alguns casos, uma quantidade insuficiente de grãos de pólen é depositada (Snow, 1982).

Ratificando, acredita-se que a baixa produção de sementes obtidas pela polinização natural, inferior inclusive a polinização manual, foi decorrente da baixa atividade de insetos polinizadores, que pode ter ocorrido em conseqüência da nebulosidade registrada e de chuvas ocorridas no período (Figuras 1 e 2) e da pequena quantidade de plantas atrativas existentes na área adjacente ao experimento.

Portanto, apesar de não ter ocorrido diferença estatística para o armazenamento de flores por dois dias, houve pegamento de frutos e produção de sementes, o que, principalmente para melhoramento genético, pode garantir sementes suficientes para prosseguimento do programa.

4.6. Número de Sementes Cheias por Planta

Como cada semente formada representa um grão de pólen que efetivamente foi conservado e fertilizou um óvulo, observa-se na Tabela 8 que, em geral e numericamente, flores armazenadas por um dia apresentaram um maior número de sementes, exceto para o tratamento sacarose 50gL-1, que apresentou um maior número de sementes em flores armazenadas por dois dias.

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A polinização manual apresentou em média 229,2 sementes por planta, valor numericamente superior a todos os tratamentos, exceto ao sacarose 25gL-1 para um dia de armazenamento, que, em média, apresentou 261,5 sementes por planta, e foi superior, estatisticamente, às demais substâncias-diluições com armazenamento por um dia.

Tabela 8. Número de sementes cheias produzidas por planta, em aboboreira ‘Piramoita’ em função das diferentes substâncias-diluições, tempo de armazenamento das flores masculinas, em geladeira, mais as duas testemunhas. Campo Grande, MS, 2001.

Tempo de Armazenamento

Substância-diluição 1 Dia 2 Dias

Água 107,67 ab AB 99,36 ab AB Sulfato de Alumínio 25mgL-1 124,93 ab AB 76,25 ab AB Sulfato de Alumínio 50mgL-1 114,79 ab AB 90,77 ab AB Sacarose 25gL-1 261,54 ab AB 120,99 ab AB Sacarose 50gL-1 104,05 ab AB 157,07 ab AB Sacarose 75gL-1 130,70 ab AB 103,68 ab AB PM 229,20 a PN 157,93 b Médias seguidas pela mesma letra minúscula nas linhas (DMS = 45,71) e maiúscula nas colunas (DMS = 68,13) não diferem entre si pelo teste de Tukey (5%). CV = 20,36%.

Para sementes armazenadas por dois dias, o tratamento sacarose 50gL-1 foi superior, estatisticamente, somente ao sulfato de alumínio 25mgL-1. O número de sementes é fundamental em um programa de melhoramento sendo o fator limitante, em alguns casos, à continuidade do programa ou ao retrocesso à geração anterior. Portanto, pode-se dizer que todos os tratamentos produziram sementes em número suficiente para continuidade de um programa de melhoramento.

4.7. Porcentagem de Sementes Cheias

A porcentagem de sementes classificadas ou cheias indica o quanto dos óvulos que foram fecundados tornaram-se efetivamente sementes viáveis (granadas).

Observa-se que, em geral, nas flores armazenadas durante dois dias a quantidade (e porcentagem) de sementes cheias foi superior àquelas armazenadas por apenas um dia, não ocorrendo diferenças estatisticamente significativas entre as substâncias-diluições aplicadas (Tabela 9). Poderia, equivocadamente, acreditar que os tratamentos aumentaram a

viabilidade dos grãos de pólen, o que efetivamente não ocorreu. Portanto, pressupõe-se que durante dois dias de armazenamento, menos grãos de pólen iniciaram o processo de fecundação dos óvulos reduzindo a competição por nutrientes (fotoassimilados) e, proporcionalmente a quantidade de óvulos abortados, pois quanto maior a competição entre eles, menos óvulos irão se estabelecer, originando uma semente cheia.

Tabela 9. Porcentagem de sementes cheias produzidas em aboboreira ‘Piramoita’ em função das diferentes substâncias-diluições, tempo de armazenamento das flores masculinas, em geladeira, mais as duas testemunhas. Campo Grande, MS, 2001.

Tempo de Armazenamento

Substância-diluição 1 Dia 2 Dias

Água 51,40 ab AB 73,41 a A Sulfato de Alumínio 25mgL-1 57,58 ab AB 76,81 a A Sulfato de Alumínio 50mgL-1 58,71 ab AB 61,83 a A Sacarose 25gL-1 71,88 ab AB 69,60 a A Sacarose 50gL-1 52,93 ab AB 68,50 a A Sacarose 75gL-1 57,56 ab AB 63,22 a A Test. 1 58,39 a Test. 2 55,85 a Médias seguidas pela mesma letra minúscula nas linhas (DMS = 12,43) e maiúscula nas colunas (DMS = 18,52) não diferem entre si pelo teste de Tukey (5%). CV = 11,85%.

Para um dia de armazenamento, a melhor substância-diluição foi sacarose 25gL-1, que acredita-se ter fornecido energia para a germinação dos grãos de pólen e crescimento do tubo polínico; sendo que soluções mais concentradas de sacarose (50 e 75gL-1) podem ter reduzido a água livre, desidratando as flores e reduzindo a viabilidade dos grãos de pólen, conforme atribuíram Markhart & Harper (1995) às flores de Strelitzia reginae.

4.9. Peso de Cem Sementes

Para algumas espécies, existe uma relação entre vigor e tamanho da semente (Carvalho & Nakagawa, 2000), devido à quantidade de reserva energética (Vieira &