A. ORTAM OLARAK DİL VE GELENEK
A.2. Varlığın Temeli Olarak Dil
A.2.3. Nihilizm-Metafizik İkileminde Gadamer
A primeira proposta de um ensino formal, específico, para uma atividade relacionada com a comunicação acontece em 1918, no I Congresso Nacional de Jornalistas promovido pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Porém, segundo MELO (1992, p. 60), não havia ainda, naquele momento, uma demanda por profissionais qualificados. Isso só vai acontecer depois, quando o país entra verdadeiramente numa era industrial e o jornalismo praticado aqui toma feição de empresa. Só nesse momento é que os profissionais buscam regulamentações e legitimação, e vêem a criação de um curso universitário como o caminho para conseguir isso.
Conforme aponta NUZZI (1992, p. 23), na década de 30 há uma experiência de ensino de jornalismo, um curso no âmbito da Universidade do Distrito Federal, que começa em 1936 mas é extinto no ano seguinte. O ensino superior em jornalismo é instituído no país, dentro do sistema de ensino superior, em 13 de maio de 1943, através do decreto-lei número 5480. Será necessário ainda esperar alguns anos para que começassem a aparecer os cursos. A primeira escola criada no país, em 1947, é a da Fundação Cásper Líbero, a partir de um convênio com a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. No ano seguinte começa a funcionar o curso de jornalismo da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro. MELO avalia a existência de uma “defasagem de 30 anos entre a primeira proposta para o funcionamento de uma escola de jornalismo (1918) e a implementação dessa idéia, em 1947/48, com a instalação das duas primeiras escolas” (1992, p. 60).
Ainda conforme NUZZI (1992, p. 27), na década de 50 (e até 1961) são criados outros oito cursos de jornalismo, em São Paulo, Santos, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e Recife. De acordo com o autor, um fator decisivo para a evolução da área foi a constituição do Conselho Federal de Educação (CFE) como colegiado superior do ensino no Brasil, que ocorreu a partir da lei 4024 de 20 de dezembro de 1961. É o CFE que, no
ano seguinte, vai instituir o currículo mínimo para os cursos superiores. “O primeiro currículo mínimo para os cursos de comunicação data de 1962. Só havia, na época, uma habilitação, a de jornalismo, e o curso nem ao menos tinha o nome de comunicação” (SILVA, 1979, p. 26). Celso Cunha e Josué Montello foram convocados pelo CFE para elaborar o primeiro currículo mínimo para a área de jornalismo.
Na década de 60 ocorre uma mudança na direção dos cursos superiores. Em 1962, cria-se o curso de jornalismo da Universidade de Brasília, que estabelece desde então um plano para uma Faculdade de Comunicação de Massa, com as habilitações em jornalismo; televisão, rádio e cinema; e publicidade e propaganda, que é criada em 1963. Em 1966 é a Universidade de São Paulo que instala sua Escola de Comunicações Culturais, com um novo esquema curricular. No ano seguinte o curso de jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul se transfere para a Faculdade dos Meios de Comunicação (Famecos) e surge a Escola de Comunicações da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ). Em todo o país, “os cursos passaram a ser denominados faculdades de comunicação social ou departamentos, sobretudo nas universidades federais ou estaduais” (NUZZI, 1992, p. 30).
Portanto, se já havia ensino de comunicação na década de 40, é apenas na década de 60 que surge o ensino superior em comunicação. É importante destacar que os cursos de jornalismo “nascem de um espaço universitário inadequado” (MELO, 1991, p. 13) uma vez que se encontram dentro de faculdades de filosofia, possuindo muito mais um caráter de formação humanística. Entre os fatores que motivaram essa mudança, destaca-se o papel de protagonista do Ciespal que propõe, em 1964, o seu “Plan Tipo de Escuela de Ciencias de la Información Coletiva” no qual está embutida a concepção do comunicador polivalente (MELO, 1991, p. 9). Trata-se da reprodução, no Brasil, do modelo norte- americano da school of mass communication.
Esse processo de conversão dos cursos de jornalismo em cursos de comunicação social se dá de forma definitiva em 1969, com a resolução 11/69 do CFE (OLIVEIRA, 1992, p. 5). Essa resolução, baseada no parecer 631/69, de autoria de Celso Kelly (a quem foi solicitada uma proposta de reformulação do ensino de comunicação), marca de forma definitiva a implantação do ensino superior em comunicação no Brasil, com cinco habilitações: jornalismo, publicidade e propaganda, relações públicas, editoração e polivalente. Até então, dois currículos mínimos já haviam sido aprovados para a área, mas ambos restritos ao ensino de jornalismo.
O parecer de Celso Kelly, que dá origem à Resolução 11/69 de 06 de agosto de 1969, define o primeiro currículo mínimo para a área de comunicação. Esse currículo prevê um curso contendo oito disciplinas obrigatórias, divididas em três categorias (MOURA, 2002, p. 300). São elas:
a) Disciplinas básicas: 1. Sociologia, 2. Fundamentos científicos da comunicação, 3. História das comunicações e jornalismo comparado, 4. Ética e legislação dos meios de comunicação, 5. Pesquisa de opinião e mercadologia;
b) Disciplinas profissionais: 6. Introdução às técnicas da comunicação (teoria e prática), disciplina de caráter geral, desdobrada em cinco específicas, de acordo com a habilitação: Jornalismo (impresso, radiofônico, televisionado e cinematográfico), Telerradiodifusão, cinema e teatro, Relações públicas, Publicidade e propaganda, Editoração;
c) Disciplinas de cultura geral: 7. História da cultura ou do conhecimento humano, 8. Problemas políticos, sociais e econômicos, 9. Cultura brasileira.
O parecer de Kelly prevê ainda um elenco de 15 disciplinas optativas, duas das quais, pelo menos, deveriam ser cursadas por todos os alunos. São elas: Biblioteconomia e Bibliografia, Cibernética, Introdução à documentação, Ecologia, Economia, Estatística, Física moderna, Folclore, História das artes, Higiene, Lógica, Matemática, Política, Psicologia social.
O currículo elaborado por Kelly faz uma distinção entre os conhecimentos necessários para a formação do profissional de comunicação. Primeiro, estabelecendo disciplinas que não pertencem ao campo da comunicação, mas que devem ser ministradas para complementar a formação – nesse quadro se encaixam as disciplinas de cultura geral e as eletivas. Em segundo lugar estão as disciplinas relativas à prática profissional – elas é que dão especificidade às habilitações profissionais no campo da comunicação. Por fim, existe um núcleo da área, comum às habilitações. Esse núcleo contempla todas as tradições de pesquisa anteriores da comunicação: os estudos históricos, os estudos jurídicos, os estudos de opinião pública e mercado e os estudos no âmbito das ciências sociais, particularmente no campo da sociologia da comunicação – conforme as classificações da pesquisa em comunicação presentes em LOPES, 1990 e MELO, 1986, que serão analisadas em outra parte deste trabalho. Representam os diferentes pontos de vista a partir dos quais a comunicação é analisada: o direito, a história, a administração e a gestão mercadológicas e,
por fim, as ciências sociais. A última disciplina é a que busca, propriamente, a especificidade disciplinar do campo.
O parecer de Kelly é aprovado e aplicado quase integralmente, quando da aprovação da Resolução 11/69. A diferença é que passam a ser oito disciplinas obrigatórias, “além de sociologia, integrante dos currículos do grupo de formação social” (Resolução 11/69 – Art. 3o, apud MOURA, 2002, p. 303), e mais duas eletivas escolhidas de um total de 13.
Este currículo mínimo irá vigorar até 1978, ano em que o CFE aprovou o parecer 1203/77, que deu origem à resolução 3/78 de 12 de abril de 1978, que reformulou a estrutura do ensino de comunicação social, acrescentando duas habilitações: radialismo (rádio e TV) e cinema. Essa resolução suprimiu a habilitação em editoração, mas foi assegurada a sua continuação nas escolas que já tivessem essa habilitação. O currículo mínimo desta resolução, idêntico ao do parecer que lhe deu origem, prevê três grandes blocos de disciplinas:
a) Matérias obrigatórias do tronco comum:
a.1) Matérias de fundamentação geral humanística: 1. Problemas socioculturais e econômicos contemporâneos, 2. Sociologia, 3. Psicologia, 4. Antropologia cultural, 5. Cultura brasileira, 6. Língua portuguesa
a.2) Matérias de fundamentação específica: 7. Teoria da comunicação, 8. Comunicação comparada, 9. Sistemas de comunicação social no Brasil, 10. Estética e comunicação de massa
b) Matérias obrigatórias do campo profissional: 11. Técnicas de codificação, 12. Técnicas de produção e difusão, 13. Deontologia dos meios de comunicação, 14. Legislação dos meios de comunicação, 15. Técnicas de administração, 16. Técnicas de mercadologia. Esse currículo reproduz a divisão dos conhecimentos necessários para a formação em comunicação em três grupos: um primeiro, composto por conhecimentos não pertencentes ao campo da comunicação; um segundo, relacionado com as profissões; e um terceiro, relacionado à área de comunicação de uma forma geral.
Já há, contudo, uma outra visão em relação a estas duas últimas. As disciplinas ligadas a legislação, ética, administração e mercadologia deixam de fazer parte do núcleo da comunicação, deslocando-se para o conjunto de disciplinas profissionalizantes. A área considerada específica da comunicação vê constar uma disciplina de “teoria da comunicação” e, ainda, a aproximação de duas disciplinas relacionadas com a mídia: uma
voltada para a realidade sócio-política da mídia (os sistemas de comunicação nacionais) e outra para a dimensão estética dos conteúdos dos meios.
O novo currículo provocou uma série de insatisfações e já em 1980, através da Portaria 179, o Conselho Federal de Educação criou uma Comissão Especial para analisar o currículo de comunicação. Essa comissão trabalhou até 1982. Dos trabalhos dessa comissão resultou a Resolução 02/84, quinto e último currículo mínimo da área de comunicação (considerando-se os de 62 e 66, referentes apenas a cursos de jornalismo), e também o que teve vida mais longa. Quando o CFE, tendo como base o parecer 480/83, emitiu a resolução 2/84 de 24 de janeiro de 1984, fixou o novo currículo mínimo do curso de comunicação social e definiu seis habilitações: jornalismo, relações públicas, publicidade e propaganda, radialismo (rádio e TV), cinema e produção editorial. Entre as várias diretrizes apontadas pela comissão como norteadoras do currículo, destaca-se uma, que constitui o subitem 2.3.2 do Parecer 480/83:
incorporar as três áreas de conhecimento necessárias à formação: Ciências Sociais, Ciências da Comunicação e da Linguagem e Filosofia e Arte:
- Ciências Sociais – para conhecer a realidade social e através de modelos teóricos e metodológicos analisar o sistema de produção e os processos de mudança social.
- Ciências da Comunicação e da Linguagem – para conhecer os sistemas de comunicação da sociedade, interpretá-los através dos modelos teóricos e metodológicos, e operá-los mediante técnicas e linguagem.
- Filosofia e arte – para compreender os aspectos existenciais e estéticos, assim como refletir com ética sobre questões que envolvem valores socioculturais (MOURA, 2002, p. 93).
Além das mudanças no elenco de disciplinas, o currículo de 1984 traz uma nova visão das áreas que compõem a comunicação. A parte relativa às ciências sociais é compreendida como sendo de outro lugar – o campo próprio das ciências sociais, que aparece no currículo para dar suporte ao estudo da comunicação. Do mesmo modo, a ética, antes considerada parte dos conhecimentos teóricos da comunicação e depois da parte profissional, é agora incorporada a um segundo ramo de estudos, “filosofia e arte”, convivendo com estética, que estava presente desde o currículo anterior. O conjunto de conhecimentos considerado como específico da comunicação passa a receber a complementação “e da linguagem”, enfatizando a incorporação, no campo da comunicação, de conceitos e teorias vindas das ciências da linguagem, até então sem participação neste campo.
As disciplinas que compõem o currículo mínimo aprovado então são divididas em três grupos: um primeiro, composto pelas matérias ou disciplinas obrigatórias do tronco comum (estas, divididas em obrigatórias, num total de seis, e eletivas, num total de 21) e matérias ou disciplinas obrigatórias da parte específica, para cada uma das seis habilitações (9 disciplinas para jornalismo, 7 para relações públicas, 9 para publicidade e propaganda, 10 para produção editorial, 10 para radialismo - rádio e TV - e 11 para cinema).
O currículo mínimo de 1984 permanece em vigor até o final da década de 90. Em 1996, a Lei 9394, de 20 de dezembro, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), reformula o sistema de ensino no país. Entre as modificações, foram extintos os currículos mínimos, de forma a assegurar às instituições de ensino superior ampla liberdade na composição da carga horária a ser cumprida. Esse processo resultou na aprovação das Diretrizes Curriculares para a Área de Comunicação a partir da resolução 16/02 da Câmara de Ensino Superior do Conselho Nacional de Educação (CES/CNE), que tem por base os pareceres 492/2001 e 1363/01, ambos aprovados pelo CNE. Num destes pareceres, consta que “é mantida a referência básica às habilitações historicamente estabelecidas: jornalismo, relações públicas, publicidade e propaganda, radialismo, editoração e cinema (assim como à sua denominação alternativa, cinema e vídeo)” e que “podem ser criadas novas habilitações pertinentes ao campo da comunicação” (DIRETRIZES..., 2001, p. 15). Com isso foi abolido o limite de habilitações, permitindo a criação de outras habilitações profissionais presentes hoje nos cursos de comunicação, tais como “audiovisual”, “hipermídia”, “mídias digitais”, “comunicação integrada”, “produção cultural” e até mesmo “produção da moda”.
O parecer CNE/CES 492/2001 não traz um currículo mínimo, nem mesmo uma lista com sugestões de disciplinas. Ele apresenta um conjunto de características que define o perfil dos formandos. Há um perfil comum, que deve ser atendido por todos os cursos da área de comunicação, que salienta, entre seus quatro tópicos, a necessidade de desenvolver a “capacidade de criação, produção, distribuição, recepção, e análise crítica referentes às mídias, às práticas profissionais e sociais relacionadas com estas, e a suas inserções culturais, políticas e econômicas” e também o “entendimento da dinâmica das diversas modalidades comunicacionais e das suas relações com os processos sociais que as originam e que destas decorrem” (DIRETRIZES..., 2001, p. 14). Ou seja, há um destaque para a comunicação que ocorre a partir dos meios de comunicação de massa mas, ao
mesmo tempo, uma preocupação com as diferentes modalidades de comunicação. Há também perfis específicos, que
resultam das habilitações diferenciadas do campo da Comunicação, que se caracteriza por uma abrangência sobre diferentes meios, linguagens e práticas profissionais e de pesquisa e, na atualidade, por envolver um acelerado dinamismo social e tecnológico. Para assegurar o desenvolvimento histórico desta área de formação, estudos e exercício profissional, serão desenvolvidas habilitações com uma variedade de perfis específicos. Estas habilitações, definidoras dos perfis específicos, se organizam conforme as seguintes premissas:
a) é mantida a referência básica às habilitações historicamente estabelecidas: jornalismo, relações públicas, publicidade e propaganda, radialismo, editoração, e cinema (assim como à sua denominação alternativa, cinema e vídeo);
b) podem ser criadas ênfases específicas em cada uma destas habilitações, que serão então referidas pela denominação básica, acrescida de denominação complementar que caracterize a ênfase adotada;
c) podem ser criadas novas habilitações pertinentes ao campo da Comunicação (DIRETRIZES..., 2001, p. 14).
Os perfis específicos destacam: no jornalismo, a questão da informação, da objetividade, da disseminação; nas relações públicas, a administração, a organização, os públicos e as estratégias; no radialismo, as especificidades técnicas e estéticas do som e da imagem; na publicidade e propaganda, os instrumentos, a questão do mercado e o planejamento; na editoração, os processos de produção e distribuição do livro e de outros produtos multimídia; no cinema, os processos e atividades envolvidos na produção de produtos cinematográficos e videográficos.
O tópico seguinte do parecer trata das competências e habilidades esperadas dos egressos, também divididas em gerais e específicas. As gerais destacam a capacidade crítica, a postura ético-política e o domínio das linguagens.
As específicas, por habilitação, levantam conjuntos de habilidades relacionadas com o fazer profissional, sendo que, em três casos, ressalta-se mais um tipo específico de ação e de objetivo e, em três outros, a questão central diz respeito a determinado meio ou suporte de comunicação.
O primeiro grupo inclui as habilitações profissionais em jornalismo, relações públicas e publicidade e propaganda. No caso do jornalismo, a ênfase recai sobre o trabalho de coleta e redação da informação, a entrevista e a edição, o domínio da linguagem jornalística em qualquer meio ou suporte. Para as relações públicas, destaca-se a capacidade de realizar
pesquisas, elaborar diagnósticos, enfim, trabalhar estrategicamente no âmbito de organizações e empresas para promover o diálogo entre os públicos, utilizando-se para isso de qualquer tipo de meio ou suporte de comunicação. Já para a publicidade e propaganda, a demanda é por capacidade de atuar no mercado para atingir objetivos como a motivação, o consumo ou a persuasão, a partir de uma ação estratégica lançando mão de veículos impressos, eletrônicos, digitais ou mesmo interpessoais.
No segundo grupo se encontram as demais habilitações. Nas capacidades esperadas do egresso do curso de radialismo, constam a concepção e produção de peças audiovisuais, para rádio e televisão, o domínio das linguagens e gêneros. É bastante semelhante à habilitação cinema (ou cinema e vídeo, como consta no texto original), voltado para a criação de produtos cinematográficos a partir do domínio da técnica em cada fase de sua produção. Já a habilitação editoração está bem voltada para o planejamento e a produção de peças impressas (principalmente livros) mas também em outros suportes como CDs, vídeos e páginas na internet.
O tópico seguinte do parecer refere-se aos conteúdos curriculares. Há, mais uma vez, a distinção entre conteúdos básicos e conteúdos específicos. A definição dos conteúdos básicos é a seguinte:
Os conteúdos básicos são caracterizadores da formação geral da área, devendo atravessar a formação dos graduandos de todas as habilitações. Envolvem tanto conhecimentos teóricos como práticos, reflexões e aplicações relacionadas ao campo da Comunicação e à área configurada pela habilitação específica. Estes conhecimentos são assim categorizados: conteúdos teórico-conceituais; conteúdos analíticos e informativos sobre a atualidade; conteúdos de linguagens, técnicas e tecnologias midiáticas, conteúdos ético-políticos (DIRETRIZES..., 2001, p. 20).
Os conhecimentos previstos estão divididos em quatro núcleos: um teórico, propriamente ligado à teoria da comunicação; um voltado para a compreensão da realidade sócio- histórica, ligado às ciências sociais; um dirigido para as linguagens e técnicas, especificado em relação à mídia, pertencente ao domínio das ciências da linguagem; e o último preservando a questão ética, no domínio da filosofia.
Já os conteúdos específicos “serão definidos pelo colegiado do curso, tanto para favorecer reflexões e práticas no campo geral da Comunicação, como para incentivar reflexões e práticas da habilitação específica” (DIRETRIZES..., 2001, p. 20). Não há detalhamento ou
sugestão de conteúdos, observando-se que deve haver coerência entre os conteúdos e o perfil do egresso e as capacidades requeridas, explicitadas nos itens anteriores.
A evolução dos currículos da área de comunicação permite perceber as mudanças na compreensão do que é a comunicação e da sua relação com disciplinas vizinhas. O currículo de 1969 confere pouca importância para as práticas profissionais e não visualiza ainda um conjunto próprio de conhecimentos da comunicação, considerando-os como aqueles provenientes da história, do direito, da administração e das ciências sociais. A ênfase maior, portanto, está nos conteúdos externos à área de comunicação, isto é, às disciplinas científicas de outras áreas.
O currículo de 1978 retira as partes de ética e administração do núcleo da comunicação, inserindo a questão da mídia de forma mais incisiva. Reconhece, contudo, um conjunto de conteúdos pertencentes ao campo da comunicação como disciplina científica. A ênfase nas profissões é um pouco maior do que no currículo anterior, o que reflete na diminuição da importância dos conhecimentos vindos de outras áreas, aqui compreendidos como fundamentação geral humanística.
O currículo de 1984 incorpora, no campo específico da comunicação, a questão das linguagens, promovendo maior separação em relação às ciências sociais e à filosofia, que ficam com a parte relativa à dimensão social da comunicação. Além disso, atribui grande importância às práticas profissionais, com extenso elenco de disciplinas, muito variadas de acordo com a habilitação, e que devem cumprir 45% do curso, além dos 10% relativos aos projetos experimentais.
Por fim, as novas Diretrizes Curriculares preservam a grande importância atribuída aos conhecimentos profissionais em cada uma das seis habilitações, e visualizam o campo da comunicação como próprio, distinto das ciências sociais, das ciências da linguagem e do conteúdo filosófico e ético. No perfil básico, comum às habilitações, o peso está, pois, em disciplinas da área de comunicação, das ciências sociais, das ciências da linguagem e da filosofia. O perfil específico, definido a partir das práticas profissionais, enfatiza as mídias e os processos.